{"id":40310,"date":"2025-08-22T14:07:12","date_gmt":"2025-08-22T14:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/40310\/"},"modified":"2025-08-22T14:07:12","modified_gmt":"2025-08-22T14:07:12","slug":"a-historia-de-facelift-quando-o-alice-in-chains-antecipou-o-grunge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/40310\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de \u201cFacelift\u201d, quando o Alice in Chains antecipou o grunge"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 19 de maio de 1989, o jornal Seattle Times cravou: \u201cO <strong><a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/tag\/alice-in-chains\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Alice in Chains<\/a><\/strong> pode ser a pr\u00f3xima banda de Seattle a assinar com uma grande gravadora. Representantes de v\u00e1rias delas devem comparecer ao show do quarteto \u2014 <strong><a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/tag\/layne-staley\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Layne Staley<\/a><\/strong> (vocal), <strong><a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/tag\/jerry-cantrell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Jerry Cantrell<\/a><\/strong> (guitarra), <strong>Mike Starr<\/strong> (baixo) e <strong><a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/tag\/sean-kinney\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Sean Kinney<\/a><\/strong> (bateria) \u2014 nesta noite no VFW Hall, em Bellevue.\u201d<\/p>\n<p>A previs\u00e3o se concretizou alguns meses depois. Ap\u00f3s um per\u00edodo intenso de negocia\u00e7\u00f5es, o AIC assinou contrato com a <strong>CBS Records<\/strong> (futura <strong>Epic<\/strong>) em 11 de setembro de 1989. Come\u00e7ava ali uma nova fase.<\/p>\n<p>&#8211; Advertisement &#8211;<\/p>\n<p>Com o contrato em m\u00e3os, era hora de entrar em est\u00fadio e deixar uma marca. Ou realizar uma cirurgia sonora, como Jerry apontou em entrevista ao <a href=\"https:\/\/www.vice.com\/en\/article\/rank-your-records-alice-in-chains-jerry-cantrell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Vice<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cQuando \u2018Facelift\u2019 foi lan\u00e7ado, \u2018grunge\u2019 nem era uma palavra ainda. Foi um per\u00edodo peculiar, j\u00e1 que o hair metal continuava em alta, com Poison, Warrant e Extreme emplacando seus discos de maior sucesso [\u2018Flesh &amp; Blood\u2019, \u2018Cherry Pie\u2019 e \u2018Extreme II: Pornograffitti\u2019, respectivamente].\u201d<\/p>\n<p>Mas era apenas quest\u00e3o de tempo\u2026<\/p>\n<p>  Rejei\u00e7\u00f5es, descobertas e paisagens sonoras <\/p>\n<p>Se o processo de assinar com uma gravadora foi demorado, encontrar um produtor tamb\u00e9m n\u00e3o foi tarefa f\u00e1cil. O motivo? Pouco entusiasmo da ind\u00fastria. Ao bi\u00f3grafo David De Sola, autor do livro \u201cAlice in Chains: A hist\u00f3ria n\u00e3o revelada\u201d (Editora Ideal, 2016), o produtor Dave Jerden contou:<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo recusou produzir a banda. Era a \u00e9poca do <strong>Guns N\u2019 Roses<\/strong>, e todos estavam procurando algu\u00e9m com uma voz aguda, algo mais pr\u00f3ximo do <strong>Dio<\/strong> ou daquele padr\u00e3o vocal mais tradicional do hard rock.\u201d<\/p>\n<p>Veterano da ind\u00fastria, Jerden havia crescido nos anos 1960 e 1970, cultivando uma admira\u00e7\u00e3o por vozes mais graves, roucas e com influ\u00eancia do blues. Em 1988, ele ficou conhecido por seu trabalho em <strong>\u201c<a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/2023\/08\/janes-addiction-nothings-shocking-album-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Nothing\u2019s Shocking<\/a>\u201d<\/strong>, do <strong>Jane\u2019s Addiction<\/strong> \u2014 um \u00e1lbum que redefiniu o rock alternativo da \u00e9poca. Assim que ouviu a demo do Alice in Chains, sua rea\u00e7\u00e3o foi imediata: \u201cUau!\u201d<\/p>\n<p>Uma reuni\u00e3o entre Jerden e a banda foi marcada. O produtor e o Jerry Cantrell se entenderam logo de cara, mas ainda faltava repert\u00f3rio. A solu\u00e7\u00e3o veio de duas demos anteriores, gravadas com o produtor <strong>Rick Parashar<\/strong> \u2014 que em breve ganharia fama por seu trabalho no \u00e1lbum de estreia do <strong>Pearl Jam<\/strong>, <strong>\u201c<a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/2021\/08\/pearl-jam-ten\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Ten<\/a>\u201d<\/strong> (1991). Dessas grava\u00e7\u00f5es preliminares sa\u00edram as fa\u00edscas que deram origem ao n\u00facleo de \u201cFacelift\u201d. Jerden relembra:<\/p>\n<p>\u201c<strong>\u2018We Die Young\u2019<\/strong> j\u00e1 estava l\u00e1, <strong>\u2018Man in the Box\u2019<\/strong> tamb\u00e9m \u2014 e mais umas seis m\u00fasicas que eram incr\u00edveis pra car#lho. Eles flertavam com v\u00e1rios estilos: punk, heavy metal, ainda estavam tentando encontrar sua identidade. A miss\u00e3o era eliminar tudo aquilo que eles definitivamente n\u00e3o eram.\u201d<\/p>\n<p>Ao Vice, Jerry recordou:<\/p>\n<p>\u201cEle [Dave Jerden] curtiu demais. Disse: \u2018N\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de mexer em nada com voc\u00eas; s\u00f3 quero plugar os microfones, apertar o play e gravar\u2019. E a gente pensou: \u2018Perfeito, \u00e9 voc\u00ea mesmo!\u2019 [Risos.] N\u00e3o quer\u00edamos que ningu\u00e9m nos \u2018manipulasse\u2019 \u2014 nossa sonoridade \u00e9 essa e pronto.\u201d<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Jerden finalizava a produ\u00e7\u00e3o de <strong>\u201cRitual de lo Habitual\u201d<\/strong>, o segundo disco do Jane\u2019s Addiction. O \u00e1lbum, ainda in\u00e9dito, impressionou profundamente os integrantes do AIC. Segundo o engenheiro de som <strong>Ronnie Champagne<\/strong>, \u201celes s\u00f3 falavam daquilo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEles devoraram aquele disco. E enquanto grav\u00e1vamos \u2018Facelift\u2019, a cabe\u00e7a deles estava explodindo de novas refer\u00eancias. Eles estavam ouvindo um \u00e1lbum que ningu\u00e9m ainda conhecia, e \u2018Ritual\u2019 era uma obra cheia de paisagens sonoras grandiosas.\u201d<\/p>\n<p>Tirando o contratempo de Sean Kinney ter quebrado a m\u00e3o cerca de um m\u00eas antes do in\u00edcio das grava\u00e7\u00f5es \u2014 segundo as notas do encarte do box <strong>\u201cMusic Bank\u201d<\/strong> (1999), o incidente ocorreu \u201cdurante uma briga numa festa\u201d \u2014, o processo de \u201cFacelift\u201d transcorreu sem grandes percal\u00e7os.<\/p>\n<p>De acordo com Jerden, cada m\u00fasica era gravada entre cinco e dez vezes. Ele ouvia cada um dos takes e montava a vers\u00e3o final a partir dos melhores trechos. Como a banda n\u00e3o usava metr\u00f4nomo \u2014 dispositivo que mant\u00e9m o tempo exato da m\u00fasica para garantir uniformidade \u2014, os andamentos variavam sutilmente. Ainda assim, o produtor escolhia o melhor take como base e, a partir dele, inseria partes de outros takes que estivessem no mesmo ritmo, compondo a faixa com precis\u00e3o cir\u00fargica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da edi\u00e7\u00e3o detalhada, Jerden foi respons\u00e1vel por moldar um elemento essencial da identidade sonora da banda. Como explica o engenheiro de som Dave Hillis:<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea ouvir as demos, vai perceber que os andamentos eram sempre mais r\u00e1pidos. O que o Dave fez foi desacelerar esses andamentos. Olhando em retrospecto, d\u00e1 pra ver o quanto isso ajudou a definir a sonoridade do Alice \u2014 ficou mais pesado e mais sombrio.\u201d<\/p>\n<p>  Censura, crueldade animal e um talk box que mudou tudo <\/p>\n<p>Outra marca registrada que veio das m\u00e3os do produtor Dave Jerden foi o uso do talk box em \u201cMan in the Box\u201d, o principal single de \u201cFacelift\u201d. O efeito popularizado por <strong>Peter Frampton<\/strong> no cl\u00e1ssico <strong>\u201c<a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/2022\/01\/peter-frampton-comes-alive-historia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Frampton Comes Alive!<\/a>\u201d<\/strong> (1976) j\u00e1 havia protagonizado sucessos como <strong>\u201cLivin\u2019 on a Prayer\u201d<\/strong>, do <strong>Bon Jovi<\/strong> \u2014 n\u00famero 1 nas paradas em 1986 e ainda onipresente nas r\u00e1dios tr\u00eas anos depois, quando o Alice in Chains gravava \u201cFacelift\u201d. Jerden, ali\u00e1s, ouviu a faixa no r\u00e1dio enquanto dirigia rumo ao est\u00fadio. Para ele, foi esse o ingrediente que fez toda a diferen\u00e7a para que a m\u00fasica se tornasse um sucesso.<\/p>\n<p>Escrita a partir da perspectiva de um bezerro preso em uma caixa, \u00e0 espera do abate, a letra de \u201cMan in the Box\u201d usa a crueldade animal como met\u00e1fora para falar de censura. Segundo relatos, a inspira\u00e7\u00e3o surgiu das impress\u00f5es de Layne Staley sobre o controle de conte\u00fado na m\u00eddia, mas a composi\u00e7\u00e3o tomou um novo rumo ap\u00f3s um jantar com executivos da Columbia Records: alguns deles eram vegetarianos e mencionaram como os bezerros eram criados confinados em pequenas caixas para a produ\u00e7\u00e3o de vitela. O impacto da conversa ampliou o conceito da m\u00fasica, que passou a explorar os paralelos entre repress\u00e3o e sofrimento f\u00edsico.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos executivos do mercado fonogr\u00e1fico afirmariam anos depois, \u201cMan in the Box\u201d quase ficou de fora do \u00e1lbum. Ao jornalista Greg Prato, Jerry Cantrell contou:<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 conversei com a gravadora sobre isso, e todo mundo convenientemente esquece que ningu\u00e9m gostava dessa m\u00fasica. Achavam que era lenta e arrastada demais. Chegaram a sugerir que talvez nem entrasse no disco. A gente respondeu: \u2018V\u00e3o se foder \u2014 essa m\u00fasica \u00e9 matadora\u2019.\u201d<\/p>\n<p>O clipe de \u201cMan in the Box\u201d foi dirigido por <strong>Paul Rachman<\/strong>. No final dos anos 1980 e in\u00edcio dos 1990, o mercado estava saturado de hair metal, estilo com o qual Rachman, conhecido por seu trabalho com bandas hardcore como <strong>Bad Brains<\/strong> e <strong>Suicidal Tendencies<\/strong>, n\u00e3o se identificava. Por isso, ele recebeu com entusiasmo a chegada do grunge e a chance de explorar novas atmosferas visuais.<\/p>\n<p>As filmagens aconteceram em uma fazenda nos arredores de Los Angeles, nas montanhas de Santa Monica. Rachman e Staley conceberam juntos o conceito do clipe, que foi rodado em preto e branco e tratado na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o com uma colora\u00e7\u00e3o s\u00e9pia. O resultado foi um marco visual do grunge e uma refer\u00eancia est\u00e9tica para o g\u00eanero. Logo em seguida, Rachman dirigiria <strong>\u201cHunger Strike\u201d<\/strong>, do supergrupo <strong>Temple of the Dog<\/strong>, trabalhando com dois pilares do movimento de Seattle: <strong>Chris Cornell<\/strong> e <strong>Eddie Vedder<\/strong>.<\/p>\n<p>O clipe de \u201cMan in the Box\u201d tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o de <strong>Sammy Hagar<\/strong>, que convidou o Alice in Chains para abrir shows do Van Halen. Foi a maior oportunidade da banda at\u00e9 ent\u00e3o \u2014 e a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho de inf\u00e2ncia de Staley. Infelizmente, acredita-se que foi justamente durante essa turn\u00ea que o vocalista teve seu primeiro contato com a hero\u00edna, iniciando um v\u00edcio que, anos mais tarde, o levaria \u00e0 morte.<\/p>\n<p>  Feridas abertas <\/p>\n<p>Embora Layne Staley ainda n\u00e3o fosse viciado em hero\u00edna na \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o de \u201cFacelift\u201d, muitas das letras do \u00e1lbum j\u00e1 abordavam o tema da depend\u00eancia qu\u00edmica de maneira intensa e premonit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em <strong>\u201cI Can\u2019t Remember\u201d<\/strong>, por exemplo, os versos sugerem os efeitos colaterais do uso de certas drogas, como perda de apetite, agita\u00e7\u00e3o, dores de cabe\u00e7a e at\u00e9 desmaios em casos de abstin\u00eancia prolongada. J\u00e1 <strong>\u201cIt Ain\u2019t Like That\u201d<\/strong> aprofunda ainda mais a reflex\u00e3o sobre o v\u00edcio ao descrever tais sintomas.<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas tamb\u00e9m s\u00e3o tema recorrente em \u201cFacelift\u201d, especialmente em <strong>\u201cSea of Sorrow\u201d<\/strong> e <strong>\u201cLove, Hate, Love\u201d<\/strong>. Esta \u00faltima, a mais longa e sombria do \u00e1lbum, apresenta a perspectiva de algu\u00e9m com tra\u00e7os sociop\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A resson\u00e2ncia e a catarse do conte\u00fado l\u00edrico do disco foram abordados por Layne, conforme depoimento de \u00e9poca reproduzido em \u201cThe Top 500 Heavy Metal Albums of All Time\u201d, do jornalista canadense Martin Popoff:<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas nos chamavam de \u2018a banda da desgra\u00e7a e melancolia de Seattle\u2019. Minha teoria \u00e9 que quatro negativos fazem um positivo. [Risos.] N\u00f3s quatro expressamos coisas realmente sombrias e raivosas, cheias de turbul\u00eancia, mas sei que n\u00e3o estou sozinho nisso. Acredito que a maioria dos nossos ouvintes compartilha desses sentimentos. Seja com a fam\u00edlia, com abusos, com o Vietn\u00e3, com drogas; \u00e9 por isso que deixamos as letras muito abertas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, evitando ser literais e diretos. Usamos bastante simbolismo para que todos possam se conectar ou se relacionar.\u201d<\/p>\n<p>Em meio a tantas abordagens densas, \u201cFacelift\u201d tamb\u00e9m reserva espa\u00e7o para um tributo comovente. <strong>\u201cSunshine\u201d<\/strong> foi escrita por Jerry Cantrell em homenagem \u00e0 m\u00e3e, <strong>Gloria<\/strong>, falecida em 1987. A letra, narrada do ponto de vista de uma crian\u00e7a em um lar disfuncional, reflete a aus\u00eancia do pai e o peso da dor familiar.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter sido exatamente abandonado, Jerry sentiu profundamente a separa\u00e7\u00e3o dos pais. A dist\u00e2ncia do pai foi agravada pelo fato de ele ter servido como soldado na Guerra do Vietn\u00e3 \u2014 tema que o m\u00fasico abordaria futuramente com profundidade em <strong>\u201cRooster\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revista Spin, Jerry relembrou:<\/p>\n<p>\u201cQuando eu era pequeno, sempre dizia pra minha m\u00e3e: \u2018Vou ficar famoso, comprar uma casa pra voc\u00ea e voc\u00ea nunca mais vai precisar trabalhar. Vou cuidar de voc\u00ea como voc\u00ea cuidou de mim.\u2019 Quando ela morreu, foi um per\u00edodo terr\u00edvel. Eu n\u00e3o sabia como lidar com aquilo \u2014 e ainda n\u00e3o sei. Mas foi o que me deu o impulso pra fazer o que fa\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>Finalmente, na \u00faltima faixa, <strong>\u201cReal Thing\u201d<\/strong>, Layne grita \u201cSexual chocolate, baby!\u201d. Trata-se de uma alus\u00e3o ao filme <strong>\u201cUm Pr\u00edncipe em Nova York\u201d<\/strong> (1988), estrelado por <strong>Eddie Murphy<\/strong>, onde seu personagem lidera uma banda com esse nome. Os quatro integrantes do AIC, que moravam juntos na \u00e9poca, viam o longa com frequ\u00eancia, transformando a frase em uma piada interna que acabou inclu\u00edda na can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  Nascidos de um olho <\/p>\n<p>A capa de \u201cFacelift\u201d foi criada pelo artista, fot\u00f3grafo e diretor de videoclipes <strong>Rocky Schenck<\/strong>. O primeiro encontro entre ele e o Alice in Chains aconteceu em 6 de abril daquele ano \u2014 e a sintonia foi imediata, conforme relato ao bi\u00f3grafo David de Sola:<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 vinha trilhando um caminho art\u00edstico sombrio havia alguns anos, e acho que a banda percebeu isso logo de cara, ao ver meu portf\u00f3lio de fotografias e os v\u00eddeos que eu havia dirigido. Foi por isso que nos conectamos de forma t\u00e3o natural e r\u00e1pida (\u2026) O que eu tinha a oferecer, visual e criativamente, parecia combinar com o que eles estavam fazendo musicalmente.\u201d<\/p>\n<p>Entre as v\u00e1rias ideias discutidas para a arte do disco, uma se destacou: os integrantes parecendo emergir de um globo ocular. Para dar vida a essa imagem surreal, Schenck recorreu \u00e0 piscina do Oakwood Apartments, um conjunto residencial em Burbank, Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>O local foi coberto com uma fina pel\u00edcula pl\u00e1stica, sob a qual os m\u00fasicos mergulharam, emergindo em seguida como se estivessem \u201cnascendo\u201d daquele grande olho artificial. O efeito distorceu os rostos de maneira \u201cgrotesca e intrigante\u201d. Uma dessas fotos foi usada na contracapa do disco. No mesmo dia, Schenck clicou Layne Staley envolto em pl\u00e1stico e sendo segurado pelos colegas \u2014 imagem que se tornaria a capa do single \u201cWe Die Young\u201d.<\/p>\n<p> <img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"589\" 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alt=\"\" class=\"wp-image-188590 ai-img lzl\" data-ai-img=\"{&quot;s&quot;:[600,594],&quot;d&quot;:{&quot;480&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/2987954f6b3732a992f00d817eb11ce1.762a.jpeg&quot;,&quot;360&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/058a16f6a81219cbbbcc21b44c377ff2.4ff6.jpeg&quot;,&quot;120&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/764ab396f18e9521fcc479248da77768.1198.jpeg&quot;},&quot;O&quot;:&quot;https:\\\/\\\/igormiranda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/08\\\/alice-in-chains-we-die-young-single.jpg&quot;}\" data-ai-dpr=\"y\" data-lzl-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/alice-in-chains-we-die-young-single.jpg\"\/> <\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, j\u00e1 em seu est\u00fadio em Hollywood, o fot\u00f3grafo deu continuidade \u00e0s experimenta\u00e7\u00f5es. Usando uma t\u00e9cnica de m\u00faltiplas exposi\u00e7\u00f5es diretamente na c\u00e2mera \u2014 recurso que vinha aperfei\u00e7oando h\u00e1 anos \u2014, Schenck capturou retratos coloridos dos integrantes com rostos distorcidos, quase espectrais. A proposta inicial era fundir os rostos de todos em uma \u00fanica express\u00e3o perturbadora, ideia que s\u00f3 seria concretizada anos depois, no CD 1 do box <strong>\u201cMusic Bank\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"600\" src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAlgAAAJYCAYAAAC+ZpjcAAAACXBIWXMAAA7EAAAOxAGVKw4bAAAFi0lEQVR42u3BAQ0AAADCoPdPbQ43oAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIBXA\/yTAAHWtsLoAAAAAElFTkSuQmCC\" alt=\"\" class=\"wp-image-188591 ai-img lzl\" data-ai-img=\"{&quot;s&quot;:[600,600],&quot;d&quot;:{&quot;480&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/c3b95d51d2d2a78cfc9fbc2224a6613e.61d7.jpeg&quot;,&quot;360&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/82b09bbb142f04ae5c88dc368b4aca8c.3d01.jpeg&quot;,&quot;120&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/9985a86f40ed53574d03ee074b4b8c05.cbf.jpeg&quot;},&quot;O&quot;:&quot;https:\\\/\\\/igormiranda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/08\\\/alice-in-chains-music-bank-cd-1.jpg&quot;}\" data-ai-dpr=\"y\" data-lzl-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/alice-in-chains-music-bank-cd-1.jpg\"\/> <\/p>\n<p>No fim, o retrato escolhido para estampar a capa de \u201cFacelift\u201d foi o do baixista Mike Starr.<\/p>\n<p> Melancolia amplificada <\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em 21 de agosto de 1990, \u201cFacelift\u201d inicialmente n\u00e3o atraiu muita aten\u00e7\u00e3o. Nos primeiros seis meses, vendeu menos de 40 mil c\u00f3pias.<\/p>\n<p>A virada s\u00f3 veio quando a MTV come\u00e7ou a exibir com frequ\u00eancia o videoclipe de \u201cMan in the Box\u201d e as r\u00e1dios passaram a tocar a m\u00fasica, que alcan\u00e7ou a 18\u00aa posi\u00e7\u00e3o na parada americana em 6 de julho de 1991 \u2014 mesma data em que o \u00e1lbum atingiu o 42\u00ba lugar no Top 200.<\/p>\n<p>Apesar do sucesso gradual, \u201cFacelift\u201d foi pioneiro: tornou-se o primeiro t\u00edtulo do grunge a receber disco de ouro pela RIAA (Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Fonogr\u00e1fica dos EUA), em 11 de setembro de 1991 \u2014 meses antes do estouro de <strong>\u201c<a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/2021\/09\/nirvana-nevermind-ceticismo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nevermind<\/a>\u201d<\/strong>, do <strong>Nirvana<\/strong>, que s\u00f3 recebeu o mesmo certificado em 27 de novembro daquele ano. Com a ascens\u00e3o do movimento, o \u00e1lbum foi conquistando novos f\u00e3s, mas sua trajet\u00f3ria foi de crescimento lento. O disco de platina (1 milh\u00e3o de c\u00f3pias vendidas nos EUA) s\u00f3 viria em 10 de agosto de 1993.<\/p>\n<p>O reconhecimento n\u00e3o parou por a\u00ed. Em 1992, o Alice in Chains foi indicado ao Grammy de Melhor Performance de Hard Rock com Vocal por \u201cMan in the Box\u201d, perdendo para o Van Halen com o \u00e1lbum <strong>\u201cFor Unlawful Carnal Knowledge\u201d<\/strong> (1991). O videoclipe de \u201cMan in the Box\u201d tamb\u00e9m concorreu na categoria Melhor Clipe de Heavy Metal\/Hard Rock no MTV Video Music Awards de 1991, mas foi derrotado por <strong>\u201cThe Other Side\u201d<\/strong>, do <strong>Aerosmith<\/strong>.<\/p>\n<p>Sem ainda haver bandas grunge capazes de encabe\u00e7ar grandes turn\u00eas, o AIC abriu shows para grupos de diferentes estilos, como Van Halen, <strong>Anthrax<\/strong>, <strong>Poison<\/strong>, <strong>Extreme<\/strong> e at\u00e9 <strong>Iggy Pop<\/strong> por um m\u00eas na turn\u00ea de <strong>\u201cBrick by Brick\u201d<\/strong>. \u00a0Ainda em 1990, a banda lan\u00e7ou a colet\u00e2nea em v\u00eddeo <strong>\u201cLive Facelift\u201d<\/strong>, registrada no Moore Theatre, em Seattle. O material vendeu mais de 50 mil c\u00f3pias e recebeu disco de ouro pela RIAA.<\/p>\n<p>Em 1991, a banda conquistou um espa\u00e7o importante ao ser escalada para a turn\u00ea Clash of the Titans, ao lado de <strong>Megadeth<\/strong>, <strong>Slayer<\/strong> e Anthrax. Mas como observou Michael Christopher, do PopMatters:<\/p>\n<p>\u201cCom \u2018Facelift\u2019, em 1990 \u2014 antes de o Nirvana escancarar as portas do mainstream \u2014, o Alice in Chains recebeu um empurr\u00e3o do mercado do metal, sendo colocado para excursionar com bandas como Slayer e Megadeth, sendo frequentemente vaiado em um g\u00eanero ao qual n\u00e3o pertencia.\u201d<\/p>\n<p>Em avalia\u00e7\u00e3o retrospectiva, Jerry Cantrell aponta um diferencial importante que o Alice in Chains j\u00e1 apresentava desde o in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria:<\/p>\n<p>\u201cEnquanto algumas bandas s\u00f3 conseguem \u2018engrenar\u2019 no segundo ou terceiro disco, n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos em sintonia desde o primeiro. Talvez ainda houvesse alguns resqu\u00edcios das fases que est\u00e1vamos superando, mas sent\u00edamos que t\u00ednhamos encontrado nossa voz e que est\u00e1vamos no caminho certo.\u201d<\/p>\n<p>Quanto ao legado de \u201cFacelift\u201d, o guitarrista refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de que algo maior estava prestes a acontecer:<\/p>\n<p>\u201cO que rolava em nossa cidade \u2014 algo que j\u00e1 consider\u00e1vamos especial e cuja energia j\u00e1 perceb\u00edamos \u2014 come\u00e7ou, de certa forma, a transbordar para o resto do pa\u00eds. Come\u00e7amos a sentir um burburinho no ar, e a sensa\u00e7\u00e3o era: \u2018Caralho, acho que estamos no caminho certo; isso \u00e9 muito maneiro.\u2019 A\u00ed as gravadoras vieram atr\u00e1s, demonstraram interesse, e logo todos n\u00f3s est\u00e1vamos assinando contratos e lan\u00e7ando discos. Depois de \u2018Facelift\u2019, tudo aconteceu muito r\u00e1pido.\u201d<\/p>\n<p>  Alice in Chains \u2013 \u201cFacelift\u201d <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" 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alt=\"\" class=\"wp-image-188588 ai-img lzl\" data-ai-img=\"{&quot;s&quot;:[900,900],&quot;d&quot;:{&quot;768&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/a4448f363191d437098e2a96fe632451.10c77.jpeg&quot;,&quot;480&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/5fce70a68d45e2331f422a9c8bec3d5d.7ca7.jpeg&quot;,&quot;360&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/5a3b9e02a9f13a895422562a7ab5ebab.5145.jpeg&quot;,&quot;120&quot;:&quot;\\\/wp-content\\\/cache\\\/seraphinite-accelerator\\\/s\\\/m\\\/d\\\/img\\\/ad4fad35ca208c40186ffe351a0e4f77.1120.jpeg&quot;},&quot;O&quot;:&quot;https:\\\/\\\/igormiranda.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/08\\\/alice-in-chains-facelift-album-art.jpg&quot;}\" data-ai-dpr=\"y\" data-lzl-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/alice-in-chains-facelift-album-art.jpg\"\/> <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Lan\u00e7ado em 21 de agosto de 1990 pela Columbia Records<\/li>\n<li>Produzido por Dave Jerden<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Faixas:<\/strong><\/p>\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>We Die Young<\/li>\n<li>Man in the Box<\/li>\n<li>Sea of Sorrow<\/li>\n<li>Bleed the Freak<\/li>\n<li>I Can\u2019t Remember<\/li>\n<li>Love, Hate, Love<\/li>\n<li>It Ain\u2019t Like That<\/li>\n<li>Sunshine<\/li>\n<li>Put You Down<\/li>\n<li>Confusion<\/li>\n<li>I Know Somethin\u2019 (\u2018Bout You)<\/li>\n<li>Real Thing<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>M\u00fasicos:<\/strong><\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Layne Staley \u2013 vocais<\/li>\n<li>Jerry Cantrell \u2013 guitarra e backing vocals<\/li>\n<li>Mike Starr \u2013 baixo e backing vocals em \u201cConfusion\u201d<\/li>\n<li>Sean Kinney \u2013 bateria e percuss\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Clique<\/strong> para seguir IgorMiranda.com.br no: <a href=\"https:\/\/instagram.com\/igormirandasite\" target=\"_blank\" 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