{"id":375259,"date":"2026-05-09T19:00:50","date_gmt":"2026-05-09T19:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/375259\/"},"modified":"2026-05-09T19:00:50","modified_gmt":"2026-05-09T19:00:50","slug":"e-preciso-fazer-melhor-o-vilaverdense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/375259\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso fazer melhor \u2013 O Vilaverdense"},"content":{"rendered":"<p><strong>Texto de Lu\u00eds Sousa (M\u00e9dico)<\/strong><\/p>\n<p>O cancro do c\u00f3lon \u00e9 o 3\u00ba cancro mais frequente a n\u00edvel global e a 2\u00aa causa de morte por cancro, com maiores n\u00edveis de incid\u00eancia na Europa, Am\u00e9rica do Norte e Austr\u00e1lia. Em Portugal, segundo dados do Registo Oncol\u00f3gico Nacional, o cancro do c\u00f3lon \u00e9 o terceiro cancro mais frequente no homem e o segundo mais frequente na mulher. No nosso pa\u00eds, ocorrem mais de cinco mil novos casos de cancro do c\u00f3lon por ano, sendo os distritos de Braga, Porto, Vila Real e Bragan\u00e7a os de maior incid\u00eancia desta neoplasia.<\/p>\n<p>O cancro do c\u00f3lon aumenta com a idade e \u00e9 mais frequente no sexo masculino, com os homens a terem um risco de cancro 1,4 vezes superior \u00e0s mulheres. Tem havido, no entanto, um aumento da incid\u00eancia em indiv\u00edduos abaixo dos 50 anos o que pode levar a uma eventual revis\u00e3o das estrat\u00e9gias de rastreio nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A preven\u00e7\u00e3o do cancro \u00e9 uma pe\u00e7a chave quando falamos em fazer face a esta doen\u00e7a. Sabe-se que 40-50% dos cancros, no geral, s\u00e3o evit\u00e1veis e 44% das mortes por cancro tamb\u00e9m podem ser prevenidas. Alias, o European Code Against Cancer, da OMS, prop\u00f5e um conjunto de catorze recomenda\u00e7\u00f5es para os cidad\u00e3os mas tamb\u00e9m elenca v\u00e1rias propostas pol\u00edticas de \u00e2mbito populacional que deveriam ser tidas em conta por todos os governos no sentido de se promoverem medidas que podem, no m\u00e9dio e longo prazo, reduzir a incid\u00eancia e mortalidade por cancro.<\/p>\n<p>Investir na preven\u00e7\u00e3o \u00e9 premente, por\u00e9m, a OCDE coloca Portugal aqu\u00e9m do necess\u00e1rio nesta mat\u00e9ria, constatando-se que, em 2021, investimos metade da m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia em pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o. Prevenir o cancro passa, entre outras coisas, por boas pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o do tabagismo, do consumo de \u00e1lcool, do controlo da obesidade e do excesso de peso, fatores de risco que, reconhecidamente, est\u00e3o associados \u00e0 doen\u00e7a oncol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No que toca \u00e0 obesidade, 53% dos adultos portugueses t\u00eam excesso de peso ou obesidade (51% na UE); quanto ao \u00e1lcool, Portugal foi o pa\u00eds com o n\u00edvel mais elevado de consumo registado na UE no ano 2022, apresentando estat\u00edsticas que surpreendem! Em m\u00e9dia, cada portugu\u00eas adulto consome 11,9 litros de \u00e1lcool puro por ano (o equivalente a cerca de 700 cervejas\/ano ou 18 garraf\u00f5es de vinho\/ano). No incentivo \u00e0 atividade f\u00edsica temos, igualmente, muito a melhorar. Curiosamente, ao contr\u00e1rio do que poder\u00edamos imaginar, estamos pior na popula\u00e7\u00e3o de adolescentes do que nos adultos.<\/p>\n<p>No que toca ao tabagismo, temos tido uma evolu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel, com uma redu\u00e7\u00e3o da preval\u00eancia de tabagismo de 17% para 14% entre 2014 e 2019, valor que nos coloca abaixo a m\u00e9dia da UE (18%). Mas, se no campo da preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria temos margem para atuar e melhorar, no cap\u00edtulo da preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria (rastreios oncol\u00f3gicos) tamb\u00e9m temos margem de progress\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando falamos de rastreios, podemos faz\u00ea-lo de forma oportunista e individual ou podemos atuar com base populacional, ou seja, atrav\u00e9s da oferta sistem\u00e1tica de testes de rastreio a toda uma popula\u00e7\u00e3o-alvo definida. Em Portugal, os rastreios oncol\u00f3gicos de base populacional abrangem o cancro da mama, do colo do \u00fatero e o cancro colorretal, embora, cada um deles se encontre em diferentes n\u00edveis de desenvolvimento e maturidade.<\/p>\n<p>Se no cancro da mama, em 2023, 98% da popula\u00e7\u00e3o abrangida foi convidada a participar (conseguindo-se uma ades\u00e3o de 51% e uma taxa efetiva de rastreio de 50%), no que toca ao cancro colorretal apenas 33% da popula\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel foi convidada a participar (atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa de sangue oculto nas fezes \u2013 PSOF). Destes, 41% aderiram ao rastreio o que se traduziu numa taxa efetiva de rastreio de apenas 14%. S\u00e3o n\u00fameros manifestamente insuficientes para atingirmos o n\u00edvel de preven\u00e7\u00e3o pretendido.<\/p>\n<p>De facto, o rastreio do cancro do c\u00f3lon precisa de evoluir no sentido de serem convocadas mais pessoas, eliminarem-se as assimetrias regionais na sua implementa\u00e7\u00e3o, uniformizando-se em todo o pa\u00eds o modo de o operacionalizar e aumentando a capacidade de resposta dos servi\u00e7os de gastrenterologia, p\u00fablicos, privados ou do setor social que permitam a realiza\u00e7\u00e3o de colonoscopias em tempo \u00fatil a todos os cidad\u00e3os com resultado positivo na PSOF.<\/p>\n<p>Apesar do p\u00e1ra-arranca do rastreio do cancro colorretal em Portugal, na ULS de Braga, segundo dados de dezembro de 2025, temos uma taxa de rastreio de 73,7%, fruto, em grande medida, do trabalho desenvolvido nos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios onde a preven\u00e7\u00e3o e o rastreio oncol\u00f3gico ocupam uma boa parte do tempo dos m\u00e9dicos e enfermeiros de fam\u00edlia. Por\u00e9m, se, por um lado, \u00e9 preciso incentivar os portugueses a realizarem o rastreio, tamb\u00e9m \u00e9 importante que as pol\u00edticas de sa\u00fade coloquem em pr\u00e1tica formas mais eficientes de rastrear a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Texto de Lu\u00eds Sousa (M\u00e9dico) O cancro do c\u00f3lon \u00e9 o 3\u00ba cancro mais frequente a n\u00edvel global&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":375260,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-375259","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116546167457247074","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/375259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=375259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/375259\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/375260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=375259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=375259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=375259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}