{"id":396598,"date":"2026-05-27T11:02:36","date_gmt":"2026-05-27T11:02:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/396598\/"},"modified":"2026-05-27T11:02:36","modified_gmt":"2026-05-27T11:02:36","slug":"provas-moda-arrancam-hoje-com-greves-e-polemica-pelo-meio-os-alunos-vao-fazer-uma-prova-que-nao-serve-para-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/396598\/","title":{"rendered":"Provas ModA arrancam hoje com greves e pol\u00e9mica pelo meio. &#8220;Os alunos v\u00e3o fazer uma prova que n\u00e3o serve para nada&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>                Os diretores admitem &#8220;constrangimentos&#8221;, mas est\u00e3o otimistas. Garantem que as provas ensaio serviram para colmatar falhas, suprir necessidades e &#8220;olear a m\u00e1quina&#8221;. J\u00e1 professores e sindicatos adivinham mais trabalho &#8220;para pessoal docente e n\u00e3o docente&#8221;, para \u201calgo que serve para muito pouco\u201d<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u201cNa pr\u00f3xima quarta-feira realizar-se-\u00e3o as provas ModA de Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica para o 4.\u00ba ano, de car\u00e1cter obrigat\u00f3rio. Todos queremos que os alunos sejam criativos. At\u00e9 aqui, tudo certo. No entanto, os materiais exigidos, segundo o estabelecido para as escolas, parecem levantar algumas quest\u00f5es. A lista de materiais \u00e9 extensa e, perante a eventual falta destes nas escolas, poder\u00e3o ser os pais a assumir essa responsabilidade\u201d. A den\u00fancia consta de um email a que a CNN Portugal teve acesso. Foi escrito por uma professora titular de uma turma do 4.\u00ba ano de uma escola do Centro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEsta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o me parece correta em termos de equidade. Num pa\u00eds com realidades t\u00e3o distintas, ter\u00e3o todas as fam\u00edlias acesso a este \u2018arsenal\u2019 de materiais?\u201d, questiona a docente.<\/p>\n<p>Da <a href=\"https:\/\/iave.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IC-ModA-47-2026.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">lista de materiais exigida \u00e0s escolas do 1.\u00ba Ciclo<\/a> para as provas de monitoriza\u00e7\u00e3o da aprendizagem (provas ModA) de Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica constam itens como \u201ccoletes numerados de acordo com a lista da turma\u201d, \u201cum conjunto de acess\u00f3rios: \u00f3culos, panos de v\u00e1rios tamanhos e cores, chap\u00e9us de diversos tipos, chinelos e sapatos sem par, len\u00e7os de v\u00e1rios tamanhos, xailes, cintos, bengalas, colheres de pau, meias sem par, cordas, paus, caixas de cart\u00e3o de diferentes tamanhos, em n\u00famero suficiente para permitir a escolha por parte dos alunos\u201d e \u201cum instrumento musical de altura indefinida (clavas, caixas chinesas, blocos de dois sons, tamborins ou pandeiretas) por aluno\u201d, para a parte A da prova A. Para a parte B, o IAVE pede \u201cl\u00e1pis de cor de, pelo menos, oito cores diferentes; l\u00e1pis de cera de, pelo menos, oito cores diferentes; canetas de feltro de, pelo menos, oito cores diferentes; folhas de papel de diferentes tipos (lustro, seda, revista, cartolina, embrulho, etc.); fios de diferentes tipos (l\u00e3, fitas de embrulho, tecido, r\u00e1fia, norte, etc.); peda\u00e7os de tecido de pequena dimens\u00e3o, aproximadamente de 10 cm x 10 cm\u201d, em n\u00famero suficiente para ser partilhado por grupos de seis alunos.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da FENPROF,\u00a0Jos\u00e9 Feliciano da Costa, diz \u00e0 CNN Portugal que este \u00e9 apenas um exemplo das queixas que t\u00eam chegado \u00e0 estrutura sindical sobre as provas ModA. O sindicalista assegura que as provas ensaio, que serviram para testar a prepara\u00e7\u00e3o das escolas para receber, pela primeira vez, as provas de avalia\u00e7\u00e3o externa das aprendizagens que v\u00eam substituir as provas de aferi\u00e7\u00e3o e v\u00e3o ser realizadas em formato digital, vieram revelar muitas fragilidades. \u201cTemos conhecimento de uma escola onde o diretor teve de ir ao chin\u00eas mais perto comprar extens\u00f5es, porque as salas n\u00e3o tinham tomadas suficientes para alimentar todos os computadores dos alunos que ficassem sem bateria\u201d, conta<\/p>\n<p>Internet fraca e hotspots dos alunos <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Feliciano da Costa diz que a pr\u00f3pria instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de algumas escolas \u201cn\u00e3o suporta ter tantos computadores ligados ao mesmo tempo\u201d. E este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema. As falhas de internet de que diretores e professores se queixam tamb\u00e9m n\u00e3o facilitam a vida aos alunos e \u00e0s escolas. \u201cA qualidade da internet \u00e9 insuficiente para dar conta de provas destas. \u00c9 preciso socorrerem-se de equipamentos pr\u00f3prios de alunos, de professores, de autarquias, porque as escolas n\u00e3o t\u00eam capacidade. Sou professor de inform\u00e1tica e sei muito bem as dificuldades nas escolas nesta mat\u00e9ria. Muitos alunos trazem os seus pr\u00f3prios hotspots, que esses j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o fornecidos aos alunos\u201d, denuncia Daniel Martins, coordenador interino do S.TO.P!.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da Fenprof sublinha ainda as \u201cdiferentes condi\u00e7\u00f5es em que s\u00e3o aplicadas estas provas, mesmo dentro das pr\u00f3prias escolas\u201d. \u201cH\u00e1 diferen\u00e7as de condi\u00e7\u00f5es entre os alunos. Nem todas as crian\u00e7as t\u00eam acesso a computadores e dispositivos eletr\u00f3nicos em casa. At\u00e9 podem ter as aprendizagens adquiridas, mas nem todas ter\u00e3o capacidades iguais para as colocarem em pr\u00e1tica em formato digital\u201d, explica.<\/p>\n<p>Em suma, ambos os dirigentes sindicais garantem que as escolas \u201cn\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, n\u00e3o t\u00eam material\u201d e denunciam a \u201cfalta de investimento\u201d da tutela nesta mat\u00e9ria. \u201cO parque inform\u00e1tico nas escolas \u00e9 muito d\u00e9bil\u201d, resume Daniel Martins.<\/p>\n<p>O movimento de professores Miss\u00e3o Escola P\u00fablica (MEP) tamb\u00e9m garante que a rede de internet n\u00e3o foi refor\u00e7ada de forma eficaz em todas as escolas e acrescenta, numa nota escrita enviada \u00e0 CNN Portugal: \u201ccontinuam a existir alunos sem acesso aos kits inform\u00e1ticos ou ainda a aguardar a repara\u00e7\u00e3o dos equipamentos\u201d. \u201cEsta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 incompreens\u00edvel perante os milh\u00f5es de euros do PRR destinados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o digital das escolas. Em teoria muito se avan\u00e7ou; na pr\u00e1tica, continuam a faltar condi\u00e7\u00f5es essenciais\u201d, resume o movimento.<\/p>\n<p>Greves anunciadas <\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/iave.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/calendario2026_provas-moda.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">calend\u00e1rio das provas<\/a> que v\u00e3o avaliar externamente a aquisi\u00e7\u00e3o das aprendizagens no 4.\u00ba e 6.\u00ba anos arranca esta quarta-feira com as provas de Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica do final do 1.\u00ba ciclo. Termina a 8 de junho, com Matem\u00e1tica do 6.\u00ba ano. Pelo meio, h\u00e1 uma greve geral e pr\u00e9-avisos de greve \u00e0s provas ModA, que podem \u201cser um constrangimento. As escolas neste momento n\u00e3o sabem se as provas se v\u00e3o realizar nas suas instala\u00e7\u00f5es, porque h\u00e1 um pr\u00e9-aviso de greve que pode impedir que as provas se realizem\u201d, admite Filinto Lima, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas P\u00fablicas (ANDAEP).<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito focados na greve de dia 3. Pela import\u00e2ncia que tem, pelas implica\u00e7\u00f5es que tem em termos do pacote laboral, mas tamb\u00e9m por causa da lei do trabalho em fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e por causa das ilegalidades cometidas anteriormente nas escolas\u201d, diz Jos\u00e9 Feliciano da Costa, referindo-se a uma paralisa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o abrange apenas a comunidade escolar, mas todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A FENPROF est\u00e1 \u201cfocada\u201d na greve geral, mas, juntamente com o S.TO.P!, tamb\u00e9m convocou greve \u00e0s provas ModA. \u201cAs raz\u00f5es prendem-se com todas as implica\u00e7\u00f5es que isto tem. Porque, na pr\u00e1tica, n\u00e3o s\u00e3o um processo de aferi\u00e7\u00e3o. Aquilo n\u00e3o resulta em nada. Porque \u00e9 que se est\u00e1 a fazer isto? Por teimosia?\u201d, questiona Feliciano da Costa.<\/p>\n<p>Daniel Martins concorda com a falta de utilidade pr\u00e1tica das provas ModA. \u201cOs alunos v\u00e3o fazer uma prova que n\u00e3o serve para nada. S\u00e3o provas feitas por uma mera obriga\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e estat\u00edstica\u201d, defende o dirigente do S.TO.P!.<\/p>\n<p>\u201cEste ano, ainda se agrava mais. Este Governo come\u00e7ou a fazer provas ensaio no ano passado. Deviam ter sido feitas uma vez, mas decidiram faz\u00ea-las tamb\u00e9m este ano. Deviam ter sido feitas em fevereiro, mas n\u00e3o foram por causa das tempestades. Em vez de as cancelar, este Governo adiou-as. Isto fez com que, no espa\u00e7o de um m\u00eas, est\u00e3o a fazer-se as mesmas provas, com todo o constrangimento que isso gera nas escolas\u201d, acrescenta ainda David Martins, sublinhando \u201co tempo que ocupam e que devia estar a ser usado no trabalho com os alunos\u201d e a \u201cansiedade terr\u00edvel nas crian\u00e7as, com provas feitas duas vezes no espa\u00e7o de um m\u00eas e picos\u201d.<\/p>\n<p>Alunos sem aulas por causa das ModA <\/p>\n<p>Os sindicatos criticam a interfer\u00eancia que as provas t\u00eam no normal funcionamento das escolas e o facto de muitos alunos ficarem sem aulas por causa delas.<\/p>\n<p>\u201cIsto \u00e9 um contrassenso. O ministro est\u00e1 sempre muito preocupado com os alunos sem aulas. Por causa das provas ModA, muitos professores deixam de dar as suas aulas, porque os diretores dispensam os alunos para terem salas e n\u00e3o sobrecarregarem as estruturas\u201d, ataca Daniel Martins.<\/p>\n<p>\u201cNo per\u00edodo mais cr\u00edtico e de maior ansiedade para os alunos &#8211; o final de ano letivo, per\u00edodo de avalia\u00e7\u00f5es e prepara\u00e7\u00e3o para exames nacionais -, em vez de professores e profissionais da educa\u00e7\u00e3o estarem concentrados na prepara\u00e7\u00e3o dos alunos para esta fase, v\u00e3o estar imputados a tarefas burocr\u00e1ticas e os alunos ficam sem as aulas\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Cristina Mota, porta-voz da MEP tamb\u00e9m critica o \u201ccancelamento\u201d de aulas por causa da realiza\u00e7\u00e3o das provas ModA. \u201cExistem turmas que j\u00e1 acumularam seis dias sem aulas, aos quais se somam os dias anteriormente interrompidos para a realiza\u00e7\u00e3o das provas-ensaio\u201d, contabiliza.<\/p>\n<p>\u201cEsta situa\u00e7\u00e3o condiciona inevitavelmente as aprendizagens dos alunos numa altura particularmente sens\u00edvel do ano letivo, agravando dificuldades j\u00e1 existentes num contexto em que a falta de professores continua, por si s\u00f3, a comprometer de forma significativa o ensino ministrado\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Por tudo isto, a MEP defende que, como n\u00e3o t\u00eam implica\u00e7\u00e3o direta na avalia\u00e7\u00e3o dos alunos a aplica\u00e7\u00e3o de provas de avalia\u00e7\u00e3o externa das aprendizagens devia ser feita \u201csobre uma amostra representativa e n\u00e3o sobre a totalidade da popula\u00e7\u00e3o escolar, \u00e0 semelhan\u00e7a do que sucede em estudos internacionais como o PISA\u201d.<\/p>\n<p>Diretores otimistas <\/p>\n<p>Os diretores escolares n\u00e3o afinam pelo mesmo diapas\u00e3o. Filinto Lima garante que, cada vez mais, os resultados das antecessoras provas de aferi\u00e7\u00e3o \u201ccome\u00e7am a ter impacto no trabalho de muitas escolas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1, de facto, quem diga que \u00e9 muita parra para pouca uva. Muito trabalho para pouco resultados. Eu n\u00e3o quero afinar por a\u00ed. As provas t\u00eam resultados mais macro &#8211; para o minist\u00e9rio saber o que est\u00e1 a ser feito nas escolas &#8211; e resultados mais micro &#8211; nas pr\u00f3prias escolas, para serem debatidos em conselho de pedag\u00f3gico e em conselho de turma\u201d, garante o presidente da ANDAEP, acrescentando que, \u201cem algumas escolas, este trabalho serve de avalia\u00e7\u00e3o dos alunos e serve como teste para avalia\u00e7\u00e3o final do aluno\u201d, j\u00e1 que o minist\u00e9rio deixou ao crit\u00e9rio das escolas aproveitar ou n\u00e3o as provas ModA como elementos de avalia\u00e7\u00e3o final dos alunos.<\/p>\n<p>Mas Filinto Lima assegura que as escolas est\u00e3o preparadas para receber as provas, que \u201caprenderam com o passado\u201d e \u201caproveitaram as provas ensaio para fazer o diagn\u00f3stico do que estava menos bem\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dos \u201cproblemas de sempre\u201d, com a internet e com a resist\u00eancia de instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas envelhecidas nas escolas, Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Escolas\u00a0de\u00a0Viso, em Viseu, est\u00e1 confiante que \u201cvai correr tudo bem\u201d. \u00a0\u00a0\u201cAs provas ensaio apresentaram algumas fragilidades e corrigimos essas fragilidades. No meu agrupamento, a m\u00e1quina est\u00e1 muito bem oleada e n\u00e3o antecipo problemas de maior\u201d, antev\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os diretores admitem &#8220;constrangimentos&#8221;, mas est\u00e3o otimistas. 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