{"id":384776,"date":"2026-05-17T11:03:12","date_gmt":"2026-05-17T11:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384776\/"},"modified":"2026-05-17T11:03:12","modified_gmt":"2026-05-17T11:03:12","slug":"afinal-o-que-e-transtorno-de-personalidade-borderline","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384776\/","title":{"rendered":"Afinal, o que \u00e9 transtorno de personalidade borderline?"},"content":{"rendered":"<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">\u00c0 primeira vista, parecia que Antoinette Del Rio era uma jovem de vinte e poucos anos bem-sucedida. Ela tinha uma carreira em ascens\u00e3o na publicidade, fazia viagens frequentes e mantinha uma vida social ativa.<\/p>\n<p>Mas Antoinette bebia demais, usava <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/maconha\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/maconha\/\">maconha<\/a> como mecanismo de enfrentamento e passava fins de semana reclusa em seu apartamento em Nova York. Tamb\u00e9m havia se endividado por gastos impulsivos e brigava com frequ\u00eancia com os amigos.<\/p>\n<p>Logo come\u00e7ou a perceber um padr\u00e3o preocupante em todos os seus relacionamentos: eles pareciam euf\u00f3ricos ou devastadores, sem meio-termo. Um conflito aparentemente pequeno podia faz\u00ea-la \u201cexplodir completamente sem pensar nas consequ\u00eancias\u201d, conta Antoinette, hoje com 33 anos. \u00c0s vezes ficava t\u00e3o irritada que arrancava o pr\u00f3prio cabelo ou cravava as unhas na pele \u201ccom toda a for\u00e7a poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Em 2022, seu m\u00e9dico de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria juntou as pe\u00e7as: Antoinette apresentava sintomas t\u00edpicos do transtorno de personalidade borderline, ou TPB, uma condi\u00e7\u00e3o caracterizada por relacionamentos e emo\u00e7\u00f5es vol\u00e1teis, al\u00e9m de comportamentos imprudentes e um sentimento de vazio sobre si mesma.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">O TPB \u00e9 dif\u00edcil de tratar de forma eficaz, o que pode \u201cassustar muito os terapeutas\u201d, diz Lois W. Choi-Kain, diretora do Gunderson Personality Disorders Institute, no McLean Hospital, em Belmont, Massachusetts. Mas as pessoas podem \u2014 e conseguem \u2014 melhorar, acrescenta ela, mesmo aquelas com problemas adicionais como uso de subst\u00e2ncias e transtornos alimentares.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Lois informa que j\u00e1 viu pessoas muito doentes desenvolverem habilidades para \u201csentirem-se bem consigo mesmas e, ent\u00e3o, conseguirem lidar com relacionamentos de forma diferente\u201d.<\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>Instabilidade nos relacionamentos, na autoimagem e nas emo\u00e7\u00f5es \u00e9 o principal marco do transtorno de personalidade borderline\u00a0Foto:  terovesalainen\/Adobe Stock <\/p>\n<p>O que \u00e9 personalidade borderline?<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Profissionais de <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/saude-mental\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/saude-mental\">sa\u00fade mental<\/a> definem o transtorno de personalidade borderline como um padr\u00e3o de instabilidade nos relacionamentos, na autoimagem e nas emo\u00e7\u00f5es de uma pessoa.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Pessoas com TPB tendem a agir sem pensar, \u00e0s vezes se envolvendo em atividades como sexo imprudente, abuso de subst\u00e2ncias ou automutila\u00e7\u00e3o \u2014 o que frequentemente as leva a procurar tratamento.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Estima-se que o TPB afete 1,6% da popula\u00e7\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 considerado raro pelos profissionais de sa\u00fade mental, mas o transtorno costuma ser inicialmente diagnosticado de forma equivocada porque alguns de seus sintomas podem ser confundidos com outras condi\u00e7\u00f5es, como transtorno bipolar, <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/depressao\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/depressao\">depress\u00e3o<\/a> e transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/tdah\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/tdah\">TDAH<\/a>).<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Essas condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m podem se sobrepor ao TPB, o que torna o diagn\u00f3stico ainda mais complicado. Na verdade, em 1938 o TPB foi inicialmente descrito como \u201cborderline\u201d pelo psicanalista Adolph Stern porque fica na fronteira com outros transtornos.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os sinais e sintomas?<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Os sintomas do TPB podem incluir explos\u00f5es de raiva inadequadas, sentimentos de vazio e esfor\u00e7os desesperados para evitar a sensa\u00e7\u00e3o de abandono \u2014 por exemplo, buscar constantemente garantias ou \u201ctestar\u201d as pessoas para ver se elas v\u00e3o permanecer, explica Sara Masland, professora associada de ci\u00eancia psicol\u00f3gica no Pomona College e especialista em transtornos de personalidade.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Outras caracter\u00edsticas do TPB incluem relacionamentos vol\u00e1teis, senso de identidade pouco claro, tend\u00eancia \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o, imprud\u00eancia e comportamento suicida. (Estudos descobriram que at\u00e9 10% das pessoas com TPB morreram por <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/suicidio\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/suicidio\">suic\u00eddio<\/a> \u2014 um n\u00famero muito maior que o da popula\u00e7\u00e3o geral.)<\/p>\n<p>Os pacientes precisam apresentar pelo menos cinco sintomas para receber o diagn\u00f3stico, segundo o manual diagn\u00f3stico usado por profissionais de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas definidoras do transtorno de personalidade borderline \u00e9 a hipersensibilidade \u2014 a maioria das pessoas oscila entre ansiedade ou medo de ser criticada ou rejeitada e raiva ou paranoia quando sente que est\u00e1 sendo rejeitada, ensina Lois.<\/p>\n<p>Em um minuto o paciente pode se sentir bem, depois deprimido, depois intensamente irritado. Isso pode levar a relacionamentos cheios de conflito e sem paz, harmonia, consist\u00eancia ou profundidade, descreve Frank Yeomans, professor cl\u00ednico de psiquiatria na Weill Cornell Medical College, que h\u00e1 d\u00e9cadas se dedica ao tratamento e \u00e0 pesquisa de transtornos de personalidade.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Quando tudo parece perfeito, \u201cvoc\u00ea est\u00e1 no para\u00edso\u201d, acrescenta Yeomans. Mas \u201cassim que surge qualquer falha no que era bom, voc\u00ea vai do c\u00e9u ao inferno\u201d.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Apesar do caos nos relacionamentos pessoais, pessoas com TPB muitas vezes t\u00eam dificuldade de ficar sozinhas, afirmam os especialistas. Isso acontece em parte porque n\u00e3o t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o clara de quem s\u00e3o independentemente dos outros.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">\u201cFrequentemente, pessoas com TPB dependem demais dos relacionamentos para entender quem s\u00e3o, e isso pode tornar a instabilidade ainda mais fr\u00e1gil\u201d, afirma Sara.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Elas podem adotar tra\u00e7os das pessoas ao seu redor ou buscar constantemente valida\u00e7\u00e3o nelas. Mas, no fundo, podem se sentir vazias.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Como o TPB \u00e9 tratado?<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Antidepressivos e outros medicamentos podem tratar sintomas do TPB, mas apenas a terapia chega \u00e0 raiz do problema, destacam os especialistas. Muitos pacientes se beneficiam de uma \u201crenova\u00e7\u00e3o de vida\u201d, n\u00e3o apenas para voltar aos trilhos, mas tamb\u00e9m para \u201cmudar o conceito que t\u00eam de si mesmos e sua rela\u00e7\u00e3o com outras pessoas\u201d, diz Lois.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Nos Estados Unidos, a abordagem mais comum para tratar o TPB \u00e9 a terapia comportamental dial\u00e9tica, que se concentra em ajudar as pessoas a desenvolver aten\u00e7\u00e3o plena e habilidades pr\u00e1ticas para administrar emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Outros m\u00e9todos baseados em evid\u00eancias incluem a terapia baseada em mentaliza\u00e7\u00e3o, que busca ajudar as pessoas a refletir de forma realista sobre o que acontece na mente delas e dos outros durante intera\u00e7\u00f5es sociais; e a psicoterapia focada na transfer\u00eancia, que usa a din\u00e2mica da rela\u00e7\u00e3o entre terapeuta e paciente para explorar como o paciente percebe os outros.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Um n\u00famero crescente de profissionais oferece o Good Psychiatric Management, que busca empoderar pacientes por meio da educa\u00e7\u00e3o sobre o diagn\u00f3stico e da constru\u00e7\u00e3o de uma vida com prop\u00f3sito consistente e pap\u00e9is definidos na comunidade.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Al\u00e9m de terapia e medica\u00e7\u00e3o, grupos de apoio podem ajudar. Antoinette, que deixou o trabalho de alta press\u00e3o na publicidade, atua como diretora executiva interina da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Emotions Matter, que oferece grupos de apoio conduzidos por pares para pessoas com TPB.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Na casa dos 20 anos, Antoinette n\u00e3o via sa\u00edda para seus sintomas. \u201cEu me sentia como se estivesse me afogando e n\u00e3o sabia como pedir ajuda\u201d, relata.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Mas, ao participar de sess\u00f5es individuais e em grupo de terapia comportamental dial\u00e9tica por cerca de um ano, ela aprendeu \u201ca reconhecer esses padr\u00f5es emocionais e se comunicar de forma mais direta\u201d.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Durante a terapia, trabalhou para fortalecer suas habilidades de relacionamento interpessoal, o que a aproximou do marido. \u201cA paci\u00eancia e a disposi\u00e7\u00e3o do meu marido em aprender ao meu lado fizeram uma diferen\u00e7a maior do que consigo colocar em palavras\u201d, declara. \u201cEu nem sempre facilitava, e ele continuou presente mesmo assim.\u201d <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Este texto foi traduzido com o aux\u00edlio de ferramentas de Intelig\u00eancia Artificial e revisado por nossa equipe editorial. <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/link\/estadao-define-politica-de-uso-de-ferramentas-de-inteligencia-artificial-por-seus-jornalistas-veja\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/link\/estadao-define-politica-de-uso-de-ferramentas-de-inteligencia-artificial-por-seus-jornalistas-veja\/\"><strong>Saiba mais em nossa Pol\u00edtica de IA<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c0 primeira vista, parecia que Antoinette Del Rio era uma jovem de vinte e poucos anos bem-sucedida. 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