{"id":39585,"date":"2025-08-22T01:08:27","date_gmt":"2025-08-22T01:08:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39585\/"},"modified":"2025-08-22T01:08:27","modified_gmt":"2025-08-22T01:08:27","slug":"imagens-de-microscopia-mostram-virus-oropouche-em-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39585\/","title":{"rendered":"Imagens de microscopia mostram v\u00edrus Oropouche em a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Para combater um microrganismo capaz de gerar um problema de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e9 preciso conhec\u00ea-lo. Atrav\u00e9s da microscopia eletr\u00f4nica de transmiss\u00e3o, uma pesquisa rec\u00e9m-publicada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) avan\u00e7ou no entendimento do v\u00edrus Oropouche. Em laborat\u00f3rio, os cientistas isolaram o pat\u00f3geno a partir da amostra de um paciente, infectaram c\u00e9lulas e registraram, em imagens in\u00e9ditas amplificadas em cerca de 50 mil vezes, como ocorre o processo de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/figura-6a_oropouche_microscopia_dentro (1).jpg\" data-entity-uuid=\"9776e854-0b2f-4846-9867-6ea597f7301b\" data-entity-type=\"file\" alt=\"V\u00edrus.\" width=\"750\" height=\"474\" class=\"align-center\"\/>\n<\/p>\n<p>Part\u00edcula do v\u00edrus Oropouche registrada em microscopia eletr\u00f4nica de transmiss\u00e3o (foto: D\u00e9bora Ferreira Barreto Vieira, IOC\/Fiocruz)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/v17030373\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Divulgada na revista cient\u00edfica <\/strong><strong>Viruses<\/strong><\/a>, a pesquisa \u00e9 a primeira a caracterizar a ultraestrutura de uma cepa do v\u00edrus Oropouche pertencente \u00e0 linhagem associada aos casos recentes no Brasil, chamada de Orov BR-2015-2024. \u00a0<\/p>\n<p>O isolamento do v\u00edrus foi realizado pelo Laborat\u00f3rio de Morfologia e Morfog\u00eanese Viral do IOC\/Fiocruz, a partir da amostra de um paciente diagnosticado com febre Oropouche em Pira\u00ed, no Vale do Para\u00edba fluminense, em 2024. \u00a0<\/p>\n<p>A amostra foi cedida pelo Laborat\u00f3rio de Arbov\u00edrus e V\u00edrus Hemorr\u00e1gicos do IOC\/Fiocruz, que colaborou com o estudo, sendo respons\u00e1vel pelo diagn\u00f3stico do caso e sequenciamento gen\u00e9tico do v\u00edrus.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/infografico_virus_oropouche_ok_v2.jpg\" data-entity-uuid=\"621170cb-c0f2-4e1c-b65c-549035ab0095\" data-entity-type=\"file\" alt=\"Infogr\u00e1fico.\" width=\"750\" height=\"1656\" class=\"align-center\"\/>\n<\/p>\n<p>Arte: Jefferson Mendes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1TR7S4b0Bvu0hTGSklhq5oD1gyDA68F0Q\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Acesse as imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Detalhes da ultraestrutura<\/strong><\/p>\n<p>A coordenadora da pesquisa e chefe do Laborat\u00f3rio de Morfologia e Morfog\u00eanese Viral, D\u00e9bora Ferreira Barreto Vieira, explica que a ultraestrutura compreende aspectos que s\u00f3 podem ser visualizados com ferramentas de alta magnifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUtilizando a microscopia eletr\u00f4nica de transmiss\u00e3o, foi poss\u00edvel observar com maior resolu\u00e7\u00e3o eventos associados \u00e0 replica\u00e7\u00e3o viral, incluindo modifica\u00e7\u00f5es na c\u00e9lula infectada e observa\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias part\u00edculas do v\u00edrus Oropouche\u201d, aponta D\u00e9bora, que ressalta a import\u00e2ncia do estudo da cepa atual.<\/p>\n<p>\u201cEssa an\u00e1lise permite avaliar potenciais altera\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 linhagem viral em circula\u00e7\u00e3o e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do surto recente, fornecendo dados atualizados e mais representativos para a compreens\u00e3o da patog\u00eanese e da din\u00e2mica viral no contexto contempor\u00e2neo\u201d, completa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/dsc_0617_oropouche_microscopia (1).jpg\" data-entity-uuid=\"6f912cba-a233-4c78-aaa7-23d090e3c58e\" data-entity-type=\"file\" alt=\"V\u00edrus.\" width=\"750\" height=\"500\"\/>\n<\/p>\n<p>Imagens do v\u00edrus Oropouche foram captadas na Plataforma de Microscopia Eletr\u00f4nica Rudolf Barth, do IOC\/Fiocruz (foto: Rudson Amorim)<\/p>\n<p>Os registros mostram, em detalhes, a part\u00edcula viral, que mede cerca de 80 nan\u00f4metros, e os compartimentos das c\u00e9lulas onde o pat\u00f3geno se replica. \u00a0<\/p>\n<p>O v\u00edrus Oropouche aparece aderido \u00e0 membrana celular, na etapa inicial da infe\u00e7\u00e3o; no interior do citoplasma das c\u00e9lulas; em ves\u00edculas nas quais h\u00e1 part\u00edculas virais com diferentes graus de matura\u00e7\u00e3o; e no interior do complexo de Golgi, organela que atua na distribui\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas no interior da c\u00e9lula e participa da s\u00edntese de outros v\u00edrus da ordem Bunyavirales, da qual o Oropouche faz parte.<\/p>\n<p>Evidenciando o avan\u00e7o dos danos celulares ao longo do tempo de infec\u00e7\u00e3o, observam-se altera\u00e7\u00f5es em diversas estruturas e aparecimento de corpos apopt\u00f3ticos, que s\u00e3o um tipo de fragmento que se desprende das c\u00e9lulas quando o v\u00edrus ou as les\u00f5es causadas por ele desencadeiam o mecanismo de morte celular programada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante compreender o ciclo replicativo do Oropouche nas c\u00e9lulas porque isso pode se relacionar com a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Por exemplo, observamos muitas ves\u00edculas intra e extra-celulares, que podem ser um mecanismo do v\u00edrus para escapar das defesas do sistema imune\u201d, comenta Ana Luisa Teixeira de Almeida, doutoranda do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Medicina Tropical do IOC\/Fiocruz e autora da pesquisa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/dsc_0734_oropouche_microscopia.jpg\" data-entity-uuid=\"fbc35c6d-14ba-488e-8236-06e00a5316d9\" data-entity-type=\"file\" alt=\"V\u00edrus.\" width=\"750\" height=\"500\" class=\"align-center\"\/>\n<\/p>\n<p>Protocolos estabelecidos ser\u00e3o aplicados em novos estudos sobre o pat\u00f3geno (foto: Rudson Amorim)<\/p>\n<p><strong>Modelo de estudo<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de ampliar os dados dispon\u00edveis, o trabalho estabeleceu metodologias que podem contribuir para o avan\u00e7o do conhecimento. O estudo confirmou que c\u00e9lulas Vero, derivadas de rim de macaco e muito usadas na virologia, s\u00e3o um bom modelo para ensaios com Oropouche. Tamb\u00e9m padronizou a t\u00e9cnica para titula\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno nessas c\u00e9lulas, um procedimento aplicado para quantificar o volume de part\u00edculas virais infectivas.<\/p>\n<p>Em pesquisas anteriores, outros grupos de cientistas tinham realizado experimentos sobre o Oropouche com uma linhagem celular chamada HeLa, que \u00e9 derivada de c\u00e9lulas tumorais humanas.<\/p>\n<p>\u201cVerificamos que as c\u00e9lulas Vero s\u00e3o suscet\u00edveis ao Oropouche e que o v\u00edrus consegue se replicar de forma eficiente nessas c\u00e9lulas, alcan\u00e7ando altas titula\u00e7\u00f5es. Como essa linhagem celular \u00e9 classicamente utilizada em an\u00e1lises sobre arbov\u00edrus, como dengue, isso facilita novas pesquisas e compara\u00e7\u00f5es\u201d, explica Igor Pinto Silva da Costa, mestrando do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Medicina Tropical do IOC\/Fiocruz e autor do estudo.<\/p>\n<p>A partir do modelo estabelecido, os pesquisadores devem investigar o passo-a-passo da infec\u00e7\u00e3o com diferentes t\u00e9cnicas de microscopia, incluindo a microscopia eletr\u00f4nica de varredura por feixe de \u00edons focalizados (FIB), que permite construir modelos tridimensionais das estruturas envolvidas no processo.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 caracterizar o ciclo replicativo do v\u00edrus da forma mais completa e did\u00e1tica poss\u00edvel. Isso contribui para a busca de terapias antivirais, que n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para o Oropouche e s\u00e3o ainda mais relevantes considerando o avan\u00e7o desse v\u00edrus no Brasil e novas evid\u00eancias que apontam para possibilidade de transmiss\u00e3o vertical e de impacto no sistema nervoso central\u201d, ressalta D\u00e9bora.<\/p>\n<p><strong>Oropouche<\/strong><\/p>\n<p>Com hist\u00f3rico de surtos na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o v\u00edrus Oropouche passou a ser detectado na maior parte do Brasil em 2024. Este ano, at\u00e9 18 de agosto, foram registrados cerca de 11.900 casos em 19 estados, incluindo cinco \u00f3bitos confirmados e dois em investiga\u00e7\u00e3o, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>O v\u00edrus \u00e9 transmitido pela picada do inseto Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-p\u00f3lvora.<\/p>\n<p>A febre Oropouche tem sintomas como febre alta, dor de cabe\u00e7a intensa, dor muscular, n\u00e1usea e diarreia, que s\u00e3o comuns em outras arboviroses, como a dengue. O diagn\u00f3stico \u00e9 feito com base na avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, epidemiol\u00f3gica e laboratorial.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe tratamento espec\u00edfico contra o v\u00edrus, mas os pacientes devem procurar atendimento m\u00e9dico para acompanhamento e tratamento sintom\u00e1tico, al\u00e9m de fazer repouso.<\/p>\n<p>Entre as medidas para prevenir a doen\u00e7a s\u00e3o indicadas: evitar ou minimizar o contato com maruins, usar roupas que cubram o corpo ao entrar em \u00e1reas infestadas, manter terrenos e locais de cria\u00e7\u00e3o de animais limpos e colocar telas de malha fina em portas e janelas.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para combater um microrganismo capaz de gerar um problema de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e9 preciso conhec\u00ea-lo. 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