{"id":378197,"date":"2026-05-12T05:04:35","date_gmt":"2026-05-12T05:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/378197\/"},"modified":"2026-05-12T05:04:35","modified_gmt":"2026-05-12T05:04:35","slug":"long-hantavirus-existe-assim-e-a-vida-apos-a-infecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/378197\/","title":{"rendered":"Long hantav\u00edrus existe? Assim \u00e9 a vida ap\u00f3s a infe\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dois fatores principais alimentam o receio em torno do hantav\u00edrus, incluindo os casos recentes entre passageiros de navios de cruzeiro: um longo per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o, que pode chegar \u00e0s oito semanas, e a inexist\u00eancia de qualquer tratamento antiviral ou vacina autorizados.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Quando a infe\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Andes evolui para s\u00edndrome cardiopulmonar por hantav\u00edrus (HCPS), uma doen\u00e7a respirat\u00f3ria grave com uma taxa de mortalidade que pode chegar aos 50%, o acesso precoce a cuidados intensivos torna-se crucial para a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O v\u00edrus Andes n\u00e3o \u00e9 novo. H\u00e1 muito que a investiga\u00e7\u00e3o descreve onde circula, como se transmite e de que forma causa doen\u00e7a. Por isso mesmo, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) sublinha que n\u00e3o h\u00e1 qualquer prova de que possa transformar-se noutra pandemia de COVID-19.<\/p>\n<p>Existe algo semelhante ao \u00ablong hantav\u00edrus\u00bb?<\/p>\n<p>Mas a pandemia de COVID-19 alterou a forma como os cientistas olham para as doen\u00e7as infecciosas, n\u00e3o s\u00f3 na fase aguda da infe\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no que acontece depois.<\/p>\n<p>Neste contexto, os investigadores come\u00e7aram a questionar se a infe\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Andes poder\u00e1 ter efeitos a mais longo prazo, semelhantes ao que se observa no Long COVID ap\u00f3s a infe\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12474361\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">investigadores da Pontificia Universidad Cat\u00f3lica de Chile acompanharam 21 sobreviventes (fonte em ingl\u00eas)<\/a> entre os tr\u00eas e os seis meses ap\u00f3s a alta hospitalar.<\/p>\n<p>Os doentes foram classificados consoante a gravidade da doen\u00e7a e a necessidade de recorrer ou n\u00e3o \u00e0 oxigena\u00e7\u00e3o por membrana extracorp\u00f3rea (ECMO), um suporte vital intensivo usado quando o cora\u00e7\u00e3o e os pulm\u00f5es entram em fal\u00eancia, e avaliou-se a recupera\u00e7\u00e3o a longo prazo, os sintomas e a qualidade de vida.<\/p>\n<p>Nenhum sobrevivente tinha recuperado totalmente passados 3 a 6 meses<\/p>\n<p>Os resultados foram impressionantes. Todos os sobreviventes continuavam a apresentar sintomas meses depois de sa\u00edrem do hospital. No total, os 21 doentes referiram pelo menos um sintoma persistente entre 3 e 6 meses ap\u00f3s a infe\u00e7\u00e3o por s\u00edndrome cardiopulmonar por hantav\u00edrus (HCPS). Mais de 60% disseram n\u00e3o ter recuperado totalmente e a carga global de sintomas era elevada, com uma m\u00e9dia de 11 a 12 queixas por doente. S\u00f3 os casos mais graves, incluindo os doentes que precisaram de ECMO, tinham tido acesso a cuidados de reabilita\u00e7\u00e3o, como fisioterapia ou apoio \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o. Entre os sobreviventes com doen\u00e7a menos grave, apenas cerca de 30% beneficiaram deste tipo de seguimento ap\u00f3s a alta.<\/p>\n<p>Cansa\u00e7o, problemas motores, queda de cabelo, ins\u00f3nia, ansiedade\u2026<\/p>\n<p>Embora apenas o grupo dos casos graves tenha referido dificuldades de movimento ou problemas motores e palpita\u00e7\u00f5es, tanto os sobreviventes graves como os menos graves relataram uma mistura de sintomas f\u00edsicos e problemas psicol\u00f3gicos ou neurol\u00f3gicos. Ambos os grupos disseram que a qualidade de vida piorou ap\u00f3s a doen\u00e7a. Os problemas mais frequentes eram n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsicos, mas tamb\u00e9m neurol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos. Cansa\u00e7o, problemas motores, queda de cabelo, ins\u00f3nia, ansiedade, falhas de mem\u00f3ria, pesadelos e altera\u00e7\u00f5es sensoriais surgiam com regularidade. Mesmo os doentes que n\u00e3o precisaram de ECMO mantinham sintomas prolongados, o que sugere que \u00e9 a pr\u00f3pria doen\u00e7a a determinar uma recupera\u00e7\u00e3o longa, e n\u00e3o apenas a passagem pelos cuidados intensivos.<\/p>\n<p>Muitos sobreviventes come\u00e7aram a recorrer \u00e0 automedica\u00e7\u00e3o para lidar com os sintomas persistentes, sobretudo analg\u00e9sicos, medicamentos para dormir e vitaminas.<\/p>\n<p>Esse comportamento foi particularmente frequente entre os sobreviventes que n\u00e3o tinham precisado de ECMO e chegou mesmo aos 100% entre os classificados com s\u00edndrome cardiopulmonar por hantav\u00edrus ligeira.<\/p>\n<p>Regresso demorado \u00e0s atividades normais<\/p>\n<p>Muitos sobreviventes tiveram dificuldade em retomar a vida normal. Quase um em cada cinco ainda n\u00e3o tinha regressado ao trabalho ou \u00e0 escola passados seis meses. Entre os que voltaram, a recupera\u00e7\u00e3o demorou em m\u00e9dia cerca de tr\u00eas meses e meio. Muitos referiram pior desempenho quando regressaram.<\/p>\n<p>O tempo de recupera\u00e7\u00e3o foi semelhante, independentemente da gravidade inicial da doen\u00e7a ou de ter sido necess\u00e1ria oxigena\u00e7\u00e3o por membrana extracorp\u00f3rea.<\/p>\n<p>Entre os doentes do grupo ECMO, 45,5% sentiram-se estigmatizados na escola ou no trabalho, associado ao medo de um \u201ccont\u00e1gio transmitido por roedores\u201d.<\/p>\n<p>Que mudan\u00e7as s\u00e3o necess\u00e1rias<\/p>\n<p>A possibilidade de generalizar estes resultados \u00e9 limitada, devido ao tamanho relativamente reduzido da amostra.<\/p>\n<p>Ainda assim, as conclus\u00f5es sugerem que a recupera\u00e7\u00e3o do hantav\u00edrus n\u00e3o \u00e9 apenas f\u00edsica. Os sobreviventes relataram tamb\u00e9m isolamento social, estigma no trabalho ou na escola e forte recurso \u00e0 automedica\u00e7\u00e3o para gerir os sintomas persistentes.<\/p>\n<p>Os autores defendem que <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12474361\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">manter os doentes vivos na fase aguda n\u00e3o chega (fonte em ingl\u00eas)<\/a>. \u00c9 preciso garantir melhores cuidados de longo prazo, com equipas multidisciplinares ap\u00f3s a alta, bem como um apoio social mais robusto e maior compreens\u00e3o para ajudar os sobreviventes a reconstru\u00edrem plenamente a sua vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dois fatores principais alimentam o receio em torno do hantav\u00edrus, incluindo os casos recentes entre passageiros de navios&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":378198,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[116,10929,5734,32,33,117],"class_list":["post-378197","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-health","tag-infeccao","tag-pandemia","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116559863238152579","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=378197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378197\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/378198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=378197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=378197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=378197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}