{"id":374970,"date":"2026-05-09T14:13:09","date_gmt":"2026-05-09T14:13:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374970\/"},"modified":"2026-05-09T14:13:09","modified_gmt":"2026-05-09T14:13:09","slug":"osteoporose-e-diabetes-como-estratificar-risco-de-fraturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374970\/","title":{"rendered":"Osteoporose e diabetes: como estratificar risco de fraturas"},"content":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2026, foi publicado na\u00a0Diabetology\u00a0&amp;\u00a0Metabolic\u00a0Syndrome\u00a0o\u00a0guideline\u00a0brasileiro para manejo da osteoporose no indiv\u00edduo com diabetes mellitus. Os autores\u00a0abordam\u00a0o reconhecimento do diabetes como fator de risco\u00a0independente\u00a0para fraturas, a estratifica\u00e7\u00e3o desse risco e, por fim, a indica\u00e7\u00e3o de rastreamento\u00a0densitom\u00e9trico.\u00a0Desta forma, n\u00e3o devemos enxergar\u00a0o diabetes\u00a0apenas como uma\u00a0\u00a0comorbidademetab\u00f3lica\u00a0em indiv\u00edduos com\u00a0osteoporose\u00a0mas como um\u00a0determinante independente de fragilidade \u00f3ssea, com implica\u00e7\u00f5es diretas na pr\u00e1tica cl\u00ednica.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>E a\u00a0primeira recomenda\u00e7\u00e3o\u00a0do\u00a0guideline\u00a0\u00e9\u00a0exatamente o estabelecimento\u00a0do\u00a0diabetes mellitus\u00a0como\u00a0um fator de risco independente para fraturas, com n\u00edvel de evid\u00eancia B e classe de recomenda\u00e7\u00e3o I. Essa orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentada por m\u00faltiplos estudos observacionais e meta-an\u00e1lises que demonstram aumento consistente do risco de fraturas vertebrais e n\u00e3o vertebrais, particularmente de quadril, tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2. A magnitude desse risco \u00e9 influenciada por vari\u00e1veis como dura\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, controle glic\u00eamico, presen\u00e7a de complica\u00e7\u00f5es micro e\u00a0macrovasculares\u00a0e terapias utilizadas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Al\u00e9m disso, o\u00a0guideline\u00a0enfatiza que o risco de fratura no diabetes n\u00e3o \u00e9 completamente explicado pela densidade mineral \u00f3ssea (DMO), especialmente no diabetes tipo 2, no qual a massa \u00f3ssea pode estar preservada ou aumentada. Esse fen\u00f4meno refor\u00e7a o conceito de \u201cparadoxo da fragilidade \u00f3ssea no diabetes\u201d, em que altera\u00e7\u00f5es qualitativas do tecido \u00f3sseo e fatores\u00a0extraesquel\u00e9ticos\u00a0(como risco de quedas) desempenham papel relevante na fisiopatologia.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">A segunda recomenda\u00e7\u00e3o orienta que o risco de fratura deve ser sistematicamente estimado por meio do FRAX ajustado para diabetes em todos os indiv\u00edduos com \u226550 anos.\u00a0\u00a0Essa recomenda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresenta classe I e n\u00edvel de evid\u00eancia B. O racional decorre da limita\u00e7\u00e3o do FRAX tradicional em capturar adequadamente o risco associado ao diabetes, particularmente ao tipo 2, exigindo ajustes como redu\u00e7\u00e3o do T-score em 0,5 DP, incremento da idade em 10 anos ou\u00a0marca\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0sim\u00a0para\u00a0artrite reumatoide.\u00a0O TBS (escore trabecular \u00f3sseo) tamb\u00e9m pode ser utilizado para ajustar o risco pelo FRAX.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Importante destacar que nenhum m\u00e9todo de ajuste do FRAX reproduz perfeitamente o impacto do diabetes no risco de fratura, embora todos melhorem sua acur\u00e1cia preditiva.\u00a0\u00a0Tamb\u00e9m \u00e9 preciso refor\u00e7ar que estes ajustes dizem respeito apenas ao diabetes tipo 2. Para o diabetes tipo 1, devemos marcar\u00a0sim\u00a0para causas secund\u00e1rias quando n\u00e3o tivermos densitometria \u00f3ssea dispon\u00edvel. Uma vez inclu\u00eddo os dados da densitometria no c\u00e1lculo do FRAX, a indica\u00e7\u00e3o do diabetes tipo 1 como causa secund\u00e1ria deixa de modificar o risco final.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">A terceira recomenda\u00e7\u00e3o estabelece que a densitometria \u00f3ssea (DXA) deve ser realizada em homens e mulheres com diabetes \u226550 anos que apresentem pelo menos um fator adicional de risco para fraturas. Trata-se de recomenda\u00e7\u00e3o classe\u00a0I, por\u00e9m com n\u00edvel de evid\u00eancia C, refletindo maior depend\u00eancia de consenso e dados indiretos. Essa orienta\u00e7\u00e3o antecipa o rastreamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o geral, reconhecendo o risco aumentado nesse grupo.\u00a0A\u00a0indica\u00e7\u00e3o de densitometria deve ser interpretada dentro de uma abordagem multifatorial, integrando fatores cl\u00ednicos, ferramentas de risco e aspectos qualitativos do osso, o que refor\u00e7a a necessidade de avalia\u00e7\u00e3o mais abrangente nessa popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Al\u00e9m dos fatores de risco cl\u00e1ssicos para fraturas, o\u00a0guideline\u00a0estabelece aqueles inerentes ao diabetes: &gt; 10 anos de doen\u00e7a; HbA1c persistentemente maior ou igual a 9%; hipoglicemias frequentes; presen\u00e7a de complica\u00e7\u00f5es microvasculares; uso de insulina,\u00a0sulfonilureias,\u00a0glitazonas\u00a0e\u00a0canafliflozina.\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em mar\u00e7o de 2026, foi publicado na\u00a0Diabetology\u00a0&amp;\u00a0Metabolic\u00a0Syndrome\u00a0o\u00a0guideline\u00a0brasileiro para manejo da osteoporose no indiv\u00edduo com diabetes mellitus. 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