{"id":380408,"date":"2026-05-13T22:26:15","date_gmt":"2026-05-13T22:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/380408\/"},"modified":"2026-05-13T22:26:15","modified_gmt":"2026-05-13T22:26:15","slug":"salvar-o-lobo-nao-pode-significar-condenar-racas-autoctones-alertam-criadores-parlamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/380408\/","title":{"rendered":"\u201cSalvar o lobo n\u00e3o pode significar condenar ra\u00e7as aut\u00f3ctones\u201d, alertam criadores | Parlamento"},"content":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00f5es de produtores de gado queixaram-se esta quarta-feira, numa audi\u00e7\u00e3o parlamentar, n\u00e3o s\u00f3 dos ataques descritos como mais frequentes e destrutivos perpetrados pelo lobo-ib\u00e9rico, mas tamb\u00e9m da teia burocr\u00e1tica que os pedidos de indemniza\u00e7\u00f5es envolve. J\u00e1 o Grupo Lobo, tamb\u00e9m presente na audi\u00e7\u00e3o, defendeu que a conserva\u00e7\u00e3o da subesp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a pecu\u00e1ria, sublinhando a import\u00e2ncia de estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o como cercas e c\u00e3es de protec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A audi\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Agricultura e Pescas juntou representantes de associa\u00e7\u00f5es ligadas a ra\u00e7as aut\u00f3ctones e um conjunto de deputados que, apesar de diferen\u00e7as de \u00eanfase, convergiram na necessidade de reduzir a burocracia e acelerar a valida\u00e7\u00e3o e o pagamento dos preju\u00edzos.<\/p>\n<p>\u201cO lobo deve ser preservado. Mas, caramba, tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser sempre o agricultor a sofrer com tudo\u201d, afirmou o deputado social-democrata Fernando Queiroga, sublinhando o risco de abandono da actividade agro-pecu\u00e1ria no interior.<\/p>\n<p>O debate foi atravessado por relatos de perdas causadas pelo lobo-ib\u00e9rico (Canis lupus signatus) que, dizem os criadores, n\u00e3o cabem nas tabelas de compensa\u00e7\u00e3o nem nos crit\u00e9rios de prova.<\/p>\n<p>\u201cNunca houve tantos problemas como h\u00e1 agora com o lobo, alguma coisa se passa\u201d, afirmou Jorge Laranjinha, respons\u00e1vel da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Criadores de Ovinos da Ra\u00e7a Churra Galega Bragan\u00e7ana (ACOB). Laranjinha referiu ataques em que \u201cn\u00e3o matam s\u00f3 um animal, agora \u00e9 \u00e0 d\u00fazia\u201d. O respons\u00e1vel deu um exemplo: numa dada explora\u00e7\u00e3o, \u201cmorreram 30 e tal animais e s\u00f3 15 \u00e9 que foram pagos\u201d.<\/p>\n<p>Amea\u00e7a \u00e0s ra\u00e7as aut\u00f3ctones<\/p>\n<p>Uma das cr\u00edticas repetidas foi a de que o actual regime foi desenhado para modelos pecu\u00e1rios convencionais, falhando quando aplicado a sistemas extensivos e a realidades de montanha.<\/p>\n<p>Em representa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Criadores de Equinos da Ra\u00e7a Garrana (ACERG), o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Matos Vieira Leite descreveu a amea\u00e7a actual \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/interactivos\/diario-de-um-cientista\/artigo\/historia-sobrevivencia-do-garrano\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">ra\u00e7a garrana<\/a>, considerada como um patrim\u00f3nio gen\u00e9tico e ambiental e classificada no \u201cgrau m\u00e1ximo de risco de extin\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1 \u201cpouco mais de duas mil \u00e9guas reprodutoras\u201d e \u201ccerca de tr\u00eas centenas de garanh\u00f5es\u201d, afirmou Vieira Leite, sendo que esses animais vivem \u201cem regime extensivo, feral ou semi-selvagem\u201d, precisamente em zonas de maior presen\u00e7a de alcateias.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico veterin\u00e1rio, a legisla\u00e7\u00e3o e as regras de indemniza\u00e7\u00e3o penalizam os criadores por exigirem medidas que considera materialmente imposs\u00edveis: \u201cpresen\u00e7a permanente de pastores\u201d, \u201cutiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e3es de protec\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cconfinamento dos animais\u201d. \u201cNenhuma destas medidas \u00e9 compat\u00edvel com a realidade da cria\u00e7\u00e3o de garranos em \u00e1reas serranas extensas e comunit\u00e1rias\u201d, disse, apontando como consequ\u00eancia autom\u00e1tica a \u201credu\u00e7\u00e3o de 50% das indemniza\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs criadores s\u00e3o penalizados n\u00e3o por neglig\u00eancia mas por respeitarem o modelo tradicional e ecol\u00f3gico da ra\u00e7a garrana\u201d, acrescentou Vieira Leite, referindo ainda a dificuldade de prova em zonas remotas, onde os animais \u201cdesaparecem\u201d e os pedidos acabam recusados por \u201cfalta de prova directa\u201d.<\/p>\n<p>O que os produtores pedem, afirmou Vieira Leite, \u00e9 um modelo mais ajustado ao territ\u00f3rio: \u201ccria\u00e7\u00e3o de uma excep\u00e7\u00e3o legal e expl\u00edcita\u201d para sistemas extensivos, elimina\u00e7\u00e3o do corte autom\u00e1tico e reconhecimento de \u201cperdas presumidas\u201d em zonas com presen\u00e7a confirmada do lobo-ib\u00e9rico, incluindo \u201cpoldros e crias jovens\u201d como eleg\u00edveis. A ideia-chave com que o m\u00e9dico veterin\u00e1rio encerrou a interven\u00e7\u00e3o foi retomada por v\u00e1rios participantes: \u201cSalvar o lobo n\u00e3o pode significar condenar ao desaparecimento as ra\u00e7as aut\u00f3ctones que partilham o mesmo territ\u00f3rio h\u00e1 s\u00e9culos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cClima de tens\u00e3o\u201d\u200b<\/p>\n<p>Jorge Laranjinha sustentou que h\u00e1 \u201c<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/11\/azul\/noticia\/produtores-gado-criam-movimento-acabar-proteccao-lobo-2164430\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">clima de tens\u00e3o<\/a>\u201d entre associa\u00e7\u00f5es, criadores e entidades oficiais e criticou a forma como foram fixados os valores de compensa\u00e7\u00e3o, sem ausculta\u00e7\u00e3o do sector. \u201cUm criador que queira comprar uma ovelha de ra\u00e7a churra galega bragan\u00e7ana tem que dar no m\u00ednimo 250 euros. Ela est\u00e1 aqui avaliada em 175\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O lobo-ib\u00e9rico \u00e9 uma subesp\u00e9cie protegida em Portugal &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nPedro Cunha                     &#13;<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel da ACOB acrescentou que as compensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o cobrem o preju\u00edzo real do sector, que inclui animais feridos que morrem mais tarde ou a perda de crias que, por ainda n\u00e3o terem o brinco (sistema que permite identificar o gado), n\u00e3o s\u00e3o eleg\u00edveis para indemniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos Apol\u00f3nio, criador em Montalegre, explicou que os lobos n\u00e3o atacam as vacas adultas, mas sim os vitelos \u201cquando est\u00e3o a nascer\u201d. A fiscaliza\u00e7\u00e3o pode confirmar o ataque, disse, mas o pagamento falha porque os animais n\u00e3o est\u00e3o ainda identificados. \u201cConfirmam que foi morto pelo lobo. E dizem que esses animais n\u00e3o v\u00e3o ser pagos, porque n\u00e3o est\u00e3o identificados\u201d, relatou. A consequ\u00eancia, acrescentou, \u00e9 dupla: o preju\u00edzo directo e a perda de apoios associados ao parto que n\u00e3o \u00e9 reconhecido. \u201cA vaca n\u00e3o pariu, voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam direito a subs\u00eddio\u201d, resumiu, concluindo a actividade pode acabar se o problema persistir.<\/p>\n<p>Na audi\u00e7\u00e3o surgiram tamb\u00e9m descri\u00e7\u00f5es de medidas preventivas consideradas irrealistas. Rafael Azevedo, em representa\u00e7\u00e3o de criadores de ra\u00e7as aut\u00f3ctones na regi\u00e3o Norte, disse ser \u201cimpens\u00e1vel\u201d instalar veda\u00e7\u00f5es com as caracter\u00edsticas exigidas em terreno rochoso de socalcos. E sublinhou que, mesmo com c\u00e3es de protec\u00e7\u00e3o, h\u00e1 casos em que estes tamb\u00e9m s\u00e3o atacados.<\/p>\n<p>Na resposta \u00e0s cr\u00edticas, o presidente do Grupo Lobo, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/05\/31\/ciencia\/noticia\/francisco-petrucci-vida-lobos-2050898\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Francisco Petrucci Fonseca<\/a>, rejeitou a ideia de que os \u201clobos de agora\u201d sejam diferentes. \u201cOs lobos de agora aproximam-se das aldeias como se aproximavam\u201d no passado, afirmou, evocando mem\u00f3rias familiares.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s medidas preventivas, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/07\/azul\/noticia\/lobos-atacam-gado-estao-conflito-humanos-especialistas-pedem-accao-governo-2149566\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Petrucci Fonseca<\/a> reconheceu limita\u00e7\u00f5es e defendeu solu\u00e7\u00f5es \u201ccaso a caso\u201d, lembrando que os c\u00e3es de gado s\u00e3o uma ferramenta antiga, seleccionada \u201cao longo de mil\u00e9nios\u201d, e n\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o recente. \u201cN\u00e3o estamos \u00e0 espera que vai resolver todo o problema\u201d, disse, mas defendeu trabalho articulado entre associa\u00e7\u00f5es, Estado e, se for cab\u00edvel, tamb\u00e9m o Grupo Lobo, \u201ccom a nossa experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Reac\u00e7\u00f5es dos partidos<\/p>\n<p>Do lado dos partidos, repetiu-se o compromisso de mexer no processo. O deputado Pedro Fraz\u00e3o (Chega) defendeu que \u201co Estado tem que pagar essa conserva\u00e7\u00e3o\u201d, sob pena de a press\u00e3o recair sempre sobre os mesmos, e prometeu questionar o Governo sobre dados, subnotifica\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia do programa de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cIsto \u00e9 sobre um Estado que n\u00e3o est\u00e1 a funcionar bem\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>J\u00e1 o socialista Pedro do Carmo prometeu iniciativas para responder aos constrangimentos relatados, sublinhando a necessidade de evitar \u201cum conflito social no terreno\u201d e defendendo \u201cequil\u00edbrio claro no ecossistema\u201d entre preven\u00e7\u00e3o, protec\u00e7\u00e3o e reconhecimento do papel dos produtores.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, Jorge Pinto (Livre) apontou a burocracia como \u201cpalavra-chave\u201d e defendeu mais proximidade do Estado \u00e0s realidades locais, sem abdicar de valida\u00e7\u00e3o. O deputado comunista Alfredo Maia, por fim, pediu contributos concretos para acelerar averigua\u00e7\u00f5es e chegar a \u201cvalor justo\u201d de indemniza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Recorde-se que Maria da Gra\u00e7a Carvalho, ministra do Ambiente e da Energia, prometeu em Dezembro de 2025 que o Governo duplicaria o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/05\/azul\/noticia\/governo-reve-proteccao-lobo-iberico-actualiza-indemnizacoes-ataques-2153516\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">valor das indemniza\u00e7\u00f5es<\/a> pagas aos produtores.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado pelo Governo, o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/07\/azul\/noticia\/programa-alcateia-33-milhoes-euros-ano-recuperar-loboiberico-2139296\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Programa Alcateia<\/a> 2025-2035 conta este ano com um or\u00e7amento de 3,3 milh\u00f5es de euros para proteger o lobo-ib\u00e9rico e indemnizar produtores. De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/16\/azul\/noticia\/censo-loboiberico-revela-portugal-perdeu-menos-cinco-alcateias-20-anos-2115853\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Censo Nacional <\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/16\/azul\/noticia\/censo-loboiberico-revela-portugal-perdeu-menos-cinco-alcateias-20-anos-2115853\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">2019\/2021<\/a>, a \u00e1rea de presen\u00e7a do lobo em Portugal reduziu 20% e o n\u00famero de alcateias detectadas decresceu 8% para as 58 em duas d\u00e9cadas, encontrando-se principalmente a norte do rio Douro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Associa\u00e7\u00f5es de produtores de gado queixaram-se esta quarta-feira, numa audi\u00e7\u00e3o parlamentar, n\u00e3o s\u00f3 dos ataques descritos como mais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":380409,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[562,785,2780,27,28,3697,15,16,14,25,26,15714,21,22,12,13,19,20,4532,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-380408","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-agricultura","9":"tag-azul","10":"tag-biodiversidade","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-conservacao-da-natureza","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-lobo","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-parlamento","27":"tag-portugal","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-pt","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116569623035263057","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=380408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380408\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/380409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=380408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=380408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=380408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}