{"id":397211,"date":"2026-05-27T20:42:38","date_gmt":"2026-05-27T20:42:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/397211\/"},"modified":"2026-05-27T20:42:38","modified_gmt":"2026-05-27T20:42:38","slug":"filme-copan-faz-radiografia-do-predio-simbolo-de-sao-paulo-opera-mundi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/397211\/","title":{"rendered":"Filme \u2018Copan\u2019 faz radiografia do pr\u00e9dio s\u00edmbolo de S\u00e3o Paulo &#8211; Opera Mundi"},"content":{"rendered":"<p>Premiado como melhor filme no festival \u00c9 Tudo Verdade e destaque no circuito internacional de document\u00e1rios, Copan chega aos cinemas nesta quinta-feira (28\/05) com uma imers\u00e3o no emblem\u00e1tico edif\u00edcio projetado por Oscar Niemeyer.<\/p>\n<p>No filme, o pr\u00e9dio s\u00edmbolo da cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 apresentado por um olhar observacional que adentra suas entranhas, como um raio-x que nada esconde. Com um acesso raro aos seus bastidores, a diretora Carine Wallauer cria um retrato bastante particular do maior condom\u00ednio residencial da Am\u00e9rica Latina, no qual viveu por sete anos. A partir dessa sua rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o espa\u00e7o, Wallauer traz para a pel\u00edcula a experi\u00eancia sensorial de morar no pr\u00e9dio. \u201cO meu objetivo principal com o Copan era trazer aspectos mais emocionais, sens\u00edveis, subjetivos e on\u00edricos do pr\u00e9dio. Aquilo que a gente sente como morador, como trabalhador l\u00e1 dentro. [\u2026] esse pr\u00e9dio funciona como um organismo vivo. Ele pulsa, voc\u00ea p\u00f5e a m\u00e3o e sente uma vibra\u00e7\u00e3o. Eu quis trazer isso para a experi\u00eancia f\u00edlmica\u201d, conta a diretora em entrevista exclusiva para Opera Mundi.<\/p>\n<p>Tudo que a grande m\u00eddia n\u00e3o mostra, do seu jeito.<\/p>\n<p>                            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/themes\/operamundi-theme\/assets\/images\/icons\/mail-black.svg\" alt=\"\u00cdcone Newsletter\"\/><\/p>\n<p>                        Newsletter<\/p>\n<p>                    Not\u00edcias internacionais, com an\u00e1lise cr\u00edtica e independente. Sem filtros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-255836\" class=\"size-full wp-image-255836\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/rsz_1rsz_1copan_01.webp\" alt=\"Funcion\u00e1rio toca o hino nacional no violino. &lt;br&gt; (Foto: divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"1193\" height=\"858\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-255836\" class=\"wp-caption-text\">Funcion\u00e1rio toca o hino nacional no violino. <br \/>(Foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>No filme, este espa\u00e7o f\u00edsico \u00e9 permeado por tens\u00f5es pol\u00edticas, expressas no microcosmos da elei\u00e7\u00e3o de s\u00edndico e no \u00e2mbito maior da elei\u00e7\u00e3o presidencial. Nesse contexto, as disputas de poder se espelham e geram embates recorrentes no cotidiano dos moradores e funcion\u00e1rios, consequ\u00eancia de polariza\u00e7\u00f5es bem demarcadas no espa\u00e7o coletivo.<\/p>\n<p>\u201cEu vi que seria uma boa oportunidade de falar sobre como a democracia se d\u00e1, como a pol\u00edtica se d\u00e1 dentro de um uma estrutura de condom\u00ednio e de pa\u00eds. Como a nossa participa\u00e7\u00e3o e o modo como a gente se coloca politicamente no mundo interferem no modo como a gente fala com o vizinho. O resultado dessa elei\u00e7\u00e3o me afeta diretamente, pois moro naquele pr\u00e9dio. Mas a elei\u00e7\u00e3o presidencial tamb\u00e9m me afeta, porque moro nesse pa\u00eds.\u201d, afirma a diretora.<\/p>\n<p><a data-analytics-click=\"\" data-analytics-category=\"click_area\" data-analytics-action=\"editorial-v2\" data-analytics-label=\"geral\" href=\"https:\/\/operamundi.com.br\/apoio\/\" aria-label=\"C\u00f3pia de editorial-v2-920\u00d7250\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/copia-de-editorial-v2-920x250-1.jpg\" alt=\"\"   width=\"920\" height=\"250\"\/><\/a><\/p>\n<p>Mais lidas&lt;&gt;<\/p>\n<p>Confira abaixo a entrevista completa com Carine Wallauer.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-255837\" class=\"size-full wp-image-255837\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/copan-poster_impressao_alterado_18.05.webp\" alt=\"Cartaz de Copan. &lt;br&gt; (Foto: divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"697\" height=\"1024\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-255837\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz de Copan. <br \/>(Foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><b>No filme voc\u00ea fala que voc\u00ea morou no Copan durante sete anos, mas de onde surgiu seu interesse pelo pr\u00e9dio?<\/b><\/p>\n<p>Eu sou do Rio Grande do Sul, de uma cidade de m\u00e9dio porte, chamada Novo Hamburgo. Venho de uma fam\u00edlia da classe trabalhadora do servi\u00e7o. Minha m\u00e3e era empregada dom\u00e9stica. Meu pai faleceu recentemente, mas ele sempre trabalhou com servi\u00e7o tamb\u00e9m. Eu trabalhei em shopping muitos anos e foi quando eu pedi demiss\u00e3o e vim visitar uma amiga aqui em S\u00e3o Paulo que eu conheci o Copan.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu n\u00e3o venho de um lugar onde a gente discute arquitetura em casa. N\u00e3o discutia arte, ent\u00e3o n\u00e3o tinha esse repert\u00f3rio. O Copan me chamou a aten\u00e7\u00e3o pela sua magnitude mesmo. Eu estava andando na rua, olhei para esse pr\u00e9dio e pensei \u201co que \u00e9 isso\u201d? Mexeu comigo. E uns dois ou tr\u00eas meses depois eu consegui um trabalho em S\u00e3o Paulo, me mudei para a cidade e fui morar no Copan. Isso foi em 2017.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 morava no Copan h\u00e1 dois anos quando essa ideia de fazer um filme come\u00e7ou a se desenvolver em mim. Ent\u00e3o eu j\u00e1 tinha boas rela\u00e7\u00f5es estabelecidas no pr\u00e9dio. Como eu me mudei sozinha, sem minha fam\u00edlia, e n\u00e3o tinha uma rede formada de amigos em S\u00e3o Paulo ainda, essas pessoas ficaram muito pr\u00f3ximas de mim, especialmente os funcion\u00e1rios do pr\u00e9dio, que eram as pessoas que eu via todos os dias.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o esse acesso tamb\u00e9m facilitou bastante a cria\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a que esse document\u00e1rio, com esse perfil intimista, precisa. Fiquei cinco anos filmando essas pessoas, o que demanda uma proximidade que j\u00e1 vinha sendo constru\u00edda antes de eu pensar em fazer um filme.<\/p>\n<p><b>A sua intimidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com as pessoas, mas tamb\u00e9m com o pr\u00e9dio. Alguns espa\u00e7os que voc\u00ea mostra s\u00e3o bastante restritos e s\u00f3 temos acesso por meio do filme, como os apartamentos, \u00e1reas dos funcion\u00e1rios e at\u00e9 a assembleia de condom\u00ednio. Como voc\u00ea conseguiu esses acessos? Quais foram as dificuldades nesse processo? Teve algum espa\u00e7o f\u00edsico ou simb\u00f3lico que voc\u00ea n\u00e3o conseguiu entrar?<\/b><\/p>\n<p>Tudo que eu imaginei de acesso eu consegui e ainda al\u00e9m. Houve realmente uma confian\u00e7a muito grande por parte do Seu Afonso, que foi s\u00edndico do pr\u00e9dio por d\u00e9cadas, at\u00e9 falecer, agora em dezembro. E confian\u00e7a tamb\u00e9m dos funcion\u00e1rios, especialmente. A gente acabou estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte que muitas coisas foram acontecendo por conta deles, por informa\u00e7\u00f5es que eles me traziam.<\/p>\n<p>A maior dificuldade que a gente teve foi, na verdade, em encontrar eleitores de Bolsonaro que aceitassem participar do filme naquela \u00e9poca, porque havia uma situa\u00e7\u00e3o de polaridade, que inclusive o filme traz bastante. E eles sabiam que eu era uma pessoa de esquerda. Era um pouco mais dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m nunca foi um grande problema. A gente sempre encontra pessoas abertas a conversar. Eu tenho uma postura muito curiosa, muito emp\u00e1tica e muito aberta. Ent\u00e3o eu gosto de conversar, inclusive com pessoas que votam no Bolsonaro, para entender um pouco mais como essas din\u00e2micas se d\u00e3o.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m o filme se prop\u00f5e a discutir isso de uma forma muito desprovida de hierarquia nesse sentido. N\u00e3o coloca a esquerda como superior \u00e0 direita. Eu acho que ele trata com respeito ambos os lados para a gente tentar chegar numa discuss\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p><b>O filme constr\u00f3i algumas tens\u00f5es, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais, como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de s\u00edndico. As duas elei\u00e7\u00f5es aconteceram no mesmo momento? Esse paralelo entre elas estava colocado naquele contexto ou foi uma an\u00e1lise sua que apontou esse espelhamento?<\/b><\/p>\n<p>Elas n\u00e3o aconteceram ao mesmo tempo. A elei\u00e7\u00e3o para s\u00edndico aconteceu em 2021 ou 2020, ainda no pico da pandemia, e ela me pegou de surpresa. Eu pude participar da assembleia, porque eu era moradora.<\/p>\n<p>E, n\u00e3o sabendo o que ia acontecer, decidi filmar de qualquer forma, como possibilidade de uso. No document\u00e1rio tem muito isso. Voc\u00ea filma para ver se rende; melhor ter do que n\u00e3o ter. Ent\u00e3o filmei essa assembleia para elei\u00e7\u00e3o de s\u00edndico, que durou 9 horas. Foram 9 horas de muita tens\u00e3o. A pol\u00edcia veio. Foi um grande barraco. Foi uma coisa super tensa que eu nunca imaginaria. A minha imagina\u00e7\u00e3o de cineasta n\u00e3o ousaria ir t\u00e3o longe quanto foi essa essa assembleia. Mas foi um momento muito interessante para entender melhor essa din\u00e2mica de poder que se d\u00e1 dentro do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Foram cinco anos que a gente ficou filmando, ent\u00e3o, em determinado momento tamb\u00e9m aconteceu a elei\u00e7\u00e3o presidencial. Eu ouvia os funcion\u00e1rios, principalmente, dialogando muito sobre quem eles iam votar, via movimenta\u00e7\u00f5es de pessoas pr\u00f3 Bolsonaro e pr\u00f3 Lula dentro do pr\u00e9dio, nos bares, nos restaurantes, tinham manifesta\u00e7\u00f5es acontecendo\u2026<\/p>\n<p>E eu vi que seria uma boa oportunidade de falar sobre como a democracia se d\u00e1, com a pol\u00edtica se d\u00e1 dentro de um uma estrutura de condom\u00ednio e de pa\u00eds. Como a nossa participa\u00e7\u00e3o e o modo como a gente se coloca politicamente no mundo interferem no modo como a gente fala com o vizinho. O resultado dessa elei\u00e7\u00e3o me afeta diretamente, pois moro naquele pr\u00e9dio. Mas a elei\u00e7\u00e3o presidencial tamb\u00e9m me afeta, porque moro nesse pa\u00eds. Ent\u00e3o, como a gente engaja de formas diferentes. Esse foi o objetivo e um grande desafio de como balancear isso dentro da estrutura do filme.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-255838\" class=\"size-full wp-image-255838\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/copan_06-scaled.webp\" alt=\"Seu Afonso, s\u00edndico do pr\u00e9dio por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. &lt;br&gt; (Foto: divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"2560\" height=\"1073\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-255838\" class=\"wp-caption-text\">Seu Afonso, s\u00edndico do pr\u00e9dio por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. <br \/>(Foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><b>E como voc\u00ea pensou essa estrutura na montagem, com cinco anos de material gravado? Eu vi uma outra entrevista sua que voc\u00ea comenta que voc\u00ea gravou entrevistas com as pessoas e que optou por n\u00e3o us\u00e1-las. Pode comentar essa decis\u00e3o de n\u00e3o incluir as entrevistas e se voc\u00ea pensa em fazer outros usos desse material no futuro, talvez com outro filme, por exemplo?<\/b><\/p>\n<p>Eu sempre soube que eu n\u00e3o usaria as entrevistas nesse filme por uma uma decis\u00e3o de linguagem mesmo. O meu objetivo principal com o Copan era trazer aspectos mais emocionais, sens\u00edveis, subjetivos e on\u00edricos do pr\u00e9dio. Aquilo que a gente sente como morador, como trabalhador l\u00e1 dentro. Ent\u00e3o eu via a entrevista no lugar de um document\u00e1rio mais cl\u00e1ssico, mas mais formal, que n\u00e3o era meu objetivo com este projeto.<\/p>\n<p>Eu imagino usar essas entrevistas em outro projeto. Eu gostaria muito de fazer uma instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica, algo em museu, que pudesse ser uma expans\u00e3o, uma extens\u00e3o do longa-metragem. E inclusive o filme tem circulado muito bem em museus e j\u00e1 foi apresentado em museus em Montreal, em Praga, em Bruxelas, e em breve no cinema da Bienal de S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o o filme tem esse lugar de uma possibilidade de amplia\u00e7\u00e3o nesse lugar das artes.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea falou sobre a reprodu\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es e, de fato, ao longo do filme, isso fica muito evidente. Por exemplo, tem um zumbido bastante constante e alguns planos vazios que criam uma sensa\u00e7\u00e3o quase fantasmag\u00f3rica. Um pr\u00e9dio que tem uma circula\u00e7\u00e3o absurda de tantas pessoas voc\u00ea representa no filme com muitos planos vazios. Voc\u00ea pode comentar sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica dessas emo\u00e7\u00f5es na linguagem cinematogr\u00e1fica?<\/b><\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de pessoas no Copan se d\u00e1 muito no t\u00e9rreo. O t\u00e9rreo \u00e9 muito agitado. \u00c9 onde ficam as lojas, os restaurantes, esse espa\u00e7o de circula\u00e7\u00e3o aberto a todos. Morar no Copan \u00e9 uma experi\u00eancia bastante silenciosa, contrariando as expectativas. Voc\u00ea n\u00e3o escuta muito os vizinhos, \u00e9 um pr\u00e9dio muito limpo, muito organizado. Mas ele tem um uma polui\u00e7\u00e3o sonora constante, uma sujeirinha, um noise que est\u00e1 sempre ali, que \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o de muitos barulhos que v\u00eam de outras partes e da estrutura do pr\u00f3prio pr\u00e9dio, que formam um som que \u00e9 dif\u00edcil nomear, mas que est\u00e1 sempre presente, e que eu tentei trazer para a pel\u00edcula. N\u00e3o h\u00e1 sil\u00eancio no Copan. N\u00e3o h\u00e1 uma interfer\u00eancia t\u00e3o grande de tumulto das pessoas, mas h\u00e1 um som que reverbera constantemente.<\/p>\n<p>Numa das primeiras entrevistas que eu fiz com o senhor Afonso, que foi o s\u00edndico por 30 anos, ele me levou no t\u00e9rreo do pr\u00e9dio e ele encostou numa parede e falou \u201caqui \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do Copan\u201d. Ent\u00e3o ele tamb\u00e9m sentia como esse pr\u00e9dio funciona como um organismo vivo. Ele pulsa, voc\u00ea p\u00f5e a m\u00e3o e sente uma vibra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu quis trazer isso para a experi\u00eancia f\u00edlmica. Ent\u00e3o \u00e9 um filme documental, mas com um tratamento de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o. A gente teve um design de som bastante bem realizado. A gente n\u00e3o s\u00f3 limpou as suas falas, como no document\u00e1rio normalmente \u00e9 feito, como tamb\u00e9m criamos atmosferas. Fizemos foley de muitas cenas, os sons foram todos recriados na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu, como diretora de fotografia, tive um cuidado est\u00e9tico grande nas escolhas que a gente fazia de como filmar, de como mostrar esse edif\u00edcio na sua complexidade, de fugir um pouco da imagem cl\u00e1ssica que \u00e9 s\u00f3 fachada, de poder trazer aspectos mais profundos.<\/p>\n<p>Eu tenho uma vis\u00e3o de mundo assim, de realidade, que \u00e9 muito permeada pelo subjetivo, pelo sonho. Eu acho que tudo isso \u00e9 verdade. Se eu sonho, se eu penso, se eu acredito, se eu idealizo seu desejo, isso tudo \u00e9 verdade tamb\u00e9m. Isso tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo dentro de mim. Ent\u00e3o eu achei importante trazer isso para o filme tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 ser um retrato material, mas simb\u00f3lico do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p><b>O Copan \u00e9 bastante simb\u00f3lico e \u00e9 bastante presente no imagin\u00e1rio aqui em S\u00e3o Paulo. E o filme trata muito de um contexto pol\u00edtico brasileiro. Mas o filme est\u00e1 circulando bastante, tanto no Brasil quanto fora, e est\u00e1 sendo bastante premiado. Como tem sido essa recep\u00e7\u00e3o do filme fora de S\u00e3o Paulo e fora do Brasil? Como as pessoas se conectam com ele?<\/b><\/p>\n<p>Est\u00e1 sendo muito positivo. Eu viajei para v\u00e1rias sess\u00f5es fora do Brasil com o apoio dos festivais e das embaixadas do Brasil fora. Tive a oportunidade de estar presente, discutir o filme depois das sess\u00f5es com as pessoas desses lugares todos. E apesar de ser um filme sobre o Copan, ele expande as discuss\u00f5es que prop\u00f5e.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a gente fala muito sobre democracia, din\u00e2micas de poder, classe social, sobre como ascender socialmente, como a pessoa que presta um servi\u00e7o para voc\u00ea tamb\u00e9m tem subjetividade, tamb\u00e9m sonha e tamb\u00e9m cria. S\u00e3o aspectos da condi\u00e7\u00e3o humana que v\u00e3o ter uma correspond\u00eancia em outras partes do mundo. Por exemplo, a crise democr\u00e1tica \u00e9 um problema global. A democracia est\u00e1 sendo amea\u00e7ada por um constante crescimento da extrema direita, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil.<\/p>\n<p>Em muitos pa\u00edses, o tema da classe social tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o, seja em maior ou menor escala, assim como as outras din\u00e2micas de poder. O machismo, por exemplo, vemos num pr\u00e9dio como o Copan, que n\u00e3o tem funcion\u00e1rias, apenas homens trabalhando. E temos a figura desse l\u00edder autorit\u00e1rio, que faz o bem pela comunidade, mas com um certo custo. S\u00e3o temas que s\u00e3o recorrentes, mesmo que com uma roupagem um pouco diferente. Mas, com sensibilidade, voc\u00ea consegue fazer associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o as exibi\u00e7\u00f5es foram muito positivas, com salas cheias em todas as sess\u00f5es fora do pa\u00eds, o que me deixou muito feliz. E n\u00e3o eram s\u00f3 brasileiros que estavam assistindo, tinham realmente pessoas locais que se interessavam, que tinham ouvido falar desse pr\u00e9dio, que conhecem o Niemeyer. O Brasil desperta um interesse muito grande fora daqui tamb\u00e9m. Est\u00e1 sendo muito positivo, estou muito feliz.<\/p>\n<p><b>(*) Nayla Guerra<\/b> \u00e9 Mestranda em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica (FFLCH-USP), especialista em Gest\u00e3o Cultural (Senac-SP) e graduada em Audiovisual (ECA-USP). \u00c9 produtora cultural na Cinemateca Brasileira e organizadora do Cine Sapat\u00e3o. \u00c9 autora do livro \u201cEntre apagamentos e resist\u00eancias\u201d e diretora do filme \u201cFerro\u2019s Bar\u201d.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                Leia Tamb\u00e9m&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                    &lt;&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                    &gt;&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n             &#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Premiado como melhor filme no festival \u00c9 Tudo Verdade e destaque no circuito internacional de document\u00e1rios, Copan chega&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":397212,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[140],"tags":[65728,470,40901,1414,59597,114,115,741,147,471,148,146,65729,32,33,654],"class_list":["post-397211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-filmes","tag-carine-wallauer","tag-cinema","tag-copan","tag-documentario","tag-e-tudo-verdade","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-entrevista","tag-film","tag-filme","tag-filmes","tag-movies","tag-nayla-guerra","tag-portugal","tag-pt","tag-sao-paulo"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116648486773162116","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=397211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397211\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/397212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=397211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=397211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=397211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}