{"id":37921,"date":"2025-08-20T21:57:07","date_gmt":"2025-08-20T21:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37921\/"},"modified":"2025-08-20T21:57:07","modified_gmt":"2025-08-20T21:57:07","slug":"africa-asia-medio-oriente-trump-parou-6-ou-7-guerras-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37921\/","title":{"rendered":"\u00c1frica, \u00c1sia, M\u00e9dio Oriente. Trump parou 6 (ou 7) guerras? \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A pedido de v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es internacionais, incluindo jornais como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/08\/19\/world\/europe\/trump-six-wars-fact-check.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">New York Times<\/a> ou o <a href=\"https:\/\/www.independent.co.uk\/tv\/news\/trump-claims-ends-seven-wars-ukraine-russia-video-b2810371.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Independent<\/a>, a Casa Branca providenciou uma lista das guerras que Trump teria conseguido resolver. S\u00e3o elas: Arm\u00e9nia e Azerbaij\u00e3o; Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Ruanda; \u00cdndia e Paquist\u00e3o; Israel e Ir\u00e3o; Camboja e Tail\u00e2ndia; Egito e Eti\u00f3pia. Em alguns casos, recebe os cr\u00e9ditos por contribuir para desbloquear impasses prolongados; noutros o seu papel \u00e9 rejeitado ou pouco claro. H\u00e1 ainda casos em que os confrontos prosseguem apesar de acordos de cessar-fogo e outros que s\u00e3o descritos como um \u201cal\u00edvio tempor\u00e1rio\u201d e n\u00e3o uma paz duradoura. Apesar disso, Trump tem reiterado que j\u00e1 deveria ter recebido\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/a-grande-obsessao-de-trump-ganhar-o-premio-nobel-da-paz-de-gaza-a-ucrania-tenta-mediar-conflitos-para-impressionar-o-comite\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cquatro ou cinco vezes\u201d o Pr\u00e9mio Nobel da Paz.<\/a><\/p>\n<p>A 8 de agosto, o Presidente norte-americano recebeu na Casa Branca o Presidente do Azerbaij\u00e3o, Ilham Aliyev, e o primeiro-ministro da Arm\u00e9nia, Nikol Pashinyan. Nesse encontro, descrito como hist\u00f3rico, Donald Trump presidiu \u00e0 assinatura de uma declara\u00e7\u00e3o conjunta de paz para p\u00f4r fim ao conflito de cerca de quatro d\u00e9cadas entre as duas ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Os dois vizinhos est\u00e3o em guerra desde o final dos anos 80 sobre o controlo de Nagorno-Karabakh, uma regi\u00e3o montanhosa onde os dois maiores grupos \u00e9tnicos s\u00e3o os arm\u00e9nios e os azeris. O territ\u00f3rio \u00e9 reivindicado pela Arm\u00e9nia e pelo Azerbaij\u00e3o desde a queda do imp\u00e9rio russo. \u00c9 o conflito \u201cmais antigo da Eur\u00e1sia p\u00f3s-sovi\u00e9tica\u201d, segundo o <a href=\"https:\/\/www.crisisgroup.org\/content\/nagorno-karabakh-conflict-visual-explainer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Crisis Group<\/a>. Em 2023 iniciou-se <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/limpeza-etnica-ou-acao-anti-terrorista-8-pontos-para-saber-o-que-se-passa-em-nagorno-karabakh-enclave-desejado-pela-armenia-e-azerbaijao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">um novo cap\u00edtulo conturbado, quando as tropas de Baku assumiram controlo total da regi\u00e3o<\/a>, levando \u00e0 fuga de quase 100 mil arm\u00e9nios.<\/p>\n<p>O encontro organizado pela administra\u00e7\u00e3o norte-americana visou p\u00f4r fim ao conflito, que chegou a ser mediado pelo Kremlin. Mas, desde a invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia, a aten\u00e7\u00e3o da R\u00fassia sobre a regi\u00e3o diminuiu.<\/p>\n<p>Na declara\u00e7\u00e3o conjunta ficou estabelecido que os dois pa\u00edses renunciam a todas as reivindica\u00e7\u00f5es sobre o territ\u00f3rio do vizinho; se abst\u00eam de usar a for\u00e7a um contra o outro; e se comprometem a respeitar o direito internacional, <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/azerbaijan-armenia-publish-text-us-brokered-peace-deal-2025-08-11\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">segundo o texto<\/a> assinado pelos ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros das duas ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas e publicado dias depois do encontro na Casa Branca. Como parte do acordo, a Arm\u00e9nia comprometeu-se a conceder aos EUA o direito a desenvolver um importante corredor de tr\u00e2nsito no seu territ\u00f3rio com o nome <strong>\u201cRota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFoi muito tempo, 35 anos; eles lutaram, e agora s\u00e3o amigos, e v\u00e3o ser amigos durante muito tempo (\u2026). Muitos tentaram encontrar uma resolu\u00e7\u00e3o, incluindo a Uni\u00e3o Europeia. Os russos trabalharam muito nisso; nunca aconteceu. O dorminhoco Joe Biden tentou, mas sabem o que aconteceu a\u00ed\u201d, afirmou o l\u00edder dos EUA ao lado de Aliyev, que destacou o \u201cmilagre\u201d operado por Trump e Pashinyan, que salientou o \u201cmarco significativo\u201d.<\/p>\n<p>Ambos os l\u00edderes sublinharam que o Presidente norte-americano <a href=\"https:\/\/apnews.com\/article\/donald-trump-white-house-armenia-azerbaijan-069379e9c4a058c96af38afbf4684829\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">devia receber o Pr\u00e9mio Nobel da Paz<\/a> pelo seu papel na media\u00e7\u00e3o. No entanto, ainda n\u00e3o foi assinado um acordo de paz. O Azerbaij\u00e3o exige que a Arm\u00e9nia altere a sua Constitui\u00e7\u00e3o, em que Baku considera estar impl\u00edcita uma reivindica\u00e7\u00e3o ao seu territ\u00f3rio. As for\u00e7as do Azerbaij\u00e3o tamb\u00e9m ainda ocupam atualmente pequenas \u00e1reas do territ\u00f3rio da Arm\u00e9nia, citando motivos de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Alguns especialistas t\u00eam alertado que, mesmo perante a evolu\u00e7\u00e3o rumo a um acordo, a regi\u00e3o vai continuar a precisar da aten\u00e7\u00e3o de Trump. \u201cDesejos e declara\u00e7\u00f5es verbais n\u00e3o s\u00e3o suficientes\u201d, escreveram dois antigos embaixadores norte-americanos num recente artigo no Atlantic Council. No texto, em que referem que a declara\u00e7\u00e3o \u201cavan\u00e7ou a paz\u201d, sublinham que Washington \u201cn\u00e3o pode desistir agora\u201d.<\/p>\n<p>O Camboja e a Tail\u00e2ndia s\u00e3o considerados rivais h\u00e1 d\u00e9cadas no Sudeste Asi\u00e1tico. No final do m\u00eas de julho, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/dezenas-de-mortos-cacas-e-um-templo-sagrado-oito-respostas-para-entender-os-confrontos-entre-os-rivais-camboja-e-tailandia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">os dois pa\u00edses envolveram-se durante v\u00e1rios dias em confrontos que levaram \u00e0 morte de pelo menos 42 pessoas<\/a> e provocaram 300.000 deslocados. H\u00e1 cerca de 14 anos os dois pa\u00edses tinham-se envolvido em confrontos perto de espa\u00e7os religiosos, que resultaram em cerca de 20 v\u00edtimas mortais e na desloca\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares que vivem perto da fronteira.<\/p>\n<p>A rivalidade dos dois pa\u00edses tem origem num acordo assinado em 1907 pela monarquia de Si\u00e3o (a antiga designa\u00e7\u00e3o de Tail\u00e2ndia) com Fran\u00e7a, que estipulava as fronteiras entre o pa\u00eds e o que hoje corresponde ao Camboja, cujos territ\u00f3rios foram controlados pelos franceses at\u00e9 1953. No centro da disputa h\u00e1 tamb\u00e9m v\u00e1rios templos hindus, como o Prasat Ta Moan Thom e o Preah Vihear, ambos localizados perto da fronteira entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"W6bQ0p4qWi\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/dezenas-de-mortos-cacas-e-um-templo-sagrado-oito-respostas-para-entender-os-confrontos-entre-os-rivais-camboja-e-tailandia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Dezenas de mortos, ca\u00e7as e um templo sagrado. Oito respostas para entender os confrontos entre os rivais Camboja e Tail\u00e2ndia<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Quando os confrontos deste ano irromperam, houve um primeiro contacto das autoridades da Mal\u00e1sia e depois da China. Numa altura em que a administra\u00e7\u00e3o norte-americana estava a negociar acordos comerciais com v\u00e1rios pa\u00edses, Trump usou as tarifas como arma. O Presidente dos EUA explicou que disse aos l\u00edderes da Tail\u00e2ndia e do Cambodia que iria travar as negocia\u00e7\u00f5es sobre os acordos se os dois pa\u00edses n\u00e3o alcan\u00e7assem um cessar-fogo.<\/p>\n<p>Num exclusivo da <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/china\/trumps-call-broke-deadlock-thailand-cambodia-border-crisis-2025-07-31\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Reuters<\/a> sobre como foi poss\u00edvel quebrar o impasse l\u00ea-se que Trump ligou ao primeiro-ministro tailand\u00eas no dia 26 de julho. No dia seguinte estava a anunciar ao mundo que os dois pa\u00edses tinham concordado negociar um cessar-fogo e amea\u00e7ou que Washington n\u00e3o iria avan\u00e7ar com negocia\u00e7\u00f5es de tarifas at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o fosse resolvida.<\/p>\n<p>A 28 de julho uma delega\u00e7\u00e3o do Cambodia e outra da Tail\u00e2ndia reuniram-se na Mal\u00e1sia e chegaram a um acordo de cessar-fogo ap\u00f3s cinco dias de confrontos. Lim Menghour, funcion\u00e1rio do governo de Phnom Penh que trabalha com pol\u00edtica externa, disse, citado pela Reuters, que o pa\u00eds aceitou a oferta inicial da Mal\u00e1sia para conversa\u00e7\u00f5es, mas que a Tail\u00e2ndia n\u00e3o se mexeu at\u00e9 \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Trump. J\u00e1 o governo da Tail\u00e2ndia manteve sempre um canal aberto com a China, que mostrou interesse em mediar a paz, segundo explicou o primeiro-ministro Hun Manet, um dos l\u00edderes que nomeou Trump para o Pr\u00e9mio Nobel da Paz. A <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2025\/08\/19\/politics\/donald-trump-six-wars-claim\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">CNN<\/a> recorda tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Mais uma rivalidade hist\u00f3rica, desta vez entre duas pot\u00eancias nucleares. A tens\u00e3o aumentou no final de abril deste ano na regi\u00e3o de Caxemira, que \u00e9 reivindicada pelos dois pa\u00edses e j\u00e1 levou a tr\u00eas guerras em larga escala. Atualmente, o territ\u00f3rio est\u00e1 dividido em tr\u00eas zonas: uma indiana, uma paquistanesa e outra chinesa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/uma-rivalidade-historica-as-ogivas-nucleares-e-caxemira-o-conflito-entre-a-india-e-o-paquistao-em-sete-respostas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Os confrontos de 2025 come\u00e7aram depois do ataque de 22 de abril a uma est\u00e2ncia tur\u00edstica na parte da regi\u00e3o administrada pelas autoridades indianas<\/a> e que foi levado a cabo pela Frente da Resist\u00eancia, um grupo relativamente desconhecido que tem atacado alvos hindus na Caxemira indiana. Foram alvejados 26 homens, 25 dos quais cidad\u00e3os indianos hindus. As autoridades de Nova Deli acusaram o Paquist\u00e3o de estar por tr\u00e1s do ataque e de ter apoiado o grupo, alega\u00e7\u00f5es que Islamabad rejeitou.<\/p>\n<p>N\u00e3o convencida, a \u00cdndia tomou numa primeira fase uma s\u00e9rie de medidas: deu 48 horas para que todos os cidad\u00e3os paquistaneses sa\u00edssem de territ\u00f3rio indiano; suspendeu a emiss\u00e3o de vistos; fechou fronteiras e expulsou diplomatas do Paquist\u00e3o; suspendeu a sua participa\u00e7\u00e3o num tratado de partilha de \u00e1gua (algo que poderia alterar os caudais dos rios e criar graves perturba\u00e7\u00f5es no abastecimento de \u00e1gua em territ\u00f3rio paquistan\u00eas); iniciou exerc\u00edcios militares perto da Linha de Controlo e refor\u00e7ou a sua presen\u00e7a na regi\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Hydcnvi1XY\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/uma-rivalidade-historica-as-ogivas-nucleares-e-caxemira-o-conflito-entre-a-india-e-o-paquistao-em-sete-respostas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Uma rivalidade hist\u00f3rica, as ogivas nucleares e Caxemira. O conflito entre a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o em sete respostas<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em pouco tempo a Linha de Controlo foi palco de v\u00e1rias provoca\u00e7\u00f5es militares. No dia 9 de maio cinco civis, incluindo uma crian\u00e7a de dois anos, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/05\/09\/india-e-paquistao-vivem-nova-noite-de-confrontos-na-disputada-regiao-de-caxemira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">foram mortos na Caxemira paquistanesa por fogo de artilharia indiana<\/a>, segundo denunciaram as autoridades \u00e0 AFP. O ex\u00e9rcito indiano tinha informado no mesmo dia que as for\u00e7as armadas indianas tinha respondido \u201cadequadamente aos disparos n\u00e3o provocados do ex\u00e9rcito paquistan\u00eas\u201d ao longo da Linha de Controlo. Os confrontos foram descritos como os mais graves das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, provocando dezenas de mortes civis de ambos os lados.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 que entra Donald Trump? Os relatos divergem. Horas depois de o Paquist\u00e3o anunciar uma opera\u00e7\u00e3o militar contra a \u00cdndia, o Presidente norte-americano revelou na sua conta pessoal da Truth Social que Nova Deli e Islamabad <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/05\/10\/paquistao-anuncia-operacao-militar-para-responder-a-ataques-indianos-contra-ofensiva-tera-atingido-bases-aereas-da-india\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">tinham firmado um cessar-fogo \u201ctotal e imediato\u201d<\/a>. \u201cEvit\u00e1mos um conflito nuclear. Penso que poderia ter sido uma guerra nuclear grave, milh\u00f5es de pessoas poderiam ter sido mortas, por isso estou muito orgulhoso\u201d, diria mais tarde a partir da Casa Branca.<\/p>\n<p>A \u00cdndia reconhece que Trump interveio, mas garante que negociou diretamente com o Paquist\u00e3o para p\u00f4r fim aos confrontos. Sublinha tamb\u00e9m que as autoridades de Islamabad pediram um cessar-fogo sob press\u00e3o dos ataques indianos. As autoridades paquistanesas negam, tendo agradecido a Trump pelo seu contributo e garantido que v\u00e3o nomear o l\u00edder norte-americano para o Pr\u00e9mio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>No final de janeiro, Goma, uma cidade rica em minerais na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/01\/29\/a-declaracao-de-guerra-o-apoio-tatico-do-ruanda-e-o-ouro-rebeldes-avancam-no-leste-da-republica-democratica-do-congo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">foi ocupada pelo M23<\/a> \u2014 grupo insurgente apoiado pelo Ruanda. Depois da revolta contra o governo ter falhado em 2012, os rebeldes, que se tinham mantido afastados dos holofotes, procuraram reconstruir-se. Em 2022, lan\u00e7avam uma nova ofensiva e come\u00e7avam a ocupar territ\u00f3rios na regi\u00e3o leste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o em Goma, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/negociacoes-falhadas-interferencia-do-ruanda-e-3-mil-mortos-seis-perguntas-e-respostas-sobre-o-conflito-na-republica-democratica-do-congo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">como o Observador explicava neste especial<\/a>, foi desencadeado por negocia\u00e7\u00f5es falhadas entre o Presidente da RD Congo,\u00a0F\u00e9lix\u00a0Tshisekedi, e o Presidente do Ruanda,\u00a0Paul Kagame. O processo estava a ser mediado por Angola, mas no final do ano passado Kagame recusou aparecer num dos encontros, criticando o l\u00edder congol\u00eas pela falta de resultados.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"mr5IX8j8tM\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/negociacoes-falhadas-interferencia-do-ruanda-e-3-mil-mortos-seis-perguntas-e-respostas-sobre-o-conflito-na-republica-democratica-do-congo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Negocia\u00e7\u00f5es falhadas, interfer\u00eancia do Ruanda e 3 mil mortos. Seis perguntas e respostas sobre o conflito na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>T\u00eam sido muitas as tentativas para mediar o conflito, envolto em interesses pol\u00edticos, econ\u00f3micos e securit\u00e1rios. Em junho, Donald Trump recebeu na Casa Branca delega\u00e7\u00f5es dos dois pa\u00edses, que assinaram um acordo que prev\u00ea o respeito pela integridade territorial e o fim das hostilidades. O documento, assinado pelos ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros dos dois pa\u00edses africanos tamb\u00e9m <strong>ajudar\u00e1 as empresas norte-americanas a obter acesso a minerais essenciais necess\u00e1rios para grande parte da tecnologia mundial<\/strong>, como o cobalto.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a receber, para os Estados Unidos, muitos dos direitos minerais do Congo\u201d, sublinhou Trump antes de cerim\u00f3nia para firmar o acordo, que descreveu como um \u201ctriunfo glorioso\u201d. Apesar de terem sido os EUA a mediar o acordo, o Qatar est\u00e1 a promover conversa\u00e7\u00f5es. Esta segunda-feira foi marcada por um encontro de delega\u00e7\u00f5es do Congo e Ruanda em Doha, no qual foi assinada uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios em que os pa\u00edses se comprometiam a p\u00f4r fim aos combates e alcan\u00e7ar um acordo de paz, noticiou a <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2025\/8\/19\/m23-dr-congo-peace-talks-in-doha-stalled-what-next\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Al Jazeera<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar do acordo promovido por Trump, os combates t\u00eam continuado. Num relat\u00f3rio publicado a 6 de agosto, o Alto-Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) indicavam ter recebido relatos em primeira m\u00e3o de que <strong>pelo menos 319 civis foram mortos por combatentes do M23,<\/strong> auxiliados por membros da For\u00e7a de Defesa de Ruanda, entre 9 e 21 de julho na prov\u00edncia de Kivu. Al\u00e9m disso, o grupo de rebeldes abandonou as negocia\u00e7\u00f5es de paz com o governo da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um conflito militar, mas diplom\u00e1tico. No centro da discuss\u00e3o est\u00e1 a barragem hidroel\u00e9trica da Eti\u00f3pia no rio Nilo, o maior projeto de produ\u00e7\u00e3o desta energia em \u00c1frica. O Egito tem denunciado repetidamente que o projeto pensado por Adis Abeba \u00e9 uma amea\u00e7a ao abastecimento de \u00e1gua no pa\u00eds, um aviso a que o Sud\u00e3o tamb\u00e9m se tem aliado.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro da Eti\u00f3pia anunciou a 3 de julho que a barragem, localizada no Nilo Azul, na fronteira entre a Eti\u00f3pia e o Sud\u00e3o, foi terminada. \u201cAos nossos vizinhos a jusante \u2014 Egipto e Sud\u00e3o \u2014 a nossa mensagem \u00e9 clara: a Barragem Renaissance n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a, mas uma oportunidade partilhada \u2026 A energia e o desenvolvimento que vai gerar ir\u00e3o elevar n\u00e3o s\u00f3 a Eti\u00f3pia\u201d, garantiu, citado pela <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2025\/7\/3\/ethiopias-pm-abiy-ahmed-says-mega-dam-gerd-on-the-nile-now-complete\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Al Jazeera<\/a>. Prev\u00ea-se que a barragem produza cerca de 5.000 megawatts (MW), o dobro da atual capacidade de produ\u00e7\u00e3o de Adis Abeba.<\/p>\n<p>O conflito n\u00e3o evoluiu at\u00e9 agora para confrontos, mas o Presidente dos EUA chegou a avisar no seu primeiro mandato na Casa Branca que o Egito poderia \u201crebentar\u201d com a barragem.<\/p>\n<p>A 29 de junho, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros do Egito anunciou que as conversa\u00e7\u00f5es com a Eti\u00f3pia sobre a barragem tinham cessado. Trump sublinhou que vai resolver o assunto rapidamente, reivindicando tamb\u00e9m a manuten\u00e7\u00e3o da paz entre o Egito e a Eti\u00f3pia. <strong>Para j\u00e1 nenhum acordo formal foi alcan\u00e7ado entre o Egito e a Eti\u00f3pia para resolver as suas diferen\u00e7as.<\/strong><\/p>\n<p>Na lista de guerras da Casa Branca sobre os conflitos que o Presidente norte-americano parou ou impediu consta tamb\u00e9m a S\u00e9rvia e o Kosovo. Por\u00e9m, n\u00e3o houve amea\u00e7as de guerra entre os dois vizinhos durante o segundo mandato de Trump.<\/p>\n<p>Kosovo, uma antiga prov\u00edncia da S\u00e9rvia, declarou em 2008 a sua independ\u00eancia, sendo reconhecida por 100 pa\u00edses, mas n\u00e3o por Belgrado. As tens\u00f5es s\u00e3o persistentes, mas n\u00e3o chegaram ao ponto de um conflito armado. Pristina conta atualmente com uma for\u00e7a de manuten\u00e7\u00e3o da paz da NATO, que tem sido refor\u00e7ada em momentos mais sens\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cA S\u00e9rvia e o Kosovo n\u00e3o est\u00e3o a lutar nem a disparar um contra o outro, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma guerra para acabar\u201d, sublinhou \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/c5y3599gx4qo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">BBC<\/a> Margaret MacMillan, historiadora e antiga professora da Universidade de Oxford. Questionada pela esta\u00e7\u00e3o televisiva brit\u00e2nica, a Casa Branca apontou para os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos de Donald Trump no seu primeiro mandato. Referia-se ao acordo de normaliza\u00e7\u00e3o. Isto porque em 2020 os dois pa\u00edses assinaram acordos de normaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica ao lado do l\u00edder norte-americano na Sala Oval, mas n\u00e3o estavam em guerra na altura.<\/p>\n<p>Na chamada guerra dos 12 dias a interven\u00e7\u00e3o de Trump \u00e9 mais consensual. O conflito come\u00e7ou em meados de junho com ataques israelitas a infraestruturas nucleares iranianas. Telavive garantiu que infligiu pesados danos ao programa nuclear de Teer\u00e3o, reivindicando tamb\u00e9m a morte de v\u00e1rios l\u00edderes militares, incluindo o Chefe do Estado-Maior, Mohammad Bagheri. Trump confirmou que foi antecipadamente avisado sobre a ofensiva, descrita pelos israelitas como \u201cpreventiva\u201d, pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O Ir\u00e3o retaliou com vagas de m\u00edsseis e drones.<\/p>\n<p>A 21 de junho os EUA confirmaram ataques a tr\u00eas centrais nucleares iranianas. Na <a href=\"https:\/\/truthsocial.com\/@realDonaldTrump\/posts\/114724122562432505\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Truth Social<\/a> o l\u00edder norte-americano descreveu que a ofensiva tinha sido bem sucedida e sublinhou que se tratava de um \u201cmomento hist\u00f3rico para os Estados Unidos da Am\u00e9rica, Israel e o mundo\u201d. Teer\u00e3o responderia com um ataque que n\u00e3o provocou v\u00edtimas \u00e0 base norte-americana Al Udeid Air, no Qatar, e dias depois Trump anunciava um cessar-fogo. Desde ent\u00e3o, Israel sugeriu que poderia atacar alvos iranianos novamente para combater novas amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Especialistas em conflitos s\u00e3o mais consensuais sobre o papel do l\u00edder dos EUA neste conflito. \u201cH\u00e1 sempre uma hip\u00f3tese de a guerra ressurgir se o Ir\u00e3o reiniciar o seu programa de armas nucleares, mas, mesmo assim, eles estavam envolvidos numa guerra acirrada. E n\u00e3o havia um fim real \u00e0 vista antes de o presidente Trump se envolver e fazer um ultimato\u201d, disse Evelyn Farkas, diretora executiva do Instituto McCain da Universidade Estatal do Arizona, \u00e0 <a href=\"https:\/\/apnews.com\/article\/trump-peace-wars-claim-fact-check-10128b26232e1d1eb9e68c5617320cf3\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Associated Press<\/a>. Uma posi\u00e7\u00e3o partilhada com Lawrence Haas, membro do American Foreign Policy Councill, que apontou que Washington foi essencial para o cessar-fogo, ainda que considere que <strong>poder\u00e1 ser apenas um \u201cal\u00edvio tempor\u00e1rio\u201d no conflito.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A pedido de v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es internacionais, incluindo jornais como o\u00a0New York Times ou o Independent, a Casa Branca&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37922,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[624,27,28,6195,623,15,16,830,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,4497,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-37921","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-amu00e9rica","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-conflitos","12":"tag-estados-unidos-da-amu00e9rica","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-guerra","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mundo","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-presidente-trump","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-world","35":"tag-world-news","36":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37921\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}