{"id":384287,"date":"2026-05-16T23:07:08","date_gmt":"2026-05-16T23:07:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384287\/"},"modified":"2026-05-16T23:07:08","modified_gmt":"2026-05-16T23:07:08","slug":"iole-de-freitas-transforma-o-amanhecer-em-esculturas-16-05-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384287\/","title":{"rendered":"Iole de Freitas transforma o amanhecer em esculturas &#8211; 16\/05\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Na linha do horizonte, ao alcance dos olhos, formas coloridas serpenteiam sobre a parede branca. Com cores intensas que v\u00e3o do vermelho ao ultravioleta, as estruturas se expandem em dire\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o e \u00e0 pr\u00f3pria parede. Em um lance de luz e sombra, as esculturas de Iole de Freitas incorporam a vibra\u00e7\u00e3o da cor ao movimento do olhar.<\/p>\n<p>Em cartaz na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/07\/galeria-raquel-arnaud-faz-salto-no-tempo-com-obras-de-artistas-dos-anos-1980.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Galeria Raquel Arnaud<\/a>, na zona oeste de S\u00e3o Paulo, a mostra &#8220;Noturno Sem P\u00e9 e Cabe\u00e7a&#8221; re\u00fane uma s\u00e9rie in\u00e9dita em a\u00e7o inox pintado a outros trabalhos recentes da artista.<\/p>\n<p>Aos 80 anos,<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/05\/entenda-como-iole-de-freitas-explora-o-bale-entre-corpo-e-luz-em-fotografias-e-filmes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Iole de Freitas<\/a> diz ter encontrado no amanhecer o ponto de partida para os novos trabalhos. H\u00e1 alguns anos, passou a acordar antes do nascer do sol e a observar diariamente a transforma\u00e7\u00e3o gradual da luz. &#8220;Existe uma espera antes de a luz surgir&#8221;, afirma. &#8220;E junto dela vem uma esp\u00e9cie de agenda crom\u00e1tica, que vai do violeta ao magenta, ao laranja, ao vermelho.&#8221;<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o insistente desse intervalo entre noite e dia levou ao surgimento das esculturas da s\u00e9rie &#8220;Noturnos&#8221;, estruturas curvas e retorcidas que ocupam horizontalmente a principal parede da galeria. Iole as chama de &#8220;descabeladas&#8221;, por se assemelharem a mechas, enrolarem e se expandirem.<\/p>\n<p>A artista afirma que o interesse pelo amanhecer tamb\u00e9m a levou a pensar mais diretamente sobre o tempo e a dura\u00e7\u00e3o das coisas. &#8220;Aos 80 anos, as pessoas insistem em perguntar sobre a sua vida, sobre o seu percurso. Voc\u00ea n\u00e3o se livra dessa inst\u00e2ncia da temporalidade e, junto a ela, da finitude.&#8221;<\/p>\n<p>Embora a cor apare\u00e7a pontualmente em sua trajet\u00f3ria, normalmente associada \u00e0 cor dos materiais, como o cobre, desta vez ela ocupa o centro da exposi\u00e7\u00e3o. Os tons intensos aplicados sobre o a\u00e7o inox aproximam as esculturas de uma experi\u00eancia atmosf\u00e9rica e luminosa, derivando da vontade de Iole de transformar essa percep\u00e7\u00e3o em linguagem pl\u00e1stica.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de instalar os trabalhos na parede, na altura dos olhos, e n\u00e3o no ch\u00e3o, tamb\u00e9m surgiu dessa observa\u00e7\u00e3o do horizonte. &#8220;Quando voc\u00ea quer olhar longe, quer olhar o amanhecer, voc\u00ea n\u00e3o olha para o ch\u00e3o. Voc\u00ea olha para a linha do horizonte&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das esculturas coloridas, a exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane grandes &#8220;Mantos&#8221; feitos com papel glassine, areia e cola, alguns suspensos na parede, outros espalhados pelo ch\u00e3o da galeria. Os volumes dobrados evocam tecidos, peles ou corpos encobertos, caem em despencamentos e retomam uma dimens\u00e3o barroca presente em diferentes momentos da produ\u00e7\u00e3o da artista.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as, inauguradas no ano passado em uma mostra no<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/12\/13\/ilustrada\/1.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Pa\u00e7o Imperial,<\/a> chegam agora a S\u00e3o Paulo e passam a integrar o conjunto apresentado na Galeria Raquel Arnaud.<\/p>\n<p>Ao falar do barroco \u2014que j\u00e1 foi refer\u00eancia para outros de seus trabalhos, como os &#8220;Barroc\u00f5es&#8221; dos anos 1990, feitos de telas, fios de lat\u00e3o, cobre, ferro, a\u00e7o e outros metais, com dobras e cortes em grandes propor\u00e7\u00f5es\u2014, Iole rejeita a ideia de excesso frequentemente associada ao termo. &#8220;Excesso em rela\u00e7\u00e3o a qu\u00ea?&#8221;, pergunta. &#8220;Aquilo \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o, dentro de uma linguagem visual e pl\u00e1stica, de uma puls\u00e3o, de um abastecimento constante de uma fala no ar e no espa\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<p>A mostra tamb\u00e9m marca um momento de renova\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da artista. &#8220;N\u00e3o faz sentido fazer uma exposi\u00e7\u00e3o sem trazer algo novo para o trabalho&#8221;, diz, refor\u00e7ando o paralelo entre arte e inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao comentar o cen\u00e1rio art\u00edstico brasileiro, Iole assinala certo ressentimento de algumas alas no circuito e defende a amplia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o institucional para produ\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, negras e perif\u00e9ricas. &#8220;Estamos devendo. \u00c9 para abrir espa\u00e7o, sim&#8221;, afirma. Para ela, embora &#8220;n\u00e3o possa nivelar&#8221;, j\u00e1 que a arte envolve &#8220;um processo de individua\u00e7\u00e3o&#8221;, \u00e9 preciso reconhecer a urg\u00eancia hist\u00f3rica dessa abertura.<\/p>\n<p>Iole tamb\u00e9m pontua que essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a que mais tem lhe interessado \u2014da\u00ed a escolha por realizar parcerias com artistas ind\u00edgenas de Escolas Vivas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, onde conduz encontros de reflex\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas. As Escolas Vivas, ligadas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Selvagem, apoiam projetos ind\u00edgenas voltados \u00e0 transmiss\u00e3o de saberes tradicionais por meio de pr\u00e1ticas art\u00edsticas e pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o na Galeria Raquel Arnaud, que fica em cartaz at\u00e9 30 de maio, Iole de Freitas apresentar\u00e1, tamb\u00e9m no fim do m\u00eas, um painel de 14 metros na<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/05\/feira-de-arte-arpa-ressalta-provocacao-e-diversidade-em-quarta-edicao-no-pacaembu.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> ArPa<\/a>. Em 2027, a artista ter\u00e1 ainda uma mostra panor\u00e2mica de sua trajet\u00f3ria na <a href=\"https:\/\/fotografia.folha.uol.com.br\/galerias\/1847222468610782-obras-de-beatriz-milhazes-expostas-na-casa-roberto-marinho\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Casa Roberto Marinho<\/a>, no Rio de Janeiro, com curadoria de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/resenha\/rs1410200012.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">S\u00f4nia Salzstein<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na linha do horizonte, ao alcance dos olhos, formas coloridas serpenteiam sobre a parede branca. 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