{"id":395194,"date":"2026-05-26T04:27:08","date_gmt":"2026-05-26T04:27:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/395194\/"},"modified":"2026-05-26T04:27:08","modified_gmt":"2026-05-26T04:27:08","slug":"impacto-de-meteorito-formou-cratera-de-21-km-no-piaui-a-2a-maior-da-america-do-sul-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/395194\/","title":{"rendered":"Impacto de meteorito formou cratera de 21 km no Piau\u00ed, a 2\u00aa maior da Am\u00e9rica do Sul, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">Uma cratera de 21 quil\u00f4metros de di\u00e2metro no meio da Caatinga, em S\u00e3o Miguel do Tapuio, no norte do Piau\u00ed, teve origem no impacto de um meteorito com a Terra. Depois de mais de 40 anos de pesquisa, cientistas brasileiros confirmaram a presen\u00e7a de \u201ccicatrizes\u201d microsc\u00f3picas que comprovam a forma\u00e7\u00e3o. Com isso, a cratera no munic\u00edpio de 18 mil habitantes, a 215 quil\u00f4metros de Teresina, tornou-se a segunda maior do tipo da Am\u00e9rica do Sul e a 37\u00aa do mundo. <\/p>\n<p>A eros\u00e3o ao longo de milh\u00f5es de anos levou boa parte do relevo da cratera de impacto \u2013 nome dado a uma grande depress\u00e3o no solo formada quando um objeto espacial colide com muita velocidade contra a superf\u00edcie do planeta. Mesmo assim, ainda nos anos 1970, um projeto do governo federal registrou imagens de radar da \u00e1rea que indicavam caracter\u00edsticas t\u00edpicas da estrutura geol\u00f3gica. <\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o, o professor em\u00e9rito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Alvaro Cr\u00f3sta, do Instituto de Geoci\u00eancias, tentou acessar a \u00e1rea desde os anos 1980. O terreno, segundo ele, \u00e9 quase que impenetr\u00e1vel, sem trilhas de acesso e com vegeta\u00e7\u00e3o densa, espinhosa e seca. De tr\u00eas expedi\u00e7\u00f5es, a mais bem-sucedida ocorreu somente em 2017, acompanhado do professor Marcos Alberto Rodrigues Vasconcelos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>Cratera de 21 quil\u00f4metros de di\u00e2metro no meio da Caatinga, no munic\u00edpio de S\u00e3o Miguel do Tapuio, no norte do Piau\u00ed\u00a0Foto:  Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">Com a ajuda de um morador da regi\u00e3o e de um grupo da Petrobras, eles conseguiram chegar a cerca de um quil\u00f4metro do centro da cratera \u2013 onde h\u00e1 mais chances de encontrar evid\u00eancias. A miss\u00e3o era coletar amostras de arenito que pudessem conter provas de deforma\u00e7\u00f5es provocadas pelo impacto do corpo celeste. \u201cS\u00e3o marcas microsc\u00f3picas. Foi um trabalho de detetive, de procurar agulha em palheiro\u201d, resumiu Cr\u00f3sta, ao <strong>Estad\u00e3o<\/strong>. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">Tanto que, das 50 amostras coletadas num intervalo de poucos dias, foram as duas \u00faltimas, as mais pr\u00f3ximas do centro da cratera, que continham as evid\u00eancias: marcas de deforma\u00e7\u00e3o por choque em gr\u00e3os de quartzo que ocorrem somente sob press\u00f5es alt\u00edssimas e ficam registradas permanentemente. \u201cNenhum outro processo geol\u00f3gico \u00e9 capaz de gerar press\u00f5es t\u00e3o elevadas em rochas das por\u00e7\u00f5es mais superficiais da crosta da Terra\u201d, explicou Cr\u00f3sta. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">As amostras coletadas no Piau\u00ed foram transformadas em l\u00e2minas de rochas para serem analisadas em microsc\u00f3pio na Universidade de Viena, na \u00c1ustria, de onde saiu a confirma\u00e7\u00e3o. O estudo, que conta com pesquisadores de universidades federais de outros tr\u00eas Estados, foi publicado em um peri\u00f3dico da The Meteoritical Society, refer\u00eancia em pesquisa de meteoritos e crateras de impacto. Em agosto, os resultados ser\u00e3o apresentados no congresso anual da sociedade cient\u00edfica, em Frankfurt.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">\u201cOs estudos da cratera ainda est\u00e3o no in\u00edcio. Queremos voltar na \u00e1rea e chegar at\u00e9 o centro, isso est\u00e1 nos planos\u201d, contou o professor. \u201cEsse tipo de estudo nos ajuda a prever a possibilidade de eventos catastr\u00f3ficos futuros. Aconteceu no passado e vai voltar a acontecer, mas s\u00e3o eventos de baix\u00edssima frequ\u00eancia. O Brasil tem mais um pedacinho para entender a evolu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie do planeta\u201d, disse Cr\u00f3sta.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Crateras<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">Segundo Cr\u00f3sta, a \u00e1rea no Piau\u00ed foi atingida por um meteorito de 2,2 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, com velocidade de cerca de 60 mil quil\u00f4metros por hora. \u201cA energia \u00e9 t\u00e3o grande no impacto, que ele pulveriza. Uma parte sublima, vira gases, e isso tudo se perde. Uma pequena parte fica em fragmentos. Mas qualquer rocha do espa\u00e7o \u00e9 muito inst\u00e1vel no ambiente da Terra e se decomp\u00f5e rapidamente\u201d, explicou.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">Para se encontrar peda\u00e7os de meteorito, o pesquisador disse que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em impactos \u201cmais jovens\u201d, como a Barringer Crater, no Arizona (EUA), formada h\u00e1 cerca de 50 mil anos. A idade precisa da depress\u00e3o no Piau\u00ed n\u00e3o pode ser determinada, mas a an\u00e1lise realizada pelos pesquisadores indicou a possibilidade de ter ocorrido no intervalo de 159 milh\u00f5es a 267 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>O professor em\u00e9rito da Unicamp Alvaro Cr\u00f3sta, do Instituto de Geoci\u00eancias, participou da confirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia das nove crateras de impacto identificadas no Brasil\u00a0Foto:  Jornal da Unicamp\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">Apesar da eros\u00e3o, a cratera apresenta caracter\u00edsticas t\u00edpicas, como a forma de anel em uma borda externa, v\u00e1rios an\u00e9is internos e uma \u00e1rea central elevada. \u201cA eros\u00e3o j\u00e1 tirou aquela forma de relevo. Tem algumas montanhas, uma borda ou outra mais ou menos marcada, mas o resto foi erodido. N\u00e3o se percebe a topografia no local porque vai parecer morro como outro qualquer. \u00c9 t\u00e3o grande que \u00e9 dif\u00edcil de perceber\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">A cratera piauiense foi a nona do tipo confirmada no Brasil \u2013 todas com participa\u00e7\u00e3o de Cr\u00f3sta. No mundo, existem cerca de 200 reconhecidas. A maior da Am\u00e9rica do Sul \u00e9 chamada Domo do Araguainha e fica na divisa entre Mato Grosso e Goi\u00e1s, com cerca de 40 quil\u00f4metros de di\u00e2metro. Calcula-se que tenha sido formada h\u00e1 cerca de 250 milh\u00f5es de anos, ap\u00f3s o impacto de um meteorito de cerca de 4 quil\u00f4metros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 geGWDE theme-default  \">\u201cExistem outras poss\u00edveis crateras que estou estudando, nenhuma aparente como essas nove. Em Parelheiros, tem uma ainda n\u00e3o comprovada, de 3,5 quil\u00f4metros de di\u00e2metro. Como foi inundada, tem 300 metros de sedimentos para penetrar. Na bacia de Santos tamb\u00e9m tem uma em estudo, submersa de \u00e1gua e milhares de metros de sedimentos\u201d, contou Cr\u00f3sta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma cratera de 21 quil\u00f4metros de di\u00e2metro no meio da Caatinga, em S\u00e3o Miguel do Tapuio, no norte&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":395195,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[65484,1772,32212,88,5486,65485,109,107,108,8581,7102,7482,65486,12868,8518,8583,21277,4189,65487,4190,26981,19962,65488,7486,116,389,17671,1101,65489,14152,22535,8439,29091,1794,1795,65490,1112,32,7500,33,12097,34143,65357,65491,65358,105,103,104,19125,4206,5856,106,110,65492,21111,10346,39291,6659],"class_list":["post-395194","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-access","tag-background","tag-biometric","tag-business","tag-care","tag-cataract","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-closeup","tag-computer","tag-concept","tag-contact","tag-cornea","tag-data","tag-digital","tag-eye","tag-eyes","tag-eyesight","tag-face","tag-focus","tag-future","tag-glasses","tag-graphic","tag-health","tag-healthy","tag-high","tag-human","tag-identification","tag-identity","tag-iris","tag-laser","tag-lens","tag-medical","tag-medicine","tag-ophthalmology","tag-people","tag-portugal","tag-protection","tag-pt","tag-pulse","tag-robot","tag-scan","tag-scanner","tag-scanning","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-security","tag-surgery","tag-tech","tag-technology","tag-tecnologia","tag-tracking","tag-view","tag-virtual","tag-vision","tag-visual"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/395194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=395194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/395194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/395195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=395194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=395194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=395194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}