{"id":402879,"date":"2026-06-01T16:37:11","date_gmt":"2026-06-01T16:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/402879\/"},"modified":"2026-06-01T16:37:11","modified_gmt":"2026-06-01T16:37:11","slug":"antonio-peticov-em-mostra-une-psicodelia-e-contracultura-01-06-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/402879\/","title":{"rendered":"Antonio Peticov, em mostra, une psicodelia e contracultura &#8211; 01\/06\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Eu decidi nunca trabalhar. S\u00f3 curtir&#8221;, diz <a href=\"https:\/\/guia.folha.uol.com.br\/passeios\/2026\/05\/mostra-gratis-apresenta-obras-psicodelicas-do-artista-antonio-peticov.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Antonio Peticov<\/a> sobre a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria, enquanto caminha por entre as mais de 400 obras reunidas em sua mostra. Com trabalhos que atravessam o folclore brasileiro, modelos matem\u00e1ticos, trag\u00e9dias americanas e o universo psicod\u00e9lico, ele define sua produ\u00e7\u00e3o como um lugar em que prazer e experimenta\u00e7\u00e3o se confundem.<\/p>\n<p>Peticov ganha, agora aos 80 anos, a maior retrospectiva de sua carreira no <a href=\"https:\/\/guia.folha.uol.com.br\/shows\/2026\/05\/acesso-estrategico-ao-ccsp-inclui-linhas-de-metro-e-onibus-ao-lado-de-vias-agitadas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Centro Cultural S\u00e3o Paulo<\/a>, na zona sul da cidade. A exposi\u00e7\u00e3o que abre nesta quarta-feira (3) re\u00fane pinturas, gravuras, capas de discos, esculturas e instala\u00e7\u00f5es feitas ao longo de seis d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez vi numa exposi\u00e7\u00e3o uma placa de m\u00e1rmore escrita: \u2018Artista sem galeria \u00e9 artista morto\u2019. E eu acredito muito nisso&#8221;, lembra. Sem representa\u00e7\u00e3o fixa ao longo da carreira, Peticov afirma que sempre construiu sozinho os seus caminhos de circula\u00e7\u00e3o. &#8220;A galeria divulga o artista, espalha o trabalho. Eu nunca tive isso.&#8221;<\/p>\n<p>A retrospectiva, explica, nasce justamente da vontade de reunir em ampla escala uma produ\u00e7\u00e3o raramente concentrada numa \u00fanica institui\u00e7\u00e3o. Embora aprovado pela <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/lei-rouanet\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Lei Rouanet<\/a>, o projeto n\u00e3o conseguiu captar patroc\u00ednio privado e acabou sendo realizado com a ajuda de amigos do artista.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma mostra que re\u00fane v\u00e1rios n\u00facleos e evidencia uma produ\u00e7\u00e3o marcada por cruzamentos improv\u00e1veis. H\u00e1 s\u00e9ries inspiradas em desastres americanos, releituras de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/04\/veja-principais-obras-de-pablo-picasso-pintor-cubista-morto-ha-50-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Pablo Picasso<\/a>, investiga\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas inspiradas na sequ\u00eancia de Fibonacci e trabalhos ligados ao espectro das cores e \u00e0 luz. Em uma grande escultura neon em espiral, por exemplo, Peticov d\u00e1 forma \u00e0 propor\u00e7\u00e3o \u00e1urea.<\/p>\n<p>Essa mistura entre experimenta\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece na rela\u00e7\u00e3o do artista com a m\u00fasica. Na juventude, Peticov ajudou a reunir <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rita-lee\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Rita Lee<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq0812199906.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Arnaldo Baptista<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/06\/sergio-dias-que-toca-com-mutantes-em-sp-diz-que-historia-com-rita-lee-e-so-sua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00e9rgio Dias<\/a> no grupo O&#8217;Seis, um embri\u00e3o do que seria <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/os-mutantes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Os Mutantes<\/a>.<\/p>\n<p>Frequentador da cena musical paulistana dos anos 1960, organizava shows de rock no audit\u00f3rio da <b>Folha <\/b>e viu de perto o estilo musical se tornar linguagem da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/michael-franca\/2023\/04\/contracultura-se-retroalimenta-e-pressiona-ideais-elitistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">contracultura<\/a>. &#8220;O rock&#8217;n&#8217;roll era um testemunho de oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era business&#8221;, afirma. &#8220;Era o hino de uma gera\u00e7\u00e3o que percebia que o mundo ao redor n\u00e3o era exatamente aquilo que prometiam.&#8221;<\/p>\n<p>Parte desse universo aparece na sele\u00e7\u00e3o de capas de discos na mostra. Ao longo da carreira, Peticov produziu projetos gr\u00e1ficos para artistas como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq1306200338.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Itamar Assump\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/10\/achavam-que-eu-era-careta-mas-nao-sai-da-minha-onda-diz-alceu-valenca-com-turne.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alceu Valen\u00e7a<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/webstories\/cultura\/2020\/08\/quem-foi-carmen-miranda\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Carmen Miranda<\/a>, al\u00e9m do O&#8217;Seis. Para ele, a capa de \u00e1lbuns era uma esp\u00e9cie de espa\u00e7o privilegiado de comunica\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o visual do artista se desdobra ainda nas esculturas luminosas feitas com neon, material que usa desde os anos 1970. Segundo ele, o interesse surgiu pela capacidade do neon de reproduzir &#8220;as cores reais do espectro&#8221;.<\/p>\n<p>Esse estudo da luz, das cores e da percep\u00e7\u00e3o se conecta diretamente \u00e0s refer\u00eancias espirituais e psicod\u00e9licas que atravessam sua produ\u00e7\u00e3o. O artista relaciona cogumelos e estados alterados de consci\u00eancia ao desenvolvimento da percep\u00e7\u00e3o humana. &#8220;Meu trabalho \u00e9 psicod\u00e9lico no conceito. \u00c9 um olhar diferenciado sobre a realidade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Entre os trabalhos mais pol\u00edticos da mostra est\u00e1 uma instala\u00e7\u00e3o inspirada em torturas utilizadas durante a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ditadura-militar\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ditadura militar<\/a>. Preso em 1970 por porte de \u00e1cido lis\u00e9rgico, o LSD, Peticov lembra ter sido torturado num pr\u00e9dio no centro de S\u00e3o Paulo. &#8220;Era no s\u00e9timo andar. Voc\u00ea via as pessoas andando na rua sem imaginar o que acontecia ali dentro.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar do tom cr\u00edtico, Peticov prefere definir sua trajet\u00f3ria pela ideia de troca. &#8220;Eu procuro viver na base do amor. Entregar e receber.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu decidi nunca trabalhar. 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