{"id":38706,"date":"2025-08-21T13:04:10","date_gmt":"2025-08-21T13:04:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/38706\/"},"modified":"2025-08-21T13:04:10","modified_gmt":"2025-08-21T13:04:10","slug":"la-na-america-aqui-na-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/38706\/","title":{"rendered":"L\u00e1 na Am\u00e9rica | Aqui na Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p>Os factos<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Primeiro, o mapa eleitoral. A assembleia legislativa do Texas, dominada pelo Partido Republicano, est\u00e1 por estes dias a tratar de aprovar um novo mapa dos 38 c\u00edrculos uninominais que elegem os congressistas enviados de dois em dois anos para Washington. Desses 38, h\u00e1 25 nas m\u00e3os dos republicanos. Ajustando as fronteiras de alguns c\u00edrculos, o partido de <a target=\"_top\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/donald-trump\" style=\"color:#D10019;font-family:Georgia,Serif;font-weight:normal;line-height:1.3;padding:0;text-align:left;text-decoration:underline;\" rel=\"nofollow noopener\">Donald Trump<\/a> poder\u00e1 vir a tirar cinco mandatos ao Partido Democrata.\u00a0<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Em jogo est\u00e1 a curt\u00edssima maioria, por tr\u00eas assentos apenas, que o Partido Republicano tem na C\u00e2mara dos Representantes, e a capacidade que a Administra\u00e7\u00e3o Trump tem de ver aprovadas as suas propostas de leis e or\u00e7amentos. As elei\u00e7\u00f5es intercalares de Novembro de 2026, quando toda a C\u00e2mara dos Representantes e um ter\u00e7o do Senado forem a votos, s\u00e3o por isso decisivas. Ou Trump continua a ter um Congresso que lhe d\u00e1 carta-branca, ou passa a ter bloqueios no Capit\u00f3lio e a sua agenda pol\u00edtica come\u00e7a a ser refreada.<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">No Texas recorre-se, uma vez mais, ao <a target=\"_top\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/18\/mundo\/noticia\/guerra-mapas-eleitorais-adensa-imprevisibilidade-ano-intercalares-eua-2144194\" style=\"color:#D10019;font-family:Georgia,Serif;font-weight:normal;line-height:1.3;padding:0;text-align:left;text-decoration:underline;\" rel=\"nofollow noopener\">gerrymandering<\/a>, um palavr\u00e3o que junta um nome (o de Elbridgre Gerry, governador do Massachusetts entre 1810 e 1812) e a palavra salamandra. Gerry (que mais tarde foi vice-presidente dos EUA) foi o primeiro pol\u00edtico norte-americano a aprovar um mapa eleitoral que, descaradamente, favorecia os seus aliados. Criou c\u00edrculos uninominais de formato caricato (eram tudo menos c\u00edrculos, e da\u00ed a refer\u00eancia \u00e0 salamandra) para garantir que eram os seus eleitores que estavam sempre em maioria e que os dos seus rivais ficavam divididos pelas fronteiras e em minoria.\u00a0<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Num pa\u00eds praticamente desenhado a regra e esquadro, a pr\u00e1tica fez escola. O gerrymandering tem sido uma tenta\u00e7\u00e3o recorrente para os dois grandes partidos quando se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de controlo dos governos e assembleias estaduais.\u00a0<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Havia, contudo, uma conven\u00e7\u00e3o: refaziam-se os mapas s\u00f3 depois de cada censo, no in\u00edcio de cada d\u00e9cada, sob o pretexto de fazer reflectir a evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica. E a iniciativa cabia aos estados, n\u00e3o ao Presidente. Trump quebrou tamb\u00e9m aqui as regras. Em Julho, desafiou os deputados do Texas a redesenhar o mapa, a cinco anos do pr\u00f3ximo censo e a 15 meses das elei\u00e7\u00f5es intercalares.\u00a0<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Depois de um protesto da bancada democrata, que chegou a <a target=\"_top\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/07\/mundo\/noticia\/fbi-cacar-deputados-democratas-texas-fintaram-votacao-republicana-2143269\" style=\"color:#D10019;font-family:Georgia,Serif;font-weight:normal;line-height:1.3;padding:0;text-align:left;text-decoration:underline;\" rel=\"nofollow noopener\">fugir do Texas<\/a> para travar a vota\u00e7\u00e3o por falta de qu\u00f3rum, os deputados rebeldes voltaram a casa e nada travar\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o do novo mapa desenhado ao gosto dos republicanos (diluem-se, por exemplo, maiorias negras e hisp\u00e2nicas pr\u00f3-democratas em cidades como Dallas e Houston, juntando-as a c\u00edrculos rurais e brancos pr\u00f3-republicanos). Mas os democratas dever\u00e3o responder na mesma moeda: na Calif\u00f3rnia, possivelmente em Nova Iorque e noutros estados azuis. E ter\u00e3o provavelmente a contra-resposta republicana, incluindo nos decisivos estados da Florida e do Ohio. Est\u00e1 aberta a guerra dos mapas.<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Agora, o voto por correspond\u00eancia. A pr\u00e1tica existe, de uma forma ou de outra, para todos os eleitores ou s\u00f3 para alguns (emigrantes, militares, idosos, doentes, reclusos) em mais de 100 pa\u00edses. E \u00e9 bastante popular nos EUA, onde as elei\u00e7\u00f5es decorrem normalmente em dia de trabalho, e onde muitos votantes habitam comunidades remotas (o voto por correio \u00e9 maiorit\u00e1rio em v\u00e1rios estados do Oeste e no Alasca).<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">Trump diz que n\u00e3o, que s\u00f3 os EUA \u00e9 que mant\u00eam o voto postal e que todos os outros pa\u00edses desistiram do m\u00e9todo por terem encontrado pr\u00e1ticas fraudulentas generalizadas (<a target=\"_top\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/19\/mundo\/noticia\/trump-eua-sao-unico-pais-voto-correspondencia-falso-2144346\" style=\"color:#D10019;font-family:Georgia,Serif;font-weight:normal;line-height:1.3;padding:0;text-align:left;text-decoration:underline;\" rel=\"nofollow noopener\">\u00e9 falso, e est\u00e1 aqui a Prova dos Factos<\/a>). Esta segunda-feira escreveu na rede social Truth Social que vai agora &#8220;liderar um movimento&#8221; <a target=\"_top\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/18\/mundo\/noticia\/trump-quer-proibir-voto-correspondencia-urnas-electronicas-2144278\" style=\"color:#D10019;font-family:Georgia,Serif;font-weight:normal;line-height:1.3;padding:0;text-align:left;text-decoration:underline;\" rel=\"nofollow noopener\">para proibi-lo<\/a>, bem como as urnas electr\u00f3nicas, apesar de a Constitui\u00e7\u00e3o explicitar que essa \u00e9 uma decis\u00e3o de cada estado e n\u00e3o do Presidente e do Governo federal.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">A pouco mais de um ano para umas elei\u00e7\u00f5es intercalares de import\u00e2ncia tremenda, para os EUA e para o resto do mundo, as manobras das \u00faltimas semanas indiciam que poder\u00e1 n\u00e3o ser o eleitor norte-americano a ter a palavra final pelo seu desfecho. As elei\u00e7\u00f5es disputam-se j\u00e1 por estes dias por quem tem o poder na m\u00e3o, nas assembleias legislativas do Texas e da Calif\u00f3rnia, e sobretudo na Casa Branca.<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">O tabuleiro est\u00e1 inclinado. Se, na guerra dos mapas, o Partido Democrata tem a oportunidade de tamb\u00e9m ele jogar sujo, como admite abertamente o governador californiano Gavin Newsom, \u00e9 Trump que tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o o maior n\u00famero de expedientes. Para al\u00e9m do seu ascendente sobre os governos e as legislaturas estaduais republicanas, sobre o Congresso e o Supremo, ou sobre parte crescente da comunica\u00e7\u00e3o social norte-americana e das empresas propriet\u00e1rias das redes sociais, o constante recurso a leis de excep\u00e7\u00e3o e a declara\u00e7\u00f5es de crise tem-lhe permitindo o que era recentemente impens\u00e1vel, como a <a target=\"_top\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/11\/mundo\/noticia\/trump-ordena-envio-guarda-nacional-washington-travar-onda-criminalidade-2143640\" style=\"color:#D10019;font-family:Georgia,Serif;font-weight:normal;line-height:1.3;padding:0;text-align:left;text-decoration:underline;\" rel=\"nofollow noopener\">militariza\u00e7\u00e3o de Washington<\/a> e Los Angeles.\u00a0<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">N\u00e3o \u00e9 completamente previs\u00edvel o resultado desta ofensiva em m\u00faltiplas frentes. O gerrymandering democrata pode at\u00e9 anular o republicano. A restri\u00e7\u00e3o do voto por correspond\u00eancia poder\u00e1 tamb\u00e9m penalizar parte importante do pr\u00f3prio eleitorado trumpista, como t\u00eam alertado respons\u00e1veis republicanos. E a governa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em emerg\u00eancia, para a televis\u00e3o e para a fotografia, n\u00e3o tem evitado a queda gradual de Trump nas sondagens.\u00a0<\/p>\n<p style=\"Margin:0;Margin-bottom:16px;color:#333333;font-family:Georgia,Serif;font-size:18px;font-weight:normal;line-height:27px;margin:0;margin-bottom:16px;padding:0;text-align:left;\">O perigo maior, contudo, est\u00e1 na continuada\u00a0eros\u00e3o da confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, todo um projecto que Trump tem executado desde a sua entrada, h\u00e1 uma d\u00e9cada, no palco pol\u00edtico dos\u00a0EUA (e que tem, evidentemente, outros precursores e respons\u00e1veis). Podem os eleitores norte-americanos confiar num processo livre e justo em 2026? Ser\u00e3o os resultados respeitados? Haver\u00e1, no limite, elei\u00e7\u00f5es? Pode at\u00e9 acabar tudo bem, mas tamb\u00e9m pode terminar mal para todos. At\u00e9 para Trump.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os factos Primeiro, o mapa eleitoral. 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