{"id":3989,"date":"2025-07-27T14:42:08","date_gmt":"2025-07-27T14:42:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/3989\/"},"modified":"2025-07-27T14:42:08","modified_gmt":"2025-07-27T14:42:08","slug":"abelha-nativa-pode-ser-chave-no-controle-da-dengue-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/3989\/","title":{"rendered":"Abelha nativa pode ser chave no controle da dengue, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e de duas startups de Ribeir\u00e3o Preto encontraram um composto capaz de matar larvas do mosquito da dengue (Aedes aegypti) na pr\u00f3polis produzida pela <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/abelhas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">abelha sem ferr\u00e3o conhecida como manda\u00e7aia<\/a> (Melipona quadrifasciata).<\/p>\n<p>Apoiado pela Fapesp e por um projeto financiado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o trabalho busca agentes larvicidas naturais que combatam o mosquito causador de viroses como <strong>dengue, febre amarela, chikungunya e zika<\/strong>. Atualmente, no combate, se utiliza um inseticida qu\u00edmico t\u00f3xico ao ambiente.<\/p>\n<p>\u201cAs abelhas s\u00e3o conhecidas por recolher materiais na natureza para compor a col\u00f4nia, que em certos casos podem atuar protegendo contra bact\u00e9rias e fungos invasores. Fizemos uma s\u00e9rie de an\u00e1lises na geopr\u00f3polis, que mistura resinas vegetais com part\u00edculas de terra ou argila em sua composi\u00e7\u00e3o. Observamos que o diterpeno presente nela era respons\u00e1vel pela atividade larvicida\u201d, afirma Norberto Peporine Lopes, professor da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto (FCFRP-USP).<\/p>\n<p>Lopes coordena o projeto \u201cInventariando o metabolismo secund\u00e1rio atrav\u00e9s da metabol\u00f4mica: contribui\u00e7\u00e3o para a valora\u00e7\u00e3o da biodiversidade brasileira\u201d, apoiado pela Fapesp no \u00e2mbito do Programa Biota.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o dos resultados ocorreu na revista Rapid Communications in Mass Spectrometry.<\/p>\n<p>Os resultados<\/p>\n<p>Em larvas de Aedes aegypti, os pesquisadores compararam a a\u00e7\u00e3o da pr\u00f3polis tradicional, produzida pela abelha-europeia (Apis mellifera), com a da geopr\u00f3polis da manda\u00e7aia. A primeira teve uma atividade muito baixa, mesmo ap\u00f3s 72 horas de exposi\u00e7\u00e3o. Nos ensaios com a geopr\u00f3polis, por\u00e9m, ocorreu a morte de 90% das larvas em 24 horas e de 100% em 48 horas.<\/p>\n<p>An\u00e1lises realizadas com ferramentas computacionais apontaram o diterpeno como o mais prov\u00e1vel agente larvicida entre os compostos presentes na geopr\u00f3polis. Ao estudar os h\u00e1bitos das abelhas em Bandeirantes, no Paran\u00e1, onde os pesquisadores coletaram a geopr\u00f3polis, observou-se que as manda\u00e7aias visitam frequentemente planta\u00e7\u00f5es de pinus (Pinus elliottii), esp\u00e9cie de \u00e1rvore do hemisf\u00e9rio Norte cultivada no Brasil para a explora\u00e7\u00e3o de madeira e resina.<\/p>\n<p>\u201cEra sabido que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da pr\u00f3polis \u00e9 influenciada pelas resinas coletadas para a constru\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos ninhos, assim como pela composi\u00e7\u00e3o flor\u00edstica do ambiente, do bioma e de fatores sazonais. Nesse caso, ficou claro que a resina do pinus, processada pela saliva das manda\u00e7aias, \u00e9 que proporciona a a\u00e7\u00e3o larvicida\u201d, conta Lu\u00eds Guilherme Pereira Feitosa, primeiro autor do artigo, realizado com apoio da Fapesp durante doutorado na FCFRP-USP.<\/p>\n<p>Abelha brasileira<\/p>\n<p>As manda\u00e7aias s\u00e3o especialmente interessantes porque s\u00e3o de f\u00e1cil cultivo, n\u00e3o t\u00eam ferr\u00e3o e s\u00e3o nativas do Brasil. Assim, uma das ideias dos pesquisadores \u00e9 a valora\u00e7\u00e3o de outros produtos produzidos por elas, al\u00e9m do mel.<\/p>\n<p>No caso da pr\u00f3polis, a da manda\u00e7aia se diferenciou da de outras abelhas nativas analisadas no estudo, encontradas no mesmo munic\u00edpio: a bor\u00e1 (Tetragona clavipes), a mirim (Plebeia droryana) e a jata\u00ed (Tetragonisca angustula). A pr\u00f3polis das tr\u00eas esp\u00e9cies, tamb\u00e9m nativas e sem ferr\u00e3o, teve baixa atividade larvicida.<\/p>\n<p>Os pesquisadores explicam que o volume de geopr\u00f3polis produzido pelas manda\u00e7aias \u00e9 muito baixo, o que torna invi\u00e1vel seu uso como agente larvicida. No entanto, o fato de o diterpeno estar na resina do pinus \u00e9 uma boa not\u00edcia. Produzida em larga escala para diversas aplica\u00e7\u00f5es industriais, como solventes e colas, \u00e9 poss\u00edvel submeter a processos qu\u00edmicos que mimetizam o que \u00e9 o processo realizado pelas manda\u00e7aias.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es que podem formar mol\u00e9culas com maior atividade do que o composto original e que podem ser induzidas em biorreatores, equipamentos presentes na ind\u00fastria farmac\u00eautica\u201d, afirma Lopes.<\/p>\n<p>Abrindo novas portas<\/p>\n<p>Segundo Feitosa, o fluxo de trabalho usado no estudo, envolvendo diferentes t\u00e9cnicas de espectrometria de massas, \u00e9 aplic\u00e1vel na busca de compostos para os mais variados fins. \u201cAtualmente, buscamos mol\u00e9culas naturais com a\u00e7\u00e3o contra tumores\u201d, diz o pesquisador, que agora realiza p\u00f3s-doutorado na FCFRP-USP.<\/p>\n<p>Ainda mais, o projeto do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, coordenado pela professora Laila Salmen Espindola, da UnB, proporcionou a descoberta de outro composto larvicida, presente no \u00f3leo essencial de uma planta j\u00e1 produzida em larga escala. O minist\u00e9rio, em posse dos dados, ainda n\u00e3o publicou a descoberta<\/p>\n<p>Os pesquisadores, inclusive, produziram um p\u00f3 e um comprimido \u00e0 base do \u00f3leo essencial que protegem a \u00e1gua por at\u00e9 24 dias. O p\u00f3 mata imediatamente as larvas, enquanto o comprimido, de libera\u00e7\u00e3o lenta, se dissolve aos poucos e mant\u00e9m a \u00e1gua livre dos mosquitos.<\/p>\n<p>*Sob supervis\u00e3o de Luis Roberto Toledo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e de duas startups de Ribeir\u00e3o Preto&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3990,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[2400,1891,116,32,2401,33,117],"class_list":{"0":"post-3989","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-abelhas","9":"tag-dengue","10":"tag-health","11":"tag-portugal","12":"tag-propolis","13":"tag-pt","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3989\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}