{"id":382478,"date":"2026-05-15T13:16:13","date_gmt":"2026-05-15T13:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/382478\/"},"modified":"2026-05-15T13:16:13","modified_gmt":"2026-05-15T13:16:13","slug":"quase-40-dos-profissionais-dizem-ser-vitimas-de-assedio-laboral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/382478\/","title":{"rendered":"Quase 40% dos profissionais dizem ser v\u00edtimas de ass\u00e9dio laboral"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<br \/>\nO documento, a que a Lusa teve acesso e que resultou das respostas de 5.549 profissionais de diversos setores de atividade, indica que 38,3% dizem ser v\u00edtimas de ass\u00e9dio laboral, uma realidade que tem vindo a aumentar: de 16,5% (2021\/22) passou para 20% (2023) e para 27,7% em 2024.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;As pessoas t\u00eam este tema mais em cima da mesa (&#8230;) e acabam por rejeitar coisas que antes aceitavam&#8221;, explicou \u00e0 Lusa a psic\u00f3loga T\u00e2nia Gaspar, coordenadora do estudo, que alertou para o facto de as empresas estarem a &#8220;desinvestir na quest\u00e3o da sa\u00fade mental&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nNo que diz respeito \u00e0 sa\u00fade mental, os especialistas defenderam que os resultados s\u00e3o &#8220;particularmente expressivos&#8221; e &#8220;merecem especial aten\u00e7\u00e3o&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO documento aponta para uma elevada frequ\u00eancia de exaust\u00e3o e presen\u00e7a de sintomas de `burnout` e solid\u00e3o numa &#8220;parte muito significativa&#8221; dos profissionais, o que, aliado \u00e0 percentagem de v\u00edtimas de ass\u00e9dio laboral, leva os peritos a falarem num desgaste que n\u00e3o pode ser entendido como apenas individual.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00c9 um &#8220;sinal de vulnerabilidade&#8221; das organiza\u00e7\u00f5es, com impacto direto na sa\u00fade dos trabalhadores, no compromisso com o trabalho e na sustentabilidade das institui\u00e7\u00f5es, avisam.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00c0 Lusa, T\u00e2nia Gaspar disse que &#8220;\u00e9 preciso coragem&#8221; para avan\u00e7ar de forma estrutural com esta mat\u00e9ria dentro das empresas, porque estas &#8220;v\u00e3o mesmo mexer nas organiza\u00e7\u00f5es, em coisas que est\u00e3o cristalizadas&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Por isso, estou a apostar muitas vezes em propor planos que impliquem, por exemplo, acredita\u00e7\u00e3o por normas. Assim fica dentro da empresa e acaba por fazer parte dela&#8221;, sejam quais forem os profissionais que l\u00e1 est\u00e3o, explicou.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nOs resultados indicam que 77,4% dos participantes consideram que n\u00e3o t\u00eam uma remunera\u00e7\u00e3o justa pelo trabalho que desempenham e, da an\u00e1lise feita, os especialistas falam num &#8220;descompasso&#8221; entre exig\u00eancia, reconhecimento e recompensa.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nT\u00e2nia Gaspar sublinhou a necessidade de uma reorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho e disse que o ponto-chave s\u00e3o as lideran\u00e7as: &#8220;As lideran\u00e7as est\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o X [entre os 45 e os 60 anos], que \u00e9 aquela em que o trabalho ainda era `um ponto de honra`&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Elas ainda aceitaram esse modelo dos seus superiores e est\u00e3o a tentar importar esse modelo para as novas gera\u00e7\u00f5es, que t\u00eam outras prioridades&#8221;, acrescentou.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA sobrecarga de trabalho continua a surgir como um problema relevante, apontando para a necessidade de mais recursos humanos e de uma distribui\u00e7\u00e3o mais justa das tarefas: &#8220;O respeito pelas pausas, descanso e recupera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 essencial para prevenir fadiga, desgaste f\u00edsico e emocional&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nOs resultados permitem ainda identificar grupos que exigem maior aten\u00e7\u00e3o: as mulheres, os profissionais mais jovens, os profissionais com doen\u00e7a cr\u00f3nica e aqueles que apresentam `burnout`, solid\u00e3o, infelicidade ou viv\u00eancia de ass\u00e9dio laboral.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Esta constata\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a necessidade de pol\u00edticas universais, mas tamb\u00e9m de respostas seletivas, sens\u00edveis \u00e0s desigualdades e \u00e0s vulnerabilidades concretas de diferentes grupos profissionais&#8221;, referem os especialistas.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nMas o documento tamb\u00e9m mostra que existem fatores de prote\u00e7\u00e3o: o formato h\u00edbrido de trabalho associa-se a melhores indicadores, enquanto o trabalho presencial surge ligado a piores resultados.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nQuanto ao teletrabalho, a coordenadora do estudo alertou para o facto de &#8220;algumas empresas estarem a voltar atr\u00e1s&#8221; e a exigir novamente o tempo totalmente presencial, &#8220;quando o modelo h\u00edbrido mostrou vantagens&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nOs profissionais das duas gera\u00e7\u00f5es mais novas (gera\u00e7\u00e3o Z e Y, at\u00e9 aos 30 anos de idade) s\u00e3o os que revelam menos envolvimento, mais riscos psicossociais relacionados com a sa\u00fade mental e mais solid\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o `babyboomer` (a partir dos 60 anos) \u00e9 a que refere melhores indicadores de bem-estar, envolvimento e felicidade.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nOs dados mostram ainda que os profissionais da gera\u00e7\u00e3o Y (millenials, entre os 30 e 45 anos) revelam um maior risco ao n\u00edvel da sa\u00fade mental e que \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o `babyboomer` que manifesta mais fatores protetores relacionados com o ambiente de trabalho saud\u00e1vel.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nApontam para &#8220;fragilidades significativas&#8221; nas dimens\u00f5es &#8220;mais estruturantes&#8221; das organiza\u00e7\u00f5es&#8221;, com menos de metade dos profissionais a reconhecerem que a organiza\u00e7\u00e3o se centra no bem-estar dos trabalhadores e apenas cerca de um ter\u00e7o a dizer que a lideran\u00e7a v\u00ea esse bem-estar como uma prioridade. &#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA isto acresce que s\u00e3o poucos os profissionais que consideram ter informa\u00e7\u00e3o atempada sobre decis\u00f5es importantes, assim como a perce\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. &#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Estes resultados sugerem que o mal-estar laboral n\u00e3o se explica apenas pela carga de trabalho, mas tamb\u00e9m por d\u00e9fices de confian\u00e7a, previsibilidade, reconhecimento e participa\u00e7\u00e3o&#8221;, refere o relat\u00f3rio.&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; 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