{"id":376998,"date":"2026-05-11T08:03:12","date_gmt":"2026-05-11T08:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/376998\/"},"modified":"2026-05-11T08:03:12","modified_gmt":"2026-05-11T08:03:12","slug":"tenho-quase-a-certeza-de-que-enfrentaremos-uma-recessao-ligeira-entrevista-wopke-hoekstra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/376998\/","title":{"rendered":"\u201cTenho quase a certeza de que enfrentaremos uma recess\u00e3o ligeira\u201d | Entrevista &#8211; Wopke Hoekstra"},"content":{"rendered":"<p>Para o comiss\u00e1rio europeu do Clima, Impacto Zero e Crescimento Sustent\u00e1vel, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/10\/03\/azul\/noticia\/wopke-hoekstra-comprometese-manter-ambicao-climatica-ue-2065419\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Wopke Hoekstra<\/a>, a actual crise resultante do conflito no M\u00e9dio Oriente prova que \u201ca energia n\u00e3o \u00e9 apenas um mercado\u201d, mas uma \u201cquest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional e seguran\u00e7a europeia\u201d. Acelerar a transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o que permite \u00e0 UE cumprir as metas clim\u00e1ticas e p\u00f4r fim \u00e0s vulnerabilidades.<\/p>\n<p><strong>A Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 a viver uma nova <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/05\/04\/mundo\/analise\/reconfiguracao-sistema-energetico-global-implicacoes-estrategicas-2173434\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">crise energ\u00e9tica<\/a> provocada pelo conflito no M\u00e9dio Oriente. Acredita que dar\u00e1 um novo impulso \u00e0 estrat\u00e9gia de descarboniza\u00e7\u00e3o e aposta nas energias limpas?<\/strong><br \/>Tenho a certeza disso. Agora cabe-nos a n\u00f3s certificarmo-nos de que aproveitamos esse impulso para avan\u00e7ar rapidamente. Se olharmos para a hist\u00f3ria, vemos que de cada vez que respondemos nas crises anteriores, houve sempre um efeito em termos de li\u00e7\u00f5es aprendidas. Em 1973 e 1979 assistimos ao desenvolvimento de autom\u00f3veis mais eficientes e come\u00e7amos a ver mais instala\u00e7\u00f5es nucleares. Em 2022, houve um forte impulso para as energias renov\u00e1veis, e uma maior diversifica\u00e7\u00e3o em termos da proveni\u00eancia do G\u00e1s Natural Liquefeito <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/19\/mundo\/noticia\/bruxelas-quer-proibir-importacoes-gnl-russia-partir-2027-2147832\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">(GNL) importado pela Europa<\/a>. Claro que gostar\u00edamos que esse efeito tivesse sido maior \u2013 esse \u00e9 o desafio que temos outra vez de enfrentar.<\/p>\n<p>J\u00e1 t\u00ednhamos uma excelente raz\u00e3o para sermos muito mais ambiciosos na transi\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es clim\u00e1ticas. Mesmo que n\u00e3o se compre o argumento do clima, h\u00e1 o argumento da competitividade, porque simplesmente, para as nossas empresas e para os nossos cidad\u00e3os, os pre\u00e7os da energia s\u00e3o demasiado elevados. Se isso n\u00e3o chegar para convencer, o que estamos a ver hoje? Que a energia n\u00e3o \u00e9 apenas um mercado, \u00e9 uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional e de seguran\u00e7a europeia. E n\u00e3o podemos permitir que se prolongue uma situa\u00e7\u00e3o em que podemos ser chantageados, em que somos feitos ref\u00e9ns ou ficamos vulner\u00e1veis porque outros decidem n\u00e3o nos vender, fazer uma guerra, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/05\/07\/mundo\/noticia\/sauditas-pressionaram-trump-fim-escolta-navios-estreito-ormuz-2173867\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">fechar o estreito de Ormuz<\/a>&#8230; N\u00e3o podemos permitir isso.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p><strong>Se o impasse no estreito de Ormuz se prolongar, poder\u00e3o ter de ser tomadas medidas mais dr\u00e1sticas, por exemplo de redu\u00e7\u00e3o do consumo de energia, do que aquelas que a Comiss\u00e3o apresentou recentemente?<\/strong><br \/>Na minha opini\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o ainda ir\u00e1 piorar. Mesmo que os combates, os bloqueios e o impasse terminem algures nas pr\u00f3ximas semanas, os efeitos dos danos nas instala\u00e7\u00f5es que foram bombardeadas, e dos atrasos que temos nas cadeias de abastecimento afectar\u00e3o os pre\u00e7os da energia, do cabaz de compras, dos fertilizantes, do pl\u00e1stico, etc., durante semanas e meses. Na melhor das hip\u00f3teses, tenho quase a certeza de que assistiremos a uma recess\u00e3o ligeira. Mas n\u00e3o estou optimista. Os efeitos podem ser ainda piores.<\/p>\n<p><strong>Ou seja, pode ser uma recess\u00e3o grave\u2026<\/strong><br \/>Ningu\u00e9m sabe e eu tamb\u00e9m n\u00e3o. Mas olhando para a dimens\u00e3o dos danos que j\u00e1 foram causados por esta guerra, e para a import\u00e2ncia dos atrasos em termos de transporte e fornecimento \u00e0 Europa de coisas como fertilizantes e pl\u00e1sticos, penso que \u00e9 uma ilus\u00e3o pensar que, com o fim do conflito, os constrangimentos e os estrangulamentos acabar\u00e3o. Teremos um efeito prolongado durante meses ap\u00f3s o fim da crise. E a crise ainda n\u00e3o terminou.<\/p>\n<p>Sou o primeiro a reconhecer que n\u00e3o sei, mas quando se \u00e9 respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, n\u00e3o se pode simplesmente sonhar acordado que as coisas v\u00e3o melhorar. \u00c9 preciso contar com um cen\u00e1rio muito real de as coisas se manterem na mesma, ou piorarem. E \u00e9 preciso preparar a popula\u00e7\u00e3o e o continente para isso. Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos nacionais e europeus, prepararem-se para cen\u00e1rios que nos desagradam muito, e que podem nem sequer ser os mais prov\u00e1veis, mas mesmo assim.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p><strong>No m\u00eas passado, recebeu uma carta de um conjunto de governos, entre os quais o portugu\u00eas, a defender a aplica\u00e7\u00e3o de uma taxa especial sobre os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/04\/27\/economia\/noticia\/lucro-galp-dispara-41-ajuda-subida-precos-petroleo-2172637\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">lucros extraordin\u00e1rios das petrol\u00edferas.<\/a> A resposta foi dada pelo comiss\u00e1rio da Economia, que disse que n\u00e3o achava boa ideia. Essa tamb\u00e9m \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o? Por que \u00e9 m\u00e1 ideia?<\/strong><br \/>Isto \u00e9 algo em que temos uma responsabilidade conjunta. Simpatizo muito com aqueles que nos dizem que os lucros escandalosos por causa desta crise s\u00e3o bastante dif\u00edceis de vender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas a quest\u00e3o que se coloca \u00e9 se \u00e9 poss\u00edvel ter uma taxa europeia que seja juridicamente segura, exequ\u00edvel, justa e equilibrada. A nossa conclus\u00e3o \u00e9 que provavelmente \u00e9 melhor organizar isto a n\u00edvel nacional, e articul\u00e1mos a nossa abertura para que os Estados-membros o fa\u00e7am \u2013 penso que Portugal est\u00e1 prestes a embarcar nesse processo.<\/p>\n<p>Estamos um pouco hesitantes em fazer isso a n\u00edvel europeu, porque a experi\u00eancia de 2022 \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, mista. Nessa altura a crise era mais grave e havia um maior apelo \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, mas ainda estamos envolvidos em processos judiciais para decidir se o que fizemos foi legalmente correcto. Depois, n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto seria proveitoso reavivar a discuss\u00e3o entre os Estados-membros que s\u00e3o a favor e os que s\u00e3o contra. Em terceiro lugar, h\u00e1 quest\u00f5es complicadas de equidade, porque se h\u00e1 Estados-membros, incluindo Portugal, que t\u00eam instala\u00e7\u00f5es [petrol\u00edferas] no seu territ\u00f3rio, h\u00e1 outros que n\u00e3o t\u00eam e que dizem que tamb\u00e9m querem ter parte dessas receitas. Isto desencadeia imediatamente outra conversa dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Resumindo, a nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para permitir que isto se fa\u00e7a ao n\u00edvel nacional. Continuaremos a ver como a situa\u00e7\u00e3o evolui, mas para j\u00e1 estamos hesitantes em embarcar num mecanismo europeu.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 a preparar uma reforma do sistema de com\u00e9rcio de licen\u00e7as de emiss\u00e3o (ETS). Portugal est\u00e1 no grupo de Estados-membros que apoia o fim das licen\u00e7as gratuitas, mas no lado oposto h\u00e1 grandes economias, como a Alemanha ou a It\u00e1lia que querem adiar ou mesmo suspender as mudan\u00e7as no mercado de carbono. O que podemos esperar da proposta?<\/strong><br \/>Ainda estamos a trabalhar na proposta, mas o que queremos fazer \u00e9 construir um sistema que avance de facto na redu\u00e7\u00e3o da nossa pegada de carbono, e ao mesmo tempo proteja s nossas empresas de forma mais feroz contra a concorr\u00eancia desleal. O regime de ETS funcionou fenomenalmente bem como instrumento pol\u00edtico, mas infelizmente o mundo do final dos anos 90, com com\u00e9rcio livre e justo, e mercados abertos, j\u00e1 n\u00e3o existe. Muitas das nossas empresas est\u00e3o a sofrer de concorr\u00eancia desleal e de condi\u00e7\u00f5es de concorr\u00eancia desiguais. O Mecanismo de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras [CBAM, na sigla em ingl\u00eas] \u00e9 positivo, mas chegou demasiado tarde e n\u00e3o funciona para todos os sectores.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao ETS, temos de fazer as altera\u00e7\u00f5es certas para que o sistema se torne verdadeiramente fant\u00e1stico e funcione em todos os sectores. A meu ver isso passa por estabelecer condi\u00e7\u00f5es: se permitirmos licen\u00e7as gratuitas, estas ter\u00e3o de ser acompanhadas da obriga\u00e7\u00e3o de investir na Europa, por exemplo. Outra condi\u00e7\u00e3o que penso que devemos ter em conta: quando olhamos para o dinheiro arrecadado pelo ETS, 80% \u00e9 devolvido aos Estados-membros, o que \u00e9 perfeitamente correcto, mas depois estes gastam, em m\u00e9dia, menos de 10% na transi\u00e7\u00e3o das empresas. Tenho a certeza que os outros 90% v\u00e3o para prioridades or\u00e7amentais importantes, mas compreendo que as empresas do sector qu\u00edmico, do a\u00e7o, do cimento e da cer\u00e2mica estejam a dizer: \u201cOlhem, j\u00e1 que n\u00f3s estamos a pagar por isto, poderiam, pelo menos, utilizar parte desse dinheiro para nos ajudar na transi\u00e7\u00e3o para um sistema mais limpo?\u201d Penso que \u00e9 um pedido justo. E na minha opini\u00e3o, podemos conjugar as v\u00e1rias perspectivas e construir algo que seja verdadeiramente \u00e0 prova do futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para o comiss\u00e1rio europeu do Clima, Impacto Zero e Crescimento Sustent\u00e1vel, Wopke Hoekstra, a actual crise resultante do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":376999,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[2335,785,27,28,2271,353,15,16,14,5453,25,26,21,22,432,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,636,63,64,65],"class_list":{"0":"post-376998","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alteracoes-climaticas","9":"tag-azul","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-clima","13":"tag-em-destaque","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-irao","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-medio-oriente","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-uniao-europeia","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/376999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}