{"id":377885,"date":"2026-05-11T21:30:38","date_gmt":"2026-05-11T21:30:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/377885\/"},"modified":"2026-05-11T21:30:38","modified_gmt":"2026-05-11T21:30:38","slug":"aos-ombros-de-artemis-agencia-ecclesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/377885\/","title":{"rendered":"Aos ombros de Artemis \u2013 Ag\u00eancia ECCLESIA"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-271042 alignright\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\"  \/>Vamos para Marte fazendo escala na Lua. E, de Marte, vamos para mais al\u00e9m. E mais al\u00e9m ainda, aos saltos de planeta em planeta, a desafiar os deuses que deram nome aos astros, mas ancorados no mandado de Deus: crescei, multiplicai-vos e habitai a Terra com dignidade e o suor do vosso rosto. E, ao som da harmonia sideral, e com o engenho com que fomos criados, estendemos o nosso suor ao lugar onde a Terra habita, o Cosmos.<\/p>\n<p>E o ser humano armou-se com a Ci\u00eancia. Com as Ci\u00eancias e a Tecnologia \u2013 a Astronomia, a F\u00edsica, a Astrodin\u00e2mica, a Ci\u00eancia dos Materiais, a Engenharia Aeroespacial, a Computa\u00e7\u00e3o, a Medicina Espacial, a Biologia e a Psicologia \u2013 lan\u00e7ou-se na vertigem do espa\u00e7o sideral. Primeiro \u00e0 superf\u00edcie da Terra em p\u00e1ssaros mec\u00e2nicos e, mais recentemente, em naves com nomes de deuses da mitologia cl\u00e1ssica. \u00c1rtemis II \u00e9 a \u00faltima vers\u00e3o. A nave que foi mais longe no espa\u00e7o c\u00f3smico e explorou a parte invis\u00edvel da Lua. Foi a 400.700 km e regressou \u00e0 Terra entrando na atmosfera \u00e0 velocidade de 40 mil quil\u00f3metros por hora. Anda por a\u00ed o admir\u00e1vel mundo do saber. Incipiente embora, se tivermos a humildade de nos lembrarmos, como nos ensina a Filosofia e a pr\u00f3pria Ci\u00eancia, que, quanto mais se enche o bal\u00e3o el\u00e1stico do saber humano, mais se alarga tamb\u00e9m o espa\u00e7o do n\u00e3o saber.<\/p>\n<p>Dez dias de viagem de quatro destemidos astronautas que, deixando a Terra no primeiro dia de Abril, a ela regressaram no dia onze do mesmo m\u00eas. E n\u00e3o eram s\u00f3 americanos; eram tr\u00eas americanos e um canadiano. E n\u00e3o eram s\u00f3 astronautas brancos; eram tr\u00eas brancos e um de cor negra. E n\u00e3o eram s\u00f3 homens; entre os cosmonautas havia uma mulher. Assinal\u00e1vel esta multiplicidade a evocar a unidade do g\u00e9nero humano. Da Humanidade. E n\u00e3o faltou sequer a presen\u00e7a simb\u00f3lica da inf\u00e2ncia representada num boneco de peluche, o \u201cRise\u201d, desenhado por uma crian\u00e7a de oito anos, uma mascote que serviu como indicador de gravidade zero ao sinalizar visualmente para a tripula\u00e7\u00e3o e para as c\u00e2maras que se encontravam f\u00edsica e oficialmente em ambiente espacial. \u00c9 o \u201cRise\u201d que, a significar a ascens\u00e3o e a eleva\u00e7\u00e3o, se constituiu como uma esp\u00e9cie de \u00abquinto passageiro\u00bb a representar as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es e o futuro.<\/p>\n<p>Pluralidade de ci\u00eancias constitu\u00eddas na unidade de uma fun\u00e7\u00e3o: unidade na pluridisciplinaridade que tornou poss\u00edvel a viagem. Diversidade de seres humanos constitu\u00eddos numa unidade de miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Enviando quatro seres humanos para al\u00e9m da Lua, estamos a levar conhecimento materializado em artefactos t\u00e9cnicos, mas estamos tamb\u00e9m a levar o ser humano, com todas as fragilidades, para um lugar estranho \u00e0 sua ontologia. Da\u00ed todas as precau\u00e7\u00f5es para a partida, manuten\u00e7\u00e3o espacial e amaragem e, j\u00e1 em terra, todos os cuidados com a sa\u00fade e o bem-estar dos quatro astronautas.<\/p>\n<p>Mas as fragilidades encontram-se ainda noutro \u00e2mbito. N\u00f3s, humanos, que conseguimos congregar-nos para elevarmos a ci\u00eancia e a t\u00e9cnica na unidade de uma hist\u00f3rica viagem interplanet\u00e1ria, n\u00e3o conseguimos vislumbrar na Terra a unidade da comunidade humana, como se uniram aqueles quatro astronautas para a unidade da miss\u00e3o. Enquanto os astronautas, l\u00e1 nas lonjuras, cumpriam, ponto por ponto, os passos da sua miss\u00e3o, outros, em v\u00e1rios lugares da Terra, movimentavam-se nas trevas da guerra. Outros, virando as costas \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o, mais parecem anunciar outras guerras em lugares indefinidos de outros mundos, numa esp\u00e9cie de futura guerras estrelas, quando vivemos num s\u00e9culo em que os seres humanos se encontram em condi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de redescobrirem a sua humanidade.<\/p>\n<p>Por isso ganham significativa resson\u00e2ncia a frase, que mais parece um apelo, da astronauta Christina Koch \u00abPlaneta Terra: voc\u00eas s\u00e3o uma equipa\u00bb ou as palavras ditas pelo astronauta Jeremy Hansen que recomenda \u00ab\u2026 olhar para o que a Humanidade pode fazer junta.\u00bb E o Comandante Viseman sintetiza, exclamando: \u00ab\u00c9 algo especial ser humano e \u00e9 algo especial estar no planeta Terra\u00bb.<\/p>\n<p>Parece, assim, estarem \u00e0 vista a mis\u00e9ria e a grandeza do Homem. Da\u00ed a pergunta j\u00e1 tantas vezes formulada, mas que n\u00e3o pode ser esquecida: qual \u00e9 o lugar do Homem no Universo?<\/p>\n<p>Ou ent\u00e3o, a pergunta mais radical, sempre formulada e nunca cabalmente respondida: o que \u00e9 o Homem? Qual a sua ontologia profunda?<\/p>\n<p>Ou ainda, descendo mais \u00e0 Terra e de onde partimos: para onde vamos, quando, fazendo escala na Lua, olhamos para Marte e para mais al\u00e9m? \u00c9 isso um desafio do nosso desejo de Conhecer, uma imposi\u00e7\u00e3o do nosso Agir, ou um imperativo do nosso Ser?<\/p>\n<p>Guarda, 18 de Abril de 2026<br \/>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<br \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/cdn-cgi\/l\/email-protection\" class=\"__cf_email__\" data-cfemail=\"d7bab8a5b0b6b3b8f9a4b6bba1b6b3b897b0bab6bebbf9b4b8ba\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">[email\u00a0protected]<\/a><\/p>\n<p>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda Vamos para Marte fazendo escala na Lua. 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