{"id":39956,"date":"2025-08-22T09:26:07","date_gmt":"2025-08-22T09:26:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39956\/"},"modified":"2025-08-22T09:26:07","modified_gmt":"2025-08-22T09:26:07","slug":"ozono-aquecera-o-planeta-mais-do-que-se-pensava-modelos-climaticos-apontam-aumentos-ate-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/39956\/","title":{"rendered":"Ozono aquecer\u00e1 o planeta mais do que se pensava. Modelos clim\u00e1ticos apontam aumentos at\u00e9 2050"},"content":{"rendered":"<p>Altera\u00e7\u00f5es futuras no ozono: modelos clim\u00e1ticos apontam para aumentos at\u00e9 2050, mas com discrep\u00e2ncias regionais<\/p>\n<p>O mundo vai aquecer mais do que o esperado devido a futuras mudan\u00e7as na camada de ozono, que protege a Terra dos raios solares nocivos, mas tamb\u00e9m ret\u00e9m o calor, pois \u00e9 um g\u00e1s de efeito estufa.\u00a0<\/p>\n<p>Embora a proibi\u00e7\u00e3o de gases destruidores da camada de ozono, como os CFCs, tenha ajudado esta camada a recuperar-se quando combinada com o aumento da polui\u00e7\u00e3o do ar, o impacto do ozono pode aquecer o planeta 40% mais do que se pensava originalmente.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Um estudo internacional liderado por William J. Collins, publicado recentemente na revista <a href=\"https:\/\/acp.copernicus.org\/articles\/25\/9031\/2025\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Atmospheric Chemistry an<\/a>d Physics, revela que os n\u00edveis de ozono atmosf\u00e9rico poder\u00e3o aumentar globalmente at\u00e9 2050, impulsionados por pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias destruidoras do ozono (ODS), embora com varia\u00e7\u00f5es significativas entre diferentes regi\u00f5es e modelos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cA polui\u00e7\u00e3o do ar causada por ve\u00edculos, f\u00e1bricas e usinas de energia tamb\u00e9m cria oz\u00f4nio pr\u00f3ximo ao solo, causando problemas de sa\u00fade e aquecendo o planeta.\u201d\u00a0<\/p>\n<p><strong>Mais ozono total em 2050, especialmente no hemisf\u00e9rio sul<\/strong><\/p>\n<p>Com base num conjunto de sete modelos clim\u00e1ticos (designado \u201cTOAR-RF ensemble\u201d), os investigadores projetam um aumento m\u00e9dio global de 12,2 unidades Dobson (DU) no ozono total da coluna (TCO) entre 2015 e 2050, passando de 298,3\u2009DU para 310,5\u2009DU. O aumento mais acentuado dever\u00e1 ocorrer nas latitudes altas do hemisf\u00e9rio sul, indicando sinais de recupera\u00e7\u00e3o da camada de ozono ap\u00f3s d\u00e9cadas de decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Esta evolu\u00e7\u00e3o resulta n\u00e3o s\u00f3 da redu\u00e7\u00e3o dos ODS, mas tamb\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de \u00f3xidos de azoto, di\u00f3xido de carbono, metano e outros precursores do ozono.<\/p>\n<p>Contudo, nem todos os modelos seguem esta tend\u00eancia. O modelo GISS-E2.1_nudged, por exemplo, mostra uma resposta at\u00edpica, com uma fraca recupera\u00e7\u00e3o global e at\u00e9 redu\u00e7\u00f5es acentuadas nas latitudes altas do sul. Os autores atribuem estas discrep\u00e2ncias \u00e0 forma como este modelo foi \u201cfor\u00e7ado\u201d com dados observacionais (nudging), e decidiram exclu\u00ed-lo das m\u00e9dias do conjunto principal.<\/p>\n<p><strong>Ozono troposf\u00e9rico em ascens\u00e3o: 39% do aumento total ocorre na troposfera<\/strong><\/p>\n<p>No que diz respeito ao ozono troposf\u00e9rico \u2014 ou seja, a quantidade de ozono presente na camada da atmosfera mais pr\u00f3xima da superf\u00edcie \u2014, os modelos indicam um aumento de 36,2\u2009DU em 2015 para 40,5\u2009DU em 2050, o que representa um incremento m\u00e9dio de 4,3\u2009DU. Isso equivale a cerca de <strong>39% do aumento total do ozono atmosf\u00e9rico<\/strong>.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es que mais contribuem para este crescimento s\u00e3o o M\u00e9dio Oriente, a \u00cdndia e o sudeste asi\u00e1tico, onde a presen\u00e7a crescente de precursores do ozono (como poluentes industriais e de transportes) impulsiona a forma\u00e7\u00e3o deste g\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Modelos divergem em zonas-chave da atmosfera<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m analisou as mudan\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o vertical do ozono, atrav\u00e9s de perfis zonais m\u00e9dios. Os resultados mostram aumentos generalizados na maioria das camadas da atmosfera, exceto numa zona espec\u00edfica da estratosfera tropical e do hemisf\u00e9rio norte, onde se prev\u00ea uma ligeira redu\u00e7\u00e3o inferior a 1%. Os maiores aumentos ocorrem entre os 60 e 90 graus de latitude sul, numa faixa entre os 300 e 80 hPa de press\u00e3o \u2014 ou seja, na transi\u00e7\u00e3o entre a troposfera superior e a estratosfera inferior.<\/p>\n<p>Ainda assim, esta \u00e9 tamb\u00e9m a regi\u00e3o onde os modelos mostram maior incerteza, com desvios padr\u00e3o superiores a 10%.<\/p>\n<p><strong>Confian\u00e7a nos modelos apesar de diverg\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Para validar a fiabilidade dos modelos utilizados, os autores compararam os resultados obtidos com dados hist\u00f3ricos do projeto CMIP6 e com observa\u00e7\u00f5es reais. O valor simulado para o ozono total em 2015 (294,5\u2009DU) est\u00e1 em boa concord\u00e2ncia com o valor m\u00e9dio do CMIP6 (297,5\u2009DU), embora ambos apresentem uma sobrestima\u00e7\u00e3o face aos dados observacionais (283,5\u2009DU). Para 2050, a proje\u00e7\u00e3o do conjunto TOAR-RF (305,2\u2009DU) tamb\u00e9m se alinha com os resultados do CMIP6 (308,5\u2009DU).<\/p>\n<p>Estes dados sugerem que, apesar das altera\u00e7\u00f5es introduzidas para este estudo, os modelos mant\u00eam uma boa performance em termos de realismo e proje\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es futuras no ozono: modelos clim\u00e1ticos apontam para aumentos at\u00e9 2050, mas com discrep\u00e2ncias regionais O mundo vai&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39957,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-39956","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39956\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}