{"id":384056,"date":"2026-05-16T19:18:25","date_gmt":"2026-05-16T19:18:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384056\/"},"modified":"2026-05-16T19:18:25","modified_gmt":"2026-05-16T19:18:25","slug":"bairro-alto-continua-a-circular-de-copo-na-mao-apos-limitacao-a-venda-de-alcool-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384056\/","title":{"rendered":"Bairro Alto continua a circular de copo na m\u00e3o ap\u00f3s limita\u00e7\u00e3o \u00e0 venda de \u00e1lcool na rua"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-paragraph\">Burburinho, m\u00fasica e luzes coloridas refletem a noite no Bairro Alto, em Lisboa, onde muitos circulam pela cal\u00e7ada de copo na m\u00e3o mesmo ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o de venda de bebidas alco\u00f3licas para fora dos estabelecimentos.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Pelas ruas estreitas desta zona hist\u00f3rica e entre pr\u00e9dios antigos com roupa estendida \u00e0 janela, restaurantes e bares continuam a assegurar a vida noturna do Bairro Alto. A bo\u00e9mia vivida nos s\u00e9culos XIX e XX \u00e9 adaptada aos dias de hoje, em que o turismo se apresenta como um dos principais motores da atividade econ\u00f3mica da capital, bem como do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Na noite de quinta para sexta-feira, a partir das 23:00, hora em que se inicia a proibi\u00e7\u00e3o de venda de bebidas alco\u00f3licas para consumo na rua, a ag\u00eancia Lusa esteve no Bairro Alto, falou com moradores e comerciantes e ambos coincidem que \u201cn\u00e3o se nota grandes diferen\u00e7as\u201d ou \u201cnada mudou\u201d, ap\u00f3s tr\u00eas meses da aplica\u00e7\u00e3o desta medida, porque \u201cas pessoas continuam a beber na rua\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para combater o ru\u00eddo e salvaguardar o direito ao descanso dos moradores, a C\u00e2mara de Lisboa, sob governa\u00e7\u00e3o de PSD\/CDS-PP\/IL, proibiu a venda de \u00e1lcool para consumo no exterior dos estabelecimentos durante a madrugada, em toda a cidade, concretamente a partir das 23:00 de domingo a quinta-feira e desde as 24:00 \u00e0 sexta-feira, s\u00e1bado e v\u00e9spera de feriado, com exce\u00e7\u00e3o do per\u00edodo das Festas de Lisboa, em junho. O incumprimento constitui contraordena\u00e7\u00e3o, pun\u00edvel com coima entre 150 e 3.000 euros.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da Freguesia da Miseric\u00f3rdia, que abrange o Bairro Alto, Lu\u00eds Paisana conta que o impacto \u201c\u00e9 muito reduzido, ainda n\u00e3o se notam grandes diferen\u00e7as\u201d, e afirma que a limita\u00e7\u00e3o da venda, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve o problema, defendendo que a solu\u00e7\u00e3o passa por proibir o consumo de bebidas alco\u00f3licas na rua, apelando \u00e0 \u201ccoragem e vontade pol\u00edtica\u201d do executivo municipal.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cQuanto mais \u00e1lcool, mais barulho, mais ru\u00eddo e, portanto, os moradores n\u00e3o dormem, e esse \u00e9 o principal problema e que, de facto, tem causado o despovoamento da freguesia\u201d, real\u00e7a, criticando a venda ambulante ilegal e o fen\u00f3meno do \u2018botell\u00f3n\u2019.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Lu\u00eds Paisana destaca a necessidade de \u201cum equil\u00edbrio\u201d entre o direito ao descanso e a divers\u00e3o noturna, considerando que os estabelecimentos t\u00eam de funcionar de porta fechada e, tamb\u00e9m, ter \u201calguma qualidade\u201d, para que os moradores \u201cn\u00e3o sintam os problemas deste turismo alco\u00f3lico\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Cerca das 23:30, na Rua da Atalaia, uma das mais movimentadas do Bairro Alto, promotores de bares procuram atrair clientela, fantasiados de extraterrestres ou de piratas a rufar tambores. O menu de bebidas est\u00e1 visivelmente publicitado, inclusive h\u00e1 \u2018shots\u2019 e imperiais a um euro.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">De copo na m\u00e3o junto \u00e0 entrada de um bar, a brindar com uma amiga, o jovem lisboeta Jo\u00e3o Costa manifesta-se a favor da proibi\u00e7\u00e3o de venda de \u00e1lcool para a rua: \u201cAcho que isto vai de certa forma diminuir, n\u00e3o a 100%, obviamente, mas acho que vai diminuir algum ru\u00eddo.\u201d<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Na Rua do Di\u00e1rio de Not\u00edcias, enfeitada com bandeiras de diferentes pa\u00edses, dezenas de pessoas est\u00e3o de p\u00e9 e de copo na m\u00e3o \u00e0 porta de bares e restaurantes, mesmo perante os avisos afixados quanto \u00e0 venda de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>  Perda de fatura\u00e7\u00e3o  <\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Rodeado de turistas, Francisco Gon\u00e7alves, de 69 anos, morador do Bairro Alto e propriet\u00e1rio de um bar onde se pode ouvir \u201cfado vadio\u201d, a Tasca do Chico, sublinha que faz parte da ess\u00eancia desta zona bo\u00e9mia as pessoas estarem na rua, \u201cn\u00e3o gostam de estar presas\u201d, ressalvando, por\u00e9m, que \u00e9 preciso limites.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Discordando da limita\u00e7\u00e3o \u00e0 venda de \u00e1lcool, o alfacinha desafia a C\u00e2mara de Lisboa a tabelar as bebidas, \u201ctudo ao mesmo pre\u00e7o\u201d, e p\u00f4r fim \u00e0 \u201coferta de \u2018shots\u2019 aos mi\u00fados\u201d, para que as pessoas possam continuar a beber na rua, e alerta para a venda ilegal de cerveja em garrafa, em que, por isso, ap\u00f3s o fecho dos bares \u2013 at\u00e9 \u00e0s 02:00 ou at\u00e9 \u00e0s 03:00 \u00e0 sexta-feira, s\u00e1bado e v\u00e9spera de feriado \u2013, \u201cficam grupinhos a beber e a fazer barulho at\u00e9 de manh\u00e3\u201d, al\u00e9m do lixo que deixam.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Francisco Gon\u00e7alves reconhece que, \u201cinfelizmente\u201d, o Bairro Alto perdeu muita popula\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 ruas que n\u00e3o t\u00eam um morador, t\u00eam \u2018hostels\u2019, t\u00eam hot\u00e9is e n\u00e3o h\u00e1 mais nada\u201d, adianta, acrescentando que n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia do ru\u00eddo, mas sim do aumento das rendas de 300\/400 euros para 2.000 euros.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cOs bares \u00e9 que d\u00e3o vida a isto, os bares, os restaurantes e tudo, \u00e9 que d\u00e3o vida ao Bairro Alto. [\u2026] Eu vivo aqui desde 1972, e vivi um bairro de prostitui\u00e7\u00e3o, um bairro um bocado degradado, que era, e agora acho que as pessoas querem voltar ao mesmo, eu n\u00e3o percebo\u201d, contesta, refor\u00e7ando que a atividade econ\u00f3mica traz seguran\u00e7a a \u201cum bairro escuro\u201d, porque \u201ch\u00e1 luz e h\u00e1 movimento\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">J\u00e1 depois da meia-noite, entre travessas mais silenciosas, onde n\u00e3o h\u00e1 neg\u00f3cios abertos, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Bares e Discotecas, Ricardo Tavares, adianta que o balan\u00e7o da limita\u00e7\u00e3o \u00e0 venda de \u00e1lcool \u201c\u00e9 negativo, porque nada mudou\u201d quanto ao beber na rua, em que lojas de conveni\u00eancia, supermercados e grandes superf\u00edcies vendem bebidas e as pessoas fazem \u2018botell\u00f3n\u2019.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cA \u00fanica coisa que mudou foi que os bares reduziram a fatura\u00e7\u00e3o em cerca de 80% aos fins de semana e durante a semana tamb\u00e9m [registam] uma descida de fatura\u00e7\u00e3o muito acentuada\u201d, revela, considerando a medida \u201cinconstitucional\u201d, porque os bares n\u00e3o t\u00eam como impedir as pessoas de sa\u00edrem com bebidas para a rua, apenas podem alertar, discordando tamb\u00e9m da proposta de proibir o consumo na rua.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Rejeitando que haja \u201cturismo alco\u00f3lico\u201d em Lisboa, o representante dos bares adianta que h\u00e1 locais na Europa onde n\u00e3o se pode beber na rua, mas \u201cest\u00e3o abertos at\u00e9 \u00e0s 06:00\u201d, e refere que os hor\u00e1rios na capital portuguesa est\u00e3o cada vez mais restritivos: \u201cN\u00e3o podemos acabar com a noite, porque a sa\u00fade mental dos portugueses e dos jovens tamb\u00e9m depende da sa\u00edda \u00e0 noite para beber um copo e para espairecer.\u201d<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Ricardo Tavares afirma ainda que a venda e consumo de \u00e1lcool \u201c\u00e9 um falso problema\u201d no Bairro Alto, criado para servir a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, inclusive a constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas hot\u00e9is de cinco estrelas, porque, al\u00e9m de haver \u201cmuito poucos moradores\u201d, a maioria deles trata-se de propriet\u00e1rios de bares e restaurantes e os seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO Bairro Alto sempre teve ru\u00eddo. N\u00e3o estamos a falar de um condom\u00ednio fechado onde s\u00f3 se ouviam os passarinhos\u201d, frisa, recordando que esta zona, antigamente, era sede de jornais, com m\u00e1quinas \u201cmuito ruidosas\u201d, e tinha casas de prostitui\u00e7\u00e3o, tabernas e marinheiros que as frequentavam.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Vinda de Madrid, Milagros Zafra, de 62 anos, acompanhada de duas amigas, conta que est\u00e3o alojadas num apartamento na Rua do Di\u00e1rio de Not\u00edcias. Chegaram na quarta-feira \u00e0 noite e depararam-se com esta zona \u201cabarrotada de jovens a beber copos\u201d. Apesar do burburinho, conseguiram dormir descansadas, porque o ru\u00eddo foi insonorizado pelas janelas, e quando acordaram foram espreitar e a rua estava \u201csuper limpa\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Com um mojito na m\u00e3o, a turista espanhola destaca Lisboa como uma cidade \u201cpreciosa\u201d, com \u201cuma vida espetacular\u201d e um ambiente \u201cmuito amig\u00e1vel\u201d, real\u00e7ando o sentimento de seguran\u00e7a, al\u00e9m de que o pre\u00e7o \u201c\u00e9 bastante mais barato do que em outras cidades\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Burburinho, m\u00fasica e luzes coloridas refletem a noite no Bairro Alto, em Lisboa, onde muitos circulam pela cal\u00e7ada&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":384057,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-384056","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116585870411906979","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384056\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/384057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}