{"id":388355,"date":"2026-05-20T10:28:12","date_gmt":"2026-05-20T10:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/388355\/"},"modified":"2026-05-20T10:28:12","modified_gmt":"2026-05-20T10:28:12","slug":"vladimir-putin-visita-china-e-por-pouco-nao-se-encontrou-com-donald-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/388355\/","title":{"rendered":"Vladimir Putin visita China e por pouco n\u00e3o se encontrou com Donald Trump"},"content":{"rendered":"<p>        A proximidade das duas visitas \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o clara de apoio incondicional de Pequim a Moscovo. La\u00e7os econ\u00f3micos e comerciais enchem uma agenda que tem uma conversa que interessa seguir: ser\u00e1 sobre o gasoduto \u2018Power of Siberia 2\u2019. A visita de Putin s\u00f3 foi confirmada depois de Trump deixar a China.    <\/p>\n<p>epa12974888 Russian President Vladimir Putin (C-R) is escorted by China\u2019s Foreign Minister Wang Yi (C-L) upon his arrival in Beijing, China, 19 May 2026. Russian President Vladimir Putin visits China from 19 May to 20 May.  EPA\/VLADIMIR SMIRNOV \/ SPUTNIK \/ KREMLIN POOL MANDATORY CREDIT<\/p>\n<p>A poeira levantada pelo Air Force 1 ainda n\u00e3o ter\u00e1 assentado totalmente e j\u00e1 Pequim recebe mais um avi\u00e3o presidencial, desta vez ocupado pelo presidente da R\u00fassia, Vladimir Putin. A proximidade das visitas de Trump e de Putin n\u00e3o \u00e9, para os analistas, despicienda, e muito menos um acaso de agendas: \u00e9 uma forma de o presidente chin\u00eas, Xi Jinping, mostrar que se encontra sem hesita\u00e7\u00f5es ao lado do seu hom\u00f3logo russo. E o facto de a cimeira com Trump ter deixado um claro sinal de pouco \u2018entrosamento\u2019 entre as duas maiores economias do mundo n\u00e3o ajuda a uma leitura separada das duas visitas.<\/p>\n<p>O presidente russo chegou esta ter\u00e7a-feira, 19 de maio, a Pequim pela \u2018en\u00e9sima\u2019 vez (parece que foram 25 vezes!), numa viagem confirmada na passada sexta-feira, poucas horas depois de Trump concluir a visita de Estado. Segundo o Kremlin, Putin e Xi Jinping pretendem discutir como \u201cfortalecer ainda mais\u201d a parceria estrat\u00e9gica entre os dois pa\u00edses e \u201ctrocar opini\u00f5es sobre quest\u00f5es internacionais e regionais relevantes\u201d.<\/p>\n<p>Diplomaticamente isolada no cen\u00e1rio mundial, a R\u00fassia tem-se servido da amizade da China para manter um p\u00e9 no cen\u00e1rio internacional \u2013 apesar de os interesses dos dois pa\u00edses nem sempre terem sido, no passado recente, convergentes. De facto, em algumas das mais recentes cimeiras dos BRICS, a China teve que se impor para impedir que a R\u00fassia tomasse conta do bloco onde se re\u00fanem pa\u00edses emergentes. A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia e o facto de a R\u00fassia ter passado a ser um p\u00e1ria em v\u00e1rias capitais mundiais ajudou Pequim a consolidar a sua posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a (que a \u00cdndia tamb\u00e9m pouco aprecia) dos BRICS. Mas nunca deixou de acolher a R\u00fassia com uma \u2018velha amizade\u2019.<\/p>\n<p>Sendo a China a principal compradora do petr\u00f3leo russo mesmo quando a sua venda esta sob san\u00e7\u00f5es internacionais, a R\u00fassia tem todo o interesse em aumentar a sua exposi\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio bilateral \u2013 num quadro em que a economia de guerra vai gerando escolhos ao seu desenvolvimento. Antes da visita, os dois presidentes trocaram \u201ccartas de felicita\u00e7\u00e3o\u201d no domingo para comemorar os 30 anos da associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre os seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em mensagem em v\u00eddeo dirigida aos chineses, divulgada esta ter\u00e7a-feira, Putin disse que as rela\u00e7\u00f5es atingiram \u201cum n\u00edvel verdadeiramente sem precedentes\u201d e que \u201co com\u00e9rcio entre R\u00fassia e China continua a crescer\u201d. \u00a0\u201cSem nos aliarmos contra ningu\u00e9m, buscamos a paz e a prosperidade universal\u201d, acrescentou o chefe de Estado russo. Putin, que trata Xi Jinping por \u201cquerido amigo\u201d, est\u00e1 ansioso para mostrar ao mundo que as rela\u00e7\u00f5es bilaterais n\u00e3o ser\u00e3o afetadas pela visita de Trump. As duas partes consideram que os seus v\u00ednculos s\u00e3o \u201cestruturalmente mais fortes e est\u00e1veis\u201d do que os la\u00e7os entre China e Estados Unidos \u2013 o que parece cerro dado que n\u00e3o h\u00e1 na agenda nenhum ponto que possa gerar pol\u00e9mica. Nem na economia nem na pol\u00edtica: o Kremlin apoia firmemente tudo o que a China pretende fazer em Taiwan. Pequim responde da mesma forma: pede com frequ\u00eancia o in\u00edcio de negocia\u00e7\u00f5es para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia, mas nunca condenou a R\u00fassia pela ofensiva.<\/p>\n<p>Os analistas consideram que a falta de resultados claros da cimeira com Trump provavelmente tranquilizou Moscovo \u2013 e, de facto, Xi Jinping n\u00e3o chegou a nenhum acordo com Trump que colocasse em causa os interesses russos. Ali\u00e1s, a Ucr\u00e2nia ter\u00e1 sido uma esp\u00e9cie de n\u00e3o-assunto entre as duas maiores economias do mundo \u2013 uma vez que Trump tamb\u00e9m n\u00e3o se mostrou particularmente interessado em debater a mat\u00e9ria. E conv\u00e9m n\u00e3o esquecer que Trump flexibilizou temporariamente algumas san\u00e7\u00f5es ligadas ao petr\u00f3leo russo, sem acabar com o embargo por completo: uma isen\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria que permite a alguns pa\u00edses continuarem a comprar petr\u00f3leo russo transportado por mar<\/p>\n<p>Putin espera que a China aprofunde o seu compromisso com Moscovo, depois de Trump ter declarado durante a sua visita que Pequim havia concordado em comprar petr\u00f3leo aos Estados Unidos. \u00a0Como a R\u00fassia depende das vendas para a China para sustentar o esfor\u00e7o de guerra, Putin n\u00e3o quer perder o apoio da China. Depois de reunir com Xi Jinping em abril, o chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, disse que a R\u00fassia poderia \u201ccompensar\u201d a escassez de energia resultante da guerra contra o Ir\u00e3o. O petr\u00f3leo est\u00e1, portanto, no centro das aten\u00e7\u00f5es \u2013especialmente o gasoduto \u2018Power of Siberia 2\u2019. Uma \u00faltima nota n\u00e3o menos importante: os dois pa\u00edses querem aumentar as trocas comerciais em moeda nacional, deixando o d\u00f3lar de parte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A proximidade das duas visitas \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o clara de apoio incondicional de Pequim a Moscovo. 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