{"id":393817,"date":"2026-05-25T03:57:34","date_gmt":"2026-05-25T03:57:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/393817\/"},"modified":"2026-05-25T03:57:34","modified_gmt":"2026-05-25T03:57:34","slug":"estudo-revela-quatro-fatores-por-tras-dos-casos-de-infarto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/393817\/","title":{"rendered":"Estudo revela quatro fatores por tr\u00e1s dos casos de infarto"},"content":{"rendered":"<p>Embora percebido como um evento repentino, o infarto costuma ser o desfecho de um processo silencioso, que se desenvolve ao longo de anos. \u00c9 o que indica um estudo internacional publicado no <a href=\"https:\/\/www.jacc.org\/doi\/10.1016\/j.jacc.2025.07.014\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Journal of the American College of Cardiology<\/a>, com dados de mais de 9,3 milh\u00f5es de pessoas na Coreia do Sul e de 6.803 indiv\u00edduos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A pesquisa investigou quais condi\u00e7\u00f5es estavam presentes antes do primeiro evento cardiovascular \u2014 como infarto do mioc\u00e1rdio, acidente vascular cerebral (AVC), doen\u00e7a arterial coronariana ou insufici\u00eancia card\u00edaca \u2014 e encontrou um padr\u00e3o consistente: em mais de 99% dos casos, havia ao menos um fator de risco pr\u00e9vio, e entre 93% e 97% dos pacientes apresentavam dois ou mais fatores combinados.<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>Os pesquisadores avaliaram quatro vil\u00f5es cl\u00e1ssicos: press\u00e3o arterial acima do ideal, colesterol elevado, glicemia alterada e hist\u00f3rico de tabagismo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E foram al\u00e9m dos diagn\u00f3sticos formais: mesmo n\u00edveis considerados lim\u00edtrofes, como press\u00e3o \u201cnormal-alta\u201d ou pr\u00e9-diabetes, entraram na conta, porque tamb\u00e9m aumentam o risco ao longo do tempo. Na pr\u00e1tica, o estudo desmonta a ideia popular do \u201cinfarto do nada.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para um ponto cr\u00edtico: o problema, muitas vezes, est\u00e1 no risco n\u00e3o identificado ou n\u00e3o tratado, mesmo quando as altera\u00e7\u00f5es parecem discretas. Press\u00e3o \u201cnormal-alta\u201d (aquela que marca 120\u00d780 mmHg, ou 12\u00d78), glicemia em est\u00e1gio de pr\u00e9-diabetes e colesterol moderadamente elevado j\u00e1 demandam acompanhamento e, em muitos casos, interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p><strong>\u201cO infarto deixa de ser visto como um evento s\u00fabito e imprevis\u00edvel e passa a ser entendido como o desfecho de um processo cr\u00f4nico, progressivo, que evolui ao longo dos anos e, na maioria das vezes, pode ser preven\u00edvel\u201d, avalia a cardiologista Juliana Tranjan, do Einstein Hospital Israelita em Goi\u00e2nia.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ataque silencioso \u00e0s art\u00e9rias<\/strong><\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dessa progress\u00e3o est\u00e1 a aterosclerose, o ac\u00famulo gradual de gordura e inflama\u00e7\u00e3o na parede das art\u00e9rias, levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de placas. Se uma delas rompe, o organismo pode formar um co\u00e1gulo no local, bloqueando a circula\u00e7\u00e3o. Quando isso acontece nas coron\u00e1rias, surge o infarto.<\/p>\n<p>\u201cDiabetes, obesidade e outros dist\u00farbios metab\u00f3licos atrapalham a parede do vaso e facilitam o ac\u00famulo de gordura, levando ao entupimento\u201d, detalha o endocrinologista M\u00e1rcio Weissheimer Lauria, coordenador do departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professor de Endocrinologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>A press\u00e3o alta lesa o endot\u00e9lio, camada interna dos vasos. O colesterol LDL elevado favorece o dep\u00f3sito de gordura nas art\u00e9rias. Por sua vez, a glicose em excesso aumenta a inflama\u00e7\u00e3o vascular. J\u00e1 o cigarro, al\u00e9m de inflama\u00e7\u00e3o, causa estresse oxidativo e pode levar \u00e0 instabilidade da placa ateromatosa.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEsses fatores associados levam a um maior risco de ruptura e trombose de placa aterosclerose, ocasionando o infarto agudo do mioc\u00e1rdio\u201d, pontua Tranjan.<\/p>\n<p>Esse processo \u00e9 lento e gera adapta\u00e7\u00f5es no organismo ao longo dos anos. Por isso, em alguns casos, \u00e9 assintom\u00e1tico. Quando aparecem sintomas, os alertas podem ser discretos demais para chamar aten\u00e7\u00e3o: cansa\u00e7o fora do habitual, queda no desempenho f\u00edsico, falta de ar ao fazer esfor\u00e7o e desconforto tor\u00e1cico. Sinais facilmente atribu\u00eddos tamb\u00e9m ao estresse, \u00e0 idade ou ao sedentarismo.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que esses fatores s\u00e3o, em grande parte, modific\u00e1veis. Mudan\u00e7as no estilo de vida conseguem reduzir risco, desacelerar a progress\u00e3o da doen\u00e7a ateroscler\u00f3tica e at\u00e9 promover remiss\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas. Perda de peso, alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, atividade f\u00edsica regular, abandono do cigarro, sono adequado e controle medicamentoso, quando necess\u00e1rio, fazem diferen\u00e7a.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p><strong>\u201cPoucos meses de interven\u00e7\u00e3o com perda de peso e exerc\u00edcio f\u00edsico consistentes j\u00e1 t\u00eam repercuss\u00e3o positiva e voc\u00ea consegue ver resultados em novos exames\u201d, ressalta Lauria. Quanto antes essa interven\u00e7\u00e3o come\u00e7ar, maior a chance de revers\u00e3o. Em fases mais avan\u00e7adas, o foco passa a ser estabilizar o problema e evitar a progress\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Exames simples ainda s\u00e3o poderosos<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do interesse crescente por marcadores sofisticados, boa parte do rastreamento cardiovascular continua dependendo de ferramentas bastante acess\u00edveis, como medi\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial, da glicemia, do colesterol e dos triglic\u00e9rides, al\u00e9m do monitoramento de peso e circunfer\u00eancia abdominal.<\/p>\n<p>\u201cOs exames de rotina devem ser individualizados de acordo com hist\u00f3ria cl\u00ednica, comorbidades e hist\u00f3ria familiar de cada paciente. Dessa forma, conseguimos fazer um rastreio mais refinado e preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a cardiovascular\u201d, refor\u00e7a a cardiologista do Einstein em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>Marcadores adicionais, como apolipoprote\u00edna B e lipoprote\u00edna(a), podem ajudar em casos espec\u00edficos, especialmente em pessoas com hist\u00f3rico familiar forte ou eventos cardiovasculares sem explica\u00e7\u00e3o clara.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A lipoprote\u00edna(a), por exemplo, \u00e9 um fator gen\u00e9tico e sua dosagem \u00e9 recomendada ao menos uma vez na vida por algumas diretrizes internacionais. Outro exame relevante para medir o risco cardiovascular \u00e9 o escore de c\u00e1lcio coronariano, exame de tomografia para quantificar placas de gordura calcificadas nas art\u00e9rias do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A preven\u00e7\u00e3o cardiovascular n\u00e3o come\u00e7a quando surge dor no peito, mas sim muito antes, no acompanhamento m\u00e9dico regular, nos exames de rotina e no controle de altera\u00e7\u00f5es aparentemente pequenas. \u201cA doen\u00e7a ateroscler\u00f3tica se desenvolve ao longo de d\u00e9cadas. O evento agudo \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o tardia de algo que j\u00e1 estava acontecendo silenciosamente, por isso \u00e9 t\u00e3o importante a preven\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Juliana Tranjan.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Einstein<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Embora percebido como um evento repentino, o infarto costuma ser o desfecho de um processo silencioso, que se&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":393818,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1347,31345,116,3158,5676,32,33,5608,117,4211],"class_list":["post-393817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-estudo","tag-fatores","tag-health","tag-hipertensao","tag-infarto","tag-portugal","tag-pt","tag-risco","tag-saude","tag-tabagismo"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116633209839436331","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/393817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=393817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/393817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/393818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=393817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=393817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=393817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}