{"id":39051,"date":"2025-08-21T17:35:06","date_gmt":"2025-08-21T17:35:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39051\/"},"modified":"2025-08-21T17:35:06","modified_gmt":"2025-08-21T17:35:06","slug":"inteligencia-artificial-atalhos-produtividade-e-a-perda-do-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39051\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia artificial: Atalhos, produtividade e a perda do humano"},"content":{"rendered":"<p>Entre promessas de efici\u00eancia e progresso, \u00e9 preciso refletir sobre o que se est\u00e1 perdendo com o uso indiscriminado da intelig\u00eancia artificial: tempo, reflex\u00e3o, criticidade e at\u00e9 mesmo o conhecimento.<\/p>\n<p><strong>1. A promessa sedutora da produtividade<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 abrir o Instagram ou qualquer outra rede social e a gente se depara com uma profus\u00e3o de refer\u00eancias, de propagandas e de um mar de gente vendendo, falando, anunciando, abordando ou tratando sobre algo relativo \u00e0 intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>A n\u00f3s, os destinat\u00e1rios e potenciais consumidores (quando n\u00e3o tamb\u00e9m &#8220;gurus&#8221; da IA), \u00e9 vendida a urg\u00eancia de aprender a interagir com a tecnologia, pois, segundo \u00e9 prometido, seu uso nos abrir\u00e1 um mundo novo de possibilidades, de riqueza e de sucesso em escala nunca antes imaginada: lado outro, restam o fracasso e o esquecimento para quem n\u00e3o aderir \u00e0 l\u00f3gica dessa nova esfera social feita de &#8220;prompts&#8221; bem escolhidos.<\/p>\n<p>Essa propaganda toda tenta criar uma esp\u00e9cie de cren\u00e7a compartilhada que, de um lado, de forma irrefletida ou n\u00e3o, estabelece uma forma de senso comum da primazia da tecnologia e do outro refor\u00e7a uma, n\u00e3o refletida, impress\u00e3o de que o ser humano tornou-se in\u00e1bil a fazer sozinho aquilo que ele fazia h\u00e1 bem pouco tempo atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Avizinha-se algo parecido com a constru\u00e7\u00e3o de um h\u00e1bitus prec\u00e1rio digital, bem ao estilo da an\u00e1lise feita por Jess\u00e9 Souza, ao tomar de empr\u00e9stimo a teoria de Bourdieu para explicar a desigualdade no Brasil e em pa\u00edses perif\u00e9ricos. Em um futuro pr\u00f3ximo, o homem poder\u00e1 ser julgado e avaliado, ainda que de modo inconsciente e n\u00e3o reflexivo, em raz\u00e3o da sua capacidade de interagir em maior ou menor grau com a intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Afora os empregos potencialmente em risco pelo simples uso da IA, muitos mais ficar\u00e3o ou poder\u00e3o ficar de fora do mercado produtivo dada uma esp\u00e9cie de &#8220;analfabetismo&#8221; virtual, que se tornar\u00e1, ou j\u00e1 \u00e9, fator de clivagem social. Isso, por se s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um bom motivo para uma reflex\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>2. A l\u00f3gica produtivista que tudo consome<\/strong><\/p>\n<p>O segundo ponto importante que se observa \u00e9 que quando se fala em intelig\u00eancia artificial, o foco \u00e9 sempre na maximiza\u00e7\u00e3o da produtividade. As propagandas, na sua maioria ou totalidade, dizem: &#8220;Utilize a intelig\u00eancia artificial para ser mais produtivo e mais efetivo&#8221;. Ou seja, n\u00e3o vemos ningu\u00e9m falando do uso da IA &#8211; dessa nova e, se corretamente utilizada, bem-vinda tecnologia &#8211; para tornar a nossa vida mais apraz\u00edvel: em suma, melhor.<\/p>\n<p>Falta nas mensagens qualquer refer\u00eancia que sugira o emprego da tecnologia para facilitar nossas tarefas e, assim, sobrar mais tempo para fazer outras coisas n\u00e3o necessariamente produtivas.<\/p>\n<p>Tudo isso nos faz pensar que a IA, pelo menos como anunciada e vendida, vem carregada do ideal do capitalismo neoliberal, n\u00e3o como uma ferramenta de liberta\u00e7\u00e3o do homem, mas como uma nova engrenagem da espiral de imposi\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o desejado de comportamento humano.<\/p>\n<p>Fica parecendo, ou escancarado mesmo, que a tecnologia est\u00e1 aqui para nos tornar simplesmente mais produtivos, ser homens de sucesso: n\u00e3o para melhorar a nossa condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Ao refletirmos criticamente sobre isso, a leitura de Aiton Krenak vem a nosso aux\u00edlio, pois, como ele aponta em livro de mesmo nome: a vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil. Ele critica o que denomina pensamento vazio de matriz moderna ocidental que n\u00e3o nos permite conceber a &#8220;ideia de viver \u00e0 toa no mundo&#8221;, reputando o trabalho a raz\u00e3o de nossa exist\u00eancia. Para Krenak isso \u00e9 um erro, pois &#8220;viver a experi\u00eancia de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da exist\u00eancia.&#8221; Em outras palavras: nosso valor n\u00e3o \u00e9 (ou n\u00e3o deveria ser) medido meramente por nossa utilidade.<\/p>\n<p>Com Krenak em mente, fazemos a seguinte pergunta: &#8220;Se a intelig\u00eancia artificial pode facilitar certas atividades, por que incluir outras no seu lugar (porque se preocupar em produzir mais, ao inv\u00e9s de &#8220;curtir o lado bom da vida&#8221;)?<\/p>\n<p>Ao longo do tempo temos notado que o progresso t\u00e9cnico-tecnol\u00f3gico humano pouco ou nada fez para que o homem trabalhasse menos. As simplifica\u00e7\u00f5es da vida que vieram a reboque das cria\u00e7\u00f5es modernas n\u00e3o fizeram com que n\u00f3s tiv\u00e9ssemos semanas menores, mais curtas, de menos dias \u00fateis trabalhados.<\/p>\n<p>Vale destacar que os avan\u00e7os nesta seara vieram \u00e0s custas de lutas sociais e conquistas obtidas a duras penas, e n\u00e3o como uma consequ\u00eancia natural do progresso tecnol\u00f3gico. E a luta continua, basta ver a, atual, discuss\u00e3o a respeito da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho prevista na CF\/88.<\/p>\n<p><strong>3. O conhecimento substitu\u00eddo pelo uso da ferramenta<\/strong><\/p>\n<p>O terceiro ponto que pretendemos destacar \u00e9 que s\u00e3o in\u00fameras as novas ferramentas de intelig\u00eancia artificial, das mais diversas: muito al\u00e9m do simples ChatGPT, a mais conhecida delas. Acontece que aprender a us\u00e1-las nos imp\u00f5e tempo. Afinal, n\u00e3o basta saber usar alguma IA. Temos que obter a otimiza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do uso: sen\u00e3o, o recado \u00e9 direto e claro: eu, voc\u00ea ou quem quer que seja ir\u00e1 perder para os demais.<\/p>\n<p>Mas, o que se deve questionar aqui \u00e9 quanto desse conhecimento relacionado unicamente ao uso da intelig\u00eancia artificial acaba substituindo o conhecimento antes adquirido a respeito das \u00e1reas, propriamente, ditas em que a intelig\u00eancia artificial \u00e9 utilizada, para auxiliar ou substituir o humano.<\/p>\n<p>Hoje em dia, deixamos de empenhar tempo para conhecer aquilo que n\u00f3s realmente fazemos (ou dever\u00edamos estar fazendo), para aprender como utilizar a ferramenta da intelig\u00eancia artificial. Isso vale para advogados, m\u00e9dicos, engenheiros, administradores e tantas outras atividades. Ent\u00e3o, o nosso conhecimento, que antes era voltado \u00e0s quest\u00f5es humanas, a seus problemas e tentativas de solu\u00e7\u00e3o, passa a ser um conhecimento meramente instrumental, voltado ao uso da m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Certamente, isso gera uma perda inexor\u00e1vel da nossa capacidade de raciocinar: e, fatalmente, reduz a possibilidade de desenvolver senso cr\u00edtico. O risco \u00e9 a volta a um modelo de Fordismo recauchutado, s\u00f3 que, ao inv\u00e9s de estarmos a apertar parafusos, agora estamos aprendendo a fazer &#8220;prompts&#8221;, sem qualquer reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>A arriscada esperan\u00e7a dos mais \u00e1vidos por tecnologia \u00e9 que, ao fim de tudo isso, o conhecimento deixe de ser produzido pelo homem, para ser constru\u00eddo pela m\u00e1quina. Dif\u00edcil pensar em futuro mais dist\u00f3pico do que esse. Talvez eles n\u00e3o tenham lido, na inf\u00e2ncia, o livro de Ruth Rocha, A m\u00e1quina maluca, para saber que contar demais com as incr\u00edveis inven\u00e7\u00f5es humanas pode se tornar um tiro pela culatra.<\/p>\n<p>Nessa obra ficcional, a f\u00e9 das pessoas em uma m\u00e1quina que tudo fazia, alimentada pelo al\u00edvio inicial dos afazeres di\u00e1rios, torna-se depois fonte de maior agonia, quando elas se veem postas a realizar os desejos do invento. Portanto, vale o alerta: sempre que voc\u00ea consumir mais neur\u00f4nios para fazer os prompts do que para pensar a solu\u00e7\u00e3o do problema que te fez usar a IA, \u00e9 ela quem est\u00e1, verdadeiramente, te usando.<\/p>\n<p><strong>4. A cr\u00edtica silenciada pela resposta pronta<\/strong><\/p>\n<p>O conhecimento se adquire ao longo de um percurso muitas vezes extenuante e dif\u00edcil, que constr\u00f3i o aprendizado. Ele n\u00e3o est\u00e1 pronto e acabado nos esperando no final do caminho, mas \u00e9 constitu\u00eddo passo a passo. Esses atalhos que a intelig\u00eancia artificial promete, ainda que possam ser muito tentadores e pragmaticamente interessantes, devem ser analisados sempre do ponto de vista cr\u00edtico, sem deixar de lado o que est\u00e1 se perdendo na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter, moral e \u00e9tica de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Basta pensar, para citar apenas uma das necessidades do conv\u00edvio humano em sociedade, que o produto da IA n\u00e3o \u00e9 fruto de uma atividade discursiva. N\u00e3o h\u00e1, realmente, di\u00e1logo na comunica\u00e7\u00e3o entre pessoa e m\u00e1quina. N\u00e3o h\u00e1 um confronto real de ideias. Ocorre que uma sociedade realmente democr\u00e1tica pressup\u00f5e espa\u00e7o de di\u00e1logo, conforme nos ensina Habermas, aonde todos possam potencialmente expor sua compreens\u00e3o de mundo e refletir sobre a dos outros. Todavia, n\u00e3o h\u00e1 consenso ou dissenso quando todos se calam e somente a m\u00e1quina fala por n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ter tempo para pensar sobre aquilo que se est\u00e1 aprendendo, para poder formar nossa opini\u00e3o. Isso fica prejudicado quando o conte\u00fado j\u00e1 vem pronto: enfraquecendo a real forma\u00e7\u00e3o de um ju\u00edzo cr\u00edtico, essencial para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>A resposta da m\u00e1quina n\u00e3o vai resolver todas as nossas ang\u00fastias, at\u00e9 porque o chat gpt, ou qualquer intelig\u00eancia artificial que exista, carece de alteridade. Ela n\u00e3o sente e n\u00e3o tem, de forma alguma, como se colocar em nosso lugar e ter empatia: se ela segura nossa m\u00e3o, como visto em reportagem recente, n\u00e3o h\u00e1 troca de calor e energia, mas um toque frio como o a\u00e7o do ciborgue que se avizinha.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o: Entre o instrumental e o humano<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se pretende aqui lan\u00e7ar uma cruzada contra a IA, o que seria de uma leviandade e inefic\u00e1cia absurdas. O progresso n\u00e3o \u00e9 em si um vil\u00e3o, mas, sim, a ideologia que ele traz consigo e que ao mesmo tempo o alimenta. A avidez pelo progresso \u00e9 nefasta quando nos dessensibiliza e nos torna cegos aos preju\u00edzos sociais causados pela cren\u00e7a de sua inexorabilidade.<\/p>\n<p>Muita coisa boa a tecnologia e os avan\u00e7os trouxeram, tais como vacinas, computadores, carros e avi\u00f5es, mas em proporcional medida foram tamb\u00e9m fonte de sofrimento, como nos ensina Walter Benjamin, nas teses sobre o conceito da hist\u00f3ria. O filme Oppenheimer, ganhador do Oscar de 2024, retrata bem o dilema humano que ocorre ao definirmos qual ser\u00e1 o emprego de nossos inventos, descobertas e avan\u00e7os cient\u00edficos. A obra cinematogr\u00e1fica nos mostra que a divis\u00e3o do \u00e1tomo, que permitiu ao longo do tempo criar novas fontes de energia, em contrapartida, serviu para desenvolver a mais letal das armas.<\/p>\n<p>A civiliza\u00e7\u00e3o capitalista nos imp\u00f4s uma racionalidade t\u00e9cnica que acarreta automatiza\u00e7\u00e3o, conformismo e aliena\u00e7\u00e3o, conforme nos alerta Ant\u00f4nio C. Wolkmer. Essa racionalidade muitas vezes, nega o que nos faz essencialmente humanos. Assim, \u00e9 fundamental questionar, criticamente, as mensagens expressas ou insidiosas que recebemos diuturnamente a respeito da IA, e, ao assim fazer, resignificar os potenciais benef\u00edcios e a finalidade de tanta inova\u00e7\u00e3o, sopesando tamb\u00e9m seus malef\u00edcios.<\/p>\n<p>Precisamos, como enfatiza Wolkmer, substituir o racionalismo puramente t\u00e9cnico, por um racionalismo cr\u00edtico, aberto, franco e voltado para a an\u00e1lise das reais condi\u00e7\u00f5es do conv\u00edvio humano. Se for, simplesmente, para tornar o homem mais produtivo e, paradoxalmente, menos necess\u00e1rio, tem alguma coisa errada a\u00ed. Vale aqui o velho conselho empregado para tudo que em excesso faz mal: consumir com modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E, para n\u00e3o parecer que falamos apenas para os outros, confessamos que ao escrever este artigo sem recorrer ao chatgpt, foi necess\u00e1ria muito perseveran\u00e7a para conter a forte e presente tenta\u00e7\u00e3o que acomete, hoje em dia, cada um de n\u00f3s, uns mais outros menos. Certamente, o texto ficaria pronto mais r\u00e1pido, e, com muita chance, melhor escrito. Mas a reflex\u00e3o ao escrever e escolher cada palavra, fazer e refazer uma frase ou um par\u00e1grafo, teria se perdido.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que recusamos toda e qualquer ajuda, o que representaria negar cegamente o lado bom da tecnologia. Tanto \u00e9 assim que, de tudo aqui escrito, apesar da quase totalidade ter sido produto de processo criativo humano &#8211; com seus erros e acertos- o t\u00edtulo e subt\u00edtulo do artigo e de cada t\u00f3pico foi, gentilmente, sugerido pela IA: nossa amiga para as horas de necessidade, n\u00e3o para todas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre promessas de efici\u00eancia e progresso, \u00e9 preciso refletir sobre o que se est\u00e1 perdendo com o uso&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39052,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,12000,955,12001,12002,3623,933,32,2334,33,12003,4784,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-39051","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-conhecimento","12":"tag-critica","13":"tag-desigualdade","14":"tag-empatia","15":"tag-humano","16":"tag-inteligencia-artificial","17":"tag-portugal","18":"tag-produtividade","19":"tag-pt","20":"tag-racionalidade","21":"tag-reflexao","22":"tag-science","23":"tag-science-and-technology","24":"tag-scienceandtechnology","25":"tag-technology","26":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39051\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}