{"id":390459,"date":"2026-05-21T23:55:29","date_gmt":"2026-05-21T23:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/390459\/"},"modified":"2026-05-21T23:55:29","modified_gmt":"2026-05-21T23:55:29","slug":"carne-selvagem-rituais-e-desinformacao-juntaram-se-os-ingredientes-perfeitos-para-um-surto-de-ebola-preocupante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/390459\/","title":{"rendered":"Carne selvagem, rituais e desinforma\u00e7\u00e3o: juntaram-se os ingredientes perfeitos para um surto de \u00e9bola preocupante"},"content":{"rendered":"<p>                Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo est\u00e1 com dificuldades em conter o avan\u00e7o dos casos<\/p>\n<p>Nas zonas rurais da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), uma estirpe letal do v\u00edrus \u00e9bola devastou as comunidades locais, causando mais de 100 mortes e desencadeando uma emerg\u00eancia de sa\u00fade global.<\/p>\n<p>O v\u00edrus foi descoberto pela primeira vez na RDC em 1976 e continua a ser uma amea\u00e7a constante. O pa\u00eds da \u00c1frica Central registou 17 surtos, mais do que qualquer outro pa\u00eds &#8211; um surto grave entre 2018 e 2020 fez 2.299 mortos.<\/p>\n<p>O \u00e9bola, um v\u00edrus frequentemente fatal que causa sintomas graves, incluindo febre alta e hemorragias internas e externas, tem origem em animais selvagens. \u00c9 transmitido aos humanos atrav\u00e9s do contacto pr\u00f3ximo com o sangue ou fluidos corporais de animais florestais infetados, como morcegos frug\u00edvoros, porcos-espinhos e primatas n\u00e3o humanos, como macacos, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Uma vez que o v\u00edrus entra numa comunidade, propaga-se rapidamente entre as pessoas atrav\u00e9s do contacto direto com fluidos corporais ou superf\u00edcies contaminadas.<\/p>\n<p>O surto atual \u00e9 causado pela estirpe Bundibugyo, uma forma rara do \u00c9bola. Ao contr\u00e1rio da estirpe Zaire, mais comum, a variante Bundibugyo n\u00e3o tem atualmente vacinas ou tratamentos aprovados.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que os humanos contra\u00edram o \u00e9bola pela primeira vez ao ca\u00e7ar, manusear ou consumir animais selvagens infetados, conhecidos coletivamente como carne de ca\u00e7a. Este tipo de alimentos &#8211; particularmente morcegos, macacos, ratos-do-mato e ant\u00edlopes &#8211; continua a ser popular na RDC, apenas uma das raz\u00f5es pelas quais o \u00e9bola continua a ser um perigo atualmente.<\/p>\n<p>O veneno na presa <\/p>\n<p>Os surtos recorrentes na RDC est\u00e3o ligados \u00e0 sua geografia. Vastos e densos bosques cobrem mais de 60% do territ\u00f3rio do pa\u00eds (mais de 150 milh\u00f5es de hectares), servindo de criadouro natural para o \u00e9bola.<\/p>\n<p>Para muitos residentes rurais da Bacia do Congo &#8211; a segunda maior floresta tropical do mundo &#8211; onde a carne de ca\u00e7a fornece at\u00e9 80% da ingest\u00e3o local de prote\u00ednas, ca\u00e7ar animais selvagens \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, n\u00e3o de prefer\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, esta fonte vital de alimento serve como principal porta de entrada para a transmiss\u00e3o de v\u00edrus mortais de animais para humanos, de acordo com Eteni Longondo, antigo ministro da Sa\u00fade P\u00fablica da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Profissionais de sa\u00fade conversam num centro de tratamento de \u00c9bola em Rwampara, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, no dia 19 de Maio (Dirole Lotsima Dieudonne\/AP via CNN Newsource)\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779407728_213_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Profissionais de sa\u00fade conversam num centro de tratamento de \u00c9bola em Rwampara, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, no dia 19 de Maio (Dirole Lotsima Dieudonne\/AP via CNN Newsource) <\/p>\n<p>Longondo diz \u00e0 CNN que regular a ca\u00e7a nas densas florestas do pa\u00eds e impedir as comunidades de consumir animais selvagens, principalmente carca\u00e7as na selva, continua a ser um desafio significativo para as autoridades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo come\u00e7a na floresta, e n\u00e3o temos qualquer controlo sobre isso&#8221;, acrescenta, referindo que os h\u00e1bitos tradicionais de ca\u00e7a n\u00e3o podem ser alterados de um dia para o outro.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se pode simplesmente dizer \u00e0s pessoas para abandonarem a sua cultura e elas pararem imediatamente. Continuam a comer carne de animais selvagens porque n\u00e3o t\u00eam outra alternativa.&#8221;<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) \u00e9 rica em minerais, mas mais de 80% dos seus 100 milh\u00f5es de habitantes vivem em extrema pobreza. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente grave no leste, onde uma rebeli\u00e3o armada ativa permitiu a uma poderosa coliga\u00e7\u00e3o rebelde controlar dezasseis vastos territ\u00f3rios, deslocando milh\u00f5es de pessoas e mergulhando a regi\u00e3o numa grave crise alimentar.<\/p>\n<p>Esta quinta-feira, os rebeldes confirmaram um caso de \u00e9bola em Bukavu, cidade sob o seu controlo na prov\u00edncia de Kivu do Sul. Informaram que o paciente, um homem de 28 anos, tinha falecido e sido sepultado em seguran\u00e7a. Al\u00e9m disso, os rebeldes anunciaram que foi identificado um caso separado de \u00e9bola em Goma, a maior cidade do leste da RDC, tamb\u00e9m ocupada pelo grupo.<\/p>\n<p>Rumores e rituais <\/p>\n<p>O atual surto de \u00e9bola afeta principalmente a prov\u00edncia de Ituri, no leste do pa\u00eds, localizada na extremidade nordeste da Bacia do Congo. Segundo a OMS, a maioria dos casos concentra-se na capital provincial, Bunia, e nas cidades mineiras de Mongwalu e Rwampara.<\/p>\n<p>O primeiro caso suspeito envolveu um profissional de sa\u00fade cujos sintomas come\u00e7aram a 24 de abril e que faleceu posteriormente numa unidade m\u00e9dica em Bunia, informou a OMS. A 5 de maio, a organiza\u00e7\u00e3o foi notificada de uma \u201cdoen\u00e7a n\u00e3o identificada\u201d associada a elevadas taxas de mortalidade na prov\u00edncia. Ap\u00f3s uma investiga\u00e7\u00e3o levada a cabo por uma \u201cequipa de resposta r\u00e1pida\u201d a 13 de maio, o surto foi identificado como o v\u00edrus Bundibugyo a 15 de maio.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Um agente de sa\u00fade fronteiri\u00e7o na passagem de Busunga, entre o Uganda e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, verifica a temperatura de um viajante atrav\u00e9s de um term\u00f3metro de infravermelhos em Bundibugyo, no dia 18 de maio (Badru Katumba\/AFP\/Getty Images via CNN Newsource)\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779407729_69_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Um agente de sa\u00fade fronteiri\u00e7o na passagem de Busunga, entre o Uganda e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, verifica a temperatura de um viajante atrav\u00e9s de um term\u00f3metro de infravermelhos em Bundibugyo, no dia 18 de maio (Badru Katumba\/AFP\/Getty Images via CNN Newsource) <\/p>\n<p>O v\u00edrus chegou tamb\u00e9m ao vizinho Uganda, onde as autoridades de sa\u00fade confirmaram dois casos laboratoriais, incluindo uma morte, na capital Kampala. Ambos os casos envolveram indiv\u00edduos que viajaram separadamente da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, sem qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, afirmou a OMS.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o em p\u00e2nico\u201d, admite Valet Chebujongo, um mobilizador comunit\u00e1rio de Bunia. No entanto, garante \u00e0 CNN que o terror prov\u00e9m menos do v\u00edrus em si, mas de uma onda de desinforma\u00e7\u00e3o e supersti\u00e7\u00e3o, que alimentam a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e prejudicam os esfor\u00e7os locais de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm Mongwalu, as pessoas est\u00e3o a dizer que circula um caix\u00e3o [fantasma] que causa morte instant\u00e2nea s\u00f3 de olhar para ele\u201d, diz, explicando que rumores como este est\u00e3o a fazer com que alguns rejeitem ajuda m\u00e9dica em favor de ora\u00e7\u00f5es, magia e pr\u00e1ticas tradicionais.<\/p>\n<p>Para agravar a crise, Chebujongo observa que um costume funer\u00e1rio local, que envolve os enlutados a tocar no falecido, pode ter contribu\u00eddo para o aumento das infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Baraka Nakashenyi, residente em Mongwalu, uma das zonas mais afetadas, confirma que esta pr\u00e1tica continua a ser comum, apesar dos riscos.<\/p>\n<p>\u201cTocar [no cad\u00e1ver] pela \u00faltima vez\u201d \u00e9 considerado \u201ca despedida final\u201d para os familiares enlutados, explica Nakashenyi.<\/p>\n<p>Muitos outros t\u00eam agora \u201cmedo de consumir carne de ca\u00e7a fumada, independentemente da sua origem\u201d, diz Junior Kambale Bawili, outro residente de Bunia. Bawili contou \u00e0 CNN que \u00e9 comum encontrar restaurantes especializados que servem carne de ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Cronologia sombria <\/p>\n<p>A r\u00e1pida propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus causou alarme internacional.<\/p>\n<p>Jeremy Konyndyk, que anteriormente liderou os esfor\u00e7os de resposta \u00e0 covid-19 e a desastres na Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), sugeriu que \u201cm\u00faltiplas gera\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o\u201d devem \u201cj\u00e1 ter passado despercebidas\u201d antes de o surto ser oficialmente confirmado, descrevendo-o como \u201cum grande, grande problema\u201d.<\/p>\n<p>A OMS alertou que a r\u00e1pida propaga\u00e7\u00e3o da estirpe Bundibugyo do \u00e9bola \u201cmotiva s\u00e9ria preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, dado que o n\u00famero de mortes subiu para pelo menos 139 esta quarta-feira, com quase 600 casos suspeitos. No entanto, a organiza\u00e7\u00e3o desvalorizou os receios de dissemina\u00e7\u00e3o global, afirmando que o risco de transmiss\u00e3o \u00e9 maior a n\u00edvel nacional e regional.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 amea\u00e7a de transmiss\u00e3o, os Estados Unidos impuseram restri\u00e7\u00f5es de viagem de emerg\u00eancia a viajantes n\u00e3o americanos provenientes de pa\u00edses afectados e do Sud\u00e3o do Sul. Al\u00e9m disso, um americano infectado que testou positivo para o v\u00edrus na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo foi levado para a Alemanha para receber tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Com base em d\u00e9cadas de aperfei\u00e7oamento das suas estrat\u00e9gias de conten\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo afirmou que o pa\u00eds tem &#8220;experi\u00eancia comprovada&#8221; na gest\u00e3o do \u00e9bola.<\/p>\n<p>&#8220;Declarado dezasseis vezes, vencido dezasseis vezes. A d\u00e9cima s\u00e9tima n\u00e3o ser\u00e1 diferente&#8221;, publicou o minist\u00e9rio no Facebook, demonstrando a sua resili\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, o antigo ministro da Sa\u00fade, Longondo, apresentou um calend\u00e1rio sombrio para a conten\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, citando a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia na gest\u00e3o de um surto anterior que durou semanas.<\/p>\n<p>&#8220;O surto durar\u00e1 alguns meses&#8221;, completa \u00e0 CNN.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo est\u00e1 com dificuldades em conter o avan\u00e7o dos casos Nas zonas rurais da Rep\u00fablica&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":390460,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[2713,609,836,611,27,28,64232,607,608,333,832,604,135,610,6750,476,15,16,301,830,14,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,2778,835,602,52,32,23,24,16776,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-390459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-africa","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-bundibugyo","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-ebola","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-guerra","tag-headlines","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-oms","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-republica-democratica-do-congo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=390459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/390460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=390459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=390459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=390459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}