{"id":40456,"date":"2025-08-22T16:33:09","date_gmt":"2025-08-22T16:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/40456\/"},"modified":"2025-08-22T16:33:09","modified_gmt":"2025-08-22T16:33:09","slug":"lucelia-santos-a-floresta-vai-parar-de-respirar-ela-vai-morrer-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/40456\/","title":{"rendered":"Luc\u00e9lia Santos: \u201cA floresta vai parar de respirar, ela vai morrer\u201d | Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Na mem\u00f3ria de tantos, ela ser\u00e1 sempre a Escrava Isaura, da telenovela brasileira hom\u00f3nima que fascinou Portugal no ano de 1978 \u2014 e continuou, desde ent\u00e3o, a fascinar o mundo inteiro. Adapta\u00e7\u00e3o do romance de Bernardo Guimar\u00e3es, a novela que conta o drama de Isaura, uma escrava branca no Brasil do s\u00e9culo XIX, foi vista em mais de 100 pa\u00edses, tendo sido a primeira exibida na ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e levando, inclusivamente, \u00e0 decis\u00e3o de Fidel Castro de suspender o racionamento de energia em Cuba \u00e0 hora da transmiss\u00e3o e a uma tr\u00e9gua nos combates na guerra da B\u00f3snia, em 1995, para que as pessoas pudessem ver o \u00faltimo epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Mas Luc\u00e9lia Santos, a actriz que encarnou Isaura nos anos 1970, tem uma carreira muit\u00edssimo mais vasta (\u00e9, por exemplo, a maior int\u00e9rprete no cinema da obra do escritor Nelson Rodrigues) e \u00e9 uma importante activista da causa ambiental no Brasil h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. Foi uma das fundadoras do Partido Verde brasileiro e tornou-se amiga de Chico Mendes, o seringueiro de Xapuri, grande rosto da luta em defesa da floresta, assassinado em 1988.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir de Chico Mendes, e de uma entrevista que lhe fez poucos meses antes de morrer, que Luc\u00e9lia Santos construiu o espect\u00e1culo Vozes da Floresta, actualmente em digress\u00e3o pelo Brasil. O Festival Todos, que se realiza em Lisboa, com epicentro no bairro de Arroios, entre 12 e 14 de Setembro, planeia trazer o espect\u00e1culo a Portugal em 2026, mas, para j\u00e1, este ano, traz Luc\u00e9lia Santos para uma conversa sobre a luta em defesa da floresta brasileira (pr\u00f3ximo dia 13, Biblioteca da Escola Secund\u00e1ria de Cam\u00f5es). O \u00cdpsilon falou com a actriz, por videochamada, no final de Julho.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que se tornou uma militante da causa da Amaz\u00f3nia e como \u00e9 que conheceu Chico Mendes?<\/strong><br \/>Eu sou militante h\u00e1 muitos anos. O Chico, eu conheci h\u00e1 40, mas desde a minha inf\u00e2ncia que eu tinha sensibilidade para estas quest\u00f5es. Na verdade, o que me chamou a aten\u00e7\u00e3o para um certo desequil\u00edbrio da humanidade foram as quest\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>O Brasil estava vivendo uma ditadura militar no in\u00edcio dos anos 1980. Eu era menina e acompanhava com curiosidade, percebia algo de errado. Tinha parada militar na porta da casa dos meus pais, em Santo Andr\u00e9 [\u00e1rea metropolitana de S\u00e3o Paulo], onde viv\u00edamos, que era uma zona oper\u00e1ria. O meu pai era oper\u00e1rio. E eu percebia que havia uma coisa profundamente fora do lugar na sociedade brasileira. N\u00e3o tinha uma vis\u00e3o do mundo, mas tinha uma vis\u00e3o do local onde vivia e era inconformada porque a minha sensibilidade me apontava que aquilo ali era esquecido. Comecei a observar todos os desn\u00edveis sociais.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Luc\u00e9lia Santos em Vozes da Floresta, actualmente em digress\u00e3o pelo Brasil. Planeia trazer o espect\u00e1culo a Portugal em 2026&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>O meu trabalho neste momento: defender o legado do Chico [Mendes]<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nLuc\u00e9lia Santos                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Depois fui para o teatro, estreei-me muito nova, a minha vida foi toda muito precoce. Aos 14, 15 anos, eu j\u00e1 tinha identificado que o teatro era o meu lugar e que ali eu teria a minha forma de comunica\u00e7\u00e3o, que ali eu iria conseguir falar com os outros. Naquela \u00e9poca, as pessoas viravam hippies ou presos pol\u00edticos, e o resto da sociedade omitia-se, tinha medo.<\/p>\n<p>Aos 17 anos, mudei-me para o Rio de Janeiro e tinha uma mo\u00e7a amiga que era mulher de um preso pol\u00edtico e eu comecei a acompanhar a vida dela, a ir ao pres\u00eddio com ela. Houve uma greve de fome para pedir clem\u00eancia para os presos pol\u00edticos que estavam na Ilha Grande e traz\u00ea-los para o Rio de Janeiro. Eu participei nisso e nunca mais parei como militante. Juntei-me \u00e0 Amnistia Internacional e trabalhei intensamente at\u00e9 que, finalmente, a gente obteve a liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos do Brasil.<\/p>\n<p>Eu, que j\u00e1 era popular por causa das novelas na TV Globo, conheci muita gente, Herbert Daniel, Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, abri a minha casa para essas reuni\u00f5es, aqui n\u00f3s fund\u00e1mos o Partido Verde, e foi isso que me levou ao Chico.<\/p>\n<p>Eu era vice-presidente do partido e o Chico veio ao Rio \u2014 isso est\u00e1 na minha pe\u00e7a \u2014 a convite do Sirkis para falar das reservas extractivistas da Amaz\u00f3nia no Acre e convidou-me para ir ao Acre dar um apoio a ele para a candidatura \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o no Sindicato dos Trabalhadores do Xapuri. Fui ajudar, mas tamb\u00e9m com a miss\u00e3o de o convencer a ser candidato pelo Partido Verde.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Chico Mendes e Ilsamar Mendes em 1988, na casa do casal em Xapuri, Acre, Brasil&#13;<br \/>\nMiranda Smith, Miranda Productions, Inc.                    &#13;<\/p>\n<p>L\u00e1 chegando, percebi que o Chico estava correndo perigo de vida. Percebi assim que pisei no Acre que ele estava amea\u00e7ado de morte. Isso foi Maio de 1988. Em Dezembro, seis meses depois, ele foi assassinado.<\/p>\n<p>Depois de o conhecer, nunca mais larguei o Chico um segundo. A gente fazia coisas para manter o Chico no Rio, mas ele n\u00e3o aceitava a ideia de deixar os companheiros no Acre.<\/p>\n<p><strong>Ele j\u00e1 tinha avisado que estava a ser amea\u00e7ado, mas n\u00e3o teve a protec\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/strong><br \/>Essa regi\u00e3o \u00e9 faroeste, sempre foi. Os assassinos estavam armados e rondando o Chico, prontos para o matar a qualquer momento. Eu fui ao governador da \u00e9poca, pedi protec\u00e7\u00e3o para o Chico e ele deu alguns soldados que ficaram com ele.<\/p>\n<p>Ele adorava jogar domin\u00f3 e estava jogando com o seguran\u00e7a quando foi assassinado. O seguran\u00e7a parou para ir jantar \u00e0s seis da tarde e ele aproveitou para tomar um banho. Os banheiros l\u00e1 s\u00e3o fora da casa, na floresta, e ele saiu pela trilhazinha que levava ao chuveiro, o cara estava ali e baleou-o. Tinha seguran\u00e7a, mas n\u00e3o funcionou.<\/p>\n<p>O meu trabalho era sensibilizar a imprensa para torn\u00e1-lo mais conhecido no Brasil. Ele j\u00e1 era bastante conhecido fora, j\u00e1 tinha ganho pr\u00e9mios important\u00edssimos em Inglaterra, nos EUA, mas era pouco conhecido dentro do pa\u00eds. Quando foi assassinado, teve mais repercuss\u00e3o imediata l\u00e1 fora, capa do New York Times, do Herald Tribune. Dias depois \u00e9 que os jornais brasileiros importantes deram. Custou a cair a ficha. Mas a imprensa aqui \u00e9 muito conservadora, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Na pe\u00e7a, utiliza uma longa entrevista com Chico Mendes que durante muitos anos a Luc\u00e9lia n\u00e3o teve coragem de ouvir. Como \u00e9 que as palavras dele ecoam hoje?<\/strong><br \/>Guardei-a porque logo em seguida ele foi assassinado. Eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es emocionais, para mim, a morte do Chico foi um luto que s\u00f3 34 anos depois eu consegui redimensionar nesse espect\u00e1culo. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria do Brasil e me atravessa at\u00e9 hoje. Quando voc\u00ea v\u00ea o que existe de debates e discuss\u00f5es sobre a defesa da floresta amaz\u00f3nica, isso tudo \u00e9 fruto do nosso trabalho, \u00e9 o trabalho de Chico Mendes h\u00e1 40 anos. O que ainda h\u00e1 protegido de \u00e1reas verdes em forma de reservas extractivistas na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/amazonia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Amaz\u00f3nia<\/a> e noutros biomas brasileiros n\u00e3o existiria se n\u00e3o fosse ele.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Para muitos, Luc\u00e9lia Santos ser\u00e1 sempre a Escrava Isaura, da telenovela brasileira hom\u00f3nima que fascinou Portugal em 1978&#13;<br \/>\nAcervo Globo                    &#13;<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria ficou guardada no meu inconsciente at\u00e9 que, durante a pandemia \u2014 eu fiquei dois anos aqui em casa \u2014, resolvi olhar para esse conte\u00fado. As fitas tinham sido gravadas em cassetes que eu j\u00e1 tinha transformado em MP4 e na pandemia comecei a estudar o conte\u00fado com o intuito de o transformar em dramaturgia. Toda a fala do Chico contando a vida dele e do movimento de defesa da Amaz\u00f3nia do ponto de vista dos sindicalistas e dos trabalhadores da floresta, dos extractivistas, \u00e9 a base da pe\u00e7a. Ele fala dos primeiros assassinatos de sindicalistas, do Wilson Pinheiro, que morreu em 1980.<\/p>\n<p>Paralelamente, no palco, tr\u00eas mulheres da resist\u00eancia contam a mesma hist\u00f3ria de forma dramatizada \u2014 uma delas \u00e9 a mulher que fez o primeiro sindicato da Amaz\u00f3nia, uma mulher extraordin\u00e1ria, Valdiza Alencar, que saiu do meio da floresta, andou a p\u00e9 tr\u00eas dias e tr\u00eas noites, sozinha, chegou a Brasileia, na fronteira com a Bol\u00edvia, pegou um \u00f3nibus para Rio Branco para encontrar um homem que podia ajudar os seringueiros a formar um sindicato. Foi ela quem empossou o Wilson Pinheiro, que foi o primeiro assassinado.<\/p>\n<p><strong>Quem est\u00e1 de fora ouve sempre falar dos povos ind\u00edgenas e da protec\u00e7\u00e3o da floresta. Mas na pe\u00e7a os seringueiros s\u00e3o tamb\u00e9m \u201cvozes da floresta\u201d, apesar de terem vindo de outros lugares, muitos deles do Nordeste, e de haver tens\u00f5es entre uns e outros. Como se joga esse equil\u00edbrio de for\u00e7as?<\/strong><br \/>N\u00e3o h\u00e1 problema em voc\u00eas n\u00e3o terem familiaridade com este tema. Eu fa\u00e7o essa pe\u00e7a h\u00e1 tr\u00eas anos no Brasil e ningu\u00e9m conhece Chico Mendes. Estive na Uberl\u00e2ndia, e uma professora estava chocada porque as alunas dela, que est\u00e3o se formando em Hist\u00f3ria, nunca tinham ouvido falar de Chico Mendes. Esse \u00e9 o meu trabalho neste momento, tornar acess\u00edvel esse conhecimento e defender o legado do Chico para que ele n\u00e3o se perca nessa balb\u00fardia que s\u00e3o essas novas formas de comunica\u00e7\u00e3o nas redes sociais, onde tudo s\u00e3o bolhas.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>O que tenho tentado demonstrar \u00e9 que o Brasil tem uma hist\u00f3ria de resist\u00eancia em defesa da Amaz\u00f3nia h\u00e1 mais de 40 anos, com v\u00e1rias lideran\u00e7as important\u00edssimas. A Amaz\u00f3nia, ningu\u00e9m conhece, nem n\u00f3s aqui. N\u00e3o existem s\u00f3 ind\u00edgenas. Hoje voc\u00ea tem mais acesso ao que estes representam e \u00e0 sua cultura, mas tem na Amaz\u00f3nia os extractivistas, seringueiros, catadores, tem os ribeirinhos, que \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o gigante de caboclos e pessoas locais que nasceram l\u00e1 e defendem os rios e florestas. S\u00e3o in\u00fameras comunidades \u00e0 beira dos rios, com acesso dific\u00edlimo a qualquer terra. Voc\u00ea tem os quilombolas, voc\u00ea tem comunidades gigantes, com culturas gigantes e pouco conhecidas. Porque n\u00f3s temos este problema da miopia ocidental que acha que tudo come\u00e7a no nosso umbigo.<\/p>\n<p>Essa grande pot\u00eancia que n\u00f3s somos s\u00f3 vai manifestar-se na sua plenitude quando percebermos que somos isso, somos ind\u00edgenas, sim, caboclos, ribeirinhos, quilombolas. Somos negros. E a floresta s\u00f3 est\u00e1 em p\u00e9 ainda por causa desses povos locais. Eles s\u00e3o os \u00fanicos capazes de viver l\u00e1 dentro e s\u00f3 vivendo l\u00e1 dentro voc\u00ea consegue manter a floresta de p\u00e9.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>H\u00e1 \u201ccentenas de milhares de Isauras,  pessoas que est\u00e3o sofrendo por opress\u00e3o, seja cultural, seja sexual, seja emocional\u201d<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disputa entre os seringueiros e os ind\u00edgenas, isso \u00e9 um facto, durante muitos anos havia uma briga interna, eles se tratavam como inimigos. E foi tamb\u00e9m o Chico Mendes, com o [l\u00edder ind\u00edgena] <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/16\/mundo\/entrevista\/ailton-krenak-vamos-refugiados-tal-humanidade-vai-so-refugiados-2056635\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ailton Krenak<\/a>, que criou a Alian\u00e7a dos Povos da Floresta, para unir os movimentos de defesa da floresta.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o hoje? Os l\u00edderes actuais est\u00e3o tamb\u00e9m sob amea\u00e7a?<\/strong><br \/>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ruim. No per\u00edodo do [Presidente <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/jair-bolsonaro\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jair] Bolsonaro<\/a> a situa\u00e7\u00e3o piorou muito porque ele armou ainda mais o povo l\u00e1 no Norte, que j\u00e1 era armado. Se voc\u00ea hoje pegar esses nichos de garimpeiros, de madeireiros, de povos que exploram a floresta, eles est\u00e3o armados at\u00e9 aos dentes. O que j\u00e1 havia de conflito se ampliou, o que havia de mortes e assassinatos aumentou. Eu termino o meu espect\u00e1culo com o invent\u00e1rio dos mortos. S\u00e3o mais de 400 assassinados nos \u00faltimos dez anos, segundo os dados da Pastoral da Terra.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                    &#13;<\/p>\n<p>As reservas extractivistas, que protegem \u00e1reas gigantes de floresta, est\u00e3o invadidas por gente do agroneg\u00f3cio. Antes, eles invadiam aliciando os seringueiros com umas cabecinhas de gado. Agora, recent\u00edssimo, pegaram uma quantidade gigantesca de gado dentro da reserva extractivista Chico Mendes. J\u00e1 \u00e9 uma invas\u00e3o do agro.<\/p>\n<p>A resistir, temos agora duas lideran\u00e7as, o Raimund\u00e3o, que estava l\u00e1 h\u00e1 40 anos, est\u00e1 com 92 anos, primo do Chico e personagem da minha pe\u00e7a e que est\u00e1 amea\u00e7ado de morte. E o J\u00falio Barbosa, que \u00e9 o presidente do comit\u00e9 nacional dos seringueiros.<\/p>\n<p>Quanto mais houver press\u00e3o para colocar o gado dentro da floresta derrubando a floresta\u2026 esse \u00e9 o grande drama, trocar a floresta por gado.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p><strong>Foi recentemente aprovado pelo Senado aquele a que os ambientalistas chamam PL da Devasta\u00e7\u00e3o (projecto de lei que flexibiliza as regras para o licenciamento ambiental no Brasil). Ainda t\u00eam esperan\u00e7a de que haja um recuo?<\/strong><br \/>A \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 o [Presidente] <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/lula-da-silva\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lula [da Silva]<\/a>, \u00e9 o executivo vetar [no in\u00edcio de Agosto, j\u00e1 depois da realiza\u00e7\u00e3o desta entrevista, Lula vetou 63 dos quase 400 artigos do projecto de lei, mas os ambientalistas afirmam que a nova legisla\u00e7\u00e3o continua a representar um perigo]. O Lula est\u00e1 muito pressionado pelo agro [agroneg\u00f3cio]. Eu n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto a gente vai conseguir pressionar o suficiente para ele ser convencido da import\u00e2ncia hist\u00f3rica de vetar isso. Isso \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o total. Com esse PL, vai acontecer muito rapidamente: a devasta\u00e7\u00e3o, a invas\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na bacia h\u00eddrica da Amaz\u00f3nia, a expuls\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. Isso \u00e9 o fim do Brasil. E se destru\u00edrem a Amaz\u00f3nia, \u00e9 o fim da humanidade. A gente j\u00e1 est\u00e1 num ponto em que a floresta mal consegue fazer o trabalho dela. A floresta vai parar de respirar, ela vai morrer, e isso n\u00e3o \u00e9 alarmismo.<\/p>\n<p><strong>Para terminar, n\u00e3o posso deixar de falar da Escrava Isaura. Apesar de ser de 1976, a telenovela continua a ser uma refer\u00eancia em muitos pa\u00edses e a ter impacto, at\u00e9 pol\u00edtico. Como explica isso?<\/strong><br \/>A Escrava Isaura tem todos os ingredientes de um cl\u00e1ssico: uma pessoa muito pura e pequena sendo oprimida de uma forma que ela n\u00e3o tem for\u00e7as para resistir. Essa hist\u00f3ria est\u00e1 viva hoje na humanidade em todas as culturas, diariamente, em qualquer lugar do mundo. Se fizer um corte vertical na sociedade, voc\u00ea vai encontrar centenas de milhares de Isauras, pessoas que est\u00e3o sofrendo por opress\u00e3o, seja cultural, seja sexual, seja emocional. Geralmente, os opressores s\u00e3o poderosos, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 o poder econ\u00f3mico. H\u00e1 milh\u00f5es de Isauras vivas, por isso a novela continua a repercutir e vai repercutir sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na mem\u00f3ria de tantos, ela ser\u00e1 sempre a Escrava Isaura, da telenovela brasileira hom\u00f3nima que fascinou Portugal no&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40457,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[989,964,785,726,27,28,315,1413,15,16,7954,14,1757,9500,25,26,21,22,12,13,19,20,32,10785,23,24,33,2387,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-40456","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-amazonia","9":"tag-ambiente","10":"tag-azul","11":"tag-brasil","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-cultura","15":"tag-cultura-ipsilon","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-florestas","19":"tag-headlines","20":"tag-ipsilon","21":"tag-ipsilon-papel","22":"tag-latest-news","23":"tag-latestnews","24":"tag-main-news","25":"tag-mainnews","26":"tag-news","27":"tag-noticias","28":"tag-noticias-principais","29":"tag-noticiasprincipais","30":"tag-portugal","31":"tag-povos-indigenas","32":"tag-principais-noticias","33":"tag-principaisnoticias","34":"tag-pt","35":"tag-teatro","36":"tag-top-stories","37":"tag-topstories","38":"tag-ultimas","39":"tag-ultimas-noticias","40":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40456\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40457"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}