{"id":39421,"date":"2025-08-21T22:50:15","date_gmt":"2025-08-21T22:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39421\/"},"modified":"2025-08-21T22:50:15","modified_gmt":"2025-08-21T22:50:15","slug":"imigrantes-integrados-no-combate-ao-fogo-no-interior-do-pais-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39421\/","title":{"rendered":"Imigrantes integrados no combate ao fogo no interior do pa\u00eds \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Acompanhe o nosso <a href=\"https:\/\/observador.pt\/liveblogs\/linha-de-comboios-da-beira-baixa-e-autoestrada-a23-ja-foram-reabertas-cerca-de-2700-operacionais-no-terreno\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">liveblog sobre a situa\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios em Portugal<\/a><\/p>\n<p>Brasileiros, nepaleses, bangladeshianos e indianos s\u00e3o tamb\u00e9m protagonistas do combate aos inc\u00eandios em Portugal, um sinal da mudan\u00e7a demogr\u00e1fica dos territ\u00f3rios, fora dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p><strong>\u201cNa minha vida nunca vi nada assim, nunca pensei que o fogo pudesse ser assim, t\u00e3o grande, t\u00e3o forte\u201d<\/strong>, diz \u00e0 Lusa, atrav\u00e9s de contacto telef\u00f3nico, o nepal\u00eas Subash, que viu a sua casa destru\u00edda por um fogo h\u00e1 cerca de duas semanas, em Zambujeira do Mar, Odemira.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um dos concelhos que tem resistido ao despovoamento gra\u00e7as \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de imigrantes para o trabalho agr\u00edcola, como \u00e9 o caso de Subash.<\/p>\n<p>Em 2013, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), havia apenas 669 estrangeiros com resid\u00eancia, um n\u00famero que passou para 3.197 em 2023 (um aumento de 377%), e que n\u00e3o inclui os pedidos pendentes, ainda por calcular.<\/p>\n<p>Em abril, as autoridades estimavam em 1,6 milh\u00f5es o n\u00famero de estrangeiros em 2024, de acordo com Ag\u00eancia para a Integra\u00e7\u00e3o, Migra\u00e7\u00f5es e Asilo (AIMA), mas o relat\u00f3rio final ainda n\u00e3o foi publicado, pelo que os dados mais atuais, segmentados por concelho, s\u00e3o de 2023.<\/p>\n<p>Quatrocentos quil\u00f3metros a norte, em Oliveira do Hospital \u2014 que tinha apenas 50 estrangeiros em 2013, 10 anos depois tinha 283, o que corresponde a um aumento de 466% \u2014, o bangladeshiano Jewel sabe bem o que s\u00e3o os fogos. \u00c9 sapador florestal e um dos que abre caminho ao trabalho dos bombeiros.<\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 a loucura. Nunca paramos, n\u00e3o podemos parar, temos de proteger as pessoas\u201d<\/strong>, afirma Jewel, que trabalha para uma empresa privada de gest\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>\u201cNestes dias, o nosso trabalho \u00e9 destruir as \u00e1rvores e o mato, para proteger as casas\u201d, explicou o sapador, contratado no Bangladesh h\u00e1 um ano para fazer este trabalho em Portugal.<\/p>\n<p>Sana Gupta e a sua mulher vivem numa aldeia no interior da Guarda (56 estrangeiros em 2013 e 572 em 2023, um aumento de 920%) e nunca viram no seu Nepal nada compar\u00e1vel ao que lhes aconteceu h\u00e1 dois dias.<\/p>\n<p>\u201cIsto foi o terror. Aqui s\u00f3 vivem idosos, coitados. N\u00f3s abrimos a nossa casa aos nossos vizinhos e duas senhoras passaram aqui algumas horas, \u00e0 espera que isto passasse\u201d, recorda Sana, que est\u00e1 em Portugal h\u00e1 dois anos, um pa\u00eds que diz ser \u201cespecial, particularmente nas aldeias que s\u00e3o t\u00e3o bonitas\u201d.<\/p>\n<p>Do fogo, Sana recorda a escurid\u00e3o: \u201cEra de dia e parecia de noite. E depois ouvia-se um barulho forte. Mas os bombeiros ajudaram muito. Eles s\u00e3o impressionantes\u201d.<\/p>\n<p>Elogios destes j\u00e1 ouviu muitas vezes o brasileiro M\u00e1rcio Christo, adjunto dos bombeiros volunt\u00e1rios de Pataias (Alcoba\u00e7a, que tinha 90 estrangeiros em 2013 e 1.537 em 2023, um aumento de 1600%), que, desta vez, n\u00e3o foi ao norte.<\/p>\n<p>Com 51 anos e a viver em Portugal desde 2002, M\u00e1rcio entrou nos bombeiros em 2011, um percurso normal para quem, j\u00e1 no Brasil, estava muito ligado ao associativismo comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>E foi em Portugal que conheceu a for\u00e7a do fogo: \u201c\u00c9 algo inexplic\u00e1vel, \u00e9 um ser vivo, incompreens\u00edvel algumas vezes, que devemos respeitar, porque faz geralmente o que quer\u201d.<\/p>\n<p>Foi um dos primeiros bombeiros a chegar ao in\u00edcio do inc\u00eandio que destruiu o Pinhal de Leiria, em 2017, perto da praia da Falca. \u201cN\u00e3o conseguimos segur\u00e1-lo\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Hoje, como elemento do comando, est\u00e1 mais de fora das opera\u00e7\u00f5es, mas respeita a coragem de quem combate. \u201cQuem est\u00e1 l\u00e1 dentro sabe bem como \u00e9. \u00c9 muito estranho, estamos cercados e temos uma mangueira de 25 de di\u00e2metro e tr\u00eas mil litros de \u00e1gua para aquele mundo de chamas\u201d.<\/p>\n<p>O combate aos inc\u00eandios n\u00e3o \u00e9 feito apenas por quem \u00e9 bombeiro ou limpa as matas, mas corresponde a um esfor\u00e7o coletivo que inclui coisas t\u00e3o simples como a log\u00edstica.<\/p>\n<p>O indiano Ganga Singh \u00e9 dono de estabelecimentos de restaura\u00e7\u00e3o em Oliveira do Hospital e <strong>colocou, estes dias, os seus 25 funcion\u00e1rios a distribuir refei\u00e7\u00f5es aos bombeiros<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a nossa obriga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fa\u00e7o isto para agradar, mas porque todos temos que nos ajudar\u201d, afirmou o empres\u00e1rio, que est\u00e1 em Portugal h\u00e1 nove anos e em Oliveira do Hospital h\u00e1 dois anos e meio.<\/p>\n<p>\u201cTinha um restaurante em Coimbra, mas depois de ter ido \u00e0 Serra da Estrela, fiquei apaixonado e vim para aqui porque n\u00e3o havia nada de parecido com \u2018kebabs&#8217;\u201d, explicou Ganga, que elogia os seus novos conterr\u00e2neos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas s\u00e3o todas muito simp\u00e1ticas e acolhedoras. Senti-me em casa rapidamente\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, o presidente da C\u00e2mara de Oliveira do Hospital, Jos\u00e9 Francisco Rolo, <strong>recorda que o concelho tem uma grande \u201ctradi\u00e7\u00e3o de acolhimento de outras comunidades\u201d<\/strong> e que, \u201choje em dia, quando se quer m\u00e3o-de-obra para trabalhar \u00e9 preciso ir buscar estrangeiros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEntre os sapadores florestais, a maioria s\u00e3o estrangeiros, muitos do Indost\u00e3o ou de \u00c1frica, e trabalham bem. <strong>N\u00e3o h\u00e1 portugueses para assegurar a agricultura, a silvicultura ou os servi\u00e7os<\/strong>\u201c, resumiu o autarca.<\/p>\n<p>\u201cOliveira do Hospital tem uma tradi\u00e7\u00e3o antiga de imigrantes de belgas, holandeses ou alem\u00e3es. Hoje chegam outros, mas todas estas comunidades se mobilizam contra o fogo, que \u00e9 o inimigo comum\u201d e \u201ca\u00ed n\u00e3o h\u00e1 nacionalidades\u201d, h\u00e1 \u201ccompromisso e trabalho\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a, vejo-os a defenderem os seus pertences e a sua floresta. Tamb\u00e9m entram em p\u00e2nico como os portugueses e tamb\u00e9m procuram zonas de acolhimento seguro e aceitam as indica\u00e7\u00f5es das autoridades\u201d, acrescentou Jos\u00e9 Francisco Rolo.<\/p>\n<p>\u201cQuando se reside numa aldeia, como a Aldeia das Dez ou o Av\u00f4 [terras fustigadas pelas chamas], toda a comunidade se mobiliza para defender os seus pertences e <strong>a resist\u00eancia e o trabalho da popula\u00e7\u00e3o t\u00eam sido heroicos<\/strong>\u201c, afirmou o autarca, que critica o discurso contra os imigrantes, particularmente em zonas mais despovoadas.<\/p>\n<p>Mas para a integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes n\u00e3o basta emprego, mas que o pa\u00eds de acolhimento lhes permita condi\u00e7\u00f5es para viver. Isso ainda n\u00e3o acontece em Portugal com Jewel e Subash.<\/p>\n<p>\u201cSem os meus filhos, eu estou aqui incompleto\u201d, desabafou o sapador oriundo do Bangladesh. Mais a sul, o agricultor nepal\u00eas concorda.<\/p>\n<p>Subash est\u00e1 h\u00e1 quatro anos em Portugal e n\u00e3o sabe quando pode ter consigo a sua fam\u00edlia, que ficou no Nepal. \u201cEu sonho com esse dia, quero viver aqui e n\u00e3o \u00e9 um inc\u00eandio que me vai impedir de estar c\u00e1\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Acompanhe o nosso liveblog sobre a situa\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios em Portugal Brasileiros, nepaleses, bangladeshianos e indianos s\u00e3o tamb\u00e9m&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39422,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[59,27,28,15,16,14,1865,2005,25,26,21,22,62,12,13,19,20,57,32,23,24,33,58,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-39421","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-acidente","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-imigrantes","15":"tag-incu00eandios","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mundo","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-pau00eds","26":"tag-portugal","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-pt","30":"tag-sociedade","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39421\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}