{"id":394543,"date":"2026-05-25T16:27:32","date_gmt":"2026-05-25T16:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/394543\/"},"modified":"2026-05-25T16:27:32","modified_gmt":"2026-05-25T16:27:32","slug":"chacal-pode-expandir-se-ate-75-da-europa-e-os-humanos-estao-a-ajudar-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/394543\/","title":{"rendered":"Chacal pode expandir-se at\u00e9 75% da Europa (e os humanos est\u00e3o a ajudar) | Biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p>O chacal-dourado (Canis aureus) poder\u00e1 vir a ocupar at\u00e9 75% da Europa, quase seis vezes mais do que a \u00e1rea onde a esp\u00e9cie \u00e9 hoje considerada presente, conclui um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Ecology &amp; Evolution. O artigo cient\u00edfico estima que mais de 2,4 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados de paisagens europeias, com destaque para Portugal e Espanha, s\u00e3o \u201cadequadas\u201d \u00e0 presen\u00e7a do grande carn\u00edvoro.<\/p>\n<p>\u201cEste artigo s\u00f3 prova que, afinal, o potencial de expans\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/10\/12\/azul\/noticia\/carnivoros-chacal-expandirse-europa-chegar-portugal-2106764\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">chacal-dourado<\/a> em Portugal \u00e9 mesmo grande, assim como em Espanha, fazendo com que a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica surja no mapa como [uma] das zonas com maior potencial n\u00e3o ocupadas\u201d, explica ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Azul<\/a> o co-autor Francisco \u00c1lvares, investigador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Recursos Gen\u00e9ticos da Universidade do Porto (Cibio-Biopolis).<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41559-026-03060-y\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo<\/a> recorreu a 8991 esta\u00e7\u00f5es de escuta \u2013 dispositivos que registam chamamentos sonoros de animais \u2013 distribu\u00eddas por 13 pa\u00edses, entre 2001 e 2017, para detectar respostas vocais de grupos territoriais e, a partir da\u00ed, modelar a distribui\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel da esp\u00e9cie Canis aureus.<\/p>\n<p>O efeito \u201cescudo humano\u201d<\/p>\n<p>O estudo identifica o lobo como o principal \u201ctrav\u00e3o ecol\u00f3gico\u201d \u00e0 expans\u00e3o do chacal-dourado: a probabilidade relativa de presen\u00e7a do chacal diminui \u00e0 medida que aumenta a intensidade de ocorr\u00eancia do predador de topo, sendo mais elevada onde os lobos est\u00e3o ausentes e mais baixa em \u00e1reas de presen\u00e7a permanente de alcateias.<\/p>\n<p>Os lobos, capazes de competir com os chacais e at\u00e9 de os ca\u00e7ar, foram em tempos uma presen\u00e7a comum em grande parte da Europa, recorda o investigador do Cibio, enquanto o chacal se mantinha confinado a algumas zonas costeiras no extremo sudeste do continente. Esse equil\u00edbrio come\u00e7ou a alterar-se no s\u00e9culo XIX, quando a persegui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica aos lobos, em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, abriu espa\u00e7o \u00e0 expans\u00e3o do chacal.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o mostra, contudo, que esta interac\u00e7\u00e3o entre lobos e chacais tamb\u00e9m \u00e9 condicionada pela actividade humana. A proximidade a aldeias, por exemplo, altera a forma como o chacal responde \u00e0 presen\u00e7a do lobo, descrevendo-se um \u201cefeito de escudo humano\u201d. Ou seja, os chacais passam a seleccionar \u00e1reas mais pr\u00f3ximas de pessoas quando os lobos est\u00e3o presentes de forma regular, usando esses espa\u00e7os como ref\u00fagios onde a press\u00e3o do predador \u00e9 menor.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o situa\u00e7\u00f5es em que os humanos est\u00e3o a ser um escudo contra os predadores\u201d, explica Francisco \u00c1lvares numa videochamada. Como os lobos tendem a afastar-se de n\u00facleos urbanos e infra-estruturas, as esp\u00e9cies subordinadas na cadeia alimentar \u2014 \u00e9 o caso do chacal \u2014 aproximam-se de povoa\u00e7\u00f5es para reduzir o risco de preda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A neve e a paisagem<\/p>\n<p>Al\u00e9m da presen\u00e7a do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/07\/azul\/noticia\/lobos-atacam-gado-estao-conflito-humanos-especialistas-pedem-accao-governo-2149566\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">lobo-ib\u00e9rico<\/a> e do \u201cescudo humano\u201d, o estudo aponta factores ambientais que ajudam a explicar por onde a expans\u00e3o poder\u00e1 prosseguir. Um dos mais importantes \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o da cobertura de neve, com a probabilidade de a presen\u00e7a do chacal diminuir em regi\u00f5es com per\u00edodos longos de neve. O modelo inclui ainda vari\u00e1veis como o coberto florestal e a proximidade a corpos de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Com base nestes factores, os autores concluem que h\u00e1 \u201cgrandes \u00e1reas\u201d ainda n\u00e3o ocupadas que podem revelar-se adequadas \u00e0 esp\u00e9cie no continente, sobretudo em partes da Europa central, meridional e ocidental, onde a esp\u00e9cie Canis aureus \u00e9 hoje escassa ou ausente, incluindo a Fran\u00e7a e a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O chacal-dourado est\u00e1 em franca expans\u00e3o na Europa &#13;<br \/>\nMartinSteenhaut\/DR                     &#13;<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o do lobo na Europa poder\u00e1 reduzir a disponibilidade de \u00e1reas adequadas ao chacal-dourado no curto prazo, mas os autores sublinham que um \u201cefeito persistente de escudo humano\u201d, aliado \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da paisagem, dever\u00e1 sustentar a expans\u00e3o do chacal \u00e0 escala continental.<\/p>\n<p>Francisco \u00c1lvares destaca que, no modelo, \u201ca maior probabilidade de ocorr\u00eancia na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica \u00e9 mais na parte sul\u201d e que, \u201cem Portugal, em particular, \u00e9 no Alentejo\u201d, combinando condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e a aus\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es est\u00e1veis de lobo como factores determinantes.<\/p>\n<p>O investigador afirma, contudo, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 quaisquer raz\u00f5es para alarmismos\u201d sobre uma chegada iminente do chacal \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Francisco \u00c1lvares garante que uma eventual coloniza\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o ser\u00e1 para amanh\u00e3\u201d e que, se houver registos de indiv\u00edduos da esp\u00e9cie, ser\u00e3o provavelmente de \u201cum animal dispersante\u201d, e n\u00e3o de uma \u201cfrente\u201d de chacais a instalar-se de imediato.<\/p>\n<p>Francisco \u00c1lvares lembra ainda que, antes de Portugal, o fen\u00f3meno implicaria estabiliza\u00e7\u00e3o gradual em pa\u00edses primeiro. \u201cO chacal vai ter que ainda ocupar e estabilizar popula\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a, Espanha, para chegar a Portugal\u201d, conclui o especialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O chacal-dourado (Canis aureus) poder\u00e1 vir a ocupar at\u00e9 75% da Europa, quase seis vezes mais do que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":394544,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[2335,785,2780,27,28,65420,15,16,14,25,26,15714,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-394543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-alteracoes-climaticas","tag-azul","tag-biodiversidade","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-carnivoros","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-lobo","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116636158896443345","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/394543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=394543"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/394543\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/394544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=394543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=394543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=394543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}