{"id":392929,"date":"2026-05-24T11:25:52","date_gmt":"2026-05-24T11:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/392929\/"},"modified":"2026-05-24T11:25:52","modified_gmt":"2026-05-24T11:25:52","slug":"um-panorama-da-saude-mental-em-todo-o-mundo-12-bilhao-de-pessoas-vivem-com-transtornos-psiquiatricos-instituto-humanitas-unisinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/392929\/","title":{"rendered":"Um panorama da sa\u00fade mental em todo o mundo: 1,2 bilh\u00e3o de pessoas vivem com transtornos psiqui\u00e1tricos &#8211; Instituto Humanitas Unisinos"},"content":{"rendered":"<p>A <strong><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/78-noticias\/652544-alerta-para-crise-global-na-saude-mental-e-bem-estar-de-adolescentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">sa\u00fade mental mundial<\/a><\/strong> deteriorou-se. Um estudo publicado na revista The Lancet estima que quase 1,2 bilh\u00e3o de pessoas \u2014 14% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u2014 sofrem de problemas de sa\u00fade mental. Em n\u00fameros absolutos, esse n\u00famero \u00e9 quase o dobro do registrado em 1990. Especialistas atribuem esse aumento \u00e0 melhoria na detec\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m reconhecem que a pobreza arraigada, as guerras, o impacto de desastres naturais e <strong>fen\u00f4menos disruptivos<\/strong> como a pandemia de <strong>COVID-19<\/strong> elevaram a incid\u00eancia de alguns transtornos. Adolescentes entre 15 e 19 anos e mulheres de todas as idades s\u00e3o os mais afetados: eles apresentam os n\u00edveis mais altos, especialmente de ansiedade e depress\u00e3o. De acordo com o estudo, os <strong>transtornos mentais<\/strong> s\u00e3o agora a principal causa de incapacidade no mundo, superando at\u00e9 mesmo doen\u00e7as cardiovasculares, c\u00e2ncer e problemas musculoesquel\u00e9ticos.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de\u00a0<strong>Jessica Mouzo<\/strong>, publicada por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/elpais.com\/america\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">El Pa\u00eds<\/a><\/strong>, 22-05-2026.<\/p>\n<p>A nova revis\u00e3o cient\u00edfica, que examinou a epidemiologia de uma d\u00fazia de transtornos psiqui\u00e1tricos em 200 pa\u00edses entre 1990 e 2023, estima que a preval\u00eancia padronizada por idade dessas condi\u00e7\u00f5es \u2014 ou seja, eliminando o efeito distorcido do envelhecimento demogr\u00e1fico \u2014 aumentou 24% em tr\u00eas d\u00e9cadas. <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/650244-dissecar-a-ansiedade-para-entende-la-e-como-uma-embriaguez-de-oxigenio-entrevista-com-baltasar-rodero\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Ansiedade<\/a> (aumento de 65%) e <a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/620526-quanto-mais-forte-a-ilusao-mais-e-provavel-que-haja-depressao-entrevista-com-juan-david-nasio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">depress\u00e3o<\/a> (aumento de 41%) apresentaram os maiores aumentos, mas os transtornos alimentares (entre 17% e 22%) e os transtornos do espectro autista (aumento de 21%) tamb\u00e9m aumentaram.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao aumento nos t<strong>ranstornos de ansiedade e depress\u00e3o<\/strong>, que atingiram o pico ap\u00f3s a crise de sa\u00fade da COVID-19, <strong>Damian Santomauro<\/strong>, professor do Centro de Pesquisa em Sa\u00fade Mental de <strong>Queensland<\/strong> (Austr\u00e1lia) e autor do estudo, acredita que essas tend\u00eancias de alta &#8220;podem refletir tanto os efeitos persistentes do estresse relacionado \u00e0 pandemia quanto fatores estruturais de longo prazo, como pobreza, inseguran\u00e7a, abuso, viol\u00eancia e diminui\u00e7\u00e3o da conex\u00e3o social&#8221;. Em um comunicado, o cientista alerta: &#8220;Enfrentar esse desafio crescente exigir\u00e1 investimento cont\u00ednuo em sistemas de sa\u00fade mental, maior acesso ao atendimento e a\u00e7\u00e3o global coordenada para fornecer melhor suporte \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>A onda de problemas de sa\u00fade mental se espalhou pelo mundo. Embora existam disparidades entre as regi\u00f5es, nem os pa\u00edses ricos nem os pobres est\u00e3o imunes a essa tend\u00eancia crescente. Em regi\u00f5es com muitos recursos, por exemplo, h\u00e1 um aumento not\u00e1vel de ansiedade na <strong>Austral\u00e1sia<\/strong> e de transtornos do espectro autista na regi\u00e3o da <strong>\u00c1sia-Pac\u00edfico<\/strong>. Mas os transtornos de ansiedade tamb\u00e9m est\u00e3o aumentando na <strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, no<strong> Sul da \u00c1sia<\/strong> e na <strong>\u00c1frica Ocidental<\/strong> Subsaariana.<\/p>\n<p><strong>Jorge Aguado<\/strong>, psic\u00f3logo cl\u00ednico do Hospital Cl\u00ednic e pesquisador do Idibaps em Barcelona, destaca que esta pesquisa mostra que a carga de transtornos mentais \u00e9 &#8220;muito alta&#8221;. &#8220;Depress\u00e3o e ansiedade respondem por grande parte do impacto, enquanto a esquizofrenia se destaca pela sua gravidade. Al\u00e9m disso, observa-se um aumento significativo no final da adolesc\u00eancia e in\u00edcio da idade adulta, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o e da interven\u00e7\u00e3o precoce. No entanto, esses dados devem ser interpretados com cautela. O aumento observado pode ser devido a m\u00faltiplos fatores, como mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas, maior detec\u00e7\u00e3o ou o impacto da COVID-19, e n\u00e3o necessariamente a um aumento real de casos.&#8221;<\/p>\n<p>Na Espanha, a incid\u00eancia de depress\u00e3o, padronizada por idade, aumentou 34% ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas, e a de ansiedade, <strong>126%<\/strong>. Os novos casos de anorexia e bulimia tamb\u00e9m aumentaram 19% e 30%, respectivamente. Em contrapartida, as taxas de esquizofrenia e transtorno bipolar permaneceram est\u00e1veis ou at\u00e9 diminu\u00edram ligeiramente.<\/p>\n<p>Desigualdade de g\u00eanero<\/p>\n<p>O panorama global da sa\u00fade mental tamb\u00e9m revela uma <strong><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/613288-ansiedade-ou-depressao-afetam-4-em-cada-10-brasileiros-na-pandemia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">profunda disparidade de g\u00eanero<\/a><\/strong> que abrange todas as fases da vida. De modo geral, a preval\u00eancia de transtornos mentais e a perda de anos de vida saud\u00e1vel relacionados a essas condi\u00e7\u00f5es foram maiores em mulheres, embora esse fardo espec\u00edfico sobre elas se torne particularmente acentuado a partir dos 15 anos, quando os n\u00edveis de depress\u00e3o e ansiedade come\u00e7am a aumentar. Antes dessa idade, entre o nascimento e os 14 anos, os transtornos mentais mais frequentes s\u00e3o comportamentais e do <strong>neurodesenvolvimento<\/strong>, como o autismo ou o transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (<strong>TDAH<\/strong>), e estes s\u00e3o mais prevalentes em homens.<\/p>\n<p>Os autores suspeitam que uma intera\u00e7\u00e3o de mecanismos psicol\u00f3gicos, sociais e biol\u00f3gicos explique a maior preval\u00eancia de transtornos psiqui\u00e1tricos entre mulheres durante grande parte de suas vidas. &#8220;Em compara\u00e7\u00e3o aos homens, as mulheres apresentam menor autoestima, maior tend\u00eancia \u00e0 vergonha corporal e maiores taxas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e abuso sexual. As mulheres tamb\u00e9m vivenciam mudan\u00e7as biol\u00f3gicas, especialmente durante o per\u00edodo periparto, maiores responsabilidades de cuidado e est\u00e3o sujeitas a outras desigualdades estruturais, como discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e menor igualdade de g\u00eanero&#8221;, explicam.<\/p>\n<p>Todos esses encargos adicionais afetam a sa\u00fade mental, embora os autores reconhe\u00e7am que s\u00e3o necess\u00e1rias mais pesquisas para analisar como esses fatores estressantes interferem e como afetam as <strong>abordagens terap\u00eauticas<\/strong> de forma diferente dependendo do g\u00eanero. Em 2023, 620 milh\u00f5es de mulheres de todas as idades viviam com algum transtorno mental, enquanto o n\u00famero de homens afetados por essas condi\u00e7\u00f5es chegava a 552 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os transtornos mentais n\u00e3o matam. Ou n\u00e3o tantos quanto outras doen\u00e7as. Mas o impacto que causam na qualidade de vida e o grau de incapacidade, especialmente em pessoas em idade produtiva, \u00e9 o que mant\u00e9m a comunidade cient\u00edfica em alerta. O estudo publicado na revista The Lancet, que utiliza um par\u00e2metro para calcular o impacto total de uma doen\u00e7a na vida de uma pessoa \u2014 estimando os anos de vida perdidos devido a problemas de sa\u00fade, incapacidade e morte prematura (<strong>DALYs<\/strong>) \u2014 conclui que <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/publicacoes\/78-noticias\/646777-da-hiperconectividade-a-anulacao-da-infancia-a-saude-mental-das-criancas-e-jovens-em-debate-no-ihu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">os transtornos mentais s\u00e3o agora a quinta principal causa de perda de vida saud\u00e1vel<\/a>. Em 1990, ocupavam a d\u00e9cima segunda posi\u00e7\u00e3o. &#8220;Os resultados sugerem que estamos entrando em uma fase ainda mais preocupante de agravamento da carga global de transtornos mentais. \u00c9 preocupante que esse aumento da carga n\u00e3o tenha sido acompanhado por uma <strong>expans\u00e3o proporcional dos servi\u00e7os de sa\u00fade mental<\/strong> para atender \u00e0 crescente demanda global&#8221;, concluem os autores.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o insuficiente<\/p>\n<p>O estudo destaca que o atendimento \u00e9 insuficiente. Observa tamb\u00e9m que uma an\u00e1lise anterior estimou que apenas 9% das pessoas com<strong> depress\u00e3o grave<\/strong> em 2021 receberam um tratamento minimamente adequado. De fato, apenas sete pa\u00edses (<strong>Austr\u00e1lia<\/strong>,<strong> B\u00e9lgica<\/strong>, <strong>Canad\u00e1<\/strong>, <strong>Alemanha<\/strong>, <strong>Holanda<\/strong>, <strong>Coreia do Sul<\/strong> e<strong> Su\u00e9cia<\/strong>) alcan\u00e7aram taxas de tratamento acima de 30%. Em 90 pa\u00edses, a cobertura foi inferior a 5%.<\/p>\n<p><strong>Elisabet Dom\u00ednguez<\/strong>, psic\u00f3loga e doutora em farmacologia pelo<strong> Hospital de Sant Pau<\/strong>, em Barcelona, argumenta que as conclus\u00f5es desta pesquisa s\u00e3o &#8220;um alerta inequ\u00edvoco para que os governos ajam com pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o precoce, cuidados adaptados a jovens e mulheres e um investimento real e coordenado em sa\u00fade mental&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quando os cientistas falam sobre o &#8216;peso&#8217; de uma doen\u00e7a, n\u00e3o se referem apenas a quantas pessoas sofrem com ela, mas ao dano real que causa na vida das pessoas. \u00c9 uma forma de medir o sofrimento coletivo: quantos anos de vida saud\u00e1vel s\u00e3o perdidos porque algu\u00e9m n\u00e3o consegue trabalhar, socializar ou simplesmente viver normalmente devido \u00e0 sua doen\u00e7a. No caso dos transtornos mentais, esse dano resulta de viver durante anos ou d\u00e9cadas com ansiedade constante, com depress\u00e3o que torna imposs\u00edvel sair da cama pela manh\u00e3 ou com esquizofrenia que isola completamente o paciente. Este estudo mostra que os transtornos mentais s\u00e3o agora a principal causa de incapacidade em todo o mundo. Ou seja, nenhuma outra doen\u00e7a limita tanto o dia a dia de tantas pessoas no planeta, mesmo que n\u00e3o seja a que mata diretamente o maior n\u00famero de pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>Dom\u00ednguez destaca que a Espanha destina menos de 7% do seu or\u00e7amento de sa\u00fade \u00e0<strong> sa\u00fade mental e<\/strong> alerta que as listas de espera para consultar um psiquiatra ou psic\u00f3logo &#8220;s\u00e3o medidas em meses&#8221;. &#8220;Em nosso pr\u00f3prio sistema, o atendimento em sa\u00fade mental continua sendo, na pr\u00e1tica, um privil\u00e9gio para quem pode pagar&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Leia mais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A sa\u00fade mental mundial deteriorou-se. 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