{"id":389548,"date":"2026-05-21T08:48:13","date_gmt":"2026-05-21T08:48:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/389548\/"},"modified":"2026-05-21T08:48:13","modified_gmt":"2026-05-21T08:48:13","slug":"procura-uma-praia-imaculada-em-portugal-ha-menos-opcoes-este-ano-epoca-balnear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/389548\/","title":{"rendered":"Procura uma praia \u201cimaculada\u201d em Portugal? H\u00e1 menos op\u00e7\u00f5es este ano | \u00c9poca balnear"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 menos praias absolutamente livres de contamina\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica em Portugal este ano. A nova lista da associa\u00e7\u00e3o ambiental Zero identifica 73 praias Zero Polui\u00e7\u00e3o em 2026, menos oito do que as 81 praias classificadas no ano passado, e confirma a dificuldade crescente de cumprir um padr\u00e3o ambiental exigente.<\/p>\n<p>A fasquia \u00e9, de facto, muito alta. Como explica o comunicado, \u201cuma Praia Zero Polui\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela em que n\u00e3o foi detectada qualquer contamina\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica nas an\u00e1lises efectuadas \u00e0s \u00e1guas ao longo das tr\u00eas \u00faltimas \u00e9pocas balneares, tendo tamb\u00e9m a sua classifica\u00e7\u00e3o sido sempre \u2018excelente\u2019 nesse per\u00edodo\u201d.<\/p>\n<p>Basta uma \u00fanica an\u00e1lise com vest\u00edgios \u2014 mesmo que dentro dos limites legais \u2014 para excluir uma praia, numa avalia\u00e7\u00e3o que inclui dois par\u00e2metros microbiol\u00f3gicos controlados e previstos na legisla\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/08\/azul\/noticia\/praias-matosinhos-desaconselhadas-banhos-2139383\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Escherichia coli e Enterococos<\/a>).<\/p>\n<p>\u00c0 luz deste crit\u00e9rio, os n\u00fameros ganham outra leitura: as 73 praias agora identificadas representam \u201c11% do total das 671 \u00e1guas balneares existentes\u201d. Em 2025, quando o Azul <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/05\/30\/azul\/noticia\/quer-praia-agua-limpa-mapa-2025-recorde-81-areais-zero-poluicao-2134696\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">noticiava<\/a> o recorde de 81 areais sem polui\u00e7\u00e3o, o destaque era o crescimento consistente destes casos de excel\u00eancia. Em 2026, o retrato pode ser lido como um ajustamento, n\u00e3o necessariamente como uma invers\u00e3o de tend\u00eancia.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n             <a class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"0\" href=\"https:\/\/static.publicocdn.com\/infografia\/2026\/iframes\/azul\/index-zero-2026.html?v2\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Zero sublinha que \u201cuma \u00fanica an\u00e1lise com detec\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica em tr\u00eas anos \u00e9 suficiente para uma praia deixar de integrar esta lista\u201d, o que ajuda a explicar a sa\u00edda de 31 praias face ao ano passado, parcialmente compensada pela entrada de 23 novas.<\/p>\n<p>Gr\u00e2ndola e Porto Santo na lideran\u00e7a<\/p>\n<p>No plano geogr\u00e1fico, o mapa da excel\u00eancia mant\u00e9m alguns padr\u00f5es, mas com mudan\u00e7as relevantes. Gr\u00e2ndola surge agora como o concelho com mais praias sem qualquer registo de contamina\u00e7\u00e3o: seis, ultrapassando Porto Santo, que soma cinco. Seguem-se Alcoba\u00e7a, Aljezur e Torres Vedras, com quatro.<\/p>\n<p>No grupo imediatamente abaixo, com tr\u00eas praias, encontram-se Olh\u00e3o, Tavira, Viana do Castelo, Angra do Hero\u00edsmo, S\u00e3o Roque do Pico e Vila do Porto. No total, distribuem-se 45 praias Zero Polui\u00e7\u00e3o em Portugal continental (em 20 concelhos), 21 nos A\u00e7ores (em 11 concelhos) e sete na Madeira (em tr\u00eas concelhos).<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m um movimento de rota\u00e7\u00e3o nos destinos. Cinco munic\u00edpios entram na lista \u2014 Lagos, Moimenta da Beira, Sabugal, Set\u00fabal e S\u00e3o Vicente \u2014 enquanto dez saem, incluindo destinos conhecidos como Nazar\u00e9, Sintra ou Sines. Este dinamismo refor\u00e7a a ideia de que a classifica\u00e7\u00e3o depende de um desempenho t\u00e9cnico muito consistente, ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p>O problema das \u00e1guas interiores<\/p>\n<p>Um dos pontos mais reveladores do relat\u00f3rio \u00e9 a persistente dificuldade em alcan\u00e7ar n\u00edveis de excel\u00eancia em zonas n\u00e3o costeiras. Apenas duas praias interiores \u2014 Albufeira do Vilar (Moimenta da Beira) e Albufeira de Alfaiates (Sabugal) \u2014 conseguem este estatuto.<\/p>\n<p>A Zero reconhece que \u201c\u00e9 extremamente dif\u00edcil conseguir um registo inc\u00f3lume ao longo de tr\u00eas anos nas zonas balneares interiores\u201d, apontando estas fragilidades como um indicador de que \u201ch\u00e1 muito ainda a fazer para garantir uma boa qualidade da \u00e1gua dos rios e ribeiras em Portugal\u201d.<\/p>\n<p>As causas s\u00e3o conhecidas: maior vulnerabilidade a descargas irregulares, menor dilui\u00e7\u00e3o e um controlo mais exigente das press\u00f5es urbanas e agr\u00edcolas. O comunicado insiste na necessidade de \u201cassegurar uma gest\u00e3o rigorosa dos sistemas de saneamento, das escorr\u00eancias urbanas e das actividades econ\u00f3micas com potencial impacto nas zonas balneares\u201d.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Uma Praia Zero Polui\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela em que n\u00e3o foi detectada qualquer contamina\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica nas an\u00e1lises efectuadas \u00e0s \u00e1guas ao longo das tr\u00eas \u00faltimas \u00e9pocas &#13;<br \/>\nGettyImages                    &#13;<\/p>\n<p>Menos praias Zero, mas a mesma meta europeia<\/p>\n<p>Apesar da quebra num\u00e9rica, a associa\u00e7\u00e3o enquadra estes resultados numa ambi\u00e7\u00e3o mais vasta. \u201cA Zero considera que este objectivo \u00e9 verdadeiramente aquilo que \u00e0 escala europeia se deseja no quadro do Pacto Ecol\u00f3gico Europeu\u201d, sublinhando o alinhamento com o Plano de Ac\u00e7\u00e3o para a Polui\u00e7\u00e3o Zero.<\/p>\n<p>Curiosamente, o recuo das praias sem contamina\u00e7\u00e3o acompanha uma tend\u00eancia paralela noutra etiqueta ambiental: \u201cesta ligeira diminui\u00e7\u00e3o acompanha a redu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m verificada no n\u00famero de praias com <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/04\/30\/azul\/noticia\/ja-sao-conhecidas-praias-bandeira-azul-verao-veja-lista-2173112\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Bandeira Azul<\/a>\u201d. Ainda que os crit\u00e9rios sejam distintos, ambas as classifica\u00e7\u00f5es funcionam como indicadores da press\u00e3o sobre os sistemas costeiros.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com 2025 exp\u00f5e uma tens\u00e3o entre ambi\u00e7\u00e3o e a realidade. Se no ano passado a narrativa era de crescimento \u2014 o Azul noticiou um \u201crecorde\u201d de praias sem polui\u00e7\u00e3o \u2014, este ano parece existir um ajustamento aos crit\u00e9rios exigentes. \u00c0 medida que o n\u00edvel da avalia\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m muito rigoroso, pequenas varia\u00e7\u00f5es tornam-se inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao exigir a aus\u00eancia total de contamina\u00e7\u00e3o ao longo de tr\u00eas anos, a classifica\u00e7\u00e3o de Praia Zero Polui\u00e7\u00e3o n\u00e3o mede apenas qualidade: avalia tamb\u00e9m consist\u00eancia. Uma consist\u00eancia que depende de factores muitas vezes dif\u00edceis de controlar, como eventos clim\u00e1ticos extremos ou falhas pontuais de infra-estruturas.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Recomenda\u00e7\u00f5es para a \u00e9poca balnear<\/p>\n<p>A Zero deixa ainda um conjunto de alertas pr\u00e1ticos. Entre eles, a recomenda\u00e7\u00e3o de que \u201cs\u00f3 devem ser frequentadas praias classificadas como zonas balneares\u201d, a import\u00e2ncia de n\u00e3o deixar res\u00edduos e a necessidade de \u201cpreservar a paisagem e os ecossistemas envolventes\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o conselhos simples, mas que lembram que a qualidade da \u00e1gua n\u00e3o depende apenas de pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 resulta tamb\u00e9m de comportamentos individuais.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds com quase dois mil quil\u00f3metros de costa, a exist\u00eancia de 73 praias absolutamente livres de polui\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se um sinal positivo. Mas a descida face ao recorde de 2025 mostra que a excel\u00eancia ambiental, quando definida em termos absolutos, exige vigil\u00e2ncia cont\u00ednua. Talvez n\u00e3o existam praias perfeitas, mas Portugal mant\u00e9m um leque de escolhas invej\u00e1vel na Europa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 menos praias absolutamente livres de contamina\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica em Portugal este ano. 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