{"id":379726,"date":"2026-05-13T11:33:11","date_gmt":"2026-05-13T11:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/379726\/"},"modified":"2026-05-13T11:33:11","modified_gmt":"2026-05-13T11:33:11","slug":"xylella-fastidiosa-ja-esta-instalada-no-alentejo-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/379726\/","title":{"rendered":"Xylella fastidiosa j\u00e1 est\u00e1 instalada no Alentejo | Agricultura"},"content":{"rendered":"<p>Sete anos depois de ter sido detectada pela primeira vez em Portugal, a bact\u00e9ria patog\u00e9nica Xylella fastidiosa \u2014 apelidada o \u201c\u00c9bola do mundo vegetal\u201d \u2014 instalou-se no Alentejo. Em Fevereiro de 2026, a sua presen\u00e7a foi confirmada em Gr\u00e2ndola; desde o ano passado, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/09\/23\/local\/noticia\/bacteria-xylella-fastidiosa-detetada-concelhos-portalegre-marvao-2105184\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">em Marv\u00e3o<\/a>, onde j\u00e1 infectou oliveiras e videiras. A amea\u00e7a que o sector agr\u00edcola <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/01\/16\/economia\/noticia\/bacteria-destroi-oliveiras-chegou-portugal-atraves-plantas-ornamentais-1858105\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">temia desde 2019<\/a> \u00e9 agora uma realidade, com a bact\u00e9ria instalada pela primeira vez no Sul do pa\u00eds, a poucos passos dos olivais intensivos, amendoais, vinhas e montados que hoje definem a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Despacho n.\u00ba 47\/G\/2026, publicado a 18 de Fevereiro, veio anunciar que a presen\u00e7a da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/01\/16\/ciencia\/noticia\/bacteria-causa-doencas-350-especies-plantas-1858142\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">bact\u00e9ria X. fastidiosa<\/a> foi \u201claboratorialmente confirmada em oito amostras\u201d colhidas na freguesia do Carvalhal, no concelho de Gr\u00e2ndola, refere em comunicado a Direc\u00e7\u00e3o-Geral de Alimenta\u00e7\u00e3o e Veterin\u00e1ria (DGAV). O Carvalhal concentra um importante e extenso montado de sobro.<\/p>\n<p>As plantas identificadas como infectadas pertencem aos g\u00e9neros e esp\u00e9cies Acacia sp., Halimium halimifolium, Lavandula angustifolia, Lavandula dentata e Santolina impressa. A subesp\u00e9cie da bact\u00e9ria detectada na zona demarcada de Gr\u00e2ndola \u00e9 a Xylella fastidiosa subsp. multiplex.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Subesp\u00e9cies diferentes<\/p>\n<p>Mais recentemente, a informa\u00e7\u00e3o publicada pela DGAV, atrav\u00e9s do Edital 10\/2026\/XF\/AL, relativo \u00e0 actualiza\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/09\/23\/local\/noticia\/bacteria-xylella-fastidiosa-detetada-concelhos-portalegre-marvao-2105184\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">zona demarcada de Marv\u00e3o<\/a>, enumera mais de duas dezenas de plantas infectadas neste concelho, entre as quais oliveiras (Olea europaea), videiras (Vitis spp.), sobreiros (Quercus suber), carvalho-negral, esteva, urze e rosmaninho. A presen\u00e7a da bact\u00e9ria foi laboratorialmente confirmada em 43 amostras, perfazendo \u201cactualmente um total de 56 zonas infectadas na zona demarcada para Xylella fastidiosa de Marv\u00e3o\u201d, salienta a DGAV.<\/p>\n<p>A subesp\u00e9cie da bact\u00e9ria identificada nesta zona demarcada corresponde \u00e0 Xylella fastidiosa subsp. fastidiosa, distinta da detectada em Gr\u00e2ndola \u2014 uma linhagem associada a estirpes californianas consideradas altamente virulentas para a vinha e a amendoeira. A detec\u00e7\u00e3o em sobreiros \u00e9 particularmente cr\u00edtica para o Alentejo, onde o montado \u00e9 a base da ind\u00fastria da corti\u00e7a e um pilar da biodiversidade regional.<\/p>\n<p>No Alentejo, o sector agr\u00edcola tremeu desde 2019, antecipando as consequ\u00eancias da extens\u00e3o da praga \u00e0s culturas intensivas do olival, amendoal e vinha, mas tamb\u00e9m \u00e0s esp\u00e9cies frut\u00edcolas, ao montado de sobro e azinho e a uma imensid\u00e3o de esp\u00e9cies vegetais.<\/p>\n<p>Na mais recente actualiza\u00e7\u00e3o realizada pela Autoridade Europeia para a Seguran\u00e7a Alimentar (EFSA, na sigla em ingl\u00eas) sobre plantas que actuam como hospedeiros da X. fastidiosa, a lista inclui 595 esp\u00e9cies. A maioria foi infectada naturalmente em Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Portugal e Espanha.<\/p>\n<p>Abate de plantas no Norte<\/p>\n<p>A amea\u00e7a que veio do Norte do pa\u00eds, onde j\u00e1 obrigou ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/02\/15\/azul\/noticia\/bacteria-xylella-fastidiosa-ja-obrigou-abate-milhares-plantas-porto-2038974\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">abate de milhares de plantas<\/a>, foi-se estendendo ao longo de seis anos por dezenas de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/02\/14\/azul\/noticia\/bacteria-xylella-fastidiosa-ja-levou-criacao-sete-zonas-demarcadas-regiao-norte-2038817\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">zonas demarcadas do Norte<\/a> e Centro, at\u00e9 se instalar agora no Sul. As plantas chegaram a Portugal \u201c\u00e0 boleia\u201d de importa\u00e7\u00f5es ornamentais, possivelmente sem passaporte fitossanit\u00e1rio. A bact\u00e9ria foi detectada pela primeira vez em Portugal em Janeiro de 2019, em Vila Nova de Gaia, em plantas do g\u00e9nero Lavandula \u2014 lavanda ornamental que n\u00e3o apresentava sinais da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Portugal mantinha desde 2014 um programa nacional de prospec\u00e7\u00e3o anual da bact\u00e9ria, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o a tinha assinalado em territ\u00f3rio nacional. O valor desta vigil\u00e2ncia fica patente no caso do Algarve: em 2021, um foco isolado foi detectado num viveiro em Tavira \u2014 e erradicado com sucesso em 2022, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das autoridades. No Alentejo, onde a bact\u00e9ria atingiu a flora espont\u00e2nea e o montado, essa janela de oportunidade fechou-se.<\/p>\n<p>A descoberta da X. fastidiosa em Portugal passou a alimentar o receio de uma cat\u00e1strofe semelhante \u00e0 que ocorria desde 2013 na regi\u00e3o da Ap\u00falia, no Sul de It\u00e1lia. Foi a\u00ed que a bact\u00e9ria foi detectada pela primeira vez na Europa \u2014 onde chegou vinda dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Conhecida naquele pa\u00eds do Mediterr\u00e2neo como a praga das oliveiras, rapidamente provocou o colapso do sector oliv\u00edcola: estima-se que tenham morrido 21 milh\u00f5es de \u00e1rvores, com perdas anuais de produ\u00e7\u00e3o que ascendem a 5,5 mil milh\u00f5es de euros. A situa\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Em Portugal, a cigarrinha-da-espuma (Philaenus spumarius), que se alimenta da seiva do lenho das plantas, foi identificada como o vector prim\u00e1rio, provocando defici\u00eancias na absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e minerais pelas plantas e bloqueando o xilema, o tecido respons\u00e1vel pelo transporte desses nutrientes. No Alentejo, o pico de transmiss\u00e3o ocorre entre meados de Julho e in\u00edcio de Agosto, quando os adultos migram das ervas para as copas das \u00e1rvores \u2014 tornando o controlo da vegeta\u00e7\u00e3o herb\u00e1cea na Primavera uma das medidas preventivas mais eficazes dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>A X. fastidiosa n\u00e3o possui um tratamento directo que erradique a doen\u00e7a, o que torna o seu controlo extremamente dif\u00edcil. A destrui\u00e7\u00e3o de plantas infectadas e o controlo de insectos vectores s\u00e3o, de momento, as principais medidas para prevenir a dissemina\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>O custo desta estrat\u00e9gia fica claro nos n\u00fameros do Norte do pa\u00eds: entre 2019 e 2023, a destrui\u00e7\u00e3o de cerca de 412.500 plantas gerou custos directos de mais de um milh\u00e3o de euros, com custos de replantio estimados em 6,81 milh\u00f5es de euros. No Alentejo, onde as propriedades s\u00e3o vastas e os sobreiros e olivais demoram d\u00e9cadas a atingir a maturidade, o impacto de cada foco positivo pode ser muito mais gravoso. \u00c9 essa a fronteira em que Portugal se encontra agora, com a bact\u00e9ria instalada pela primeira vez em pleno Alentejo e sem resposta definitiva \u00e0 vista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sete anos depois de ter sido detectada pela primeira vez em Portugal, a bact\u00e9ria patog\u00e9nica Xylella fastidiosa \u2014&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":379727,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[995,562,288,4916,785,27,28,529,353,15,16,6507,14,25,26,352,21,22,9801,12,13,19,20,542,32,23,24,33,117,17,18,29,30,31,63689],"class_list":{"0":"post-379726","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-abre-conteudo","9":"tag-agricultura","10":"tag-alentejo","11":"tag-alqueva","12":"tag-azul","13":"tag-breaking-news","14":"tag-breakingnews","15":"tag-doencas","16":"tag-em-destaque","17":"tag-featured-news","18":"tag-featurednews","19":"tag-grandola","20":"tag-headlines","21":"tag-latest-news","22":"tag-latestnews","23":"tag-local","24":"tag-main-news","25":"tag-mainnews","26":"tag-marvao","27":"tag-news","28":"tag-noticias","29":"tag-noticias-principais","30":"tag-noticiasprincipais","31":"tag-para-redes","32":"tag-portugal","33":"tag-principais-noticias","34":"tag-principaisnoticias","35":"tag-pt","36":"tag-saude","37":"tag-top-stories","38":"tag-topstories","39":"tag-ultimas","40":"tag-ultimas-noticias","41":"tag-ultimasnoticias","42":"tag-xylella-fastidiosa"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=379726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379726\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/379727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=379726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=379726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=379726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}