{"id":392846,"date":"2026-05-24T09:12:22","date_gmt":"2026-05-24T09:12:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/392846\/"},"modified":"2026-05-24T09:12:22","modified_gmt":"2026-05-24T09:12:22","slug":"filtro-da-fantasia-japao-testa-terapia-com-anime-para-tratar-a-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/392846\/","title":{"rendered":"&#8220;Filtro da fantasia&#8221;: Jap\u00e3o testa terapia com anime para tratar a depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Richard A. Brooks \/ AFP<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-744457\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/c4ca4238a0b923820dcc509a6f75849b-32-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Um psiquiatra italiano radicado no Jap\u00e3o est\u00e1 a testar uma forma inovadora de combater a depress\u00e3o: sess\u00f5es de aconselhamento psicol\u00f3gico em que o terapeuta surge no ecr\u00e3 sob a forma de uma personagem de anime, com voz digitalmente alterada.<\/strong><\/p>\n<p>Quando era adolescente e tinha dificuldades em integrar-se na vida da Sic\u00edlia rural, o psiquiatra <strong>Francesco Panto<\/strong> encontrou ref\u00fagio no anime, onde descobriu personagens com as quais se identificava e que representavam <strong>o tipo de homem que queria ser<\/strong>.<\/p>\n<p>Hoje a viver no Jap\u00e3o, Panto acredita que o anime pode beneficiar outras pessoas e est\u00e1 a testar se poder\u00e1 ser utilizado como <strong>m\u00e9todo terap\u00eautico,<\/strong> em especial para quem teria dificuldade em pedir ajuda.<\/p>\n<p>\u201c<strong>O recurso \u00e0 manga e ao anime apoiou-me muito<\/strong>\u2026 foram ferramentas de suporte emocional muito importantes\u201d, disse Panto \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>\u201cCrescer em It\u00e1lia, na Sic\u00edlia, <strong>havia estere\u00f3tipos muito fortes<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00e9nero e \u00e0 autoexpress\u00e3o. Mas quando tinha 12 ou 13 anos comecei a jogar um jogo chamado \u2018<strong>Final Fantasy<\/strong>\u2018\u2026 e .e eu identificava-me com os protagonistas. Eram t\u00e3o <strong>masculinos e fixes, mas \u00e0 sua pr\u00f3pria maneira<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>O estudo-piloto de seis meses de Panto sobre \u201caconselhamento baseado em personagens\u201d, na Universidade Municipal de Yokohama, terminou em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do ensaio, Panto e a sua equipa recrutaram 20 pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos com <strong>sintomas de depress\u00e3o<\/strong> e proporcionaram-lhes <strong>sess\u00f5es de aconselhamento online,<\/strong> conduzidas por um p<strong>sic\u00f3logo que aparecia no ecr\u00e3 sob a forma de um avatar<\/strong> de anime com a voz digitalmente alterada.<\/p>\n<p>Panto acredita que <strong>o \u201cfiltro da fantasia\u201d pode ajudar<\/strong> a p\u00f4r as pessoas \u00e0 vontade e a reconhecer os seus problemas \u2014 e espera que os resultados do ensaio venham confirmar esta teoria.<\/p>\n<p>Desde uma <strong>figura est\u00e1vel e de confian\u00e7a com \u201cenergia maternal\u201d<\/strong> que empunha uma espingarda de assalto, at\u00e9 um personagem masculino emocionalmente perspicaz com aspeto de \u201cpr\u00edncipe\u201d e que enverga uma capa, foram criadas especificamente para o estudo <strong>seis personagens diferentes<\/strong>.<\/p>\n<p>Cada uma <strong>baseia-se num arqu\u00e9tipo espec\u00edfico da manga japonesa<\/strong>, tendo os participantes no ensaio liberdade para escolher entre elas. \u201cTentei infundir em cada personagem uma luta mental espec\u00edfica. Uma das personagens criadas chama-se <strong>Kuroto Nagi<\/strong>. \u00c9 afetada por tra\u00e7os de <strong>personalidade bipolar<\/strong>\u201c, disse Panto.<\/p>\n<p>Outras debatem-se com <strong>perturba\u00e7\u00e3o de stress p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/strong> ou perturba\u00e7\u00f5es de ansiedade, ou t\u00eam problemas relacionados com o consumo de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Mas <strong>a ideia \u00e9 que os avatares sejam \u201cdivertidos\u201d<\/strong>, explicou Panto, e embora o psic\u00f3logo conte a hist\u00f3ria da sua personagem no in\u00edcio da sess\u00e3o, foram instru\u00eddos a n\u00e3o tornar os problemas de sa\u00fade mental demasiado evidentes.<\/p>\n<p>Um participante no ensaio, de 24 anos, explicou como foi atra\u00eddo ao estudo pela descri\u00e7\u00e3o de uma das personagens, que alegadamente estava \u201c\u00e0 procura da <strong>verdadeira for\u00e7a<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>\u201cFez-me sentir que poderia ajudar-me a aproximar da resposta para os meus pr\u00f3prios problemas\u201d, disse o participante,<strong> f\u00e3 de anime e criador de jogos<\/strong>, que n\u00e3o pode ser identificado pelo nome ao abrigo das regras do ensaio.<\/p>\n<p>Vontade de viver<\/p>\n<p>O ensaio de fase um, que monitorizou as frequ\u00eancias card\u00edacas e o sono dos participantes, destina-se principalmente a testar se a terapia com anime \u00e9 vi\u00e1vel e se este tipo de tratamento pode reduzir os sintomas de depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Panto est\u00e1 tamb\u00e9m a ponderar se a terapia poder\u00e1 ser prestada com recurso \u00e0 intelig\u00eancia artificial, <strong>sem a media\u00e7\u00e3o de um psic\u00f3logo real<\/strong>.<\/p>\n<p>O projeto de investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um de muitos que procuram encontrar solu\u00e7\u00f5es para os desafios de sa\u00fade mental no Jap\u00e3o, incluindo o \u201c<strong>ikizurasa<\/strong>\u201c, um termo que designa as <strong>pessoas que sentem \u201cdificuldade em viver<\/strong>, dificuldade em sobreviver na sociedade\u201d, disse <strong>Mio Ishii<\/strong>, professora auxiliar que co-lidera o projeto.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos jovens que n\u00e3o conseguem ir \u00e0 escola ou continuar a trabalhar. Por isso, o nosso objetivo \u00e9 dar-lhes.<strong>.. novas op\u00e7\u00f5es para recuperar<\/strong> das suas dificuldades\u201d, afirmou, acrescentando que ainda existe um enorme estigma no Jap\u00e3o associado ao facto de se pedir ajuda.<\/p>\n<p><strong>Jesus Maya<\/strong>, especialista em terapia familiar na Universidade de Sevilha e que n\u00e3o esteve envolvido no ensaio, diz que a utiliza\u00e7\u00e3o do anime durante as sess\u00f5es pode ser <strong>realmente \u00fatil<\/strong>. \u201cPode facilitar a express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es\u2026 e a identifica\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o entre o paciente e o terapeuta\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com as regras do estudo, o participante de 24 anos, cujas s\u00e9ries de anime favoritas incluem atualmente \u201cThe End of Evangelion\u201d e \u201cGirls Band Cry\u201d, <strong>n\u00e3o pode comentar o pr\u00f3prio ensaio<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda assim, disse que o anime lhe havia dado a \u201c<strong>vontade de viver<\/strong>, ao ver personagens cheias de vida enquanto trabalham arduamente para alcan\u00e7ar os seus sonhos\u201d.<\/p>\n<p>Mio Ishii espera que a terapia possa ajudar pessoas de todas as idades em todo o mundo. \u201cPorque normalmente as pessoas t\u00eam estigmas e barreiras psicol\u00f3gicas que as impedem de pedir ajuda relativamente \u00e0 sua sa\u00fade mental\u201d, disse. \u201cMas o <strong>anime ou a tecnologia podem atenu\u00e1-los<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779577339_52_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779577340_418_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779577340_117_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Richard A. 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