{"id":404267,"date":"2026-06-02T20:37:13","date_gmt":"2026-06-02T20:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/404267\/"},"modified":"2026-06-02T20:37:13","modified_gmt":"2026-06-02T20:37:13","slug":"a-nova-vida-do-estadio-da-tapadinha-comeca-atras-da-baliza-sul-reportagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/404267\/","title":{"rendered":"A nova vida do Est\u00e1dio da Tapadinha come\u00e7a atr\u00e1s da baliza sul | Reportagem"},"content":{"rendered":"<p>Pode um est\u00e1dio servir o bairro e a cidade para l\u00e1 dos dias de jogo? N\u00e3o s\u00f3 pode, como deve. Pelo menos foi essa a convic\u00e7\u00e3o que levou os respons\u00e1veis do Atl\u00e9tico Clube de Portugal a olhar para a Tapadinha de forma diferente, transformando um espa\u00e7o at\u00e9 ent\u00e3o desaproveitado numa zona de lazer. Inaugurado no final de Maio, o Curva \u00e9 um \u201cclube dentro do clube\u201d, um \u201cespa\u00e7o de conv\u00edvio para adeptos de comida, cultura e futebol\u201d. Tem tr\u00eas food trucks com marcas conhecidas de Lisboa, um bar, uma zona de mesas com ecr\u00e3 gigante (mesmo a tempo do Mundial), matraquilhos e um insufl\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;A hist\u00f3ria \u00e9 quase rom\u00e2ntica, de filme mesmo&#8221;, diz Jo\u00e3o Carvalho, CEO do Atl\u00e9tico. E come\u00e7a tr\u00eas anos antes, quando ainda trabalhava como advogado e ajudava o norte-americano Gifford Miller \u2014 hoje presidente e propriet\u00e1rio do clube \u2014 a encontrar uma equipa de futebol em Portugal onde investir. A pesquisa foi longa, mas o Atl\u00e9tico acabou por se destacar pela combina\u00e7\u00e3o entre a sua hist\u00f3ria, a localiza\u00e7\u00e3o em Alc\u00e2ntara, em Lisboa, e o potencial da Tapadinha.<\/p>\n<p>Definida a aposta, a prioridade passou por valorizar aquilo que o clube tinha de mais distintivo: a liga\u00e7\u00e3o ao bairro, a vista sobre o rio e um est\u00e1dio que, apesar da localiza\u00e7\u00e3o privilegiada, era utilizado apenas em dia de jogo, de 15 em 15 dias. \u201c\u00c9 uma p\u00e9ssima utiliza\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o com um potencial t\u00e3o grande\u201d, resume. \u201cO primeiro objectivo passou, ent\u00e3o, por criar um espa\u00e7o de encontro, um miradouro, uma zona de conv\u00edvio, que servisse v\u00e1rios prop\u00f3sitos, mas fundamentalmente que tornasse a Tapadinha num ponto de refer\u00eancia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A oportunidade surgiu atr\u00e1s da baliza sul, numa zona escondida durante anos por montes de aparas de relva acumuladas ap\u00f3s as manuten\u00e7\u00f5es do campo. \u201cTinham quase um metro e setenta de altura\u201d, recorda Jo\u00e3o Carvalho. \u201cN\u00f3s imagin\u00e1vamos o potencial, mas n\u00e3o t\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>Bastou uma semana de limpeza para revelar uma \u00e1rea com cerca de dois mil metros quadrados. \u201cS\u00f3 a\u00ed percebemos a dimens\u00e3o do que t\u00ednhamos em m\u00e3os\u201d, refor\u00e7a. \u201cQuando vimos o espa\u00e7o, o exerc\u00edcio tornou-se quase f\u00e1cil: estamos numa localiza\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, de f\u00e1cil acesso a partir de v\u00e1rias zonas de Lisboa, vamos fazer isto\u201d, recorda. E por isto, Jo\u00e3o refere-se a um conceito diferente de bancada. Uma bancada, onde ao contr\u00e1rio do que acontece nos est\u00e1dios, \u00e9 permitido o consumo de \u00e1lcool. \u201cN\u00e3o foi o primeiro objectivo, mas foi dos primeiros a conquistar\u201d, aponta. \u201cA vis\u00e3o para o Curva foi sendo nutrida e foi crescendo ao longo do tempo em que est\u00e1vamos a pensar nisto\u201d, explica o CEO.<\/p>\n<p>Entretenimento e gastronomia<\/p>\n<p>O futebol continua a ser o fio condutor de tudo. &#8220;Estamos num est\u00e1dio e n\u00e3o nos podemos desvirtuar desse lado. O entretenimento desportivo, cujo ex-l\u00edbris \u00e9 o dia de jogo, tem de ser tido em conta&#8221;, argumenta Jo\u00e3o Carvalho. E se os encontros do Atl\u00e9tico s\u00e3o o principal motivo para atravessar os port\u00f5es da Tapadinha, o Curva procura manter essa din\u00e2mica nos restantes dias, atrav\u00e9s da transmiss\u00e3o de outras competi\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar j\u00e1 pelo Mundial, num ecr\u00e3 gigante.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o menciona ainda a vertente familiar do projecto, materializada num insufl\u00e1vel \u201cque raramente est\u00e1 desligado\u201d. E desenvolve: \u201cH\u00e1 o lado mais lifestyle, pensado para quem procura simplesmente beber um copo ao final do dia ou encontrar-se com amigos.\u201d E h\u00e1 a gastronomia. No final, \u00e9 \u00e0 volta da comida que todas estas diferentes formas de ocupar o Curva acabam por se cruzar.<\/p>\n<p>Estando num est\u00e1dio, Jo\u00e3o soube logo que teria de ter roulottes, embora com um twist. \u201cS\u00e3o umas Airstream\u201d, diz, com orgulho, fazendo refer\u00eancia a uma marca norte-americana de luxo. Na escolha para as ocupar, tamb\u00e9m fugiu ao \u00f3bvio. \u201cO primeiro que abord\u00e1mos e a aceitar o desafio de se juntar a n\u00f3s foi o Kau, do Rui Matias\u201d, conta, destacando como \u201cn\u00e3o \u00e9 em todos os est\u00e1dios que se come barbecue texano\u201d. A marca, que por estes dias forma filas \u00e0 porta da Kau Pastrami House, no Saldanha, tamb\u00e9m em Lisboa, trouxe para a Tapadinha algumas das suas propostas mais populares, entre elas a sandes de pulled pork (9\u20ac) e a texan cheesesteak (16\u20ac).<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O projecto Curva fica na Tapadinha, em Lisboa&#13;<br \/>\nDaniel Rocha                    &#13;<\/p>\n<p>J\u00e1 a segunda escolha partiu de uma associa\u00e7\u00e3o mais imediata. \u201cEstamos num est\u00e1dio e, na cultura das roulottes, o que se come s\u00e3o bifanas\u201d, continua Jo\u00e3o Carvalho. \u201cFomos \u00e0 procura da melhor bifana poss\u00edvel e isso levou-nos at\u00e9 ao chef Vasco Lello e \u00e0 sua Trifana.\u201d \u00c0 frente do Turvo h\u00e1 cerca de um ano, Vasco Lello viu no Curva a oportunidade de dar uma casa \u00e0 sua Trifana, uma bifana que junta cacha\u00e7o, barriga e cabe\u00e7a de xara (6,50\u20ac) e que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 estava dispon\u00edvel em eventos pontuais. A decis\u00e3o, contudo, n\u00e3o foi imediata. \u201cTenho uma estrutura muito pequena e sou um bocado homem dos sete of\u00edcios\u201d, justifica o chef. O facto de o clube assegurar parte da opera\u00e7\u00e3o acabou por ajudar. \u201cTornou-se muito mais f\u00e1cil dar esse passo.\u201d<\/p>\n<p>A fechar o trio est\u00e1 a Vetrina, do grupo Non Basta, com uma carta centrada em sandu\u00edches italianas (8,50\u20ac) e pizzas em schiacciata (5,50\u20ac), uma esp\u00e9cie de focaccia fina e crocante. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil n\u00e3o gostar de pizza\u201d, resume o CEO do Atl\u00e9tico.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Existem tr\u00eas roulottes com tr\u00eas ofertas diferentes, da comida italiana \u00e0 texana, sem esquecer Portugal&#13;<br \/>\nDaniel Rocha                    &#13;<\/p>\n<p>Por agora, o espa\u00e7o abre apenas de sexta a domingo, mas Jo\u00e3o Carvalho espera que esse seja apenas o in\u00edcio de uma transforma\u00e7\u00e3o mais profunda. A de um est\u00e1dio que, durante d\u00e9cadas, abriu portas para o futebol e que agora procura encontrar raz\u00f5es para as manter abertas no resto do tempo. Se h\u00e1 uma imagem que guarda da primeira semana do Curva, \u00e9 a de ver sentados \u00e0s mesmas mesas \u201cos adeptos hist\u00f3ricos do Atl\u00e9tico, moradores de Alc\u00e2ntara, jovens e a comunidade expatriada que vive na cidade\u201d. E diz: \u201cTodas estas faixas et\u00e1rias e estes segmentos, que s\u00e3o muito diferentes, querem sentir que fazem parte de um clube, de uma comunidade.\u201d A comunidade da Tapadinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pode um est\u00e1dio servir o bairro e a cidade para l\u00e1 dos dias de jogo? 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