{"id":38502,"date":"2025-08-21T10:13:10","date_gmt":"2025-08-21T10:13:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/38502\/"},"modified":"2025-08-21T10:13:10","modified_gmt":"2025-08-21T10:13:10","slug":"imigrantes-sao-protagonistas-no-combate-ao-fogo-no-interior-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/38502\/","title":{"rendered":"Imigrantes s\u00e3o protagonistas no combate ao fogo no interior do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Na minha vida nunca vi nada assim, nunca pensei que o fogo pudesse ser assim, t\u00e3o grande, t\u00e3o forte&#8221;, diz \u00e0 Lusa, atrav\u00e9s de contacto telef\u00f3nico, o nepal\u00eas Subash, que viu a sua casa destru\u00edda por um fogo h\u00e1 cerca de duas semanas, em Zambujeira do Mar, Odemira.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">Este \u00e9 um dos concelhos que tem resistido ao despovoamento gra\u00e7as \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de imigrantes para o trabalho agr\u00edcola, como \u00e9 o caso de Subash.<\/p>\n<p>Em 2013, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), havia apenas 669 estrangeiros com resid\u00eancia, um n\u00famero que passou para 3.197 em 2023 (um aumento de 377%), e que n\u00e3o inclui os pedidos pendentes, ainda por calcular.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\">Em abril, as autoridades estimavam em 1,6 milh\u00f5es o n\u00famero de estrangeiros em 2024, de acordo com Ag\u00eancia para a Integra\u00e7\u00e3o, Migra\u00e7\u00f5es e Asilo (AIMA), mas o relat\u00f3rio final ainda n\u00e3o foi publicado, pelo que os dados mais atuais, segmentados por concelho, s\u00e3o de 2023.<\/p>\n<p>Quatrocentos quil\u00f3metros a norte, em Oliveira do Hospital &#8211; que tinha apenas 50 estrangeiros em 2013, 10 anos depois tinha 283, o que corresponde a um aumento de 466% -, o bangladeshiano Jewel sabe bem o que s\u00e3o os fogos. \u00c9 sapador florestal e um dos que abre caminho ao trabalho dos bombeiros.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">&#8220;\u00c9 a loucura. Nunca paramos, n\u00e3o podemos parar, temos de proteger as pessoas&#8221;, afirma Jewel, que trabalha para uma empresa privada de gest\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>&#8220;Nestes dias, o nosso trabalho \u00e9 destruir as \u00e1rvores e o mato, para proteger as casas&#8221;, explicou o sapador, contratado no Bangladesh h\u00e1 um ano para fazer este trabalho em Portugal.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">Sana Gupta e a sua mulher vivem numa aldeia no interior da Guarda (56 estrangeiros em 2013 e 572 em 2023, um aumento de 920%) e nunca viram no seu Nepal nada compar\u00e1vel ao que lhes aconteceu h\u00e1 dois dias.<\/p>\n<p>&#8220;Isto foi o terror. Aqui s\u00f3 vivem idosos, coitados. N\u00f3s abrimos a nossa casa aos nossos vizinhos e duas senhoras passaram aqui algumas horas, \u00e0 espera que isto passasse&#8221;, recorda Sana, que est\u00e1 em Portugal h\u00e1 dois anos, um pa\u00eds que diz ser &#8220;especial, particularmente nas aldeias que s\u00e3o t\u00e3o bonitas&#8221;.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro4\">Do fogo, Sana recorda a escurid\u00e3o: &#8220;era de dia e parecia de noite. E depois ouvia-se um barulho forte. Mas os bombeiros ajudaram muito. Eles s\u00e3o impressionantes&#8221;.<\/p>\n<p>Elogio destes j\u00e1 ouviu muitas vezes o brasileiro M\u00e1rcio Christo, adjunto dos bombeiros volunt\u00e1rios de Pataias (Alcoba\u00e7a, que tinha 90 estrangeiros em 2013 e 1.537 em 2023, um aumento de 1600%), que, desta vez, n\u00e3o foi ao norte.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro5\">Com 51 anos e a viver em Portugal desde 2002, M\u00e1rcio entrou nos bombeiros em 2011, um percurso normal para quem, j\u00e1 no Brasil, estava muito ligado ao associativismo comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>E foi em Portugal que conheceu a for\u00e7a do fogo: &#8220;\u00c9 algo inexplic\u00e1vel, \u00e9 um ser vivo, incompreens\u00edvel algumas vezes, que devemos respeitar, porque faz geralmente o que quer&#8221;.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro6\">Foi um dos primeiros bombeiros a chegar ao in\u00edcio do inc\u00eandio que destruiu o Pinhal de Leiria, em 2017, perto da praia da Falca. &#8220;N\u00e3o conseguimos segur\u00e1-lo&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Hoje, como elemento do comando, est\u00e1 mais de fora das opera\u00e7\u00f5es, mas respeita a coragem de quem combate. &#8220;Quem est\u00e1 l\u00e1 dentro sabe bem como \u00e9. \u00c9 muito estranho, estamos cercados e temos uma mangueira de 25 de di\u00e2metro e tr\u00eas mil litros de \u00e1gua para aquele mundo de chamas&#8221;.<\/p>\n<p>O combate aos inc\u00eandios n\u00e3o \u00e9 feito apenas por quem \u00e9 bombeiro ou limpa as matas, mas corresponde a um esfor\u00e7o coletivo que inclui coisas t\u00e3o simples como a log\u00edstica.<\/p>\n<p>O indiano Ganga Singh \u00e9 dono de estabelecimentos de restaura\u00e7\u00e3o em Oliveira do Hospital e colocou, estes dias, os seus 25 funcion\u00e1rios a distribuir refei\u00e7\u00f5es aos bombeiros.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a nossa obriga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fa\u00e7o isto para agradar, mas porque todos temos que nos ajudar&#8221;, afirmou o empres\u00e1rio, que est\u00e1 em Portugal h\u00e1 nove anos e em Oliveira do Hospital h\u00e1 dois anos e meio.<\/p>\n<p>&#8220;Tinha um restaurante em Coimbra, mas depois de ter ido \u00e0 Serra da Estrela, fiquei apaixonado e vim para aqui porque n\u00e3o havia nada de parecido com &#8216;kebabs'&#8221;, explicou Ganga, que elogia os seus novos conterr\u00e2neos.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas s\u00e3o todas muito simp\u00e1ticas e acolhedoras. Senti-me em casa rapidamente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, o presidente da C\u00e2mara de Oliveira do Hospital, Jos\u00e9 Francisco Rolo, recorda que o concelho tem uma grande &#8220;tradi\u00e7\u00e3o de acolhimento de outras comunidades&#8221; e que, &#8220;hoje em dia, quando se quer m\u00e3o de obra para trabalhar, \u00e9 preciso ir buscar estrangeiros&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Entre os sapadores florestais, a maioria s\u00e3o estrangeiros, muitos do Indost\u00e3o ou de \u00c1frica e trabalham bem. N\u00e3o h\u00e1 portugueses para assegurar a agricultura, a silvicultura ou os servi\u00e7os&#8221;, resumiu o autarca.<\/p>\n<p>&#8220;Oliveira do Hospital tem uma tradi\u00e7\u00e3o antiga de imigrantes de belgas, holandeses ou alem\u00e3es. Hoje chegam outros, mas todas estas comunidades se mobilizam contra o fogo, que \u00e9 o inimigo comum&#8221; e &#8220;a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 nacionalidades&#8221;, h\u00e1 &#8220;compromisso e trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a, vejo-os a defenderem os seus pertences e a sua floresta. Tamb\u00e9m entram em p\u00e2nico como os portugueses e tamb\u00e9m procuram zonas de acolhimento seguro e aceitam as indica\u00e7\u00f5es das autoridades&#8221;, acrescentou Jos\u00e9 Francisco Rolo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se reside numa aldeia, como a Aldeia das Dez ou o Av\u00f4 [terras fustigadas pelas chamas], toda a comunidade se mobiliza para defender os seus pertences e a resist\u00eancia e o trabalho da popula\u00e7\u00e3o t\u00eam sido heroicos&#8221;, afirmou o autarca, que critica o discurso contra os imigrantes, particularmente em zonas mais despovoadas.<\/p>\n<p>Mas para a integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes n\u00e3o basta emprego, mas que o pa\u00eds de acolhimento lhes permita condi\u00e7\u00f5es para viver. Isso ainda n\u00e3o acontece em Portugal com Jewel e Subash.<\/p>\n<p>&#8220;Sem os meus filhos, eu estou aqui incompleto&#8221;, desabafou o sapador oriundo do Bangladesh. Mais a sul, o agricultor nepal\u00eas concorda.<\/p>\n<p>Subash est\u00e1 h\u00e1 quatro anos em Portugal e n\u00e3o sabe quando pode ter consigo a sua fam\u00edlia, que ficou no Nepal. &#8220;Eu sonho com esse dia, quero viver aqui e n\u00e3o \u00e9 um inc\u00eandio que me vai impedir de estar c\u00e1&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Na minha vida nunca vi nada assim, nunca pensei que o fogo pudesse ser assim, t\u00e3o grande, t\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":38503,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-38502","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38502\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}