{"id":407584,"date":"2026-06-05T16:09:14","date_gmt":"2026-06-05T16:09:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/407584\/"},"modified":"2026-06-05T16:09:14","modified_gmt":"2026-06-05T16:09:14","slug":"peixes-dormem-de-forma-muito-parecida-com-a-nossa-05-06-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/407584\/","title":{"rendered":"Peixes dormem de forma muito parecida com a nossa &#8211; 05\/06\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Como os humanos, a maioria dos peixes \u00e9 diurna, o que significa que dormem sobretudo \u00e0 noite. E, assim como n\u00f3s, quando cochilam, eles ficam im\u00f3veis e demoram a responder a est\u00edmulos ambientais. Al\u00e9m disso, se forem privados de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sono\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sono<\/a>, compensar\u00e3o a perda dormindo mais na noite seguinte.<\/p>\n<p>Um novo estudo, publicado no m\u00eas passado na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-72222-0\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista Nature Communications<\/a>, mostrou quanto o sono dos peixes se assemelha ainda mais ao nosso.<\/p>\n<p>Ao rastrearem os movimentos oculares de peixes-zebra, os pesquisadores conseguiram identificar quatro subestados de sono, semelhantes aos est\u00e1gios que os cientistas descreveram em humanos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma complexidade na estrutura do sono deles&#8221;, disse Jennifer Mengbo Li, coautora do estudo e neurocientista do Instituto Max Planck de Cibern\u00e9tica Biol\u00f3gica, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/alemanha\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alemanha<\/a>.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dos quatro subestados ocorrem \u00e0 noite, durando ao todo dez horas.<\/p>\n<p>O primeiro e mais profundo \u00e9 caracterizado por um olhar fixo e im\u00f3vel.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as horas de vig\u00edlia se aproximam, um segundo subestado, mais leve, instala-se: os olhos do peixe-zebra se movem lateralmente na mesma dire\u00e7\u00e3o, antes de retornarem lentamente ao centro.<\/p>\n<p>No terceiro subestado, que ocorre quando a manh\u00e3 se aproxima, ambos os olhos se voltam para o mesmo lado e permanecem ali.<\/p>\n<p>Durante o quarto e \u00faltimo subestado, que acontece em breves intervalos ao longo do dia, os olhos do peixe-zebra se movem de um lado para o outro, como se estivessem vasculhando o ambiente em busca de poss\u00edveis riscos.<\/p>\n<p>Mas os olhos podem enganar: esses cochilos de 5 a 10 minutos s\u00e3o profundos o suficiente para que grande parte da atividade cerebral seja suprimida, e os esp\u00e9cimes s\u00e3o dif\u00edceis de acordar.<\/p>\n<p>Como parte do estudo, os pesquisadores utilizaram um sistema aut\u00f4nomo de microsc\u00f3pio e c\u00e2mera autodirigido. Projetado pelo neurocientista Drew Robson, coautor do estudo e tamb\u00e9m do Max Planck, o sistema acompanhou 105 peixes pelo aqu\u00e1rio enquanto eles nadavam, ca\u00e7avam e dormiam.<\/p>\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que conseguimos registrar o c\u00e9rebro inteiro de um animal em movimento livre&#8221;, disse o autor principal do estudo, Vikash Choudhary, doutorando do Instituto Max Planck.<\/p>\n<p>Como os peixes-zebra s\u00e3o transparentes durante suas tr\u00eas primeiras semanas de vida, \u00e9 poss\u00edvel observar diretamente seus c\u00e9rebros por meio de imagens de c\u00e1lcio, acompanhando quais neur\u00f4nios disparam em conjunto com os v\u00e1rios est\u00e1gios do sono. Isso permite que os pesquisadores examinem o c\u00e9rebro em atividade enquanto registram simultaneamente os movimentos de todo o corpo e dos olhos.<\/p>\n<p>&#8220;Os pesquisadores conseguiram demonstrar que os peixes-zebra t\u00eam estados de sono espec\u00edficos e que certas popula\u00e7\u00f5es de neur\u00f4nios s\u00e3o ativadas e podem ser marcadores desses estados de sono&#8221;, afirmou o bi\u00f3logo David Prober, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia), que n\u00e3o participou do novo estudo.<\/p>\n<p>Prober argumenta que o c\u00e9rebro do peixe-zebra \u2014embora menor e mais simples que o c\u00e9rebro humano\u2014 pode ajudar a identificar os mecanismos mais essenciais associados ao sono. O laborat\u00f3rio em que o bi\u00f3logo atua descobriu que muitos dos genes, neur\u00f4nios e medicamentos que regulam o sono em humanos e outros mam\u00edferos t\u00eam efeitos semelhantes em peixes.<\/p>\n<p>Michael Heithaus, ecologista marinho da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> Internacional da Fl\u00f3rida que n\u00e3o participou do estudo, disse ser empolgante ver que os cientistas come\u00e7aram a distinguir esses diferentes estados de sono e a tentar entender sua finalidade. Embora saibamos que todos os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/animais\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">animais<\/a> dormem durante grande parte de suas vidas, as raz\u00f5es e os mecanismos que regulam o sono n\u00e3o s\u00e3o bem compreendidos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como muitas coisas na biologia: quanto mais olhamos por baixo do cap\u00f4, mais complexo \u00e9&#8221;, afirmou o ecologista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como os humanos, a maioria dos peixes \u00e9 diurna, o que significa que dormem sobretudo \u00e0 noite. 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