{"id":385280,"date":"2026-05-17T20:24:16","date_gmt":"2026-05-17T20:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/385280\/"},"modified":"2026-05-17T20:24:16","modified_gmt":"2026-05-17T20:24:16","slug":"sheep-in-the-box-critica-do-filme-de-hirokazu-kore-eda-sobre-ia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/385280\/","title":{"rendered":"Sheep in the Box | Cr\u00edtica do filme de Hirokazu Kore-eda sobre IA"},"content":{"rendered":"<p>  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/static\/omelete\/img\/loading.svg\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>  <img decoding=\"async\" class=\"article__cover__image\" data-lazy-src-mob=\"\/\/cdn.ome.lt\/foCal4QyZRFR0-fc7wo6oSqc1I8=\/570x0\/smart\/filters:format(webp)\/uploads\/conteudo\/fotos\/sheep-in-the-box-critica.webp\" data-lazy-src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/slzl0XFtcrjgT6TeoRs_eZeiPdA=\/987x0\/smart\/filters:format(webp)\/uploads\/conteudo\/fotos\/sheep-in-the-box-critica.webp\" src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAEAAAABCAQAAAC1HAwCAAAAC0lEQVR42mNkYAAAAAYAAjCB0C8AAAAASUVORK5CYII=\" alt=\"Sheep in the Box\" title=\"Sheep in the Box\" width=\"987\" height=\"555\" fetchpriority=\"high\"\/><\/p>\n<p class=\"article__cover__credits\">\n  Cr\u00e9ditos da imagem:<br \/>\n  NEON\n<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Me interrompa se voc\u00ea j\u00e1 ouviu essa antes: ap\u00f3s perder um ente querido, uma fam\u00edlia encomenda um rob\u00f4 humanoide id\u00eantico ao falecido para tentar ajudar no processo de luto, e logo descobre que \u00e9 imposs\u00edvel substituir uma pessoa por uma r\u00e9plica, ainda que esta tenha sua pr\u00f3pria identidade. Voc\u00ea pode pensar em IA &#8211; Intelig\u00eancia Artificial (2001), ou no ic\u00f4nico epis\u00f3dio \u201cBe Right Back\u201d de Black Mirror, mas desta vez a premissa foi adotada pelo mestre japon\u00eas <strong>Hirokazu Kore-eda<\/strong> em <strong>Sheep in the Box<\/strong>, seu mais novo trabalho.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Diretor de Assuntos em Fam\u00edlia, Broker e Monster, entre outros dramas cuja gentileza serve de porta de entrada para hist\u00f3rias que se equilibram na linha entre o genuinamente emocionante e o emocionalmente manipulativo, Kore-eda se aproxima desse enredo atrav\u00e9s do casal Otone e Kensuke Komoto (<strong>Haruka Ayase<\/strong> e <strong>Daigo Yamamoto<\/strong>), uma arquiteta e um carpinteiro que perderam o filho, Kakeru (<strong>Kuwaki Rimu<\/strong>), h\u00e1 poucos anos, numa situa\u00e7\u00e3o que uns acreditam ser um acidente, e outros enxergam como crime. Na superf\u00edcie, eles parecem bem. Ela desenha casas modernistas para fam\u00edlias com boa renda e ele segue uma vida tranquila na madeireira onde trabalha h\u00e1 anos, encaixando um jogo de baseball com o time n\u00e3o profissional no qual joga aqui e ali. Tudo muda quando eles s\u00e3o convidados pela REbirth, empresa que faz esses automatons realistas, para uma visita \u00e0 sua oficina. Eles foram selecionados para um programa que oferece o humanoide de gra\u00e7a para pais que perderam os filhos em situa\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas.<\/p>\n<p>            Continua depois da Publicidade<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Inicialmente incertos, mas curiosos, eles s\u00e3o convencidos quando cruzam com outra m\u00e3e visitando a REbirth, n\u00e3o para adotar um rob\u00f4, mas para realizar uma manuten\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o \u00e9 que, se n\u00e3o fossem avisados pelo pr\u00f3prio menino que acompanhava a mulher, os Komoto jamais teriam dito que aquela crian\u00e7a n\u00e3o era humana. Eles decidem tentar \u2013 Otone se mostra mais disposta a abra\u00e7ar a ideia desde o come\u00e7o, enquanto Kensuke imediatamente compara a ideia a cuidar de um novo Tamagochi. Quando um novo Kakeru surge em sua casa, cada um passa a ter um dilema diferente. Ela o trata imediatamente como um filho, e aos poucos percebe diferen\u00e7as cruciais com a crian\u00e7a que morreu. Ele, por outro lado, se recusa at\u00e9 a ser chamado de pai, mas lentamente percebe tra\u00e7os de seu filho na m\u00e1quina.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Estes dilemas s\u00e3o encenados por Kore-eda com calma \u2013 talvez at\u00e9 demais. Com pouco mais de duas horas, Sheep in the Box encontra algumas din\u00e2micas curiosas numa proposta outrora familiar, mas n\u00e3o consegue escapar de uma previsibilidade tem\u00e1tica que se anuncia desde o come\u00e7o. O decorrer da hist\u00f3ria e das intera\u00e7\u00f5es dos personagens segue o caminho que voc\u00ea espera a todo momento, incluindo quando percebemos que o novo Kakeru e outras crian\u00e7as-rob\u00f4s est\u00e3o criando sua pr\u00f3pria diretriz \u2013 n\u00e3o para destruir os humanos, mas para viver em paz sem eles. \u201cN\u00f3s fomos criados para ser o passado dos humanos,\u201d diz um adolescente rob\u00f3tico que guia os menores nessa jornada. \u201cMas n\u00f3s somos seu futuro.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com toques de O Senhor das Moscas mas a sensibilidade de um Pequeno Pr\u00edncipe, Sheep in the Box opera dentro do esperado e evoca rea\u00e7\u00f5es em n\u00f3s mais pela capacidade de Kore-eda de construir um artif\u00edcio do que de momentos que surgem naturalmente de sua narrativa. Ayase cumpre bem a fun\u00e7\u00e3o da m\u00e3e num mix de luto\/euforia e Yamamoto \u00e9 bem magn\u00e9tico como um pai que n\u00e3o esconde o que pensa, e seus melhores momentos v\u00eam quando Kore-eda refor\u00e7a as diferen\u00e7as entre um Kakeru e o outro, e eles respondem aceitando isso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 exatamente nesses exemplos que Kore-eda consegue compor algo mais original. Sheep in the Box se passa \u201cnum futuro pr\u00f3ximo\u201d e sua aplica\u00e7\u00e3o de IA \u00e9 familiar para todos n\u00f3s. A tecnologia est\u00e1 presente em todo o filme, inclusive nos human\u00f3ides, e a melhor escolha do diretor \u00e9 enfatizar justamente a exist\u00eancia de algo artificial em tudo. Kakeru, por exemplo, tem um bot\u00e3o de desligar. Ele dorme numa caixa carregadora, e se desliga automaticamente se os pais se afastarem muito. Eventualmente, tanto o menino quanto os adultos entendem que isso, e pequenas diferen\u00e7as entre a personalidade dele e de seu verdadeiro filho, significam que o Kakeru original nunca voltar\u00e1.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong id=\"docs-internal-guid-4477e3e4-7fff-b01e-8146-8fdbcf633bb6\"\/>A quest\u00e3o, imp\u00f5e o filme, n\u00e3o \u00e9 substituir o humano com o algoritmo, mas entender esse novo tipo de exist\u00eancia como algo em si mesmo. Assim como no lado emotivo da trama, Sheep in the Box n\u00e3o d\u00e1 grandes passos nessas ideias intelectuais, e apesar disso fazer sentido dado o foco de Kore-eda, \u00e9 uma pena n\u00e3o ver o cineasta tentando se aprofundar nessas quest\u00f5es. O pouco que ele faz, afinal, \u00e9 o que d\u00e1 a seu filme aquilo no qual ele mais se interessa: uma identidade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>            Continua depois da Publicidade<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Cr\u00edtica escrita em 17 de maio no Festival de Cannes 2026. Sheep in the Box estreia em breve no Brasil.<\/p>\n<p>    Sheep in the Box<\/p>\n<p>        <img decoding=\"async\" data-lazy-src=\"https:\/\/cdn.ome.lt\/UTDLZARjSBh-TAtwlJkwxOHCr9Q=\/253x334\/smart\/filters:format(webp)\/extras\/capas\/sheep-in-the-box-poster.jpg\" src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAEAAAABCAQAAAC1HAwCAAAAC0lEQVR42mNkYAAAAAYAAjCB0C8AAAAASUVORK5CYII=\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>\n          Pa\u00eds:<br \/>\n          Jap\u00e3o\n        <\/p>\n<p>\n          Dire\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>            Hirokazu Koreeda<\/p>\n<p>\n          Roteiro:<\/p>\n<p>            Hirokazu Koreeda<\/p>\n<p>\n          Elenco:<\/p>\n<p>            Haruka Ayase, <\/p>\n<p>            Daigo Yamamoto, <\/p>\n<p>            Kuwaki Rimu<\/p>\n<p>Onde assistir:<\/p>\n<p>          Oferecido por<br \/>\n          <a href=\"https:\/\/www.justwatch.com\/br\" target=\"_blank\" class=\"justwatch-logo-link\" rel=\"nofollow noopener\"><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/justwatch_icon.png\"\/><br \/>\n          <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cr\u00e9ditos da imagem: NEON Me interrompa se voc\u00ea j\u00e1 ouviu essa antes: ap\u00f3s perder um ente querido, uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":385281,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[114,115,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-385280","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-film","11":"tag-filmes","12":"tag-movies","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116591792737481376","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/385280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=385280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/385280\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/385281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=385280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=385280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=385280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}