{"id":394055,"date":"2026-05-25T10:01:14","date_gmt":"2026-05-25T10:01:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/394055\/"},"modified":"2026-05-25T10:01:14","modified_gmt":"2026-05-25T10:01:14","slug":"italia-paga-o-preco-da-transicao-energetica-verde-paralisada-de-meloni-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/394055\/","title":{"rendered":"It\u00e1lia paga o pre\u00e7o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica verde paralisada de Meloni | Energia"},"content":{"rendered":"<p>Dois anos depois de a lei de 2024 ter criado em It\u00e1lia incentivos para potenciais promotores desenvolverem capacidade e\u00f3lica offshore, o governo italiano ainda n\u00e3o anunciou um calend\u00e1rio para os leil\u00f5es (que disse querer realizar at\u00e9 2028). Esta in\u00e9rcia reflecte uma relut\u00e2ncia em abra\u00e7ar a transi\u00e7\u00e3o para longe dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, num contexto internacional marcado por um debate complexo e polarizado, que op\u00f5e os defensores da energia limpa a alguns governos e empresas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem liderado o apoio \u00e0 continua\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Para as fam\u00edlias e empresas italianas, o impacto \u00e9 severo, devido \u00e0 subida dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis f\u00f3sseis desde que os ataques a\u00e9reos dos EUA e de Israel desencadearam a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/05\/17\/azul\/noticia\/agua-ar-mar-terra-guerra-irao-massacra-ambiente-2174925\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">guerra no Ir\u00e3o<\/a>, no final de Fevereiro. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente elevada por causa da depend\u00eancia da It\u00e1lia do g\u00e1s natural importado.<\/p>\n<p>Michele Schiavone, director nacional italiano da divis\u00e3o de projectos offshore da Copenhagen Infrastructure Partners, afirmou que a relut\u00e2ncia de Roma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia e\u00f3lica offshore significa que o pa\u00eds poder\u00e1 perder um sector fundamental para a pr\u00f3pria seguran\u00e7a energ\u00e9tica futura.<\/p>\n<p>\u201cO sil\u00eancio (do Governo) n\u00e3o est\u00e1 apenas a impedir-nos de avan\u00e7ar, est\u00e1 a fazer-nos recuar\u201d, afirmou Michele Schiavone. \u201c\u00c9 um autogolo que \u00e9 demasiado mau para ser verdade.\u201d<\/p>\n<p>Subida do custo da electricidade<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural f\u00f3ssil, que \u00e9 mais caro do que as energias renov\u00e1veis, representa quase metade da produ\u00e7\u00e3o de electricidade da It\u00e1lia, a propor\u00e7\u00e3o mais elevada da Uni\u00e3o Europeia, de acordo com dados de 2025 dos think tanks globais de energia <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/01\/22\/azul\/noticia\/energia-solar-ultrapassa-carvao-primeira-uniao-europeia-2119731\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Ember<\/a> e Energy Institute. Em compara\u00e7\u00e3o, esta propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de cerca de um quinto em Espanha, 17% na Alemanha e 3% na Fran\u00e7a, onde predomina a energia nuclear.<\/p>\n<p>Sendo o maior importador de g\u00e1s natural liquefeito do bloco europeu atrav\u00e9s do Golfo, onde o encerramento efectivo do estreito de Ormuz pelo Ir\u00e3o causou uma perturba\u00e7\u00e3o sem precedentes no abastecimento energ\u00e9tico, a It\u00e1lia poderia ter respondido acelerando a busca por energias renov\u00e1veis. Em vez disso, lan\u00e7ou-se numa busca internacional por novos fornecedores de g\u00e1s, tal como fez ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/guerra-ucrania\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia <\/a>por Moscovo em 2022.<\/p>\n<p>\u201cO nosso p\u00e2nico actual em rela\u00e7\u00e3o ao impacto energ\u00e9tico das guerras em curso deve-se, em parte, ao facto de n\u00e3o termos seguido as pol\u00edticas e os investimentos certos no passado\u201d, afirmou Riccardo Barbieri, director-geral italiano do Tesouro.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Os economistas atribuem o fraco desempenho de Roma \u00e0 burocracia, \u00e0 resist\u00eancia dos governos regionais, aos interesses de poderosos grupos energ\u00e9ticos e \u00e0 avers\u00e3o \u00e0 transi\u00e7\u00e3o verde por parte da primeira-ministra de direita, Giorgia Meloni.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis \u2014 principalmente solar, e\u00f3lica e hidroel\u00e9ctrica \u2014 para a produ\u00e7\u00e3o de energia italiana aumentou pouco mais de dois pontos percentuais, para 41%, entre 2020 e 2024, de acordo com dados do Eurostat.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis na produ\u00e7\u00e3o de energia aumentou 17 pontos percentuais em Espanha, 10 pontos na Alemanha e 6,5 pontos em Fran\u00e7a, um pa\u00eds que aposta na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/energia-nuclear\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">energia nuclear<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cGuerra contra renov\u00e1veis\u201d<\/p>\n<p>Os economistas atribuem o fraco desempenho de Roma \u00e0 burocracia, \u00e0 resist\u00eancia dos governos regionais, aos interesses de poderosos grupos energ\u00e9ticos e \u00e0 avers\u00e3o \u00e0 transi\u00e7\u00e3o verde por parte da primeira-ministra de direita, Giorgia Meloni.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, trav\u00e1mos uma guerra contra as energias renov\u00e1veis\u201d, afirmou Enrico Giovannini, antigo ministro das Infra-estruturas e presidente da ASviS, um grupo de reflex\u00e3o sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel sediado em Roma.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Turbinas e\u00f3licas numa explora\u00e7\u00e3o e\u00f3lica na zona rural perto da cidade siciliana de Trapani, no sul de It\u00e1lia. A It\u00e1lia ter\u00e1 de duplicar a sua capacidade de energia renov\u00e1vel para cumprir as metas da Uni\u00e3o Europeia&#13;<br \/>\nREUTERS\/Giuseppe Piazza                    &#13;<\/p>\n<p>\u201cOs pol\u00edticos e os l\u00edderes empresariais afirmaram que t\u00ednhamos de abrandar a aposta nas energias renov\u00e1veis, mas agora, na crise actual, queixam-se de que os nossos custos energ\u00e9ticos dispararam, e isso deve-se ao facto de dependermos demasiado dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.\u201d<\/p>\n<p>O ministro da Energia, Gilberto Pichetto Fratin, afirmou \u00e0 ag\u00eancia Reuters que a resist\u00eancia local era o maior problema. \u201cO problema \u00e9, acima de tudo, uma oposi\u00e7\u00e3o do tipo NIMBY [not in my back yard, em ingl\u00eas, ou &#8216;n\u00e3o no meu quintal&#8217;, numa tradu\u00e7\u00e3o livre] a n\u00edvel local\u201d, afirmou, acrescentando que os conflitos sobre os procedimentos de autoriza\u00e7\u00e3o entre o seu pr\u00f3prio Minist\u00e9rio do Ambiente e o Minist\u00e9rio da Cultura tamb\u00e9m constitu\u00edram um factor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/giorgia-meloni\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Giorgia Meloni<\/a>, que assumiu o cargo em 2022, rejeitou a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica como sendo uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica\u201d e afirmou que esta n\u00e3o \u00e9 impulsionada pela ci\u00eancia. Sob o seu governo, a propor\u00e7\u00e3o dos fundos p\u00f3s-COVID-19 da Uni\u00e3o Europeia que a It\u00e1lia dedica \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da economia diminuiu de 39,5% para 37,1%, pouco acima do limiar m\u00ednimo de 37% imposto pelo bloco europeu.<\/p>\n<p>A primeira-ministra prop\u00f4s tamb\u00e9m reembolsar \u00e0s centrais el\u00e9ctricas a g\u00e1s os custos ao abrigo do Regime de Com\u00e9rcio de Licen\u00e7as de Emiss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, que obriga os emissores a pagar pela quantidade de carbono que produzem. Os activistas ambientais afirmaram que Meloni est\u00e1 a incentivar a depend\u00eancia cont\u00ednua dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Meloni, abalada por reveses pol\u00edticos e confrontada com uma economia quase estagnada, tem pressionado a UE para que conceda margem or\u00e7amental que permita \u00e0 It\u00e1lia ajudar empresas e fam\u00edlias com as suas contas de energia, at\u00e9 agora sem sucesso.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Este ano, o Parlamento aprovou legisla\u00e7\u00e3o para adiar por 13 anos (at\u00e9 2038) o encerramento definitivo das centrais a carv\u00e3o italianas, que se encontram actualmente em suspenso.<\/p>\n<p>Meloni insiste na energia nuclear<\/p>\n<p>O Governo afirma que os problemas energ\u00e9ticos a m\u00e9dio prazo da It\u00e1lia podem ser resolvidos atrav\u00e9s do relan\u00e7amento da energia nuclear, que os italianos rejeitaram por duas vezes em referendo nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n<p>A energia nuclear, ao longo do seu ciclo de vida, n\u00e3o \u00e9 isenta de carbono, mas a sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera emiss\u00f5es. Muitos economistas, no entanto, afirmam que, para a It\u00e1lia, o prazo \u00e9 demasiado longo e o custo demasiado elevado para que possa constituir uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSuspeito que toda esta conversa sobre reactores nucleares possa ser uma manobra de distrac\u00e7\u00e3o em massa para evitar discutir as energias renov\u00e1veis\u201d, afirmou Enrico Giovannini.<\/p>\n<p>Entre as empresas energ\u00e9ticas controladas pelo Estado italiano, a Eni lan\u00e7ou v\u00e1rias unidades de baixo carbono, mas a sua actividade principal continua centrada no petr\u00f3leo e no g\u00e1s.<\/p>\n<p>A empresa de servi\u00e7os p\u00fablicos Enel afastou-se do desenvolvimento de energias renov\u00e1veis para se concentrar em neg\u00f3cios regulados de baixo risco durante o primeiro mandato do director-executivo Flavio Cattaneo, nomeado por Meloni, que assumiu o cargo h\u00e1 tr\u00eas anos. Por\u00e9m, um porta-voz da Enel afirmou que o grupo n\u00e3o se tinha afastado das energias renov\u00e1veis, apontando para um aumento da capacidade renov\u00e1vel de 15% entre 2023 e 2025. Excluindo o armazenamento em baterias, o aumento foi de apenas 3%.<\/p>\n<p>Georgia Meloni, abalada por reveses pol\u00edticos e confrontada com uma economia quase estagnada, tem pressionado a Uni\u00e3o Europeia para que conceda margem or\u00e7amental que permita \u00e0 It\u00e1lia ajudar empresas e fam\u00edlias com as suas contas de energia, at\u00e9 agora sem sucesso.<\/p>\n<p>Entretanto, a Copenhagen Infrastructure Partners aguarda os leil\u00f5es de energia e\u00f3lica offshore para lan\u00e7ar uma fonte de energia em It\u00e1lia que, segundo Michele Schiavone, poder\u00e1 produzir o dobro da electricidade que a energia solar por gigawatt instalado e 1,5 vezes mais do que a energia e\u00f3lica terrestre. \u201cPrecisamos do Governo e o Governo precisa de n\u00f3s\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dois anos depois de a lei de 2024 ter criado em It\u00e1lia incentivos para potenciais promotores desenvolverem capacidade&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":394056,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[785,27,28,786,2270,15,16,12055,14,233,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,2272,3204,17,18,29,30,31,636,63,64,65],"class_list":["post-394055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-combustiveis-fosseis","tag-energia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-gas","tag-headlines","tag-italia","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-renovaveis","tag-sustentabilidade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-uniao-europeia","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/394055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=394055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/394055\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/394056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=394055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=394055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=394055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}