{"id":39228,"date":"2025-08-21T20:01:13","date_gmt":"2025-08-21T20:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39228\/"},"modified":"2025-08-21T20:01:13","modified_gmt":"2025-08-21T20:01:13","slug":"donbass-como-os-sudetas-pode-a-reuniao-do-alasca-resultar-numa-cedencia-a-putin-semelhante-a-feita-a-hitler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39228\/","title":{"rendered":"Donbass como os Sudetas: pode a reuni\u00e3o do Alasca resultar numa ced\u00eancia a Putin semelhante \u00e0 feita a Hitler?"},"content":{"rendered":"<p>\t                Em 1938, os Aliados acreditaram que, cedendo os Sudetas \u00e0 Alemanha nazi, evitariam a guerra. Meses depois, Hitler ocupava toda a Checoslov\u00e1quia. Hoje, h\u00e1 quem tema que a ced\u00eancia de tr\u00eas cidades cruciais do Donbass \u00e0 R\u00fassia possa abrir caminho a uma nova fatalidade<\/p>\n<p>&#8220;As compara\u00e7\u00f5es t\u00eam sempre dificuldades, porque a hist\u00f3ria nunca se repete exatamente. Mas h\u00e1 semelhan\u00e7as importantes&#8221;, observa o historiador Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo, lembrando que em 1938 os Aliados tinham capacidade militar para resistir a Adolf Hitler e, ainda assim, preferiram a ced\u00eancia. &#8220;Hoje, essa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe da mesma forma. Zelensky j\u00e1 admitiu que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recuperar os territ\u00f3rios ocupados. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto o querer, mas o poder&#8221;.<\/p>\n<p>O major-general Agostinho Costa considera que as diferen\u00e7as entre o passado e o presente n\u00e3o podem ser ignoradas. Para o especialista militar, a Alemanha Nazi sonhava com um imp\u00e9rio mundial alicer\u00e7ado na ideia de Lebensraum, o espa\u00e7o vital que justificava a expans\u00e3o ilimitada. J\u00e1 a R\u00fassia, insiste, n\u00e3o procura o mesmo tipo de domina\u00e7\u00e3o global: o que est\u00e1 em causa \u00e9 sobretudo uma l\u00f3gica geoestrat\u00e9gica, inscrita desde os anos 90 na doutrina de Primakov, que coloca como prioridade o controlo do &#8220;estrangeiro pr\u00f3ximo&#8221;, a antiga esfera imperial sovi\u00e9tica. &#8220;N\u00e3o se trata de conquistar o mundo, mas de assegurar que ningu\u00e9m belisca o que Moscovo considera o seu quintal estrat\u00e9gico&#8221;, resume.<\/p>\n<p>Resistir at\u00e9 cair? <\/p>\n<p>O dilema, no entanto, n\u00e3o desaparece: vale a pena resistir a todo o custo? Para Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo, a resposta \u00e9 clara. Resistir s\u00f3 ter\u00e1 sentido se a ajuda externa aumentar de forma decisiva; caso contr\u00e1rio, insistir pode ser um tiro no p\u00e9, porque &#8220;vai jogar a favor da R\u00fassia e v\u00e3o conseguir aquilo que querem no fim de contas: o colapso do regime ucraniano e engolir toda a Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o tempo passa, explica, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as vai-se tornando cada vez &#8220;mais favor\u00e1vel \u00e0 R\u00fassia, que j\u00e1 estabilizou a sua economia de guerra e consegue suportar um conflito prolongado&#8221;. Kiev, pelo contr\u00e1rio, enfrenta dificuldades militares no terreno e desgaste interno, onde a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Zelensky come\u00e7a a revelar fragilidades.<\/p>\n<p>Moscovo sabe disso. O historiador acrescenta ainda que o Kremlin nunca mostrou verdadeira disponibilidade para um cessar-fogo: a sua estrat\u00e9gia continua a ser a de &#8220;ganhar tempo at\u00e9 poder tentar derrubar o regime ucraniano&#8221; ou conquistar a totalidade das regi\u00f5es que reclama como suas.<\/p>\n<p>Donbass: a linha Maginot da Ucr\u00e2nia <\/p>\n<p>Se para Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo a equa\u00e7\u00e3o \u00e9 sobretudo pol\u00edtica e estrat\u00e9gica, Agostinho Costa insiste no peso concreto do terreno. O Donbass, explica, n\u00e3o \u00e9 apenas um s\u00edmbolo: \u00e9 &#8220;a linha Maginot da Ucr\u00e2nia&#8221;. Desde 2014, toda a regi\u00e3o foi transformada num gigantesco sistema fortificado de trincheiras, cidades adaptadas \u00e0 defesa e barreiras naturais. Se esse territ\u00f3rio for perdido, o ex\u00e9rcito ucraniano ter\u00e1 de recuar para plan\u00edcies abertas, muito mais dif\u00edceis de proteger. &#8220;E os russos j\u00e1 chegaram \u00e0 \u00faltima linha de defesa. A partir da\u00ed \u00e9 espa\u00e7o aberto&#8221;, sublinha.<\/p>\n<p>Mas o problema n\u00e3o se esgota no plano militar. O Donbass \u00e9 tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico da Ucr\u00e2nia. &#8220;Grande parte do PIB ucraniano, os minerais, as terras raras, a ind\u00fastria, a sa\u00edda para o mar, tudo est\u00e1 ali\u201d.\u00a0A sua perda representaria n\u00e3o apenas uma derrota no campo de batalha, mas um colapso econ\u00f3mico potencialmente irrevers\u00edvel, considera o major-general.<\/p>\n<p>Uma Europa fraca perante o dilema <\/p>\n<p>Os dois especialistas convergem numa cr\u00edtica: a Europa est\u00e1 mal preparada e dividida.<\/p>\n<p>&#8220;A Europa desarmou-se a si pr\u00f3pria ao longo de 30 anos. Est\u00e1 de rastos, est\u00e1 numa debilidade total e foi a Europa que se tornou a si pr\u00f3pria fraca. Continua a pensar que os problemas do mundo se resolvem com tribunais e\u00a0com discuss\u00f5es sobre a perspectiva humanit\u00e1ria e a perspectiva moral. Mas n\u00e3o \u00e9 o direito que cria a for\u00e7a, \u00e9 a for\u00e7a que cria o direito. E a Europa n\u00e3o tem for\u00e7a&#8221;, afirma Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Telo.<\/p>\n<p>Agostinho Costa traduz essa fragilidade em n\u00fameros: &#8220;A Ucr\u00e2nia tem mais militares em Pokrovska, a combater os russos, do que todo o ex\u00e9rcito alem\u00e3o. A Fran\u00e7a tem apenas 113 mil. A Alemanha, 61 mil. E a R\u00fassia tem entre 650 e 700 mil s\u00f3 no teatro de opera\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas quantitativa. O especialista considera que a base industrial militar europeia \u00e9 &#8220;incapaz&#8221; de garantir um fluxo cont\u00ednuo de armamento e muni\u00e7\u00f5es. O general recorda que a Uni\u00e3o Europeia &#8220;nem sequer conseguiu cumprir&#8221; a promessa de entregar um milh\u00e3o de muni\u00e7\u00f5es a Kiev. J\u00e1 Moscovo &#8220;produz em tr\u00eas meses aquilo que todo o Ocidente fabrica num ano&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;D\u00e1 ideia de que os l\u00edderes europeus convenceram-se de que podem vencer a R\u00fassia, mas s\u00f3 mostra que est\u00e3o fora da realidade. Os norte-americanos j\u00e1 perceberam isso e t\u00eam o pensamento &#8220;se n\u00e3o os podes vencer, junta-te a eles&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A &#8220;\u00faltima oportunidade&#8221; <\/p>\n<p>Se a Ucr\u00e2nia ceder e aceitar perder as tr\u00eas cidades do leste do pa\u00eds, Moscovo ter\u00e1 atingido os seus objetivos estrat\u00e9gicos e &#8220;para por ali&#8221;, considera o major-general Agostinho Costa.\u00a0Caso contr\u00e1rio, se a R\u00fassia avan\u00e7ar e conquistar Kherson, Zaporizhzhia e cortar definitivamente o acesso ao mar Negro e ao Dan\u00fabio, a Ucr\u00e2nia transformar-se-\u00e1 num pa\u00eds &#8220;enclausurado&#8221;, sem sa\u00edda mar\u00edtima, &#8220;vulner\u00e1vel e estrategicamente irrelevante, como a Hungria ou a \u00c1ustria&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a \u00faltima oportunidade de manter a Ucr\u00e2nia como Estado vi\u00e1vel. Os russos est\u00e3o a preparar-se para passar o rio Dniepre em Kherson. Dentro da cidade de Kherson, h\u00e1 uma parte da cidade que \u00e9 cercada por um rio, s\u00f3 tem uma ponte e os russos, a semana passada, estavam a destru\u00ed-la para passarem para o lado de l\u00e1. Ou seja, para tomarem o Oblast de Kherson todo. O pr\u00f3prio chefe das For\u00e7as Armadas ucranianas referiu que os russos est\u00e3o a preparar-se para lan\u00e7ar uma grande ofensiva em Zaporizhia e h\u00e1 indicadores que haver\u00e1 cento e mil militares russos destacados. Por um bocadinho de terreno, o presidente Zelenskt arrisca-se a perder tudo. E, no momento da verdade, os europeus n\u00e3o se v\u00e3o chegar \u00e0 frente para o ajudar&#8221;, argumenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 1938, os Aliados acreditaram que, cedendo os Sudetas \u00e0 Alemanha nazi, evitariam a guerra. 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