{"id":375122,"date":"2026-05-09T16:57:29","date_gmt":"2026-05-09T16:57:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/375122\/"},"modified":"2026-05-09T16:57:29","modified_gmt":"2026-05-09T16:57:29","slug":"pcp-dedica-28-palavras-a-antigo-braco-direito-de-cunhal-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/375122\/","title":{"rendered":"PCP dedica 28 palavras a antigo bra\u00e7o-direito de Cunhal \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Foi militante do PCP durante 48 anos. Passou dez na clandestinidade e oito na pris\u00e3o. Serviu o partido como funcion\u00e1rio, membro do Comit\u00e9 Central, deputado, diretor do jornal \u201cAvante!\u201d, l\u00edder parlamentar (durante 15 anos) e candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Durante muito tempo, foi o bra\u00e7o direito de \u00c1lvaro Cunhal. Acabaria por romper com ele e por se assumir como um dos protagonistas da chamada ala renovadora. Morreu esta semana aos 93 anos. Em comunicado, o PCP dedicou-lhe apenas 28 palavras e 199 caracteres.<\/p>\n<p>\u201cA <strong>pedido<\/strong> de v\u00e1rios \u00d3rg\u00e3os de Comunica\u00e7\u00e3o Social, sobre o falecimento de Carlos Brito.\u201d Assim come\u00e7a a nota divulgada no site do PCP. A seguir, pode ler-se: \u201cSem <strong>preju\u00edzo<\/strong> das conhecidas diferen\u00e7as e distanciamento pol\u00edtico, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribui\u00e7\u00e3o na Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, nomeadamente no plano parlamentar\u201d. Sem mais.<\/p>\n<p>Carlos Brito morreu na quarta-feira, em casa, no concelho de Alcoutim, depois de ter estado internado no Hospital de Faro devido a uma infe\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria. Foi l\u00edder parlamentar durante 15 anos, candidato apoiado pelos comunistas \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, diretor do jornal \u201cAvante!\u201d e membro do Comit\u00e9 Central durante 45 anos. No final dos anos 90 e na viragem do s\u00e9culo, foi-se afirmando com uma voz cr\u00edtica do rumo que o partido estava a seguir, o que lhe valeu o fim da amizade com \u00c1lvaro Cunhal.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, em entrevista \u00e0 RTP, acabaria por revelar que a \u201czanga\u201d com \u00c1lvaro Cunhal lhe causou mais sofrimento do que os oito anos encarcerado. \u201cGostaria que n\u00e3o tivesse acontecido, que tiv\u00e9ssemos chegado a um acordo. N\u00e3o que eu teria abdicado da minha opini\u00e3o, n\u00e3o podia.\u201d O momento da rutura com o l\u00edder hist\u00f3rico do PCP deu-se durante a prepara\u00e7\u00e3o do XIV Congresso, em 2000. Numa conversa privada com Cunhal, Brito defendeu que o partido devia \u201cdeixar o marxismo-leninismo\u201d, lembrando \u201cas v\u00e1rias experi\u00eancias de insucesso no Mundo\u201d de regimes com esta ideologia.<\/p>\n<p>Apesar de j\u00e1 n\u00e3o ser secret\u00e1rio-geral do PCP, Cunhal mantinha influ\u00eancia no partido e, em reuni\u00e3o do Comit\u00e9 Central, exp\u00f4s a exist\u00eancia de membros que defendiam renova\u00e7\u00e3o do partido. Depois do encontro, Carlos Brito regressou a Alcoutim, onde tinha crescido, e enviou ao secretariado comunista aquela que ficou conhecida como \u201ccarta-bomba\u201d. Nela apelava ao abandono do leninismo e defendia um \u201cregresso a Marx\u201d, exigindo uma \u201cprofunda democratiza\u00e7\u00e3o\u201d do partido. A partir desse momento, passou a ser tratado como um inimigo da dire\u00e7\u00e3o. Meses mais tarde, demitiu-se do Comit\u00e9 Central.<\/p>\n<p>Em 2002, em conjunto com Carlos Lu\u00eds Figueira e Edgar Correia, foi alvo de uma san\u00e7\u00e3o disciplinar pelo PCP. Mas enquanto estes dois foram expulsos, Carlos Brito foi suspenso por 10 meses. Terminado\u00a0esse per\u00edodo autosuspendeu-se como militante e assim ficou at\u00e9 ao fim da sua vida. Criou oficialmente um movimento dos renovadores comunistas, em que assumiu o cargo de presidente do Conselho Nacional. Tamb\u00e9m regressou ao Algarve, onde foi autarca e se dedicou \u00e0 escrita, tendo publicado livros de fic\u00e7\u00e3o, poesia e mem\u00f3rias. Foi agraciado pelo amigo Jorge Sampaio com a Gr\u00e3-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1997, e com a Ordem da Liberdade, grau de Grande-Oficial, em 2004.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, Jos\u00e9 Lu\u00eds Carneiro e Jos\u00e9 Manuel Pureza lamentaram o desaparecimento de Carlos Brito. Os bloquistas v\u00e3o, de resto, propor um voto de pesar no Parlamento. No Observador, Arm\u00e9nio Carlos, ex-dirigente do PCP e antigo l\u00edder da CGTP, recordou Brito como um \u201chomem que lutou pela liberdade, pela democracia\u201d, elogiando-o como algu\u00e9m que \u201cnunca deixou de afirmar publicamente as suas posi\u00e7\u00f5es pela liberdade e democracia\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Observador, e mesmo assumindo que houve um afastamento entre os dois, Jos\u00e9 Jorge Letria referiu-se a Brito como \u201cum guerreiro resistente \u00e0 ditadura e \u00e0 mediocridade que depois se foi apoderando de muitos aspetos e \u00e1reas fundamentais da nossa democracia\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Za912iHM5l\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/carlos-brito-1933-2026-o-historico-comunista-que-rompeu-com-cunhal-para-se-afastar-de-lenine\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Carlos Brito (1933-2026): o hist\u00f3rico comunista que rompeu com Cunhal para se afastar de Lenine<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi militante do PCP durante 48 anos. 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