{"id":401255,"date":"2026-05-31T08:40:12","date_gmt":"2026-05-31T08:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/401255\/"},"modified":"2026-05-31T08:40:12","modified_gmt":"2026-05-31T08:40:12","slug":"mulher-baleada-pela-policia-aos-5-anos-pede-ajuda-ao-estado-para-tirar-bala-do-peito-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/401255\/","title":{"rendered":"Mulher baleada pela pol\u00edcia aos 5 anos pede ajuda ao Estado para tirar bala do peito &#8211; Portugal"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Maria tinha cinco anos quando foi baleada numa opera\u00e7\u00e3o policial na Pedreira dos H\u00fangaros, no concelho de Oeiras. Quase quarenta anos depois, vive com a bala alojada no peito e diz-se desamparada pelo Estado, reclamando justi\u00e7a.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Apresentou queixa este m\u00eas \u00e0 Provedoria de Justi\u00e7a, pedindo a sua &#8220;interven\u00e7\u00e3o urgente&#8221; para localizar o processo judicial, garantir apoio m\u00e9dico especializado como v\u00edtima de crime violentos e investigar o destino da indemniza\u00e7\u00e3o que diz nunca ter recebido.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Na queixa, a que a Lusa teve acesso, Maria recorda o incidente, apoiada pela c\u00f3pia de uma not\u00edcia do Correio da Manh\u00e3 de 14 de outubro de 1987, segundo a qual uma crian\u00e7a de cinco anos tinha sido atingida a tiro no t\u00f3rax por um pol\u00edcia \u00e0 paisana que perseguia dois homens no Bairro da Pedreira dos H\u00fangaros.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        O relato do jornal indicava que o incidente ocorreu cerca das 15h00, numa altura em que muitas crian\u00e7as brincavam &#8220;nas ruas sujas e esburacadas daquele bairro degradado&#8221;, que come\u00e7ou a ser erguido na zona de Miraflores antes do 25 de Abril de 1974 e teve a \u00faltima habita\u00e7\u00e3o destru\u00edda em 2003, ap\u00f3s o realojamento dos seus moradores.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Maria Mendes, conhecida por &#8220;pequena Manu de Regina&#8221;, tinha apenas essa idade quando foi baleada, mas recorda-se de tudo o que se passou naquele dia, que resultou num internamento de tr\u00eas meses no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, no concelho de Oeiras.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        &#8220;Estava a brincar num carrinho de m\u00e3o com outras crian\u00e7as quando comecei a ouvir tiros, mas era normal e n\u00e3o liguei&#8221;, come\u00e7ou por contar \u00e0 Lusa Maria, hoje com 44 anos.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        De in\u00edcio n\u00e3o se apercebeu que tinha sido baleada, at\u00e9 que come\u00e7ou a sentir &#8220;um calor muito forte no peito&#8221; e viu sangue quando colocou a m\u00e3o no local onde tinha sido ferida.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Ap\u00f3s perceber que estava ferida, continuou a bater \u00e0 porta de uma vizinha at\u00e9 ser socorrida. Nessa altura, o pol\u00edcia alegadamente envolvido no incidente aproximou-se, enquanto a m\u00e3e, em choque, foi chamada ao local.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        &#8220;Manu&#8221; recorda-se de ter sido colocada numa viatura policial e transportada pelos pol\u00edcias para o hospital, e de pedir \u00e0 m\u00e3e para lhe &#8220;cuspir no peito&#8221; para n\u00e3o morrer.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        &#8220;Se cuspir fica frio, m\u00e3e. O sangue queima&#8221;, recorda \u00e0 Lusa com a voz embargada, confessando que ao relembrar este momento chora &#8220;a dor&#8221; da sua m\u00e3e.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Lembra o per\u00edodo de internamento como uma experi\u00eancia confusa, mas que, na altura, n\u00e3o percebia como negativa. &#8220;Eu estava feliz, com tantos brinquedos que n\u00e3o tinha&#8221;, salienta.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Esteve internada cerca de tr\u00eas meses porque os m\u00e9dicos n\u00e3o tinham certezas sobre a localiza\u00e7\u00e3o exata da bala. O receio era que, como era &#8220;muito magrinha&#8221;, o proj\u00e9til se deslocasse em dire\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Maria sobreviveu, mas a bala nunca foi retirada devido ao risco cir\u00fargico, segundo lhe foi explicado posteriormente, um des\u00edgnio que se tornou a &#8220;sua maior luta&#8221;.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Diz viver com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas significativas, referindo que o proj\u00e9til est\u00e1 alojado &#8220;a mil\u00edmetros de zonas vitais&#8221; e que a sua condi\u00e7\u00e3o se agravou ao longo dos anos, impedindo-a de trabalhar com normalidade.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Assume viver com o receio de morrer durante o sono e de deixar os filhos desamparados, sublinhando que hoje s\u00e3o a sua principal for\u00e7a.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Atualmente, a viver em F\u00e1tima, Maria diz n\u00e3o ter o apoio m\u00e9dico ou cir\u00fargico adequado \u00e0 sua &#8220;condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima de um erro policial&#8221; como escreve na exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Provedoria da Justi\u00e7a.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Na queixa diz ter tentado localizar o processo-crime nos tribunais de Oeiras e Lisboa, sem sucesso, alegando falta de elementos como n\u00famero de processo ou identifica\u00e7\u00e3o do arguido.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Refere tamb\u00e9m ter informa\u00e7\u00f5es de que ter\u00e1 havido uma indemniza\u00e7\u00e3o na altura, mas que, segundo afirma, nunca lhe chegou &#8220;\u00e0s m\u00e3os&#8221; nem \u00e0s da m\u00e3e, &#8220;imigrante na \u00e9poca, sem conhecimento dos seus direitos&#8221;.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        &#8220;N\u00e3o pe\u00e7o caridade, pe\u00e7o justi\u00e7a&#8221;, resume Maria, que diz ter o direito de saber, quatro d\u00e9cadas depois, quem a baleou e onde para onde foi o dinheiro que lhe era devido.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        Contactada pela Lusa, uma fonte oficial da Provedoria de Justi\u00e7a, afirmou que, nos termos do Estatuto do Provedor de Justi\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 prestada informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre casos concretos.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                &#13;<\/p>\n<p class=\"\">&#13;<br \/>\n        &#8220;A decis\u00e3o de abertura ou de indeferimento liminar de processo de queixa \u00e9 comunicada ao queixoso que, se assim o entender, a pode tornar conhecida&#8221;, refere numa resposta escrita.&#13;\n    <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                                            &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; &#13; &#13; Maria tinha cinco anos quando foi baleada numa opera\u00e7\u00e3o policial na Pedreira dos H\u00fangaros, no&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":401256,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[27,28,60268,8202,43550,57906,15,16,14,66185,25,26,797,21,22,66184,64532,12,13,19,20,5663,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-401255","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-ca-por-casa","tag-casa-nova","tag-casais","tag-com-quem-vai-casar","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-hospital-de-santa-cruz","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-lisboa","tag-main-news","tag-mainnews","tag-maria-mendes","tag-miraflores","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-oeiras","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=401255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401255\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/401256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=401255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=401255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=401255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}