{"id":378854,"date":"2026-05-12T16:34:14","date_gmt":"2026-05-12T16:34:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/378854\/"},"modified":"2026-05-12T16:34:14","modified_gmt":"2026-05-12T16:34:14","slug":"por-que-van-gogh-odiava-a-noite-estrelada-uma-de-suas-obras-mais-famosas-estimada-em-mais-de-r-500-milhoes-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/378854\/","title":{"rendered":"Por que Van Gogh odiava \u2018A noite estrelada\u2019, uma de suas obras mais famosas, estimada em mais de R$ 500 milh\u00f5es hoje"},"content":{"rendered":"<p>CURIOSIDADES<\/p>\n<p>O pintor chamou \u2018A noite estrelada\u2019 de fracasso, mesmo sem imaginar que ela se tornaria uma das imagens mais conhecidas da arte<\/p>\n<ul class=\"image-container flex flex-wrap list-none gap-2\">\n<li class=\"image-item flex flex-row justify-center items-center\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/helena-merencio-3161686.webp.webp\" width=\"45px\" height=\"45px\" alt=\"Foto do(a) author(a) Helena Merencio\" class=\"relative w-full z-20\"\/><\/p>\n<\/li>\n<li class=\"image-item flex flex-row justify-center items-center\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/asterisco-asteriscao-2745559.webp.webp\" width=\"45px\" height=\"45px\" alt=\"Foto do(a) author(a) Ag\u00eancia Correio\" class=\"relative w-full z-20\"\/><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"text-container  flex flex-wrap list-none !m-0 !p-0\">\n<li class=\"text-item flex flex-row justify-center items-center\">\n<p>\nHelena Merencio\n<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"text-item flex flex-row justify-center items-center\">\n<p>\nAg\u00eancia Correio\n<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>\nPublicado em 12 de maio de 2026 \u00e0s 12:17\n<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" loading=\"eager\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/na-pratica-o-quadro-mostra-menos-uma-noite-vista-como-fotografia-e-mais-uma-noite-reconstruida-pela-.webp\" width=\"600\" height=\"338\" alt=\"Na pr\u00e1tica, o quadro mostra menos uma noite vista como fotografia e mais uma noite reconstru\u00edda pela cabe\u00e7a de Van Gogh\" class=\"w-full h-auto\"\/><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o quadro mostra menos uma noite vista como fotografia e mais uma noite reconstru\u00edda pela cabe\u00e7a de Van Gogh Cr\u00e9dito: Vincent Van Gogh\/Wikimedia Commons<\/p>\n<p id=\"paragrafo-73us38t645\">\nVincent van Gogh estava longe de qualquer ideia de consagra\u00e7\u00e3o quando chegou ao sanat\u00f3rio de Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-R\u00e9my-de-Provence, no sul da Fran\u00e7a, em 8 de maio de 1889.  &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-qlhaq9qjbk\">\nDepois de crises nervosas e do epis\u00f3dio em que mutilou parte da pr\u00f3pria orelha, em Arles, o pintor passou a viver sob supervis\u00e3o m\u00e9dica, cercado por limites que tamb\u00e9m mudariam sua forma de trabalhar.&gt;\n<\/p>\n<p>Van Gogh costumava pintar a partir daquilo que observava diretamente. No sanat\u00f3rio, entretanto, esse m\u00e9todo precisou se adaptar \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do tratamento por Vincent Van Gogh\/Wikimedia Commons<\/p>\n<p id=\"paragrafo-jkoezmecwu\">\nPoucas semanas depois, naquele mesmo lugar, nasceu uma das imagens mais famosas da arte ocidental. \u201cA noite estrelada\u201d, hoje guardada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, foi pintada em junho de 1889 e teve como ponto de partida a vista da janela do quarto de Van Gogh no asilo de Saint-R\u00e9my. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-f2do78pg0a\">\nO pr\u00f3prio museu descreve a obra como uma pintura que nasce da observa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m se afasta dela.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-rt1ofr8xq7\">\nA cena, por\u00e9m, n\u00e3o foi feita como uma c\u00f3pia fiel do que estava diante de seus olhos. Embora ocupasse um quarto no segundo andar, Van Gogh n\u00e3o podia pintar ali. Por isso, trabalhava a partir de observa\u00e7\u00f5es, esbo\u00e7os e mem\u00f3ria, finalizando as telas no ateli\u00ea que tinha no t\u00e9rreo.&gt;\n<\/p>\n<p>O c\u00e9u que ele viu <\/p>\n<p id=\"paragrafo-oui28mmqld\">\nDurante a interna\u00e7\u00e3o, Van Gogh observava o c\u00e9u pela janela com grades do quarto. Em uma carta ao irm\u00e3o Theo, escrita entre o fim de maio e o in\u00edcio de junho de 1889, ele mencionou a \u201cestrela da manh\u00e3\u201d. &gt;\n<\/p>\n<p>Broche relic\u00e1rio (1855, Bapst, Paul-Alfred) por Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p id=\"paragrafo-g0k2tqajcw\">\nA edi\u00e7\u00e3o das cartas do artista identifica essa estrela como V\u00eanus, que aparecia no c\u00e9u antes do amanhecer naquele per\u00edodo.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-ow6c1qaxgr\">\nEsse detalhe ajuda a entender por que a pintura carrega algo de real, mas n\u00e3o se prende ao real. O MoMA tamb\u00e9m aponta que a esfera dourada entre as camadas do c\u00e9u pode ser V\u00eanus, conhecida justamente como estrela da manh\u00e3.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-opy7gm2b8p\">\nMesmo assim, a obra n\u00e3o era um registro documental da paisagem. O vilarejo que aparece abaixo dos redemoinhos azuis, por exemplo, n\u00e3o correspondia ao que Van Gogh via da janela. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-b4uzgarh51\">\nSegundo o MoMA, aquela pequena vila n\u00e3o se parece com Saint-R\u00e9my e tem inspira\u00e7\u00e3o na Holanda natal do pintor.&gt;\n<\/p>\n<p>Entre a janela e a imagina\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p id=\"paragrafo-jxdxbubo9y\">\nVan Gogh costumava pintar a partir daquilo que observava diretamente. No sanat\u00f3rio, entretanto, esse m\u00e9todo precisou se adaptar \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do tratamento. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-23kxje36pf\">\nO historiador Richard Thomson explica que o artista fazia esbo\u00e7os a partir do que podia ver e, depois, no ateli\u00ea do t\u00e9rreo, transformava esse material em pintura.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-qrjrk9lqg2\">\nAntes da vers\u00e3o final de \u201cA noite estrelada\u201d, ele realizou ao menos 21 varia\u00e7\u00f5es da vista de sua janela. Esse processo ajuda a explicar por que a tela combina observa\u00e7\u00e3o astron\u00f4mica, lembran\u00e7a de estudos anteriores e escolhas simb\u00f3licas.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-50yj1q5xzl\">\nNa pr\u00e1tica, o quadro mostra menos uma noite vista como fotografia e mais uma noite reconstru\u00edda pela cabe\u00e7a de Van Gogh. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-mq7mkc2dde\">\nA lua, as estrelas, o cipreste, as colinas e o vilarejo formam uma paisagem emocional, feita com movimento, contraste e cor&gt;\n<\/p>\n<p>Carta do \u2018novo fracasso\u2019 <\/p>\n<p id=\"paragrafo-sves9iqfc8\">\nJustamente essa mistura entre realidade e imagina\u00e7\u00e3o incomodava Van Gogh. A Britannica registra que, por preferir trabalhar a partir da observa\u00e7\u00e3o, ele acabou considerando \u201cA noite estrelada\u201d um fracasso. A mesma an\u00e1lise lembra que Theo tamb\u00e9m avaliou que a obra favorecia mais o estilo do que a subst\u00e2ncia.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-9cz6p2pscl\">\nO inc\u00f4modo aparece com for\u00e7a em uma carta enviada ao pintor \u00c9mile Bernard, em 20 de novembro de 1889, quando Van Gogh ainda estava em Saint-R\u00e9my. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-w0m9zjjrl1\">\nNo texto preservado pela Morgan Library, ele escreveu que havia voltado a fazer \u201cestrelas grandes demais\u201d, chamou aquilo de \u201cnovo rev\u00e9s\u201d e disse que j\u00e1 estava farto disso.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-wg51w5c98n\">\nA frase revela uma contradi\u00e7\u00e3o curiosa. Aquilo que hoje torna a tela t\u00e3o reconhec\u00edvel, o c\u00e9u turbulento, as estrelas ampliadas e o movimento quase vivo da pintura, parecia ao pr\u00f3prio Van Gogh uma concess\u00e3o perigosa \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o.&gt;\n<\/p>\n<p>A obra que ele n\u00e3o viu vencer <\/p>\n<p id=\"paragrafo-4073x6pwkc\">\nNaquele per\u00edodo, Van Gogh atravessava ansiedade, isolamento e d\u00favidas profundas sobre o pr\u00f3prio trabalho. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-s75xd1rn0b\">\nA limita\u00e7\u00e3o de n\u00e3o poder pintar no quarto, somada \u00e0 desconfian\u00e7a que tinha de composi\u00e7\u00f5es muito imaginativas, colocou o artista entre dois impulsos: registrar o mundo como via e transformar esse mundo pela cor e pelo movimento.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-ejhhy7at3k\">\nFoi dessa tens\u00e3o que saiu \u201cA noite estrelada\u201d. Van Gogh tentou transmitir emo\u00e7\u00f5es intensas por meio do c\u00e9u, das formas e dos tons, mas n\u00e3o se convenceu do resultado. Para ele, a experi\u00eancia tinha falhado.&gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-h858gphw45\">\nO tempo tratou de inverter completamente essa leitura. A pintura que o artista viu com frustra\u00e7\u00e3o se tornou uma das imagens mais conhecidas da hist\u00f3ria da arte, comprada pelo MoMA em 1941 e hoje preservada como uma das obras mais reconhecidas do acervo do museu. &gt;\n<\/p>\n<p id=\"paragrafo-mvxswllqry\">\nVan Gogh, morto no ano seguinte \u00e0 interna\u00e7\u00e3o em Saint-R\u00e9my, n\u00e3o chegou a conhecer a fama que aquele \u201cfracasso\u201d alcan\u00e7aria.&gt;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"CURIOSIDADES O pintor chamou \u2018A noite estrelada\u2019 de fracasso, mesmo sem imaginar que ela se tornaria uma das&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":378855,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-378854","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116562576912486337","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=378854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378854\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/378855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=378854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=378854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=378854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}