{"id":39236,"date":"2025-08-21T20:16:16","date_gmt":"2025-08-21T20:16:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39236\/"},"modified":"2025-08-21T20:16:16","modified_gmt":"2025-08-21T20:16:16","slug":"vidas-roubadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39236\/","title":{"rendered":"Vidas roubadas &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/vidas-roubadas\/?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pdf.png\" alt=\"image_pdf\" title=\"Ver PDF\"\/><\/a><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/vidas-roubadas\/?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755807376_685_print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\"\/><\/a><\/p>\n<p>Por <strong>ALESSANDRO PINZANI<\/strong> &amp; <strong>WALQUIRIA LE\u00c3O REGO*<\/strong><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o dos autores ao livro rec\u00e9m-publicado<\/p>\n<p>\u201cEscrever sobre este t\u00f3pico adquire o potencial para envolver parcialmente o leitor na confus\u00e3o moral e no tormento intelectual do sofrimento como experi\u00eancia vivida\u201d (Iain Wilkinson).<\/p>\n<p>\u201cQuero que falem os que sempre foram marginalizados, os \u201csurdos-mudos\u201d, os que sobreviveram ao grande genoc\u00eddio, como falariam em uma verdadeira democracia. \u00c9 o mundo dos vencidos que me abre \u00e0 esperan\u00e7a, que me enche de uma raiva jovem, que me empurra \u00e0 luta contra a sociedade errada de hoje\u201d (Nuto Revelli).<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p>As raz\u00f5es para a escrita deste livro podem ser encontradas nas palavras de Iain Wilkinson e de Nuto Revelli, que aparecem como ep\u00edgrafe desta introdu\u00e7\u00e3o. Assim como procedemos em nosso livro Vozes do Bolsa Fam\u00edlia, quisemos dar voz aos sem-vozes, \u00e0s pessoas emudecidas ou n\u00e3o ouvidas pelos pol\u00edticos, pela opini\u00e3o p\u00fablica e at\u00e9 mesmo por uma parcela relevante de cientistas sociais.<\/p>\n<p>Como Nuto Revelli, ouvimos os marginalizados, \u201cos vencidos\u201d, que sempre ficaram \u00e0s margens da hist\u00f3ria brasileira, do progresso econ\u00f4mico, civil e jur\u00eddico, que, conquanto de forma prec\u00e1ria e com graves retrocessos, tentou se instalar no pa\u00eds desde a sua independ\u00eancia. O fato de uma parcela majorit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o brasileira ter ficado quase completamente exclu\u00edda das vantagens de tal progresso ou de t\u00ea-las recebido apenas parcial e descontinuamente d\u00e1 mostras do car\u00e1ter social do sofrimento que tentaremos descrever neste livro.<\/p>\n<p>Fomos movidos, como Nuto Revelli, pela raiva suscitada por uma sociedade que condena as pessoas que entrevistamos a uma vida de sofrimento socialmente evit\u00e1vel. Esperamos que um pouco desta raiva surja nas leitoras e nos leitores depois de terminarem a leitura deste livro, talvez junto com a confus\u00e3o moral e o tormento intelectual mencionados por Wilkinson, que foram os sentimentos que nos acompanharam constantemente durante a sua reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o compartilhamos da ideia, profundamente errada, a nosso ver, de que cientistas ou fil\u00f3sofos sociais devem manter neutralidade diante dos fatos por eles analisados. Esta suposta neutralidade \u00e9 um mito desmontado h\u00e1 d\u00e9cadas por diversos autores \u2013 inclusive de diferentes posicionamentos pol\u00edticos \u2013, como Berlin, Adorno e Mills. N\u00e3o h\u00e1 nada de axiologicamente neutro na escolha do que deve contar como fato social, isto \u00e9, na sele\u00e7\u00e3o dos fatos que s\u00e3o considerados problem\u00e1ticos ou merecedores de uma an\u00e1lise, e das categorias intelectuais a serem utilizadas em tal an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Quando decidimos contar fragmentos da hist\u00f3ria de vida das pessoas aqui entrevistadas, moveu-nos a convic\u00e7\u00e3o de que o seu sofrimento tem suas causas na estrutura da sociedade brasileira e, principalmente, na maneira em que renda e riqueza s\u00e3o distribu\u00eddas neste pa\u00eds, na aus\u00eancia e in\u00e9rcia hist\u00f3rica do Estado e de outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, na indiferen\u00e7a da parcela mais poderosa da popula\u00e7\u00e3o brasileira, isto \u00e9, das classes m\u00e9dias e altas, que determinam a agenda pol\u00edtica e das quais prov\u00e9m a quase totalidade dos pol\u00edticos e dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos que poderiam e deveriam tentar mudar a vida dos brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>Estas causas ficar\u00e3o expl\u00edcitas em algumas das entrevistas, mas em geral permanecem em segundo plano e quase sempre passam despercebidas pelas pessoas entrevistadas, e frequentemente at\u00e9 mesmo por aqueles que se ocupam de quest\u00f5es de pobreza, em particular pelos cientistas sociais e fil\u00f3sofos que pouco se interessam pelo contexto social, hist\u00f3rico e econ\u00f4mico no qual surge a pobreza e pensam poder descrev\u00ea-la (e at\u00e9 mesmo sugerir solu\u00e7\u00f5es para ela) a partir de um vazio contextual, que os torna cegos para as verdadeiras causas e responsabilidades do problema que dizem querer entender e resolver.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>Em nossa pesquisa anterior, constatamos como pol\u00edticas p\u00fablicas podem levar a uma redu\u00e7\u00e3o do sofrimento social, mais especificamente no contexto de um programa assistencial relativamente limitado como o Bolsa Fam\u00edlia. De fato, os resultados mostraram que aquilo que aos olhos de muitos pode parecer uma melhoria m\u00ednima na vida material de uma fam\u00edlia em situa\u00e7\u00e3o de pobreza impacta grandemente a vida das pessoas envolvidas.<\/p>\n<p>\u00c9 a diferen\u00e7a entre passar fome e ter comida garantida, entre viver na ang\u00fastia de n\u00e3o conseguir colocar comida no prato para a fam\u00edlia e saber que os filhos ter\u00e3o a possibilidade de uma nutri\u00e7\u00e3o adequada, entre uma vida dominada pela priva\u00e7\u00e3o dos bens mais elementares e pela incapacidade de satisfazer as necessidades mais b\u00e1sicas e uma vida minimamente aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>As diferentes formas de sofrimento social analisadas neste livro s\u00e3o tamb\u00e9m o resultado do desmonte das pol\u00edticas sociais verificado no Brasil sob os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que cancelaram programas que ajudavam milh\u00f5es de fam\u00edlias a n\u00e3o passar fome e at\u00e9 sede, como veremos acerca do programa de constru\u00e7\u00e3o de cisternas.<\/p>\n<p>Com essas considera\u00e7\u00f5es deixamos clara nossa posi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica \u2013 sim, pol\u00edtica, pois, como n\u00e3o existe neutralidade axiol\u00f3gica quando se analisam os fatos sociais, tampouco existe neutralidade pol\u00edtica (que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que neutralidade partid\u00e1ria, naturalmente).<\/p>\n<p>Este assunto tem se tornado cada vez mais importante, chegando a abranger as tem\u00e1ticas da descoloniza\u00e7\u00e3o epist\u00eamica e da necessidade de ouvir a voz dos subalternos e das v\u00edtimas do sofrimento social \u2013 tem\u00e1ticas que s\u00e3o relevantes tamb\u00e9m para a nossa pesquisa. O debate, contudo, \u00e9 mais antigo, como j\u00e1 observamos, e remonta, pelo menos, \u00e0 d\u00e9cada de 1960. Al\u00e9m dos autores mencionados anteriormente, cabe lembrar, neste contexto, tamb\u00e9m Howard Becker.<\/p>\n<p>Em um texto cl\u00e1ssico, o soci\u00f3logo estadunidense afirma que os cientistas sociais n\u00e3o podem permanecer neutros, mas t\u00eam que tomar partido. O que torna isso inevit\u00e1vel \u00e9 algo que se encontra \u201cfirmemente baseado na estrutura social\u201d e nas rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas internas a uma sociedade.<\/p>\n<p>Para Howard Becker, \u201ca perspectiva do grupo subordinado\u201d normalmente \u00e9 considerada menos confi\u00e1vel que a perspectiva dos grupos que ele denomina, em termos puramente descritivos, de \u201csuperordinados\u201d (superordinate) e que, usualmente, s\u00e3o representados \u201cpelos funcion\u00e1rios e pelas autoridades profissionais de alguma institui\u00e7\u00e3o importante\u201d, como, por exemplo, funcion\u00e1rios de um minist\u00e9rio ou pesquisadores (quer na universidade, quer em institui\u00e7\u00f5es como o IPEA).<\/p>\n<p>Como grupos superordinados podem ser definidos tamb\u00e9m as elites sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e a m\u00eddia, que, quase sempre, apresenta a realidade conforme a perspectiva de tais grupos. A m\u00eddia assume um papel importante na cria\u00e7\u00e3o daquilo que Howard Becker chama de \u201chierarquia de credibilidade\u201d, pela qual \u201cos membros do grupo social superior t\u00eam o direito de definir como \u00e9 que as coisas realmente est\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Cientistas sociais cr\u00edticos tendem, ao contr\u00e1rio, a questionar a hierarquia e a ordem social estabelecida. Os que os acusam de tomarem partido e, portanto, de serem enviesados, esquecem ou n\u00e3o se d\u00e3o conta de que eles mesmos est\u00e3o tomando partido, ao aceitar a verdade \u201coficial\u201d e a considerar os grupos superordinados como sendo mais confi\u00e1veis e competentes dos subordinados, aos quais, pelo contr\u00e1rio, os estudos cr\u00edticos tentam dar voz.<\/p>\n<p>Em outras palavras, n\u00e3o h\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o neutra entre as perspectivas dos grupos sociais e, como afirma Becker, isso significa que \u201cn\u00e3o existe uma posi\u00e7\u00e3o a partir da qual se possa realizar uma pesquisa sociol\u00f3gica que n\u00e3o seja enviesada num sentido ou no outro\u201d. Assim, somos for\u00e7ados sempre a observar uma quest\u00e3o a partir do ponto de vista de algu\u00e9m \u2013 em nosso caso, o ponto de vista das pessoas entrevistadas (e, na hora de comentar as entrevistas, o nosso pr\u00f3prio ponto de vista).<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, consideramos que nossa postura se insere na longa tradi\u00e7\u00e3o da Teoria Cr\u00edtica de cunho frankfurtiano. O que distingue o pesquisador social cr\u00edtico daquele \u201ctradicional\u201d, para usar a cl\u00e1ssica distin\u00e7\u00e3o de Max Horkheimer (1983), \u00e9 que o primeiro toma o partido dos subordinados e questiona a verdade \u201chier\u00e1rquica\u201d apresentada pelos superordinados. Em nosso caso, isso significa, primeira e primariamente, recusar a vis\u00e3o tradicional e at\u00e9 mesmo oficial, governativa dos \u201cpobres\u201d e de seu \u201cestilo de vida\u201d, deixando que as pr\u00f3prias pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza falem dessas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo ponto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio como pode parecer. Como afirma Jos\u00e9 Cezar de Castro Rocha: \u201cAs implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas de falar em nome dos que sofreram, em vez de fornecer-lhes condi\u00e7\u00f5es de contarem as suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, \u00e9 um dilema \u00e9tico que tem se tornado cada vez mais claro\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o social da pobreza enfrenta um dilema: \u00e9 obrigada a tomar como fonte de conhecimento os depoimentos de indiv\u00edduos cuja confiabilidade epist\u00eamica tende frequentemente a questionar ou mesmo a negar em nome do suposto privil\u00e9gio epist\u00eamico do cientista social.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo est\u00e1 ciente do fato inevit\u00e1vel de que as pessoas entrevistadas n\u00e3o d\u00e3o testemunhos a partir do ponto de vista objetivo de um observador imparcial, mas se referem \u00e0 sua experi\u00eancia subjetiva, isto \u00e9, \u00e0 maneira como elas experimentam sua situa\u00e7\u00e3o e a interpretam.<\/p>\n<p>Se se tratar de um cientista social \u201ctradicional\u201d, acabar\u00e1 ou n\u00e3o considerando confi\u00e1veis os testemunhos dessas pessoas (tornando, assim, in\u00fatil o fato de ouvi-las) ou incluindo-as em sua an\u00e1lise n\u00e3o como fontes de informa\u00e7\u00e3o, mas como objetos de pesquisa: ocupar-se-\u00e1 da maneira em que elas veem sua situa\u00e7\u00e3o sem se interrogar sobre o estatuto epist\u00eamico de tal vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Se perceber uma contradi\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia relatada pelos entrevistados e a explica\u00e7\u00e3o que d\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o, limitar-se-\u00e1 a constatar que os \u201csujeitos\u201d (melhor seria dizer: os objetos) de sua pesquisa se envolvem em contradi\u00e7\u00f5es, sem se perguntar sobre as raz\u00f5es disso. Buscar\u00e1, em suma, reproduzir as vozes das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza de forma \u201cneutra\u201d, isto \u00e9, sem interesse algum em entender verdadeiramente o ponto de vista de quem fala.<\/p>\n<p>Poderia dizer de si, como o escritor Christopher Isherwood (1985), \u201ceu sou uma c\u00e2mera\u201d ou, neste caso, melhor seria dizer: \u201ceu sou um gravador\u201d, preocupado unicamente em registrar dados destinados a permanecer mudos e mortos, incapazes de ajudar a entender a realidade social que deveriam, supostamente, descrever e, possivelmente, criticar. Trata-se de uma posi\u00e7\u00e3o intelectualmente ing\u00eanua e politicamente pusil\u00e2nime.<\/p>\n<p>Cientistas ou fil\u00f3sofo sociais cr\u00edticos assumem outra perspectiva. Ao constatarem as mencionadas contradi\u00e7\u00f5es, percebem que os sujeitos, cuja voz est\u00e3o ouvindo, est\u00e3o adotando um ponto de vista que reflete a vis\u00e3o socialmente dominante sobre a pobreza e, em \u00faltima an\u00e1lise, o ponto de vista dos superordinados.<\/p>\n<p>Durante nossas pesquisas de campo, para este livro e para o Vozes do Bolsa Fam\u00edlia, ficamos intrigados e, frequentemente, perplexos com a discrep\u00e2ncia entre, por um lado, a maneira na qual as pessoas entrevistadas falavam sobre suas dificuldades, dando voz ao seu sofrimento, e, por outro lado, o modo como tendiam a explicar sua situa\u00e7\u00e3o, muitas vezes culpando-se por ela.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos diante daquilo que chamaremos de um sofrimento de segunda ordem (ver Cap\u00edtulo 1), isto \u00e9, diante da incapacidade de entender a natureza social e estrutural de sua pobreza e, com isso, de buscar solu\u00e7\u00f5es para a sua situa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, de buscar rem\u00e9dios para o seu sofrimento de primeira ordem.<\/p>\n<p>Nossa pesquisa abrange um amplo leque de tem\u00e1ticas. Em nossas entrevistas acabamos atingindo profundas e variadas camadas de sofrimento, trazendo \u00e0 tona m\u00faltiplos aspectos e epifen\u00f4menos de vida \u201csofrida\u201d. O resultado de tal trabalho n\u00e3o pode n\u00e3o espelhar essa complexidade e variedade de assuntos.<\/p>\n<p>Portanto, o presente livro assume diferentes tonalidades e perspectivas. \u00c9 como uma pintura na qual certos objetos ou certas formas se sobressaem enquanto outros permanecem no fundo ou na penumbra. H\u00e1 tem\u00e1ticas que perpassam todas as entrevistas e, portanto, todo o livro, voltando regularmente em momentos diferentes.<\/p>\n<p>Alguns temas recebem um tratamento mais extenso e aprofundado do que outros, que, em si, mereceriam, pelo menos, igual considera\u00e7\u00e3o, mas que decidimos deixar em segundo plano ou tratar de forma mais r\u00e1pida. Todas essas repeti\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es, o ir e vir de algumas ideias, a reitera\u00e7\u00e3o de certas considera\u00e7\u00f5es, s\u00e3o o fruto de escolhas intencionais, n\u00e3o de uma incapacidade de organizar o texto. Pedimos a compreens\u00e3o das leitoras e dos leitores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essas palavras, deveria ficar claro tamb\u00e9m que n\u00e3o tivemos a pretens\u00e3o de realizar uma pesquisa no estilo da chamada \u201chist\u00f3ria de vida\u201d. Oferecemos, em lugar disso, fragmentos biogr\u00e1ficos que s\u00e3o relevantes aos olhos das pr\u00f3prias pessoas entrevistadas e que elas consideraram importante relatar. S\u00e3o, ent\u00e3o, \u201cest\u00f3rias de vida\u201d, inevitavelmente parciais, inevitavelmente lacunosas, inevitavelmente tendenciosas.<\/p>\n<p>Nossos coment\u00e1rios obviamente n\u00e3o pretendem julgar sua plausibilidade ou verdade, mas t\u00e3o somente apontar para o que estes relatos revelam da vida das pessoas, inclusive no que permanece n\u00e3o dito e que, \u00e0s vezes, n\u00e3o pode n\u00e3o permanecer n\u00e3o dito, pois, se as pessoas entrevistadas o dissessem, sua pr\u00f3pria identidade pessoal, constru\u00edda e mantida ao longo da vida com esfor\u00e7os doloridos, poderia desmoronar.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong><\/p>\n<p>Nos primeiros cap\u00edtulos do livro, nos quais apresentamos as bases te\u00f3ricas da pesquisa, voltaremos a discutir essa quest\u00e3o, bem como a quest\u00e3o da descoloniza\u00e7\u00e3o epist\u00eamica, mobilizando v\u00e1rias categorias te\u00f3ricas, al\u00e9m da mencionada ideia de sofrimento de segunda ordem: reifica\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o epist\u00eamica, aliena\u00e7\u00e3o estrutural.<\/p>\n<p>Primariamente, por\u00e9m, teremos de tratar de algumas especificidades da investiga\u00e7\u00e3o acerca do sofrimento social (Cap\u00edtulo 1), em particular no que diz respeito aos limites de uma pesquisa emp\u00edrica como a nossa, centrada na necessidade de dar voz aos envolvidos, mas consciente dos riscos apresentados por tal escolha.<\/p>\n<p>Em seguida, exporemos o que deve ser entendido aqui por sofrimento social, pois este \u00e9 um conceito amb\u00edguo, utilizado com diferentes significados em diferentes \u00e1reas do conhecimento. Estabeleceremos rela\u00e7\u00f5es entre este conceito e outros como o de aliena\u00e7\u00e3o e de reifica\u00e7\u00e3o e esbo\u00e7aremos, num excurso hist\u00f3rico, uma hist\u00f3ria do conceito de sofrimento social e de seus usos pol\u00edticos (Cap\u00edtulo 2).<\/p>\n<p>No terceiro cap\u00edtulo, faremos men\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o eminentemente pol\u00edtica da pobreza e apresentaremos algumas solu\u00e7\u00f5es que foram adotadas em outros pa\u00edses, na forma de um excurso hist\u00f3rico sobre a cria\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar social na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>O quarto cap\u00edtulo apresenta um breve apanhado hist\u00f3rico sobre a luta por justi\u00e7a social no sert\u00e3o nordestino e sobre a mem\u00f3ria hist\u00f3rica de tais lutas, quer em n\u00edvel coletivo, quer em n\u00edvel individual. Essa primeira parte constitui uma esp\u00e9cie de di\u00e1logo com v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es interpretativas e com v\u00e1rias abordagens te\u00f3ricas para os temas tratados. N\u00e3o pretende reconstruir o estado da arte de tais debates, mas simplesmente registrar a sua exist\u00eancia e fornecer \u00e0s leitoras e aos leitores algumas pistas, inclusive bibliogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Como no caso de Vozes do Bolsa Fam\u00edlia, essa parte te\u00f3rica (com seus excursos hist\u00f3ricos) \u00e9 importante para entender nossos coment\u00e1rios \u00e0s entrevistas, mas pode ser lida em um momento posterior pelas leitoras e pelos leitores impacientes que prefiram ouvir antes a voz das pessoas entrevistadas e que, para tanto, podem ir diretamente para a segunda parte.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima, que compreende os cap\u00edtulos de 5 a 10, apresenta seis est\u00f3rias de vida. N\u00f3s as consideramos vidas exemplares no sentido de que, de certo modo, s\u00e3o t\u00edpicas dos membros de grupos sociais relevantes da sociedade brasileira: pobres, mulheres, negros, moradores da zona rural que vivem de agricultura de subsist\u00eancia sob condi\u00e7\u00f5es dur\u00edssimas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, n\u00e3o temos a pretens\u00e3o de consider\u00e1-las paradigm\u00e1ticas, se com isso se entende que todos os membros dos mencionados grupos sociais vivem inevitavelmente esse tipo de vida. Tampouco temos a pretens\u00e3o de apresentar todas as poss\u00edveis formas de sofrimento social que podem afetar as vidas das pessoas que pertencem a tais grupos.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendemos oferecer uma fenomenologia do sofrimento social no Brasil, nem sequer no caso mais restrito das mulheres pobres do sert\u00e3o. Nossa inten\u00e7\u00e3o foi antes a de entender como se manifesta o sofrimento social e como \u00e9 poss\u00edvel identificar, ao menos, algumas das suas causas sociais mais profundas.<\/p>\n<p>Desse ponto de vista, poder\u00edamos ter-nos ocupado do sofrimento social de pessoas de classe m\u00e9dia, em particular quando esse sofrimento se manifesta psiquicamente sob a forma de depress\u00f5es, neuroses etc. N\u00e3o faltam excelentes an\u00e1lises desse tipo, diferentemente do que acontece com o sofrimento das classes mais pobres da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Registre-se, por\u00e9m, que n\u00e3o somos psic\u00f3logos, e, portanto, n\u00e3o pretendemos analisar o sofrimento das pessoas entrevistadas do ponto de vista psicol\u00f3gico, mas sob um prisma social (essa distin\u00e7\u00e3o ser\u00e1 esclarecida no Cap\u00edtulo1).<\/p>\n<p>O m\u00e9todo escolhido foi, como em Vozes do Bolsa Fam\u00edlia, o m\u00e9todo qualitativo: realizamos longas entrevistas e voltamos v\u00e1rias vezes a falar com as mesmas pessoas, quando poss\u00edvel (n\u00e3o conseguimos isso com N\u00edobe). A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a entrevista com dona Edineide, que, contudo, nos parece interessante relatar, apesar dos evidentes problemas metodol\u00f3gicos: as leitoras e os leitores julgar\u00e3o que valor lhe atribuir.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong><\/p>\n<p>Cabem aqui algumas breves considera\u00e7\u00f5es sobre o que significou pesquisar o tema do sofrimento social em uma conjuntura social, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica marcada pela sua imensa intensifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa de campo e a escrita do livro sofreram interrup\u00e7\u00f5es devido \u00e0 pandemia da Covid-19 e \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o de vidas por ela causada, que poderia ter sido evitada se as sociedades n\u00e3o tivessem sido anteriormente depauperadas de seus valores democr\u00e1ticos e de suas estruturas p\u00fablicas, sobretudo aquelas voltadas aos cuidados da popula\u00e7\u00e3o. O caso brasileiro notabilizou-se pela extrema crueldade social com que o governo geriu a trag\u00e9dia sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que caracterizava o pa\u00eds naquele momento magnificou o sofrimento das pessoas. Medo, dor e morte foram experi\u00eancias cotidianas. Ningu\u00e9m deixou de ser atingido de alguma forma por um desses tr\u00eas elementos. Os governantes brasileiros, de modo geral, naturalizavam a ocorr\u00eancia da trag\u00e9dia lembrando a hist\u00f3ria das antigas e modernas epidemias.<\/p>\n<p>A pandemia era de certa forma apresentada como destino da humanidade, sem dizer, contudo, que semelhante destino e semelhante devasta\u00e7\u00e3o possu\u00edam rela\u00e7\u00f5es estreitas com as pol\u00edticas de demoli\u00e7\u00e3o das estruturas do Estado, da sa\u00fade p\u00fablica, da pesquisa cient\u00edfica, enfim, das conquistas sociais e pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e de tratamento profil\u00e1tico de doen\u00e7as coletivas.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, tentar naturalizar a trag\u00e9dia foi o c\u00ednico caminho encontrado no n\u00edvel discursivo para justificar a inoperante crueldade do governo ou at\u00e9 mesmo sua ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos n\u00e3o cient\u00edficos e danosos. Afora isso tudo, diante das ru\u00ednas estatais o ataque epid\u00eamico encontrou popula\u00e7\u00f5es muito mais empobrecidas e vulnerabilizadas por anos de desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas, de desemprego e precariza\u00e7\u00e3o dos trabalhos e das vidas das grandes maiorias sociais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante relembrar que, de qualquer maneira, o mundo ocidental h\u00e1 mais de 40 anos vem destruindo as estruturas p\u00fablicas sob a \u00e9gide normativa das ideologias antiestatais, para as quais o mal maior est\u00e1 no Estado, cujas atividades deveriam, portanto, ser reduzidas ou mesmo eliminadas.<\/p>\n<p>A demoniza\u00e7\u00e3o do Estado e de suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas constituiu um verdadeiro sistema de cren\u00e7as. Era ele o vampiro das virtudes individuais da prud\u00eancia, do empenho pessoal, do esfor\u00e7o dos indiv\u00edduos. O mito do mercado que se autorregularia devido \u00e0 sua inerente racionalidade tornou-se um mantra propagado aos quatro ventos, segundo o qual o mundo \u00e9 um campo infinitamente aberto aos que possuem talento, for\u00e7a e coragem para vencer as injun\u00e7\u00f5es da vida. Desse modo, diante do surgimento de uma pandemia, subitamente, o Estado e seus agentes se viram completamente desarmados para enfrentar o nefasto v\u00edrus.<\/p>\n<p>Semelhante l\u00f3gica possui seu modelo explicativo para a pobreza e para a mis\u00e9ria. Segundo o discurso dominante, produzido pelos superordinados, elas s\u00e3o o produto da inc\u00faria, da ignor\u00e2ncia, da pregui\u00e7a e da baixa racionalidade das suas pr\u00f3prias v\u00edtimas. Diante de tal conforma\u00e7\u00e3o social, cultural e pol\u00edtica, o aumento imenso da pobreza, da extrema pobreza, e, consequentemente, do sofrimento socialmente evit\u00e1vel aparece aos olhos do mundo como uma fatalidade inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>No caso das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza aparecia mais uma vez como revela\u00e7\u00e3o e como sintoma da sua renitente irresponsabilidade e incompet\u00eancia. Frases tais como \u201cnunca vi tanto vagabundo rodando o mundo como estou vendo agora nas ruas das cidades grandes\u201d eram ouvidas cotidianamente. Isso tudo, no caso brasileiro, era legitimado pelo discurso governamental dominante entre 2016 e 2022 de que o Estado nada tinha de fazer para reduzir os sofrimentos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resto dos acontecimentos todos n\u00f3s conhecemos. Durante a pandemia, mais de 400 mil mortes, entre as oficiais 700 mil, poderiam ter sido evitadas. Mortes que suscitaram no ent\u00e3o presidente como \u00fanica<\/p>\n<p>rea\u00e7\u00e3o as frases \u201cE da\u00ed?\u201d e \u201cEu n\u00e3o sou coveiro\u201d. Foi assim nosso abismo de maldade, o cora\u00e7\u00e3o de trevas de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong><\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de registrar nossos agradecimentos a todas as pessoas que tornaram poss\u00edvel nossa pesquisa \u2013 em primeiro lugar, \u00e0quelas que aceitaram ser entrevistadas e nos contar suas hist\u00f3rias, que abriram as portas de suas casas e de suas almas para dois desconhecidos \u2013 em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, mais de uma vez, quando voltamos a falar com elas em diferentes momentos. Esperamos ter conseguido deixar suas vozes falarem por elas, sem distor\u00e7\u00f5es. Os nomes das pessoas entrevistadas foram modificados no livro, como \u00e9 de praxe, e, portanto, n\u00e3o podemos lhes agradecer aqui nominalmente.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, agradecemos \u00e0s e aos colegas do Crato pelo apoio log\u00edstico e pelas esclarecedoras conversas, em particular \u00e0 professora Zuleide Fernandes de Queiroz e ao professor Francisco do O\u2019 de Lima J\u00fanior, bem como ao cineasta e pesquisador Rosemberg Cariry pelo interc\u00e2mbio epistolar e pelos textos que nos enviou, os quais nos ajudaram a entender melhor a hist\u00f3ria da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Agradecemos ao seu L\u00e9udo por nos ter acompanhado em nossas andan\u00e7as pelo Cariri e pelo Catol\u00e9. Um agradecimento pela coopera\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e intelectual a Lucas Batista e Ev\u00e2nia Reich. Agradecemos aos nossos c\u00f4njuges Rubem Murilo Le\u00e3o Rego e Gisa Aver pela paci\u00eancia e parceria demonstradas nestes anos de pesquisa. Um agradecimento especial dirigimos a Fernando Coelho pela cuidadosa revis\u00e3o do texto. Finalmente, agradecemos aos colegas e estudantes com as quais e com os quais discutimos partes do livro, em particular as mais te\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima observa\u00e7\u00e3o sobre o t\u00edtulo do livro. F\u00e1tima, uma das mulheres entrevistadas, ao contar como ela e as irm\u00e3s brincavam escondidas dos pais, que, por sua vez, pensavam que estivessem cuidando das cabras, usou a express\u00e3o \u201cn\u00f3s roubava tempo\u201d. Na realidade, n\u00e3o eram essas crian\u00e7as que roubavam tempo ao trabalho e \u00e0 dureza de sua situa\u00e7\u00e3o, mas foi esta \u00faltima que roubou a inf\u00e2ncia delas.<\/p>\n<p>De modo mais geral, a pobreza as privou de uma vida decente. No termo escolhido para descrever a situa\u00e7\u00e3o emerge em toda a sua aspereza a oposi\u00e7\u00e3o entre vida e mera sobreviv\u00eancia: a menina F\u00e1tima roubava tempo \u00e0 luta pela sobreviv\u00eancia para poder ter um momento de vida. O tempo da vida \u201cnormal\u201d tinha que ser roubado ao tempo dedicado \u00e0 luta para sobreviver. O livro \u00e9 dedicado a todas as pessoas que tiveram e ainda t\u00eam que enfrentar essa luta.<\/p>\n<p><strong>*Alessandro Pinzani<\/strong> \u00e9 professor de filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor, entre outros livros, de J\u00fcrgen Habermas (Artmed).<\/p>\n<p><strong>*Walquiria Le\u00e3o Rego<\/strong> \u00e9 professora titular de Teoria social na Unicamp. Autora, entre outros livros, de Em busca do socialismo democr\u00e1tico (Editora da Unicamp).<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"302\" height=\"445\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/418eq0RhVyL._SY445_SX342_ControlCacheEqualizer_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54407\" style=\"width:214px;height:auto\"  \/><\/p>\n<p>Alessandro Pinzani &amp; Walquiria Le\u00e3o Rego. Vidas roubadas: sofrimento social e pobreza. S\u00e3o Paulo, Unesp, 2025, 272. [<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4mvu0lw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/amzn.to\/4mvu0lw<\/a>]<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-background\" style=\"background-color:#e9965c\"><strong>A Terra \u00e9 Redonda\u00a0existe gra\u00e7as<\/strong>\u00a0<strong>aos nossos leitores e apoiadores.<br \/>Ajude-nos a manter esta ideia.<br \/><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/CONTRIBUA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">CONTRIBUA<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por ALESSANDRO PINZANI &amp; WALQUIRIA LE\u00c3O REGO* Introdu\u00e7\u00e3o dos autores ao livro rec\u00e9m-publicado \u201cEscrever sobre este t\u00f3pico adquire&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39237,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[12043,169,114,115,170,32,33,12044],"class_list":{"0":"post-39236","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-alessandro-pinzani","9":"tag-books","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-livros","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-walquiria-leao-rego"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39236\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}