{"id":383340,"date":"2026-05-16T04:18:23","date_gmt":"2026-05-16T04:18:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/383340\/"},"modified":"2026-05-16T04:18:23","modified_gmt":"2026-05-16T04:18:23","slug":"covid-causou-221-milhoes-de-mortes-revela-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/383340\/","title":{"rendered":"Covid causou 22,1 milh\u00f5es de mortes, revela OMS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luis Eduardo de Sousa \/ Folhapress.<\/strong> O Relat\u00f3rio de Estat\u00edsticas Mundiais de Sa\u00fade 2026, publicado na quarta-feira (13) pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade), traz not\u00edcias amargas para a sa\u00fade global, resultantes principalmente da crise do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pelo n\u00famero de mortos em raz\u00e3o da pandemia: 22,1 milh\u00f5es de pessoas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o. Esta estimativa, in\u00e9dita, \u00e9 tr\u00eas vezes o n\u00famero oficial, de 7 milh\u00f5es de mortos pela Covid-19 entre 2020 e 2023.<\/p>\n<p>\u00c9 como se duas cidades de S\u00e3o Paulo tivessem desaparecido em quatro anos. Os n\u00fameros, contudo, n\u00e3o incluem apenas mortes causadas diretamente pelo coronav\u00edrus. H\u00e1 fatores indiretos citados como propulsores.<\/p>\n<p>O principal deles, diz o relat\u00f3rio, foi a interrup\u00e7\u00e3o e a sobrecarga nos sistemas de sa\u00fade. Isso teria dificultado o acesso de pacientes com outras condi\u00e7\u00f5es graves, que n\u00e3o conseguiram atendimento imediato ou leitos hospitalares por causa da superlota\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o de poss\u00edvel subnotifica\u00e7\u00e3o em pa\u00edses de baixa renda, o contingente de mortos pode ser ainda maior.<\/p>\n<p>Atrasos em interven\u00e7\u00f5es e interrup\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais tamb\u00e9m contribu\u00edram para alavancar as taxas de mortalidade. Cortes em assist\u00eancia e financiamento podem ter reduzido o acesso a medicamentos e vacinas, por exemplo.<\/p>\n<p>Outro ponto s\u00e3o as doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes e hipertens\u00e3o, cujos tratamentos foram impactados por falta de acompanhamento. C\u00e2nceres e condi\u00e7\u00f5es cardiovasculares tamb\u00e9m est\u00e3o neste grupo, na esteira das interrup\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O texto destaca que os pa\u00edses responderam ao avan\u00e7o dos casos graves de Covid escanteando, naturalmente, as demais frentes de atendimento.<\/p>\n<p>Fatores socioecon\u00f4micos e comportamentais integram a conta, sob a \u00f3tica ampliada dos impactos. A crise afetou, por exemplo, a subsist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es, o que novamente impacta sa\u00fade e mortalidade.<\/p>\n<p>O marco temporal de 2020 a 2023 refere-se aos anos em que a pandemia fora considerada uma emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica internacional.<\/p>\n<p>A OMS afirma que o \u00e1pice ocorreu em 2021, com 10,4 milh\u00f5es de mortes excedentes, impulsionadas por variantes como a delta. O excesso cai para 3,3 milh\u00f5es em 2023. O ano de 2022 \u00e9 tratado como ponto de desacelera\u00e7\u00e3o entre os dois extremos.<br \/>Para chegar ao excedente de mortalidade, pesquisadores analisaram quantos \u00f3bitos ocorreram em anos antes da pandemia para criar uma base de quantas pessoas morreriam naturalmente por diversas causas.<\/p>\n<p>Depois, contabilizaram o n\u00famero de mortes durante os anos de pandemia, e a diferen\u00e7a entre os dois n\u00fameros \u00e9 o excedente. Se em um ano comum morreriam 100 pessoas e em 2021 morreram 120, o excedente \u00e9 de 20 vidas perdidas, por exemplo.<br \/>O c\u00e1lculo utilizou boletins hospitalares, registros de \u00f3bitos e de estat\u00edsticas vitais dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>  PERFIL<\/p>\n<p>De acordo com os resultados, sexo, idade e geografia determinaram o risco. Os homens foram os mais atingidos, representando 57% das v\u00edtimas globais; no \u00e1pice da crise, em 2021, a mortalidade masculina chegou a ser 50% superior \u00e0 feminina.<\/p>\n<p>A idade avan\u00e7ada consolidou-se como o maior fator de risco, com 65% dos \u00f3bitos concentrados em pessoas com 65 anos ou mais. Neste grupo, os idosos com mais de 85 anos enfrentaram um risco de morte dez vezes maior do que adultos na faixa dos 55 a 59 anos, por exemplo.<\/p>\n<p>Geograficamente, o sudeste asi\u00e1tico registrou a maior parcela da mortalidade mundial (27%), enquanto as Am\u00e9ricas foram a regi\u00e3o mais duramente impactada pelo recuo na expectativa de vida.<\/p>\n<p>  RECUPERA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Segundo a OMS, o impacto da Covid-19 representou um retrocesso de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, apagando em um intervalo de dois anos quase uma d\u00e9cada de progresso na longevidade global.<br \/>A expectativa de vida mundial, que havia atingido 73 anos em 2019, despencou para 71 anos em 2021, retornando aos n\u00edveis registrados em 2011.<\/p>\n<p>Embora o indicador tenha se recuperado em 2023, o restabelecimento total ainda \u00e9 incompleto e desigual. Apenas a expectativa de vida feminina retornou globalmente aos patamares pr\u00e9-pandemia, enquanto a masculina e a expectativa de vida saud\u00e1vel permaneciam ligeiramente abaixo dos marcos de 2019 at\u00e9 o final de 2023.<\/p>\n<p>Para garantir uma retomada sustent\u00e1vel e proteger esses ganhos contra futuros choques, a OMS destaca como cruciais o fortalecimento dos sistemas de sa\u00fade orientados \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, a expans\u00e3o da cobertura universal de sa\u00fade e o investimento urgente em sistemas de dados precisos de mortalidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Luis Eduardo de Sousa \/ Folhapress. 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