{"id":405073,"date":"2026-06-03T14:57:18","date_gmt":"2026-06-03T14:57:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/405073\/"},"modified":"2026-06-03T14:57:18","modified_gmt":"2026-06-03T14:57:18","slug":"mundo-microbiano-de-otzi-o-homem-do-gelo-e-revelado-03-06-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/405073\/","title":{"rendered":"Mundo microbiano de \u00d6tzi, o Homem do Gelo, \u00e9 revelado &#8211; 03\/06\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>\u00d6tzi morreu de forma violenta h\u00e1 aproximadamente 5.300 anos na regi\u00e3o da atual fronteira entre <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/italia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">It\u00e1lia<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/austria\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00c1ustria<\/a>. Uma ponta de flecha, encontrada alojada em seu ombro esquerdo, levou a um sangramento fatal. Mas, de certa forma, o Homem do Gelo ainda vive, segundo uma pesquisa que saiu nesta quarta-feira (3) na <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1186\/s40168-026-02417-6\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista Microbiome<\/a>.<\/p>\n<p>Cientistas realizaram a an\u00e1lise mais abrangente at\u00e9 hoje do mundo microbiano da m\u00famia de \u00d6tzi, detalhando bact\u00e9rias, fungos e leveduras em m\u00faltiplos locais de tecido. O corpo, preservado por mil\u00eanios em condi\u00e7\u00f5es glaciais, foi descoberto em 1991. Ele representa a m\u00famia natural mais antiga conhecida da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/europa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Europa<\/a>.<\/p>\n<p>Foram identificados tr\u00eas mundos microbianos distintos dentro e sobre o corpo: bact\u00e9rias intestinais antigas que faziam parte do microbioma de \u00d6tzi; microrganismos adaptados ao frio derivados do ambiente glacial onde o corpo permaneceu; e micr\u00f3bios modernos introduzidos durante tr\u00eas d\u00e9cadas de conserva\u00e7\u00e3o em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/museu\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">museu<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso estudo revela que \u00d6tzi n\u00e3o \u00e9 uma rel\u00edquia est\u00e1tica e biologicamente inerte, ele \u00e9 um ecossistema din\u00e2mico&#8221;, disse o microbiologista Mohamed Sarhan, do Instituto de Estudos de M\u00famias da Eurac Research, em Bolzano, It\u00e1lia, autor principal do novo estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Seu corpo abriga organismos vivos, metabolicamente capazes, que est\u00e3o respondendo ativamente ao ambiente&#8221;, afirmou Sarhan. &#8220;As leveduras adaptadas ao frio est\u00e3o crescendo. Certas bact\u00e9rias colonizaram e persistiram em seus tecidos por d\u00e9cadas. A m\u00famia \u00e9, em um sentido muito real, uma interface biol\u00f3gica viva, um ponto de encontro entre o mundo antigo e o presente, onde micr\u00f3bios de 5.000 anos atr\u00e1s coexistem com organismos que chegaram na \u00faltima d\u00e9cada.&#8221;<\/p>\n<p>Para a arqueologia e a hist\u00f3ria humana, as bact\u00e9rias intestinais antigas fornecem uma rara janela para o ecossistema intestinal de um ser humano da Idade do Cobre \u2014antes que a industrializa\u00e7\u00e3o, os antibi\u00f3ticos e os alimentos processados transformassem os microbiomas humanos, o conjunto de micr\u00f3bios que vivem naturalmente dentro e sobre o corpo.<\/p>\n<p>Para a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ciencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ci\u00eancia<\/a> da conserva\u00e7\u00e3o, a descoberta de que leveduras adaptadas ao frio est\u00e3o crescendo ativamente em \u00d6tzi \u2014preservado a menos 6 graus Celsius no Museu de Arqueologia do Tirol do Sul, em Bolzano, para simular as condi\u00e7\u00f5es de seu sepultamento glacial\u2014 levanta quest\u00f5es sobre a integridade da m\u00famia a longo prazo.<\/p>\n<p>Os micr\u00f3bios encontrados no intestino de \u00d6tzi que datam de quando ele estava vivo inclu\u00edam bact\u00e9rias associadas a dietas pr\u00e9-industriais ricas em fibras, raramente encontradas em pessoas que vivem estilos de vida ocidentais modernos.<\/p>\n<p>&#8220;O desaparecimento delas dos intestinos ocidentais provavelmente est\u00e1 ligado a mudan\u00e7as na alimenta\u00e7\u00e3o, uso de antibi\u00f3ticos e menor exposi\u00e7\u00e3o a ambientes naturais. \u00d6tzi essencialmente nos mostra o que perdemos e, potencialmente, o que um dia podemos querer restaurar por raz\u00f5es de sa\u00fade&#8221;, afirmou o microbiologista.<\/p>\n<p>Algum desses micr\u00f3bios intestinais originais ainda estava biologicamente ativo?<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma das perguntas mais fascinantes e complexas que nosso estudo aborda&#8221;, respondeu Sarhan.<\/p>\n<p>&#8220;As bact\u00e9rias intestinais antigas apresentam assinaturas claras de danos ao DNA consistentes com milhares de anos de degrada\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Isso nos indica que o DNA delas \u00e9 genuinamente antigo. No entanto, se as c\u00e9lulas em si mant\u00eam alguma atividade metab\u00f3lica \u00e9 algo que n\u00e3o podemos determinar completamente s\u00f3 pela an\u00e1lise de DNA. O que podemos afirmar \u00e9 que foram preservadas de forma not\u00e1vel no ambiente anaer\u00f3bico protegido do trato intestinal por mais de cinco mil\u00eanios.&#8221;<\/p>\n<p>Pesquisas anteriores sobre o conte\u00fado estomacal de \u00d6tzi revelaram suas \u00faltimas refei\u00e7\u00f5es: carne de veado e cabra, al\u00e9m de trigo. Outros estudos mostraram que ele tinha cerca de 45 anos quando morreu, idade relativamente avan\u00e7ada para sua \u00e9poca, e era fisicamente robusto. Ele usava roupas confeccionadas com peles de diversas esp\u00e9cies de animais, carregava itens como um machado de cobre, arco longo, flechas e aljava, adaga de s\u00edlex, al\u00e9m de ter tatuagens geom\u00e9tricas.<\/p>\n<p>&#8220;Ele \u00e9 um visitante que nos oferece descobertas preciosas sobre o passado&#8221;, disse o microbiologista e coautor do estudo Frank Maixner, diretor do Instituto de Estudos de M\u00famias da Eurac.<\/p>\n<p>Os pesquisadores diferenciaram quais micr\u00f3bios estavam presentes durante a vida de \u00d6tzi e quais colonizaram seu corpo ap\u00f3s a morte. Depois da morte, o ambiente glacial introduziu sua pr\u00f3pria comunidade microbiana no corpo dele \u2014bact\u00e9rias e leveduras tolerantes ao frio provenientes do gelo e do solo ao redor.<\/p>\n<p>Micr\u00f3bios encontrados exclusivamente em tecidos internos profundos, apresentando alto dano ao DNA, estavam quase certamente presentes durante a vida de \u00d6tzi ou pouco depois, segundo Sarhan.<\/p>\n<p>Aqueles sem dano ao DNA e compat\u00edveis com o ambiente de conserva\u00e7\u00e3o eram introdu\u00e7\u00f5es modernas, enquanto os micr\u00f3bios derivados da geleira ficam em uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, representando coloniza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-morte, mas anterior \u00e0 descoberta, acrescentou o microbiologista.<\/p>\n<p>Os micr\u00f3bios vivos e biologicamente ativos eram as leveduras adaptadas ao frio na pele de \u00d6tzi e na \u00e1gua corporal interna.<\/p>\n<p>Sua transfer\u00eancia para o museu ap\u00f3s a descoberta iniciou uma nova onda de coloniza\u00e7\u00e3o microbiana.<\/p>\n<p>&#8220;Descobrimos que a \u00e1gua borrifada para manter a m\u00famia \u00famida introduziu uma assinatura dominante de bact\u00e9rias em suas superf\u00edcies externas. Essas introdu\u00e7\u00f5es modernas est\u00e3o efetivamente remodelando o microbioma externo da m\u00famia, uma consequ\u00eancia das pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o que n\u00e3o havia sido reconhecida anteriormente&#8221;, disse Sarhan.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00d6tzi morreu de forma violenta h\u00e1 aproximadamente 5.300 anos na regi\u00e3o da atual fronteira entre It\u00e1lia e \u00c1ustria.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":405074,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1146,4614,109,107,108,2556,445,236,1788,2217,233,209,3536,32,33,105,103,104,106,110,3062],"class_list":["post-405073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-austria","tag-biologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-dna","tag-europa","tag-folha","tag-genes","tag-genetica","tag-italia","tag-museu","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116686766069282755","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=405073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405073\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/405074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=405073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=405073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=405073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}