{"id":39589,"date":"2025-08-22T01:13:03","date_gmt":"2025-08-22T01:13:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39589\/"},"modified":"2025-08-22T01:13:03","modified_gmt":"2025-08-22T01:13:03","slug":"degelo-marinho-no-arctico-desacelerou-mas-e-apenas-uma-tregua-temporaria-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39589\/","title":{"rendered":"Degelo marinho no \u00c1rctico desacelerou, mas \u00e9 apenas uma \u201ctr\u00e9gua tempor\u00e1ria\u201d | Clima"},"content":{"rendered":"<p>O degelo do gelo marinho do \u00c1rctico registou uma desacelera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, um fen\u00f3meno que surpreendeu a comunidade cient\u00edfica, especialmente num per\u00edodo de aquecimento global recorde. Esta pausa, no entanto, resultar\u00e1 provavelmente de um fen\u00f3meno de \u201cvariabilidade clim\u00e1tica interna\u201d, ou seja, de varia\u00e7\u00f5es naturais que ocorrem devido a interac\u00e7\u00f5es entre os componentes do sistema terrestre que t\u00eam compensado a perda de gelo. Ser\u00e1, por isso, apenas uma pausa tempor\u00e1ria, que apenas mascara, mas n\u00e3o anula, a tend\u00eancia de longo prazo de aquecimento global impulsionado pela ac\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista cient\u00edfica Geophysical Research Letters, recorreu a dois conjuntos de dados diferentes sobre a extens\u00e3o do gelo marinho do \u00c1rctico, desde 1979 at\u00e9 aos dias de hoje, analisando a \u00e1rea de gelo marinho para cada m\u00eas do ano. A desacelera\u00e7\u00e3o foi observada em todos os casos.<\/p>\n<p>Os dados de sat\u00e9lite revelam que, entre 2005 e 2024, a perda de gelo marinho em Setembro, o m\u00eas em que a cobertura de gelo atinge o seu m\u00ednimo anual, diminuiu para 0,35 e 0,29 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados por d\u00e9cada, dependendo do conjunto de dados utilizado.<\/p>\n<p>Este valor representa uma redu\u00e7\u00e3o de 55% a 63% em compara\u00e7\u00e3o com a taxa de decl\u00ednio a longo prazo de 0,78 a 0,79 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados por d\u00e9cada observada entre 1979 e 2024. Este \u00e9 o ritmo de perda mais lento registado em qualquer per\u00edodo de 20 anos desde o in\u00edcio dos registos de sat\u00e9lite, em 1979, sendo quatro a cinco vezes mais lento do que o pico observado entre 1993 e 2012.<\/p>\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi evidente na medi\u00e7\u00e3o do volume de gelo perdido, que entre 2010 e 2024 foi de 0,4 milh\u00f5es de quil\u00f3metros c\u00fabicos\u200b por d\u00e9cada, sete vezes menor do que a perda a longo prazo de 2,9 milh\u00f5es de quil\u00f3metros c\u00fabicos\u200b por d\u00e9cada no per\u00edodo de 1979 a 2024. Esta diminui\u00e7\u00e3o da taxa de perda foi observada em todos os meses do ano, n\u00e3o se limitando aos meses de Ver\u00e3o ou Inverno.<\/p>\n<p>Acredita-se que flutua\u00e7\u00f5es ao longo das d\u00e9cadas nas correntes dos oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico, que alteram a quantidade de \u00e1gua aquecida que flui para o \u00c1rctico, desempenharam um papel importante nesta tend\u00eancia.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Variabilidade natural<\/p>\n<p>O investigador Mark England, que liderou o estudo na Universidade de Exeter, no Reino Unido\u200b, afirma que, embora seja surpreendente encontrar uma desacelera\u00e7\u00e3o no degelo, esta \u00e9 uma possibilidade consistente com as simula\u00e7\u00f5es feitas por modela\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e \u201cdeve-se provavelmente \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica natural sobreposta \u00e0 tend\u00eancia de longo prazo impulsionada pelo ser humano\u201d, refere um comunicado da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O investigador, que entretanto passou a trabalhar na Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine, nos EUA, compara a situa\u00e7\u00e3o a uma bola a descer uma colina (leia-se \u201caltera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d) que, ao bater em obst\u00e1culos, pode temporariamente ressaltar para cima ou para o lado, mas o percurso geral continuar\u00e1 a ser para baixo.<\/p>\n<p>A investigadora Julienne Stroeve, especialista em Observa\u00e7\u00e3o e Modelagem Polar da University College London, nota que fen\u00f3menos de \u201cvariabilidade clim\u00e1tica interna\u201d j\u00e1 s\u00e3o conhecidos e foram descritos em estudos anteriores.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 surpreendente que a extens\u00e3o m\u00ednima em Setembro n\u00e3o tenha mudado muito na \u00faltima d\u00e9cada, pois sabemos que os registos clim\u00e1ticos, sejam eles de temperaturas globais ou de gelo marinho, podem permanecer os mesmos por v\u00e1rios anos consecutivos como resultado da variabilidade clim\u00e1tica interna\u201d, explica a investigadora, citada pelo <a href=\"https:\/\/www.sciencemediacentre.org\/expert-reaction-to-modelling-study-looking-at-the-rate-of-arctic-sea-ice-melt-over-the-last-20-years\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Science Media Center<\/a>, plataforma que recolhe opini\u00f5es de especialistas sobre os estudos cient\u00edficos mais noticiados.<\/p>\n<p>A taxa de aumento da temperatura global da superf\u00edcie tamb\u00e9m diminuiu no passado, antes de retomar um aumento r\u00e1pido, como recorda a not\u00edcia do jornal brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2025\/aug\/20\/slowdown-in-melting-of-arctic-sea-ice-surprises-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Guardian<\/a>. Em 1998, por exemplo, a ocorr\u00eancia de um fen\u00f3meno El Ni\u00f1o particularmente intenso seguiu-se de uma d\u00e9cada ou mais de temperaturas globais sem aumentos expressivos, um per\u00edodo que foi mesmo apelidado de \u201ca pausa\u201d. No entanto, recorda o jornal, o planeta continuou a acumular calor durante todo esse per\u00edodo e, desde ent\u00e3o, as temperaturas globais aumentaram rapidamente.<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica impulsionada pela ac\u00e7\u00e3o humana\u200b continua a ser \u201cinequivocamente real\u201d, referem os cientistas, e a urg\u00eancia para a ac\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica mant\u00e9m-se inalterada.<\/p>\n<p>Calmaria antes da tempestade<\/p>\n<p>Os cientistas enfatizam que esta desacelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa uma recupera\u00e7\u00e3o. As projec\u00e7\u00f5es indicam que esta desacelera\u00e7\u00e3o poder\u00e1 persistir por mais cinco a dez anos, mas quando terminar, \u00e9 prov\u00e1vel que seja seguida por um decl\u00ednio mais r\u00e1pido do que a m\u00e9dia. Os modelos sugerem que o ritmo de perda de gelo poder\u00e1 ser 0,6 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados\u200b por d\u00e9cada mais r\u00e1pido do que o decl\u00ednio de longo prazo.<\/p>\n<p>Mark England recorda que h\u00e1 cerca de 15 anos, quando a perda de gelo marinho estava a acelerar, j\u00e1 se falava sobre \u201c<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/03\/azul\/noticia\/dia-gelo-arctico-ja-2027-mostra-estudo-2114216\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">um \u00c1rctico sem gelo at\u00e9 2020<\/a>\u201d, mas a variabilidade natural acabou por cancelar em grande parte a perda de gelo marinho. \u201cIsto deu-nos um pouco mais de tempo, mas \u00e9 uma tr\u00e9gua tempor\u00e1ria \u2013 quando acabar, n\u00e3o ser\u00e3o boas not\u00edcias.\u201d<\/p>\n<p>Olhando para a tend\u00eancia de longo prazo, a \u00e1rea de gelo marinho em Setembro j\u00e1 reduziu para metade desde 1979, e a cobertura de gelo de Ver\u00e3o est\u00e1 pelo menos 33% abaixo do que estava h\u00e1 quase 50 anos. O \u00c1rctico continua a aquecer a um ritmo at\u00e9 quatro vezes superior ao resto do planeta, e espera-se que venha a registar condi\u00e7\u00f5es sem gelo mais tarde no s\u00e9culo, com s\u00e9rias consequ\u00eancias para o ecossistema e para o aquecimento global.<\/p>\n<p>Esta desacelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser vista como uma boa not\u00edcia que proporciona mais tempo para a ac\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, refor\u00e7a tamb\u00e9m a f\u00edsica \u200bGa\u00eblle Veyssi\u00e8re, especialista em gelo marinho e neve do British Antarctic Survey, que descreve o fen\u00f3meno como como um \u201cbreve intervalo numa tempestade, n\u00e3o a passagem da tempestade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O degelo do gelo marinho do \u00c1rctico registou uma desacelera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, um fen\u00f3meno que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39590,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[11267,785,27,28,2271,788,15,16,12114,14,541,25,26,21,22,62,12,13,19,20,542,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-39589","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-arctico","9":"tag-azul","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-clima","13":"tag-crise-climatica","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-gelo","17":"tag-headlines","18":"tag-investigacao-cientifica","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-para-redes","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}