{"id":384914,"date":"2026-05-17T13:58:16","date_gmt":"2026-05-17T13:58:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384914\/"},"modified":"2026-05-17T13:58:16","modified_gmt":"2026-05-17T13:58:16","slug":"esta-pequena-area-maritima-entre-a-europa-e-africa-e-a-casa-de-124-navios-naufragados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/384914\/","title":{"rendered":"Esta pequena \u00e1rea mar\u00edtima entre a Europa e \u00c1frica \u00e9 a casa de 124 navios naufragados"},"content":{"rendered":"<p>\t                Os arque\u00f3logos espanh\u00f3is levaram a cabo um levantamento nas \u00e1guas da Ba\u00eda de Algeciras, tamb\u00e9m conhecida como Ba\u00eda de Gibraltar, entre maio de 2020 e mar\u00e7o de 2023<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Tal como o Estreito de Ormuz, o Estreito de Gibraltar, que se encontra entre a ponta sul da Europa e a ponta noroeste de \u00c1frica, tem uma longa hist\u00f3ria de navega\u00e7\u00e3o e conflitos nas suas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Grande parte das provas arqueol\u00f3gicas desse passado encontra-se a leste do estreito, na Ba\u00eda de Algeciras, tamb\u00e9m conhecida como Ba\u00eda de Gibraltar \u2014 trata-se de um ponto de paragem para o transporte mar\u00edtimo transatl\u00e2ntico, que se dedica atualmente sobretudo ao petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos espanh\u00f3is afirmam ter identificado 151 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos subaqu\u00e1ticos, incluindo 124 navios naufragados, nesta ba\u00eda de 75 quil\u00f3metros quadrados, durante um levantamento arqueol\u00f3gico levado a cabo entre 2020 e 2023.<\/p>\n<p>Segundo um estudo recente, os naufr\u00e1gios datam de diversas \u00e9pocas e civiliza\u00e7\u00f5es, incluindo a antiga civiliza\u00e7\u00e3o p\u00fanica (cartaginesa), e os per\u00edodos romano, medieval e moderno.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u00a0<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/alejandro-manas.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   A maioria dos 151 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos identificados eram embarca\u00e7\u00f5es naufragadas (Felipe Cerezo Andreo) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A descoberta destes naufr\u00e1gios confirma a import\u00e2ncia desta ba\u00eda como um centro mar\u00edtimo de relev\u00e2ncia regional e global, afirmam os investigadores. Esta ba\u00eda est\u00e1 rodeada de aglomerados urbanos desde a antiguidade, serviu de porta de entrada para a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica na Idade M\u00e9dia e foi palco de confrontos navais pelo controlo do estreito nos tempos modernos.<\/p>\n<p>Embora a maioria dos destro\u00e7os esteja relacionada com a hist\u00f3ria moderna, os investigadores tamb\u00e9m encontraram \u201calguns naufr\u00e1gios nunca antes vistos\u201d e que consideram \u201cmuito interessantes\u201d, diz \u00e0 CNN o investigador principal Felipe Cerezo Andreo, professor associado de arqueologia subaqu\u00e1tica na Universidade de C\u00e1dis, em Espanha.<\/p>\n<p>Mesmo que haja, em fontes hist\u00f3ricas e arquivos, men\u00e7\u00f5es a milhares de acidentes navais, a verdade \u00e9 que muitos naufr\u00e1gios permaneciam desconhecidos at\u00e9 agora, uma vez que existiram poucos estudos arqueol\u00f3gicos sobre a hist\u00f3ria que existe enterrada debaixo das \u00e1guas.<\/p>\n<p>A descoberta mais antiga foi um navio naufragado do s\u00e9culo V antes de Cristo, informa Andreo, explicando que a embarca\u00e7\u00e3o, provavelmente, transportaria molho de peixe produzido na cidade de C\u00e1dis, no sul de Espanha, levando essa carga atrav\u00e9s do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Segundo Andreo, os destro\u00e7os \u201cmais interessantes\u201d da era moderna est\u00e3o relacionados com as guerras napole\u00f3nicas, travadas entre Fran\u00e7a e os seus aliados europeus, que costumavam mudar de posi\u00e7\u00e3o, do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u00a0<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/gopr7540.JPG\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos explorados at\u00e9 agora foram encontrados a profundidades at\u00e9 cerca de 10 metros (Felipe Cerezo Andreo) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Os investigadores tamb\u00e9m identificaram destro\u00e7os recentes, do in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial. Foram documentando os restos de um Maiale, ou Porco \u2014 um tipo de submarino utilizado pela marinha italiana para atacar a frota brit\u00e2nica no Estreito de Gibraltar durante a Segunda Grande Guerra, refere Andreo.<\/p>\n<p>O Estreito de Gibraltar, \u201ctal como o Estreito de Ormuz agora, \u00e9 uma passagem estreita e obrigat\u00f3ria para todas as embarca\u00e7\u00f5es\u201d, compara Andreo.<\/p>\n<p>\u201cTodos os navios que desejam ir do Mediterr\u00e2neo para o Atl\u00e2ntico t\u00eam de passar pelo Estreito de Gibraltar. E, provavelmente, a maioria precisa de lan\u00e7ar a \u00e2ncora e esperar por melhores condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas na Ba\u00eda de Algeciras\u201d, que \u00e9 o \u201cporto do estreito\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Antes deste projeto, os investigadores n\u00e3o possu\u00edam documenta\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica da maioria dos naufr\u00e1gios. Segundo eles, at\u00e9 2019 eram conhecidos apenas quatro s\u00edtios arqueol\u00f3gicos subaqu\u00e1ticos na zona \u2013 e s\u00f3 um deles podia ser considerado resultado de um naufr\u00e1gio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u00a0<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/felipe-cerezo-andreo-arqueologo-marcando-arquitectura-naval.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Um arque\u00f3logo assinala a arquitetura naval na Ba\u00eda de Algeciras (Felipe Cerezo Andreo) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Segundo os investigadores, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o a afetar as correntes oce\u00e2nicas e o movimento de sedimentos na ba\u00eda \u2014 algo que \u201cest\u00e1 a provocar a descoberta de todos estes naufr\u00e1gios\u201d, refere Andreo.<\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos utilizaram t\u00e9cnicas geof\u00edsicas \u2014 como um ecobat\u00edmetro multifeixe, que emite som para mapear o fundo do mar a tr\u00eas dimens\u00f5es, ou um magnet\u00f3metro, que mede os campos magn\u00e9ticos \u2014 para identificar objetos no fundo do mar e anomalias enterradas debaixo dos sedimentos. Foi algo que fizeram antes de terem mergulhado para fazer medi\u00e7\u00f5es e criar um modelo digital das descobertas arqueol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Os investigadores refor\u00e7am que o seu desejo \u00e9 estudar e proteger estes s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, uma vez que estes cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria mar\u00edtima da regi\u00e3o, incluindo o tr\u00e1fego mar\u00edtimo, o com\u00e9rcio, a tecnologia naval e quem foram os navegadores humanos. Al\u00e9m disso, explicam, s\u00e3o locais vulner\u00e1veis \u200b\u200b\u00e0s mudan\u00e7as na paisagem e \u00e0 atividade dos grandes navios ancorados na ba\u00eda.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, \u00e9 importante regist\u00e1-los, document\u00e1-los virtual e tecnicamente, para os proteger\u201d, tanto em termos legais como f\u00edsicos, diz Andreo.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a equipa analisou apenas uma \u201cprofundidade muito rasa\u201d, de cerca de 10 metros. Contudo, a Ba\u00eda de Algeciras tem cerca de 400 metros de profundidade, explica Andreo. Por isso, acredita que possam existir vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos nas profundezas da ba\u00eda que datem da pr\u00e9-Hist\u00f3ria, uma vez que a costa do per\u00edodo Paleol\u00edtico, tamb\u00e9m conhecido como Idade da Pedra Lascada, \u201cest\u00e1 agora submersa\u201d.<\/p>\n<p>Os investigadores indicam que os projetos futuros v\u00e3o concentrar-se na realiza\u00e7\u00e3o de um estudo detalhado de cada naufr\u00e1gio, bem como na explora\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios a maiores profundidades. At\u00e9 ao momento, estudaram 24% dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos identificados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os arque\u00f3logos espanh\u00f3is levaram a cabo um levantamento nas \u00e1guas da Ba\u00eda de Algeciras, tamb\u00e9m conhecida como Ba\u00eda&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":384915,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[2713,609,836,611,3504,27,28,607,608,333,832,604,135,610,476,445,15,16,9088,301,830,14,603,25,26,570,21,22,831,833,62,2758,10550,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-384914","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-africa","9":"tag-alerta","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-arqueologia","13":"tag-breaking-news","14":"tag-breakingnews","15":"tag-cnn","16":"tag-cnn-portugal","17":"tag-comentadores","18":"tag-costa","19":"tag-crime","20":"tag-desporto","21":"tag-direto","22":"tag-economia","23":"tag-europa","24":"tag-featured-news","25":"tag-featurednews","26":"tag-gibraltar","27":"tag-governo","28":"tag-guerra","29":"tag-headlines","30":"tag-justica","31":"tag-latest-news","32":"tag-latestnews","33":"tag-live","34":"tag-main-news","35":"tag-mainnews","36":"tag-mais-vistas","37":"tag-marcelo","38":"tag-mundo","39":"tag-naufragio","40":"tag-navios","41":"tag-negocios","42":"tag-news","43":"tag-noticias","44":"tag-noticias-principais","45":"tag-noticiasprincipais","46":"tag-opiniao","47":"tag-pais","48":"tag-politica","49":"tag-portugal","50":"tag-principais-noticias","51":"tag-principaisnoticias","52":"tag-top-stories","53":"tag-topstories","54":"tag-ultimas","55":"tag-ultimas-noticias","56":"tag-ultimasnoticias","57":"tag-world","58":"tag-world-news","59":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384914\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/384915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}