{"id":39130,"date":"2025-08-21T18:35:04","date_gmt":"2025-08-21T18:35:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39130\/"},"modified":"2025-08-21T18:35:04","modified_gmt":"2025-08-21T18:35:04","slug":"colonia-de-abutre-preto-no-douro-internacional-devastada-pelo-fogo-conservacao-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39130\/","title":{"rendered":"Col\u00f3nia de abutre-preto no Douro Internacional devastada pelo fogo | Conserva\u00e7\u00e3o da natureza"},"content":{"rendered":"<p>Parecia uma premoni\u00e7\u00e3o. Quando, no final de Novembro, o projecto LIFE Aegypius Return apresentou os bons resultados obtidos nas diferentes col\u00f3nias de abutres-pretos (Aegypius monachus) em Portugal, a sua coordenadora, Milene Matos, refreava o entusiasmo, dizendo: \u201cN\u00e3o esfregamos as m\u00e3os de contentes, porque basta um inc\u00eandio, uma grande tempestade, uma qualquer situa\u00e7\u00e3o numa das col\u00f3nias para se reverter estes dados.\u201d O pior aconteceu na mais pequena e fr\u00e1gil col\u00f3nia do pa\u00eds, a do Parque Natural do Douro Internacional, violentamente afectada por um inc\u00eandio que come\u00e7ou a 15 de Agosto. Perderam-se ninhos e o campo de alimenta\u00e7\u00e3o, e uma cria morreu. Agora, pede-se ajuda.<\/p>\n<p>Os dados do ano passado n\u00e3o podiam ser mais <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/11\/25\/azul\/noticia\/abutrepreto-numeros-continuam-crescer-portugal-pousio-membros-nova-colonia-2113283\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">animadores<\/a>. Depois de se ter descoberto uma <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/07\/07\/azul\/noticia\/ha-nova-colonia-abutrepreto-alentejo-avistados-varios-casais-cria-2096384\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nova col\u00f3nia<\/a>, a quinta, encontrada na Vidigueira, o n\u00famero de casais nidificantes a n\u00edvel nacional estimava-se entre 108 e 116 (dois anos antes, n\u00e3o iriam al\u00e9m dos 40), com 48 a 49 crias \u201crecrutadas para a popula\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, que sobreviveram at\u00e9 se tornarem independentes. Havia ainda um aumento de casais em todas as col\u00f3nias e o sucesso reprodutor tamb\u00e9m aumentara, ainda que de forma modesta.<\/p>\n<p>Uma evolu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 permitira retirar a esp\u00e9cie da categoria Criticamente em Perigo, passando a estar classificada como Em Perigo, na actualiza\u00e7\u00e3o do Livro Vermelho feita em 2023. No final do ano passado, Milene Matos olhava para tudo isto, ainda que com cautelas, dizendo: \u201cN\u00e3o sendo uma vit\u00f3ria absoluta, \u00e9 uma conquista muito grande. E [a esp\u00e9cie] est\u00e1 a ter uma resposta mais r\u00e1pida do que est\u00e1vamos a contar. A duplica\u00e7\u00e3o que apont\u00e1vamos para 2027, a data do fim do projecto, j\u00e1 aconteceu\u201d.<\/p>\n<p>Esta quinta-feira, ao telefone, o tom era bem diferente. Longos suspiros e palavras tristes marcavam o tom da respons\u00e1vel, ao dizer perante uma imagem do Parque Natural do Douro Internacional sem vegeta\u00e7\u00e3o \u00e0 vista e o solo totalmente cinzento: \u201cIsto \u00e9 um parque natural que \u00e9 um cemit\u00e9rio. Para n\u00f3s \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos perdido um membro da fam\u00edlia, estes animais tinham nome.\u201d<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O contentor de apoio ao projecto foi completamente destru\u00eddo pelas chamas&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>A mais pequena col\u00f3nia de abutres-pretos do pa\u00eds foi brutalmente afectada pelos inc\u00eandios. Dos oito casais reprodutores ali identificados (cinco do lado portugu\u00eas, tr\u00eas do lado espanhol), com cinco crias, n\u00e3o se sabe o paradeiro de quase nenhum. Os adultos n\u00e3o estavam marcados nem anilhados e o destino da \u00fanica cria marcada em Junho, que come\u00e7ara a voar h\u00e1 poucas semanas, foi o pior: foi encontrada morta esta manh\u00e3, por complica\u00e7\u00f5es que se prender\u00e3o com a inala\u00e7\u00e3o de fumos causados pelo inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dois dos oito ninhos arderam completamente e os outros dois de forma parcial. As quatro plataformas-ninho instaladas para potenciar a nidifica\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia da esp\u00e9cie na regi\u00e3o, tamb\u00e9m foram afectadas. O campo de alimenta\u00e7\u00e3o em frente a uma jaula de aclimata\u00e7\u00e3o, apesar de terem sido cumpridas todas as regras e estar completamente limpo, tamb\u00e9m ardeu, a jaula teve danos ligeiros, mas o contentor de apoio t\u00e9cnico, que funcionava como enfermaria e centro digital de videovigil\u00e2ncia das instala\u00e7\u00f5es, perdeu-se por completo.<\/p>\n<p>Animais salvos<\/p>\n<p>No meio de tanta devasta\u00e7\u00e3o, a \u00fanica not\u00edcia positiva foi o facto de a actua\u00e7\u00e3o r\u00e1pida dos envolvidos no projecto terem conseguido retirar, atempadamente, os seis abutres-pretos que se encontravam na jaula de aclimata\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o crias do ano passado, sem territ\u00f3rio definido, que recolhemos por todo o pa\u00eds e que entraram num centro de recupera\u00e7\u00e3o. Em vez de as devolvermos logo [\u00e0 liberdade], passaram uns meses a fidelizar-se ao Douro, para ver se se instalavam ali. A ideia era serem libertadas em Outubro, mas agora n\u00e3o podemos. O territ\u00f3rio que conhecem n\u00e3o existe. Mesmo os adultos e crias que possam ter sobrevivido, n\u00e3o t\u00eam neste momento habitat. Nem alimento, nem locais de alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma zona in\u00f3spita\u201d, explica Milene Matos.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O resgate atempado das crias na jaula de aclimta\u00e7\u00e3o permitiu que sobrevivessem ao inc\u00eandio&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>Por isso, h\u00e1 o receio real de que at\u00e9 os casais que j\u00e1 eram residentes no Douro Internacional, mesmo que tenham sobrevivido, possam n\u00e3o regressar. Sobre os que foram salvo da jaula de aclimata\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o h\u00e1 decis\u00f5es sobre o que ser\u00e1 feito. O que se sabe \u00e9 que, apesar da desola\u00e7\u00e3o e do receio que todo o trabalho bem-sucedido dos \u00faltimos anos se tenha perdido, baixar os bra\u00e7os n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        No dia seguinte ao resgate, a \u00e1rea em torno estava queimada e a jaula sofrera danos&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso agir rapidamente para repor habitat e as bases do projecto. E para isso \u00e9 preciso fundos \u2013 30 mil euros, nas contas do projecto, para o \u201cpenso-r\u00e1pido\u201d que permitir\u00e1, pelo menos, manter a esperan\u00e7a de que os abutres-pretos regressem ao Douro. \u201c\u00c9 o valor de que precisamos para as despesas m\u00ednimas para tentar repor alguma normalidade \u2013 repor habitat, pastagens para os rebanhos, comprar sementes, instalar plataformas-ninho artificiais, p\u00f4r a funcionar a nossa log\u00edstica de poio\u201d, explica Milene Matos. O projecto lan\u00e7ou por isso um <a href=\"https:\/\/www.gofundme.com\/f\/ajuda-o-abutrepreto-apos-incendios-no-douro-internacional?attribution_id=sl:d4a0bf2f-05cc-4d77-9138-1e950b70f740&amp;lang=pt_PT&amp;utm_campaign=man_ss_icons&amp;utm_medium=customer&amp;utm_source=copy_link\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">crowdfunding<\/a> para tentar conseguir esses fundos, j\u00e1 que o apoio inicial dado pelo programa LIFE ao projecto n\u00e3o \u00e9 repet\u00edvel.<\/p>\n<p>Mais riscos<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos dias ser\u00e3o ainda de ang\u00fastia, na expectativa de tentar perceber o que aconteceu aos membros da col\u00f3nia do Douro. Sem marca\u00e7\u00e3o \u2013 marcar adultos \u00e9 muito dif\u00edcil, pelo que nenhum deles estava, sequer, anilhado ou tinha equipamento GPS -, n\u00e3o se sabe o que lhes aconteceu. Se morreram, se fugiram acompanhados pelas crias ou se estas ficaram para tr\u00e1s. Se assim foi, dada a sua tenra idade e inexperi\u00eancia, as hip\u00f3teses de terem sobrevivido n\u00e3o s\u00e3o animadoras. Uma delas ainda nem tinha come\u00e7ado a voar, segundo os \u00faltimos dados recolhidos pela equipa, embora se previsse que o pudesse fazer em breve. S\u00f3 se sabe que n\u00e3o estava no ninho, depois da passagem do fogo.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A cria que foi marcada em Junho foi encontrada morta, em resultado da inala\u00e7\u00e3o de fumo causada pelo inc\u00eandio&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>Por enquanto, h\u00e1 que aguardar e trabalhar. E esperar que a devasta\u00e7\u00e3o n\u00e3o aumente. As col\u00f3nias da Herdade da Contenda e da Serra da Malcata tamb\u00e9m t\u00eam estado sob amea\u00e7a de inc\u00eandios pr\u00f3ximos, e do lado espanhol, pelo menos 60 ninhos da Serra de S\u00e3o Pedro, na prov\u00edncia de C\u00e1ceres, tamb\u00e9m arderam.<\/p>\n<p>Ainda assim, o projecto salienta \u201ca solidariedade\u201d demonstrada por diferentes entidades e cidad\u00e3os, na tentativa de salvar o abutre-preto e que, no caso do Douro Internacional, gra\u00e7as a uma r\u00e1pida interven\u00e7\u00e3o conjunta da Palombar, Instituto Nacional da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, a Vulture Conservation Foundation, Faia Brava, Hospital Veterin\u00e1rio da UTAD e CIARA \u2013 Centro de Interpreta\u00e7\u00e3o Ambiental e Recupera\u00e7\u00e3o Animal, permitiu salvar atempadamente das chamas os seis abutres da jaula de aclimata\u00e7\u00e3o. Espera-se que esse apoio possa ser canalizado agora com os fundos necess\u00e1rios ao recome\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parecia uma premoni\u00e7\u00e3o. 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