{"id":377776,"date":"2026-05-11T19:51:26","date_gmt":"2026-05-11T19:51:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/377776\/"},"modified":"2026-05-11T19:51:26","modified_gmt":"2026-05-11T19:51:26","slug":"cientista-da-u-porto-cria-ferramenta-para-compreender-a-formacao-das-galaxias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/377776\/","title":{"rendered":"Cientista da U.Porto cria ferramenta para compreender a forma\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<\/p>\n<p>As gal\u00e1xias espirais \u2013 a milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra \u2013 desde cedo fascinaram <strong>I<\/strong><b>ris Breda<\/b>, investigadora do ao <strong>Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o (IA)<\/strong>, doutorada e mestre em <strong>Astronomia<\/strong> pela <strong>Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto (FCUP)<\/strong>. \u201cS\u00e3o incr\u00edveis. Para mim, s\u00e3o das coisas mais bonitas do Universo. Sempre me questionei como \u00e9 que estas estruturas c\u00f3smicas, t\u00e3o complexas, s\u00e3o criadas\u201d, descreve, enquanto mostra um exemplo de uma NGC1566, no seu computador. \u00a0<\/p>\n<p>Foi esta paix\u00e3o que a levou a tentar compreender a forma\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica, trabalho que desenvolve h\u00e1 mais de 12 anos. Depois de uma passagem por Espanha e pela \u00c1ustria, regressa ao IA e \u00e0 U.Porto, onde o seu percurso come\u00e7ou, com uma promissora ferramenta de programa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A chave do sucesso de Iris est\u00e1 na conquista de uma <a href=\"https:\/\/cordis.europa.eu\/project\/id\/101059532\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">bolsa Marie Curie<\/a> que lhe abriu as portas do <strong>Departamento de Astrof\u00edsica da Universidade de Viena<\/strong>. Com acesso a supercomputadores, conseguiu, em dois anos, resultados que lhe valeram <strong>tr\u00eas publica\u00e7\u00f5es<\/strong> na prestigiada revista <strong>Astronomy and Astrophysics <\/strong>e tamb\u00e9m na <strong>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (MNRAS)<\/strong>.<\/p>\n<p>Para entender o potencial desta investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental explicar como \u00e9 que se analisam gal\u00e1xias t\u00e3o distantes. O trabalho de Iris Breda parte de fotos e espectros captados por grandes telesc\u00f3pios espaciais e terrestres, como por exemplo o telesc\u00f3pio James Webb e o Very Large Telescope (VLT). \u00c9 atrav\u00e9s da an\u00e1lise do espectro (luz emitida) das gal\u00e1xias, que se consegue perceber a sua evolu\u00e7\u00e3o no Universo. A luz diz muito sobre as estrelas: as azuis s\u00e3o as mais novas e as vermelhas, as mais antigas.\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/galaxia-ngc-1566.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"827\" class=\"size-full wp-image-269720\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Gal\u00e1xia espiral. NGC 1566. (Foto: DR)<\/p>\n<p>\u201cCada ponto da gal\u00e1xia fornece informa\u00e7\u00e3o sobre a luz em diferentes comprimentos de onda (cores). \u00c9 como um arco-\u00edris. A partir desses espectros, conseguimos inferir propriedades das popula\u00e7\u00f5es estelares \u2014 idade, composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, velocidades, etc.\u201d, explica. \u00a0<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma an\u00e1lise que exige muita programa\u00e7\u00e3o e um elevado poder computacional: \u201cPara uma \u00fanica gal\u00e1xia, temos de processar um enorme n\u00famero de espectros e, com estes supercomputadores, podemos agilizar este trabalho\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>No seu doutoramento, Iris Breda usou a t\u00e9cnica de fotometria de superf\u00edcie, ou seja, analisou <a href=\"https:\/\/noticias.up.pt\/2020\/08\/28\/estudo-questiona-decadas-de-investigacao-sobre-a-evolucao-de-galaxias-espirais\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">imagens de gal\u00e1xias para separar e compreender<\/a> como se formam os seus elementos principais \u2013 o bojo (regi\u00e3o central) e o disco. E chegou a uma conclus\u00e3o que a intrigou: \u201cSempre que usamos esta t\u00e9cnica, estamos a assumir que o m\u00e1ximo de massa e luz do disco est\u00e1 no centro da gal\u00e1xia. Isso sempre me fez confus\u00e3o. Fiz algumas experi\u00eancias e, realmente, parecia n\u00e3o haver luz suficiente no disco que justifique o aumento exponencial at\u00e9 ao centro. A minha intui\u00e7\u00e3o estava certa.\u201d\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/iris-breda-astro_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" class=\"wp-image-269722 size-full\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O trabalho de Iris envolve muita programa\u00e7\u00e3o. (Foto: SIC.FCUP)<\/p>\n<p><b>Do movimento das estrelas, aos \u201cdonuts\u201d e simula\u00e7\u00f5es <\/b>\u00a0<\/p>\n<p>Inspirada por estas quest\u00f5es, a investigadora apresentou a sua candidatura \u00e0 Universidade de Viena. Queria aprender novas t\u00e9cnicas computacionais, pois \u201cs\u00f3 assim conseguimos responder a quest\u00f5es fundamentais sobre a evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica\u201d. Aprendeu sobre <strong>cinem\u00e1tica (movimento das estrelas)<\/strong> e<strong> modela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica<\/strong> (reconstruir como as estrelas se movem numa gal\u00e1xia) e os principais resultados do seu trabalho foram <a href=\"https:\/\/ui.adsabs.harvard.edu\/abs\/2026arXiv260407297B\/abstract\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">recentemente publicados<\/a> na revista Astronomy and Astrophysics, num artigo tamb\u00e9m assinado pelo docente da FCUP, <strong>Jarle Brinchmann.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm dos resultados mais interessantes foi a identifica\u00e7\u00e3o de discos nucleares \u2014 estruturas rotativas no centro de algumas gal\u00e1xias \u2014 e tamb\u00e9m casos onde existe o oposto, um \u201cburaco\u201d nessas componentes, ficando, pelo que vemos nas modela\u00e7\u00f5es, com um aspeto semelhante a um donut. Ainda n\u00e3o se sabe exatamente porque \u00e9 que algumas gal\u00e1xias t\u00eam essas estruturas e outras n\u00e3o\u201d, descreve a investigadora. \u00a0<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o que surpreendeu os autores \u00e9 o movimento, mais ordeiro, de estrelas mais jovens. \u201cAs mais novas, formadas nos bra\u00e7os em espiral, t\u00eam um movimento mais ordenado na mesma dire\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para facilitar o trabalho dos astrof\u00edsicos, \u00cdris criou o <strong>GLANCE<\/strong>, uma ferramenta que compila quatro t\u00e9cnicas \u2014 a <strong>fotometria, a s\u00edntese espectral, cinem\u00e1tica e modela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica<\/strong> \u2014 num<strong> \u00fanico programa<\/strong>. \u201cDesta forma, \u00e9 poss\u00edvel uma an\u00e1lise mais consistente e eficiente das gal\u00e1xias e uma compreens\u00e3o cada vez mais rigorosa da sua evolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O GLANCE, <a href=\"https:\/\/gitlab.com\/iris.b\/glance\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dispon\u00edvel em acesso aberto<\/a> a toda a comunidade cient\u00edfica e oficialmente apresentado numa <a href=\"https:\/\/ui.adsabs.harvard.edu\/abs\/2026arXiv260220389B\/abstract\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publica\u00e7\u00e3o na revista MNRAS<\/a>, est\u00e1 atualmente a ser utilizado por Iris no IA para estudar os mist\u00e9rios das <strong>gal\u00e1xias de emiss\u00e3o extrema<\/strong> \u2013 conhecidas pela sua forma\u00e7\u00e3o estelar extremamente ativa.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a alumna da FCUP est\u00e1 a trabalhar com simula\u00e7\u00f5es cosmol\u00f3gicas (TNG50) que ajudam a validar os dados observacionais te\u00f3ricos. \u201cEstas simula\u00e7\u00f5es podem ajudar a explicar porque existem gal\u00e1xias t\u00e3o diferentes. S\u00e3o extremamente realistas e reproduzem muito bem as propriedades observadas, o que nos d\u00e1 confian\u00e7a\u201d, real\u00e7a. O objetivo \u00e9 analisar a hist\u00f3ria de<strong> 350 gal\u00e1xias espirais<\/strong>, selecionadas a partir de uma <strong>amostra de 2800.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/foto_ren.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" class=\"wp-image-269724 size-full\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Simula\u00e7\u00e3o de uma gal\u00e1xia espiral de disco criada pelo projeto TNG50.<\/p>\n<p>No futuro, a investigadora ambiciona desenvolver um m\u00f3dulo de machine learning para ajudar a interpretar toda a informa\u00e7\u00e3o extra\u00edda pelo GLANCE. \u201cPode haver aspetos mais subtis que n\u00e3o conseguimos perceber s\u00f3 atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es das gal\u00e1xias e este m\u00f3dulo pode fazer a diferen\u00e7a\u201d, real\u00e7a. A sua ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalhar no Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias, sob orienta\u00e7\u00e3o de Marc Huertas-Company, investigador especializado em machine learning. \u00a0<\/p>\n<p>A paix\u00e3o pelo Universo tem conduzido Iria, de descoberta em descoberta, e a investigadora espera que esta ferramenta permita agora estudar ainda mais gal\u00e1xias e explicar a sua evolu\u00e7\u00e3o. Para Iris Breda, tem sido um trabalho exigente, mas \u201crecompensador\u201d \u2014 uma \u201cviagem linda\u201d pelo mundo das estrelas. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; As gal\u00e1xias espirais \u2013 a milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra \u2013 desde cedo fascinaram Iris&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":377777,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,1008,19192,4017,4018,1173,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-377776","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-astronomia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-espaco","13":"tag-fcup","14":"tag-ia-uporto","15":"tag-instituto-de-astrofisica-e-ciencias-do-espaco","16":"tag-investigacao","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-science","20":"tag-science-and-technology","21":"tag-scienceandtechnology","22":"tag-technology","23":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116557688912742286","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377776\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/377777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}