{"id":385405,"date":"2026-05-17T22:37:45","date_gmt":"2026-05-17T22:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/385405\/"},"modified":"2026-05-17T22:37:45","modified_gmt":"2026-05-17T22:37:45","slug":"ensino-superior-uma-revolucao-silenciosa-do-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/385405\/","title":{"rendered":"Ensino Superior. Uma revolu\u00e7\u00e3o silenciosa do mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>        O n\u00famero de pessoas empregadas com ensino superior aumentou 104% em apenas 15 anos. Face ao total da popula\u00e7\u00e3o empregada subiu de 20% para 35%. Este artigo integra a rubrica Vis\u00e3o Perif\u00e9rica.    <\/p>\n<p>H\u00e1, em Portugal, quase 1,9 milh\u00f5es de pessoas empregadas com ensino superior. Deixemos este n\u00famero respirar um pouco, porque n\u00e3o \u00e9 um valor qualquer. Neste momento, j\u00e1 corresponde a mais de um ter\u00e7o (35%) de todo o emprego no pa\u00eds e, igualmente impressionante, \u00e9 j\u00e1 o segmento mais representativo, ultrapassando os 1,79 mil milh\u00f5es que t\u00eam ensino secund\u00e1rio ou p\u00f3s-secund\u00e1rio (forma\u00e7\u00e3o profissional especializada) e os 1,6 mil milh\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam mais do que o terceiro ciclo, segundo os mais recentes dados trimestrais do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE).<\/p>\n<p>O salto foi significativo em apenas 15 anos, num contexto de crescente terciariza\u00e7\u00e3o da economia e \u00e0 medida que novos licenciados v\u00e3o substituindo as gera\u00e7\u00f5es mais velhas, maioritariamente com menores qualifica\u00e7\u00f5es. Em 2011, quando a Troika aterrou em Portugal, havia 876 mil pessoas empregadas com ensino superior. Ou seja, subiu 104% at\u00e9 2025 (1,8 milh\u00f5es), contra um aumento de 88% no secund\u00e1rio e uma redu\u00e7\u00e3o acentuada de 40% entre trabalhadores com menores qualifica\u00e7\u00f5es. \u00c9 um n\u00famero que tamb\u00e9m n\u00e3o deixa qualquer d\u00favida sobre a transforma\u00e7\u00e3o em curso: desde 2011, h\u00e1 menos um milh\u00e3o de pessoas empregadas com escolaridade at\u00e9 ao nono ano \u2014 num per\u00edodo em que o mercado de trabalho ganhou 723 mil trabalhadores.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia tem sido t\u00e3o impar\u00e1vel que mesmo durante o resgate financeiro, conhecido pela forte \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d do pa\u00eds, o valor nunca deixou de subir: estavam empregadas 907 mil pessoas com um diploma em 2012, 927 mil em 2013 e 1 milh\u00e3o em 2014.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem hoje a n\u00edvel europeu a 10.\u00aa maior for\u00e7a de trabalho diplomada da UE, fazendo \u201cmatch\u201d com o ranking da popula\u00e7\u00e3o \u2014 sim, Portugal, tem mais habitantes do que outros 17 estados-membros.<\/p>\n<p>Haver perto de 2 milh\u00f5es com, pelo menos, a licenciatura \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o significativa, tendo em conta que h\u00e1 30 anos, em toda a d\u00e9cada de 90, a for\u00e7a de trabalho total (estivesse ou n\u00e3o empregada) nunca chegou sequer a ter 600 mil pessoas com ensino superior. N\u00fameros que, conv\u00e9m sublinhar, j\u00e1 eram uma gigante conquista face aos 50 mil de 1970.<\/p>\n<p>O que estes n\u00fameros n\u00e3o nos d\u00e3o \u00e9 a dimens\u00e3o do atraso que ainda existe. Os 35% de diplomados face \u00e0 popula\u00e7\u00e3o empregada que referimos acima deixam Portugal apenas na 20.\u00aa posi\u00e7\u00e3o a n\u00edvel europeu. S\u00f3 sete pa\u00edses (Rom\u00e9nia, It\u00e1lia, Ch\u00e9quia, Eslov\u00e1quia, Hungria, Cro\u00e1cia e a industrial Alemanha) t\u00eam percentagens mais baixas. Por outro lado, Irlanda e Luxemburgo lideram, ambos na casa dos 57%.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui a posi\u00e7\u00e3o relativa j\u00e1 foi pior. Em 2011, Portugal, com 20%, estava na 24.\u00aa posi\u00e7\u00e3o, tendo s\u00f3 \u00c1ustria, Ch\u00e9quia e It\u00e1lia com menor percentagem. Desde ent\u00e3o \u2014 tamb\u00e9m porque Portugal estava entre os pa\u00edses com mais caminho por desbravar \u2014 apenas tr\u00eas pa\u00edses viram a percentagem aumentar em mais de 15 pontos percentuais (\u00c1ustria, Luxemburgo e Malta). Fran\u00e7a teve uma subida da mesma dimens\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1408433\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/52__Uma_revolucao_silenciosa.png\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"690\"  \/><\/p>\n<p>E haver\u00e1 mesmo trabalho para tanto diploma? Os dados do Eurostat mostram que sim, para a larga maioria (88,5%) e, por feliz coincid\u00eancia, enquanto escrevemos estas linhas, foi publicado na quinta-feira um estudo da Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos que nos d\u00e1 uma ideia complementar para as novas gera\u00e7\u00f5es. Lu\u00eds Catela Nunes, Pedro Reis e Teresa Thomas, que analisaram as tend\u00eancias no ensino superior e no emprego jovem em Portugal, mostram que os mestrados est\u00e3o a garantir taxas de emprego de 88% em um ou dois anos, e as licenciaturas 75% (convergindo, a cinco anos, com os mestrados).<\/p>\n<p>Nem todos v\u00e3o executar tarefas correspondentes \u00e0s suas qualifica\u00e7\u00f5es, mas, neste cap\u00edtulo, Portugal compara bem com os parceiros europeus, segundo dados do Eurostat. Para se ter uma ideia, 34% dos diplomados em Espanha est\u00e3o a fazer trabalhos para os quais s\u00e3o sobrequalificados, seguindo-se outros dois pa\u00edses do sul da Europa \u2013 Gr\u00e9cia (31,4%) e Chipre (27,5%). Portugal surge apenas no 18.\u00ba lugar (16,4%), com valores semelhantes aos de pa\u00edses n\u00f3rdicos (Finl\u00e2ndia e Dinamarca). Diga-se, ali\u00e1s, que Portugal at\u00e9 j\u00e1 foi melhor neste aspeto: em 2017 e 2018, na casa dos 13%, s\u00f3 tinha o Luxemburgo com uma menor propor\u00e7\u00e3o de casos desajustados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O n\u00famero de pessoas empregadas com ensino superior aumentou 104% em apenas 15 anos. 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