{"id":406588,"date":"2026-06-04T21:17:21","date_gmt":"2026-06-04T21:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/406588\/"},"modified":"2026-06-04T21:17:21","modified_gmt":"2026-06-04T21:17:21","slug":"procurar-o-melhor-restaurante-a-formula-que-feynman-rabiscou-ha-50-anos-estava-certa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/406588\/","title":{"rendered":"Procurar o melhor restaurante: a f\u00f3rmula que Feynman rabiscou h\u00e1 50 anos estava certa"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Richard_Feynman_undated.png\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">The Big T \/ California Institute of Technology \/ Wikipedia<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-746672\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Richard Feynman, pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica em 1965<\/p>\n<p><strong>Voltar ao restaurante de que gostamos ou procurar algo melhor? Richard Feynman resolveu este dilema, num guardanapo, no final dos anos 1970. Um novo estudo vem agora provar que tinha raz\u00e3o \u2014 e que as pessoas tendem, intuitivamente, a seguir a regra que o f\u00edsico postulou.<\/strong><\/p>\n<p>Quando o f\u00edsico <strong>Richard Feynman<\/strong> se sentou para almo\u00e7ar num restaurante tailand\u00eas na Calif\u00f3rnia, no final da d\u00e9cada de 1970, dificilmente poderia imaginar que os rabiscos que produziu durante a refei\u00e7\u00e3o viriam a ser saudados como a solu\u00e7\u00e3o \u00f3tima para um problema familiar a qualquer viajante ou turista.<\/p>\n<p>O dilema \u00e9 enganadoramente simples. Numa viagem a uma cidade nova, devemos <strong>voltar sempre ao primeiro<\/strong> restaurante de que gost\u00e1mos ou<strong> continuar a procurar<\/strong> todas as noites, na esperan\u00e7a de encontrar algo melhor?<\/p>\n<p>Meio s\u00e9culo mais tarde, um estudo acaba de confirmar que as equa\u00e7\u00f5es esbo\u00e7adas \u00e0 pressa pelo falecido Pr\u00e9mio Nobel eram <strong>matematicamente s\u00f3lidas<\/strong> \u2014 e que <strong>as pessoas comuns, sem nunca fazerem as contas<\/strong>, se comportam de forma surpreendentemente semelhante.<\/p>\n<p>Feynman <strong>formulou a quest\u00e3o em termos matem\u00e1ticos<\/strong> depois de o seu amigo <strong>Ralph Leighton<\/strong> se interrogar em voz alta sobre se devia ficar-se pelo seu frango com gengibre preferido ou<strong> aventurar-se mais para baixo na ementa<\/strong>, \u00e0 procura de um prato de que pudesse gostar mais. O f\u00edsico come\u00e7ou a rabiscar e, prontamente, afirmou ter encontrado uma resposta.<\/p>\n<p>Segundo a <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-026-00821-4\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Nature<\/a>, o restaurante em quest\u00e3o ficava em Glendale, perto de Pasadena. Leighton guardou as notas, mas a caligrafia notoriamente dif\u00edcil de Feynman manteve-as <strong>praticamente indecifr\u00e1veis durante d\u00e9cadas<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Tom Griffiths<\/strong>, cientista cognitivo atualmente na Universidade de Princeton, transcreveu-as na \u00edntegra pela primeira vez por volta de 2013, quando recolhia dados para um livro com o seu colaborador Brian Christian.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ficou ent\u00e3o adormecida at\u00e9 que os dois investigadores, com a colabora\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo cognitivo <strong>Evan Russek,<\/strong> da Universidade da Cidade de Nova Iorque, a retomaram em 2021.<\/p>\n<p>O que Feynman tinha feito, explicam os investigadores, foi transformar o dilema do comensal numa<strong> quest\u00e3o de teoria da decis\u00e3o<\/strong> e, mais concretamente, num \u201c<strong>problema de paragem<\/strong>\u201d \u2014 uma categoria de situa\u00e7\u00f5es em que algu\u00e9m tem de decidir quando uma procura \u00e9 suficientemente boa para ser dada por terminada.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A ess\u00eancia do problema<\/strong> est\u00e1 em que o valor de explorar, de olhar \u00e0 volta e experimentar algo novo, <strong>diminui as oportunidades que vamos ter<\/strong> de fazer uso dessa informa\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Griffiths ao <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2026\/jun\/01\/scientists-uncover-feynmans-formula-for-finding-best-holiday-restaurant\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">The Guardian<\/a>.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de Feynman consistia em <strong>definir um limiar de qualidade<\/strong> e <strong>experimentar um restaurante novo todas as noites<\/strong>, at\u00e9 que um deles o ultrapassasse.<\/p>\n<p>O ponto crucial \u00e9 que <strong>esse limiar n\u00e3o \u00e9 fixo<\/strong>: desce cada vez mais depressa \u00e0 medida que os dias restantes diminuem, porque resta menos tempo para desfrutar de uma boa descoberta.<\/p>\n<p>\u201cOs limiares s\u00e3o orientados pela <strong>melhor coisa que poder\u00edamos vir a encontrar<\/strong> se continu\u00e1ssemos \u00e0 procura\u201d, explicou Griffiths.<\/p>\n<p>A equipa foi tamb\u00e9m al\u00e9m do pressuposto de Feynman de que todos os restaurantes se inserem num intervalo uniforme de qualidade. Numa cidade com <strong>muitos restaurantes med\u00edocres e apenas uma ou duas joias<\/strong>, compensa explorar durante mais tempo; quando a maioria das op\u00e7\u00f5es est\u00e1, de forma fi\u00e1vel, acima da m\u00e9dia<strong>, o limiar desce e a procura prolongada torna-se um desperd\u00edcio<\/strong>.<\/p>\n<p>Para testar como se comportam as pessoas reais, os investigadores recrutaram <strong>2.520 participantes para uma experi\u00eancia online<\/strong>, e pediram-lhes que imaginassem estar a visitar uma cidade durante um per\u00edodo de uma a quatro semanas e que <strong>escolhessem um restaurante para cada noite<\/strong>.<\/p>\n<p>Os jogadores<strong> ganhavam pontos que refletiam a qualidade dos restaurantes<\/strong>, numa escala de 1 a 100, e que deveriam tentar maximizar a sua pontua\u00e7\u00e3o. Os participantes mostraram-se <strong>progressivamente menos dispostos a arriscar<\/strong> em novos estabelecimentos <strong>\u00e0 medida que a estadia se aproximava do fim<\/strong>.<\/p>\n<p>Em vez de seguirem o decl\u00ednio acelerado de Feynman, por\u00e9m, o seu limiar descia <strong>de forma linear com a propor\u00e7\u00e3o de noites em falta<\/strong>, uma regra mais simples que, ainda assim, <strong>funcionava bem<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O modelo tem limita\u00e7\u00f5es<\/strong>. Por exemplo, nota Christian, <strong>ignora o t\u00e9dio<\/strong>, uma vez que a solu\u00e7\u00e3o \u00f3tima da f\u00f3rmula \u00e9 <strong>fixarmo-nos num \u00fanico prato para sempre<\/strong>.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/full\/10.1073\/pnas.2509612123\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, publicado na segunda-feira na Proceedings of the National Academy of Sciences, \u00e9 <strong>mais do que um mero exerc\u00edcio acad\u00e9mico<\/strong> para validar os rabiscos de Feynman \u2014 e a sua import\u00e2ncia vai al\u00e9m da resolu\u00e7\u00e3o do dilema que assalta com frequ\u00eancia turistas indecisos.<\/p>\n<p>Com efeito, salienta <strong>Shoham Choshen-Hillel<\/strong>, cientista comportamental da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, a f\u00f3rmula de Feynman tem aplica\u00e7\u00e3o em escolhas mais importantes \u2014 da compra de uma casa at\u00e9 \u00e0 escolha da pessoa com quem queremos partilhar a nossa vida.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1780606103_984_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"The Big T \/ California Institute of Technology \/ Wikipedia Richard Feynman, pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica em 1965&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":406589,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,4782,15,16,14,25,26,21,22,24536,62,12,13,19,20,23,24,4740,2503,17,18,1456,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-406588","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-dilema","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-matematica","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-psicologia","tag-restauracao","tag-top-stories","tag-topstories","tag-turismo","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116693922929491960","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/406588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=406588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/406588\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/406589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=406588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=406588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=406588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}