{"id":405026,"date":"2026-06-03T14:13:10","date_gmt":"2026-06-03T14:13:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/405026\/"},"modified":"2026-06-03T14:13:10","modified_gmt":"2026-06-03T14:13:10","slug":"openai-resolveu-um-enigma-matematico-com-80-anos-mas-cientistas-criticam-processo-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/405026\/","title":{"rendered":"OpenAI resolveu um enigma matem\u00e1tico com 80 anos, mas cientistas criticam processo | Intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"<p>Para a grande maioria de n\u00f3s, a matem\u00e1tica avan\u00e7ada \u00e9 dif\u00edcil de compreender. No entanto, est\u00e1 presente no nosso quotidiano. \u00c9 a matem\u00e1tica que garante a encripta\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o multibanco, que orienta o GPS do telem\u00f3vel e que sustenta os avan\u00e7os na medicina. Por isso, quando as grandes empresas de intelig\u00eancia artificial decidem transformar os n\u00fameros no seu novo recreio, o impacto estende-se muito al\u00e9m dos laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>De acordo com uma not\u00edcia avan\u00e7ada pelo jornal norte-americano <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/06\/02\/science\/ai-mathematics-leiden-declaration.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The New York Times<\/a>, a OpenAI \u2014 a empresa respons\u00e1vel pelo <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/chatgpt\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">ChatGPT<\/a> \u2014 conseguiu recentemente apresentar uma alternativa para resolver um problema matem\u00e1tico com 80 anos. O enigma pertencia a uma extensa lista de desafios propostos pelo brilhante matem\u00e1tico h\u00fangaro <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/biography\/Paul-Erdos\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Paul Erd\u0151s<\/a> na \u00e1rea da geometria combinat\u00f3ria. Em termos simples, tratava-se de um problema sobre a forma como pontos e linhas se organizam no espa\u00e7o. O trabalho da m\u00e1quina foi t\u00e3o excepcional que impressionou os humanos. \u201cTrata-se de um trabalho verdadeiramente impressionante e eu aceit\u00e1-lo-ia para qualquer revista cient\u00edfica sem hesita\u00e7\u00e3o\u201d, admitiu ao jornal Jacob Tsimerman, especialista da Universidade de Toronto.<\/p>\n<p>Perante este avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, seria f\u00e1cil abrir as garrafas de champanhe. Contudo, no seio da comunidade cient\u00edfica, a festa deu rapidamente lugar \u00e0 apreens\u00e3o. Um grupo de 16 investigadores de topo, em conjunto com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es mundiais, redigiu a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Leiden sobre Intelig\u00eancia Artificial e Matem\u00e1tica\u201d. Ursula Martin, investigadora da Universidade de Oxford e uma das autoras, explicou que o manifesto visa servir de provoca\u00e7\u00e3o para \u201cenquadrar a conversa sobre as direc\u00e7\u00f5es futuras\u201d da disciplina.<\/p>\n<p>O grande receio dos subscritores do documento prende-se com o secretismo e com a comercializa\u00e7\u00e3o do conhecimento. A ci\u00eancia avan\u00e7ou durante s\u00e9culos com base numa partilha aberta e colaborativa, uma verdadeira \u201ceconomia de d\u00e1diva\u201d, na vis\u00e3o de Michael Harris, professor na Universidade de Columbia. Esse idealismo choca agora de frente com a l\u00f3gica puramente transaccional de multinacionais como a Google (<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/deepmind\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">DeepMind<\/a>), a Anthropic ou a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/openai\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">OpenAI<\/a>.<\/p>\n<p>Rodrigo Ochigame, investigador na Universidade de Leiden e tamb\u00e9m redactor do manifesto, descreveu o padr\u00e3o irritante destas tecnol\u00f3gicas. \u201cA hist\u00f3ria segue o mesmo padr\u00e3o de muitos outros an\u00fancios feitos por programadores comerciais de IA\u201d, criticou. E lamentou ainda a profunda opacidade da investiga\u00e7\u00e3o: \u201cA empresa n\u00e3o divulgou nada sobre os m\u00e9todos, os comandos escritos por humanos, os dados de treino ou os recursos computacionais consumidos.\u201d<\/p>\n<p>Pior ainda: os peritos sublinham que estas corpora\u00e7\u00f5es est\u00e3o a usar gratuitamente o trabalho publicado por matem\u00e1ticos ao longo de d\u00e9cadas sem pedirem autoriza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o o fazem por amor \u00e0 \u00e1lgebra. A matem\u00e1tica funciona apenas como um \u201cgin\u00e1sio\u201d de alta intensidade para melhorar o racioc\u00ednio das m\u00e1quinas, que s\u00e3o depois comercializadas para outras ind\u00fastrias, incluindo aplica\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p><strong>Uma avalanche de falsas certezas<\/strong><\/p>\n<p>A este cen\u00e1rio junta-se, segundo os matem\u00e1ticos, a falta de fiabilidade. A intelig\u00eancia artificial tem um talento inato para inventar resultados com uma convic\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel. Os editores das revistas cient\u00edficas queixam-se de estar a ser soterrados por uma avalanche de artigos gerados por IA que parecem perfeitamente cred\u00edveis \u00e0 primeira vista, mas que escondem falhas l\u00f3gicas profundas. E, descobrir o erro invis\u00edvel da m\u00e1quina, pode ser uma tarefa esgotante para o c\u00e9rebro humano. Se esta dissimula\u00e7\u00e3o for aplicada a sistemas cr\u00edticos do nosso dia-a-dia, como a gest\u00e3o do tr\u00e1fego ou o software de suporte m\u00e9dico, as consequ\u00eancias podem ser imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>Melanie Matchett Wood, matem\u00e1tica de Harvard, sublinha que a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/inteligencia-artificial\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">intelig\u00eancia artificial<\/a> \u201c\u00e9 uma ferramenta poderosa, e penso que ser\u00e1 uma grande ferramenta para acelerar a investiga\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica\u201d. Ainda assim, a acad\u00e9mica avisa que a comunidade tem de descobrir uma forma de a usar \u201cque mantenha a compreens\u00e3o humana da matem\u00e1tica\u201d. Se nos limitarmos a perguntar a uma m\u00e1quina e aceitarmos a sua resposta cega, sem percebermos o caminho, perdemos a nossa independ\u00eancia intelectual.<\/p>\n<p>No fundo, avaliar a matem\u00e1tica como um mero exame escolar com solu\u00e7\u00f5es exactas \u00e9 ignorar o seu verdadeiro prop\u00f3sito. Como lembra Ursula Martin, o estudo dos n\u00fameros \u00e9 tamb\u00e9m \u201co cultivo de ideias, compreens\u00e3o, discernimento e intui\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para a grande maioria de n\u00f3s, a matem\u00e1tica avan\u00e7ada \u00e9 dif\u00edcil de compreender. No entanto, est\u00e1 presente no&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":405027,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[995,27,28,109,107,353,246,15,16,14,414,933,25,26,21,22,24536,62,12,13,19,20,2430,23,24,110,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-405026","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-abre-conteudo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-em-destaque","tag-enter","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-ia","tag-inteligencia-artificial","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-matematica","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-openai","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-tecnologia","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=405026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405026\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/405027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=405026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=405026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=405026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}